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domingo, novembro 27, 2016

A desigualdade nunca foi o grande problema


Imagine que tivéssemos uma máquina do tempo e viajássemos para qualquer lugar do Brasil no início do século XX. E chegando nesta época conhecêssemos um cidadão de classe média, que vivesse em uma cidadezinha afastada sem acesso a um serviço médico permanente, sem água tratada e tivesse que içar um balde de um poço para encher sua tina d’água diariamente, sem sistema de coleta de dejetos, que com muito custo e dificuldade conseguisse poupar um dos filhos da lida rural e o pusesse na escola para garantir uma vida melhor (enquanto que todos os outros, normalmente mais de seis) o financiassem com seu trabalho bruto. Este cidadão, no entanto, contava com uma casa humilde, porém sua, mas tivesse que fazer uso de tração animal para se deslocar ao trabalho e levar sua produção ao mercado local, pois não havia ainda veículos motorizados que reduzissem o tempo e, portanto, o custo da produção e distribuição. Veja... Este indivíduo, em relação à imensa maioria da população pobre era considerado “classe média” e, nos comovendo com sua situação penosa de vida lhe propuséssemos o seguinte “o Sr. gostaria de viajar conosco uns 80 anos para a frente e desfrutar de uma vida muito, mas muuuiiitooo mais cômoda, com água quente e frequente, luz ao simples toque, carroças que andam tão veloz quanto um pássaro, todas as crianças com direito aos estudos, grandes armazéns com tantos produtos que perderíamos dias contando seus itens e a mágica da cura e do tratamento na maioria disponíveis em ‘balinhas’ etc.?” O cidadão, caso acreditasse em nós e não tentasse nos internar, muito provavelmente aceitaria a oferta de pronto. Daí, sabendo da posição que iria deter na escala social achamos por bem lhe dar o aviso “mesmo estando em uma posição bem melhor que a atual neste bravo novo mundo que irá se descortinar perante o Sr., devemos lhe informar que vossa família estará situada em um dos níveis mais baixos de nossa sociedade. Mesmo tendo todos estes itens de conforto disponíveis e de fácil acesso, alguém em situação média deterá um nível socioeconômico muito superior ao Sr. e seus dependentes”. Surpreso com esta informação, o cidadão pensa um pouco e diz “preciso refletir melhor e consultar minha esposa...”

Caso tenha entendido o que se passou aqui, o grande problema não é a desigualdade socioeconômica e sim a pobreza absoluta, mas não é isso que, infelizmente, é percebido com clareza. Para a maioria da sociedade, uma situação melhor para cada unidade familiar não é percebida como tal se não deixamos nosso vizinho “comendo poeira”, isto é, se não nos destacamos na escala social porque, simplesmente, nossa percepção é relativista, toma parâmetros em comparação. A desigualdade significa, em termos simples, em diversidade e o problema real é a igualdade que nivela todos por baixo. O mau uso das palavras, seja na mídia, seja na academia, no dia a dia enfim é que impede que tenhamos o foco nos reais problemas dificultando o entendimento desta sociológica porque, na verdade, somos reféns de uma psicológica, que tem a inveja como ponto nevrálgico: eu me comparo ao vizinho e não comigo mesmo, eu quero demonstrar aos outros que estou melhor e não provar para mim mesmo que lutei, cresci e venci.




segunda-feira, abril 22, 2013

Pobrezas Absoluta e Relativa

Sobre: Banco Mundial fixa 2030 como meta para fim da pobreza extrema - Economia - Notícia - VEJA.com
Qual realmente importa? As duas são importantes, mas apesar do nome são bem diferentes. Pobreza deveria ser isto, apenas pobreza, mas se todos (ou a imensa maioria) ao nosso redor apresenta um padrão de vida bem superior ao nosso, mesmo que nosso padrão de vida tenha evoluído para o dobro em uma década, a sensação de pobreza não nos abandonará. Portanto, mesmo que se diga que a pobreza absoluta terminará em 2030, podem apostar, haverá quem diga que "a pobreza relativa é o que realmente importa", pois a desigualdade seria indutora de crimes e sensação de insegurança devido às diferenças de renda. O que não é verdade, pois não é simples assim. Vejamos a comparação ao final do artigo sobre Brasil e China, nosso país foi citado como tendo combatido e diminuído a desigualdade, um caso de sucesso como exemplo. Mas, vem cá... Não foi a China que abandonou a taxa histórica de miséria absoluta herdada de sua história e acirrada pelo comunismo de Mao Tsé-Tung? E o Brasil, que mágica é esta que fez para diminuir a desigualdade? Trouxe milhões para um patamar de renda superior ao mesmo tempo que achatou a classe média. Digam que não estão pagando mais impostos, se é que discordam de mim. Não estou defendendo a ignorância e o descaso para os com mais pobres, mas não seria promissor sonhar com um método como o chinês em que os pobres realmente diminuem graças ao enriquecimento geral?

domingo, janeiro 08, 2012

A ladainha da pobreza americana


Excelente artigo que desmistifca a ladainha do jogo de soma zero sobre a pobreza Americana:
If we really want to know what happened to the poor of 1979, we need to be able to track specific households through time. Fortunately, we can. According to researchers at the University of Michigan, households in the bottom fifth in 1975 earned an average of almost $28,000 more per year by 1991, adjusted for inflation. According to U.S. Treasury data, a whopping 86 percent of households in the bottom fifth in 1979 had climbed out of poverty by 1988.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Are Americans living in poverty better off today than they were in 1959? - Slate Magazine


Excelente matéria. Desmistifica muita bobagem que é dita por aí:



Are Americans living in poverty better off today than they were in 1959?

How Rich Are Poor People?
The Census Bureau says there are more Americans in poverty than ever. Are the poor better off today than they used to be?
How many amenities do people below the poverty line tend to have? Click image to expand.
More than 46 million Americans are now living below the poverty threshold, according to numbers released by the Census Bureau on Tuesday. That's the highest number since the Bureau started keeping track of the statistic in 1959. Are poor people better off now than they were 52 years ago?