quarta-feira, outubro 16, 2019

O Escândalo da Ucrânia e o Impeachment de Trump


Donald Trump e Vladimir Zelenski, 25 setembro de 2019


O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald J. Trump, está atravessando o momento mais crítico de seu mandato. A Câmara dos Representantes (correspondente à Câmara dos Deputados, no Brasil), controlada pelos Democratas, o Partido de oposição, entrou com um pedido de Impeachment ao seu mandato presidencial. Na história do país, nunca um Presidente foi impichado, e quando isto teve início o próprio Presidente em exercício renunciou antes, caso de Richard Nixon, ou tiveram seus processos anulados em uma segunda etapa.
Tentativas de tirar o Donald Trump do cargo presidencial não são novidade, mas, o escândalo envolvendo o Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, apresenta indícios que fizeram o assunto ressurgir com força. Denúncia interna da Casa Branca feita em setembro cita uma conversa que teria ocorrido em julho (2019), na qual Trump teria pedido à Zelenski para investigar Hunter Biden, o filho de seu principal rival político à eleição de 2020, Joe Biden, por corrupção, quando ele fazia parte do conselho de uma empresa de gás da Ucrânia. Joe Biden foi vice-presidente dos Estados Unidos no governo de Barack Obama, entre janeiro de 2009 a janeiro de 2017, e, até antes desse caso, já considerado como escândalo por alguns analistas, era o candidato com mais chances de derrotar Donald Trump nas eleições presidenciais de 2020.
Dias antes da conversa ter ocorrido, Trump reteve a verba destinada à Defesa da Ucrânia, país envolvido em grave conflito interno na região de Donbass. Na conversa, o mandatário estadunidense acusa a União Europeia de não ajudar a Ucrânia como poderia e, implicitamente, condiciona a liberação de fundos para Defesa do país, cerca de 1,635 bilhão de reais (que já haviam sido acertados anteriormente) à investigação do filho de Joe Biden, Hunter Biden, por enriquecimento quando conselheiro de uma empresa de gás naquele país. Embora a questão da ajuda militar e econômica não estivesse mencionada explicitamente na conversa entre os dois Chefes de Estado, a oposição entende que isto se encontrava nas entrelinhas, ao passo que o Presidente dos Estados Unidos nega enfaticamente.
Joe Biden e Barack Obama, 2008

Para o Juiz Andrew Napolitano, o fato de Trump ter assumido que ligou ao Presidente da Ucrânia pedindo ajuda é uma confissão de culpa, e o Presidente norte-americano teria cometido um crime. Ou seja, independentemente de ter havido chantagem ou não neste caso, o simples pedido de ajuda em uma investigação para prejuízo de um rival político por um Presidente dos Estados Unidos a um líder estrangeiro é ilegal. Mesmo Trump tendo anunciado que revelaria a transcrição do diálogo, os Democratas consideraram insuficiente, ao que a Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, do Partido Democrata, deu início ao processo de Impeachment. Em suas palavras, “as ações tomadas pelo Presidente violaram seriamente a Constituição”.
Vladimir Zelenski também não sai ileso deste caso. Na referida conversa com Trump, ele responde afirmativamente que nomearia um novo Promotor “100% de minha confiança [que] investigaria a situação”. Na conversa, após Zelenski expressar seu desejo de comprar mísseis antitanque, produzidos pela Raytheon, que são ideais para repelir ataques dos blindados russos utilizados pelos rebeldes na guerra do Donbass, Trump respondeu: “gostaria que você fizesse um favor”.
Burisma Holdings
Em maio de 2014, Hunter Biden era nomeado conselheiro da empresa de gás ucraniana Burisma. Fundada em 2002, a maior produtora privada de gás do país se apresentava como uma empresa de energia em expansão para além das fronteiras da Ucrânia. Seu fundador, Mykola Zlochevsky, foi responsável pela expansão da corporação, ao mesmo tempo em que era Ministro da Ecologia e Recursos Naturais da Ucrânia, entre julho de 2010 e abril de 2012. Dentre suas atribuições estavam emissões de licenças de perfuração de gás durante o governo de Viktor Yanukovych, até este demiti-lo.
Mykola Zlochevsky, 2014

A conjuntura internacional em que Hunter Biden foi admitido no conselho era da anexação da Crimeia pela Rússia e da insurgência de rebeldes apoiados por Moscou no Leste. Ainda assim, havia esperanças de que o novo governo de Petro Poroshenko adotasse reformas que combatessem a corrupção endêmica. Nesse contexto, a Burisma foi alvo de uma investigação de lavagem de dinheiro e questionamentos sobrecomo havia obtido certas licenças para extração de gás naturalA partir daí é que a empresa nomeia Hunter Biden para seu conselho, e também a Aleksander Kwasniewski, ex-presidente polonês, e a Cofer Black, ex-funcionário da CIA e consultor de política externa na campanha presidencial de Mitt Romney, em uma tentativa de melhorar sua imagem.
Acusações como as feitas por Trump, de que Joe Biden pressionou pela demissão do antigo promotor que investigava as ações da Burisma não foram confirmadas até então pelo governo da Ucrânia. As investigações sobre a corrupção na empresa envolvendo o nome de Hunter Biden datam de 2016 e dois promotores já passaram por ela sem apontar qualquer indício de corrupção. O assunto gerou polêmica e o recém nomeado Promotor-Chefe da Ucrânia, Ruslan Ryaboshapka, afirmou que vai retomar as investigações, desde antes da posse de Biden, em 2014.
Mesmo que não haja indícios, há quem alegue conflito de interesses, especialmente quando o filho de um político influente no governo dos Estados Unidos à época recebe um cargo em uma das maiores empresas de outro país. Tudo que se sabe de concreto sobre ganhos de Hunter Biden, até o momento, segundo o The Wall Street Journal, é de que recebia aproximadamente 205,7 mil reais mensais (em valores atualizados) como diretor da empresa. Ao que tudo indica, a sua contratação fazia parte de uma estratégia comercial da empresa para expandi-la, a fim de angariar credibilidade em um governo estrangeiro, que, à época, prestava apoio internacional à Ucrânia contra a Rússia.
Em termos políticos, ao divulgar as conversações por inteiro, analistas consideram que Trump cometeu um erro político, pois, mesmo que o filho de Biden pudesse ter algum envolvimento com a corrupção em outro país e se beneficiasse dela, investigá-lo não caberia ao Presidente em exercício dos Estados Unidos, ou seja, ao Poder Executivo, e, sim, ao Departamento de Justiça daquele país.
Se o processo de Impeachment passar na Câmara dos Representantes, onde os Democratas são maioria, Trump seria o terceiro Presidente da história dos Estados Unidos a sofrer um processo deste tipo. Caso o processo seja aprovado neste estágio, ele passa a ser avaliado pelo Senado, onde os Republicanos, Partido do atual mandatário, são maioria. Neste momento, enquanto os Senadores agem como jurados, os deputados servem como fiscais do processo. Para Trump perder seu cargo não basta que a maioria simples do Senado (50% mais um) vote pelo impeachment, mas, sim, dois terços da casa.
Mesmo que, porventura, Trump seja destituído do cargo isto não significa que não possa se candidatar novamente para as eleições em 2020. Como se trata de um político com altos índices de aprovação (e de rejeição), é possível que a polarização política já existente se acentue e torne o apoio a sua reeleição ainda maior, sem que, no entanto, haja um nome proporcionalmente forte para disputar o cargo pela oposição. O governo de Vladimir Zelenski, por sua vez, pode sofrer algum revés dessa situação política nos Estados Unidos até que tudo seja esclarecido, o que também pode ser um prejuízo à sua estratégia de defesa territorial, particularmente no Donbass, para onde o Crédito de Defesa dos Estados Unidos se destinava.
Por outro lado, as consequências desta crise para a Ucrânia podem ser positivas. Vijai Maheshwari, escritor e empresário baseado em Moscou, considera que novos acordos podem surgir entre Kiev e Moscou, com a articulação de outras lideranças, como o francês Emmanuel Macron, p.ex., ou ainda, numa tentativa de reverter seu prejuízo político, Donald Trump pode se dedicar mais enfaticamente a um acordo de paz entre os dois países: Rússia e Ucrânia. E, por fim, mas não finalmente, Kiev poderia jogar com estratégia para se alinhar politicamente com mais centros decisórios, em uma ordem verdadeiramente multipolar, reduzindo sua dependência de Washington.
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Notas:
[1]Andrew Johnson Bill Clinton foram cassados pela Câmara dos Representantes ou Câmara Baixa, mas absolvidos pelo Senado, também chamado de Câmara Alta. Richard Nixon teve seu processo suspenso, uma vez que acabou renunciando antes de o Congresso votar o caso.
[2] 400 milhões de dólares, na cotação de 8 de outubro de 2019, de acordo com o Banco Central do Brasil.
[3]Raytheon Company, a maior produtora de mísseis guiados do mundo, é um conglomerado de empresas dos Estados Unidos que atua na área de armamentos e equipamentos eletrônicos para uso militar e civil.
[4] Cabe observar que Mykola Zlochevsky não foi demitido do governo, mas do cargo, sendo nomeado como Secretário Adjunto do Conselho de Segurança e Defesa Nacional em 20 de abril de 2012.Viktor Yanukovych foi o Presidente ucraniano expulso do país durante o processo revolucionário conhecido como “Euromaidan”, que afasta a Ucrânia da política externa de Moscou.
[5] 50.000 dólares por mês, segundo o WSJ.
[6] Conferir a primeira nota [1], dois presidentes americanos sofreram o processo, mas nenhum acabou por sofrer o impeachment.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Donald Trump e Vladimir Zelenski, 25 setembro de 2019” ( Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Volodymyr_Zelensky_and_Donald_Trump_2019-09-25_01.jpg
Imagem 2 “Joe Biden e Barack Obama, 2008 ( Fonte):https://en.wikipedia.org/wiki/Barack_Obama_2008_presidential_campaign
Imagem 3 “Mykola Zlochevsky, 2014” (Fonte): https://uk.m.wikipedia.org/wiki/%D0%A4%D0%B0%D0%B9%D0%BB:ZlochevskiyN.jpg

Originally published at https://ceiri.news on October 16, 2019.

terça-feira, outubro 15, 2019

A ERA RIO BRANCO - EDUARDO BUENO

Bah! Meu chapa... Tu não estava aqui, mas depois desse teu vídeo, bati palmas. Parabéns, por veicular uma memória que se eu tivesse antes teria construído uma visão mais benigna do Brasil e, consequentemente, de nós mesmos.



quinta-feira, outubro 10, 2019

Um Marco na Minha Vida (literalmente)

Hoje, dia 10 de outubro de 2019, anotem aí… Foi um marco na minha vida. Poucas pessoas poderão se vangloriar de um feito como o meu. Realizado por MIM, sem ajuda de NINGUÉM! Só eu e minhas circunstâncias, como diz o outro… O negócio vai pro meu currículo de realizações pessoais, o Linkedin já tá bombando. Quando escreverem minha biografia… Melhor! Na lápide, na minha lápide estará lá gravado na rocha:
“Aqui jaz Anselmo Heidrich, o homem que grampeou o próprio dedo.”
Invejem, caros mortais. Quem no Sistema Sola… Não! Na Via Láctea! Isso, nesta nossa dimensão, melhor! Seria capaz de tal feito?! Quem? Quem? QUEM?! SOLAMENTE YO QUE VOS HABLA!
Acontece que hoje … (Tudo tem um contexto e atenuantes, não riam que foi sério.) É dia do lixo ser recolhido e eu, com meu tempo exíguo fui guardar os saquinhos e para facilitar a vida de nossos servidores públicos, os lixeiros, que estes trabalham de verdade… Aproveito e os coloco dentro de um saco maior, o da ração dos cães, saco de 15, 20 ou 25kg, varia, mas este era um menor, de 15kg e como ficou meio apertado, dobrei a borda e grampeei. Como os grampos tinham acabado no meio da lida, fui carregar a munição e sabe quando o conjunto de grampos se parte? Daí fui lá eu (CLARO QUE TEM QUE EXPLICAR, PODERIA ACONTECER COM QUALQUER UM CARALHO!) Daí fui lá eu colocar de novo no aparelhinho e para não perder o timing (sim, se não desandava de novo) apertei com força, destreza e agilidade ímpares! Só que… Só que… Como diz aquele famoso poema “tinha um dedo no meio do caminho, no meio do caminho tinha um dedo”. Bem, pra encurtar a história, não fiz um selfie e sei que muitos não acreditarão na história porque poucos têm a capacidade de se aventurar com tais tecnologias modernas superando sua condição primitiva de empacatodares normais. Eu superei meus medos, eu me atrevi e fiz o que fiz, um belo de um dedo indicador esquerdo inchado.
Mas não há de ser nada, como hoje em dia não há merthiolate (coisa dessa 🇺🇳ditadura🇺🇳gay🇺🇳globalista🇺🇳 que nos quer sensíveis e inaptos ao saber estóico) fui de repelente mesmo. Taquei-lhe uma boa dose até arder e matar tudo para cobrir minha cicatriz com um band-aid.
Antes de você imprimir e emoldurar, lembre-se:
ISTO NÃO É PARA QUALQUER UM!
Boa noite,
Anselmo Heidrich🏴
PS: Não, não tirei foto, tava com o dedo latejando demais pra pegar num diabo dum celular.

terça-feira, outubro 08, 2019

Esses são os mitos que a ESQUERDA precisa parar de acreditar sobre os Es...

Sobre os moradores de rua, assim como no outro vídeo (sobre os "mitos da direita"), eu pergunto se as causas são menos "econômicas" do que "sociais"... P.ex., certa vez li (desculpe, vão ter que confiar em mim, não tenho a fonte) que o número de moradores de rua na cidade de Nova York aumentou muito após a adoção de uma lei aplicada no norte da Itália (e já abandonada) de reintegração de portadores de transtornos mentais à família, o que tem bastante a ver com um movimento chamado "antimanicomial" (sim, já existe no Brasil e padecemos por conta disto). Novamente, apenas coloco observações pontuais sem pretensão à generalização para todos os moradores de rua.

Atenciosamente,
a.h



Esses são os mitos que a DIREITA precisa parar de acreditar sobre os Est...

Olha... Esta atuação diferencial da Justiça teria que passar da descrição e caracterização para o campo das hipóteses e teorias porque do jeito que foi narrado dá a entender que é uma questão meramente discriminatória. Não estou insinuando de que não existam causas sociais que propiciam (não que determinam) tal situação, mas em uma maior aproximação do que acontece, deve haver padrões comportamentais reproduzidos pelas próprias culturas locais. Esta é uma suposição, reconheço, mas sua própria refutação já esclareceria algo sobre a causalidade envolvida. 
Quanto aos imigrantes, nada a contestar. Imagino que a gritaria contra a imigração tenha a ver mais com o sentimento de perda como contraponto a um ideal de sociedade por parte de grupos isolados, dentro das próprias áreas urbanas etnicamente misturadas. Isso leva ao medo que quando combinado à desinformação acarreta violência. 


domingo, outubro 06, 2019

Impeachment de Trump : Ucrania lo puede derrocar

Brincando a Gente se Entende


Na verdade, rir de si próprio ou da situação, quando ruim especialmente, é algo disruptivo. Uma vez li um texto desses caras que eram de esquerda, mas criticavam a esquerda, um tal de Jean-Pierre Dupuy (acho que era esse o nome), Introdução à Crítica da Ecologia Política em que ele avaliava a importância da brincadeira entre os símios para a evolução da inteligência. E o problema desse pessoal (veja o mesmo acontecendo com os bolsonaristas que censuram com ferocidade quem escarnece de seu “mito”) é que quando perdem este senso de rir dos outros e de si próprio só lhes resta o dogmatismo para atrair novos filiados. Veja que os primeiros a rodarem e terem suas cabeças a prêmio foram os humoristas, Gentili, Adnet etc. Com o tempo, isso será educativo, mas a um alto custo para os brasileiros, os extremistas bolsonaristas e olavistas terão o mesmo destino dos petistas: cairão em total descrédito, exceto para sua massa de fanáticos manipuláveis.
Anselmo Heidrich
06 out. 19
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