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quarta-feira, junho 08, 2016

Estupro: como tirar o foco da questão


Não é possível, o Bolsonaro deve ter um vírus no cérebro, um chip danificado. Mesmo quando ele tem TUDO para acertar, consegue dizer besteira, chega no gol e chuta pra fora:

"Vamos esperar o parecer final, a decisão final, que seria bom que fosse um delegado, agora passaram para uma delegada..." (1:15 - 1:20).
Cf. https://www.youtube.com/watch?v=QqS6LBhyuuc&app=desktop

Qual o problema, não entendo? O cara fala contra a impunidade (certíssimo) que favorece o estuprador. Daí chega e diz que seria melhor que fosse um delegado e não uma delegada? Ele trouxe a baila aqui, novamente, argumentos para desfocar a questão dando chance para quem ele critica fazer, justamente, o que sempre faz, deslocar a questão do crime, da agressão, da impunidade para uma mera questão de gênero. O cara consegue desconsiderar a competência da delegada (que deve ter) para seu sexo. Não dá, eu bem que tento achar algo bom na briga desse deputado, mas ele pisa muito no tomate... 
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Fas est et ab hoste doceri – Ovídio
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quarta-feira, janeiro 20, 2016

O Feminismo Seletivo ignora o Islã


A dominação, seja ela de quem for só existe porque o dominado consente e aceita como algo 'natural'. Quando uma mulher muçulmana, tapada com seu véu acha que a "liberdade de expressão é terrorismo ocidental", então a situação é muito pior do que imaginamos... Imagem: infielatento.blogspot.com.br

Baita dica do colega Xavier, sobre o tratamento dispensado às mulheres no islã:
https://conscienciavisionaria.wordpress.com/2015/08/31/como-as-mulheres-de-todas-as-idades-sao-vistas-pelo-isla/. Sabe... Nunca refleti muito sobre este negócio de feminismo. Para mim, antes mesmo de eu enveredar pelo liberalismo, a coisa toda era bastante simples: se uma mulher ou grupo de mulheres ou o sexo feminino inteiro tivesse alguma desvantagem em relação aos homens, fruto de injustiça, eu apoiava a reparação. Quando comecei a ler sobre o assunto, pouco é verdade, percebi que muitas das demandas das mulheres não se resolviam no final, na consequência, na ponta do processo obrigando empregadores (ou empregadoras) a contratar mais mulheres ou lhes pagar mais, MAS sim ao prepará-las melhor para o mercado de trabalho. Mas isto, aí é que está... Não é algo que os homens devam fazer por elas, mas elas que devem fazer por si mesmas. Ou seja, elas devem se preparar melhor para o mercado de trabalho (o que, na verdade, já estão fazendo a todo vapor), abdicar de ficar grávida (ao menos temporariamente) e, assim como os homens, lutar por uma simplificação, quando não mudança mesmo de nossa legislação trabalhista arcaica. Eu não digo isto, especialmente o 2º item de bom grado, pois adoro filhos, só que pensando como empregador é simples, eles não vão querer empregar quem pode se ausentar durante meses. Não é a toa que justamente nos países em que as mulheres são melhor tratadas e consideradas no mercado de trabalho sejam os que elas mantém as mais baixas taxas de fertilidade/fecundidade (número de filhos por mulher em idade fértil). Daí que, voltando ao assunto, uma mulher lutar por sua melhoria individual, sou de pleno acordo. O problema é quando disto se parte para uma chorumela ressentida e auto-vitimizadora. Daí é um saco e a coisa evolui para situações que pouco teria a ver com categorias coletivas tão amplas, como o sexo feminino. Para dar um exemplo claro do que digo, esses dias vi aqui no facebook, que passa muita notícia que nem sempre tem a ver com o que procuramos ou visualizamos com frequência em nossas linhas de tempo, uma notícia sobre uma cantora mexicana, bonita inclusive, mas que nem procurei ver que estilo de música tinha ou se era boa cantora. O modess, como se diz? Absorvente dela caiu, parecendo um enorme guardanapo entre as coxas durante uma apresentação. Vi em uma foto em um desses sites politicamente corretos, Huff alguma coisa. Detalhe, a mulher estava com uma sainha pouco maior do que um band-aid e, claro que se ela dança muito (imagino que fosse o caso), o troço ali não ia se sustentar muito a não se que estivesse enterrado. Enfim, tudo bem até aí, fofoca pra caramba, um monte de babacas falando mal da garota e poderia ter fim a reportagem, mas não.... Acho que a jornalista que escreveu a matéria resolveu por em prática toda baboseira que aprendeu em "introdução à sociologia" na faculdade e começou um discurso auto-vitimizador pra lá de piegas... "nós que sofremos com a discriminação machista", " se fosse homem ninguém comentava", "eles nos julgam e fazem escárnio por um situação vexatória", "essa situação reflete o patriarcado em nossa sociedade" e um monte de besteira. Quer dizer que um punhado de caras, digamos 6 ou 8, nem 10 fazem chacota da moça e o caso vira o cume do iceberg de uma luta entre sexos? Cara, isto é um exagero atroz e faz com que não se leve a sério a luta feminista por causa disto, destes casos que na falta do que falar e postar (já que o site publicou uma fofoca para falar mal depois de quem faz fofoca), cai na mesma decoreba cheia de clichês como se ainda tivéssemos um patriarcado onde as mulheres não têm nenhuma voz e liberdade.
Quanto ao artigo sobre o péssimo tratamento dispensado às mulheres no mundo islâmico[1] é bem isto mesmo, em que pese as variantes regionais ou nacionais na dominação das mulheres, o islã tem um sério problema com a ideia de prazer. E creio que tu pegaste bem o ponto, as feministas (ou pelo menos a grande maioria delas), nem sequer comenta o que ocorre nesta cultura atroz. A razão, como podemos imaginar, é a fusão do feminismo com o movimento geral das esquerdas e aí, qualquer cultura não ocidental e que prime pelo desenvolvimento capitalista e democrático passa a ser uma “vítima do capitalismo, imperialismo e globalização”. Este coletivismo metodológico, de entender o islã inteiro como uma cultura com homogeneidade e posição política coesa anticapitalista é a típica forçada de barra da nossa esquerda ocidental atual. E quando se critica este absurdo há uma condenação automática de nossa postura ao nos tachar de “etnocêntrico”, “preconceituoso” ou “racista”. É a eterna busca de um meio de cercear o pensamento alheio, agora com uma espécie de código de ética para não se criticar a cultura muçulmana ou o islã.

Não é só contra o feminismo atual que devemos bradar contra, mas sim atacar qualquer forma de coletivismo. Não podemos admitir um relativismo ao ponto de se criticar atitudes machistas no mundo ocidental, mas permitir na cultura islâmica “por ser sua marca própria, outra cultura” etc.
Quando esta "autodeterminação" se torna uma opressão à liberdade de indivíduos, não existe respeito, mas desprezo, nojo de minha parte. Acho que é muito fácil reclamar uma autodeterminação dos povos em detrimento do livre-arbítrio ou como se este fosse menos importante, especialmente quando não se é uma mulher com o destino traçado e definido por outra pessoa. Se é que se pode chamar isto de 'pessoa'.

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[1] “Como as mulheres (de todas as idades) são vistas pelo Islã?” Disponível em: https://conscienciavisionaria.wordpress.com/2015/08/31/como-as-mulheres-de-todas-as-idades-sao-vistas-pelo-isla/. Acesso em 20 jan. 16.

sexta-feira, novembro 13, 2015

O aborto e suas fronteiras


Um dos (fortes) dissensos internos ao libertarianismo.



O aborto hoje é banalizado por grupos feministas que entendem o direito de executá-lo como mera liberdade de cuidar de seu corpo, como se a morte de um inocente não fosse algo diferente de um direito exercido por ela, como pintar o cabelo ou usar piercing. Pode se dizer que há um limite, fronteira entre o que é moralmente aceitável, aborto antes dos três meses de vida, quando seu sistema nervoso funcional ainda não existiria, mas "fronteira" ainda é uma figura de linguagem que nos remete à permeabilidade, uma vez que são mais ou menos fechadas. A questão é o limite rígido e quando não se tem um aval consensual científico ficamos neste limbo legal, ou melhor, político, pois a lei pode ser clara, mesmo que moralmente equivocada.
Quanto ao tópico em si, está óbvio que por "banalização" quero dizer isto mesmo, o conceito de que feministas (abortistas) têm de que sendo seu o corpo, elas podem fazer o que quiserem com ele. Poder, podem, dever é que não, pois este último verbo nos remete a uma premissa moral. Este é o ponto, elas querem abortar quando bem lhes der na telha, mas não admitem serem acusadas pelo que fizeram com um jugo moral negativo. Ora, está mais que claro que os casos previstos em lei, saúde da mulher, saúde do feto (caso de anencéfalos), estupro etc. são mais do que suficientes para justificar um aborto, mas o que não pode, ou melhor, o que não devemos permitir é a noção de que uma mulher pode ir a um posto de saúde ou clínica apoiada pelo sistema público de saúde e tirar uma vida com a mesma facilidade de quem abriu as pernas alguns meses atrás só porque acha difícil controlar seus impulsos e ordenar sua vida com contraceptivos, ampla e facilmente encontrados hoje em dia. Isto também não tem nada a ver com a noção espúria de que "nós homens não queremos nos comprometer", pelo contrário, acho que não só podemos como devemos e se há uma das poucas coisas que, legalmente, funciona neste país é a responsabilização paterna pelo seu filho. Só uma feminista que ainda, criada nos estertores da década de 60 para achar que se trata de uma "guerra entre sexos". Outro detalhe, mesmo que porventura, o aborto venha a ser permitido sob circunstâncias mais elásticas do que atualmente, eu acho um absurdo que tenha que custear, indiretamente, através do SUS ou algo que o valho por algo que eu, taxativamente, discordo e desaprovo. Isto tem que ser discutido nacionalmente, pois não é algo que afeta só a um grupo de indivíduos, mulheres, mesmo que atingidos mais diretamente. Isto afeta a todos nós, mesmo que digam que "não sofremos como elas", uma vez que atinge nossos orçamentos e isto é fruto de meu esforço, minha liberdade. Legalizar e defender o aborto como mera questão de "saúde pública" sem questionar as causas desta "epidemia" ou propor um sem número de medidas que poderiam vir antes é que é prova maior de insensibilidade e indiferença perante os outros.




terça-feira, outubro 27, 2015

E nem está aí para a verdade!


1ª questão do Enem - 2015.

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) no último sábado (24 de outubro) foi um primor de parvoíces. Mas, nos concentremos em uma única... A questão nº1, que inicia com este libelo negacionista, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher” de Simone de Beauvoir, a militante feminista, namorada de Sartre, o filósofo que se enamorou do regime despótico, totalitário e absolutamente cruel de Mao Tsé-Tung. Bem, diga-me com quem andas que te direi quem és...