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quarta-feira, setembro 25, 2019

O Discurso de Bolsonaro na ONU*

O discurso do Presidente da República pode ser dividido em 5 pontos fundamentais: Socialismo; Ideologia; Amazônia; Criminalidade; Economia, não necessariamente nesta ordem. Os dois últimos tópicos foram bem colocados, os dos primeiros foram ruins e o terceiro, sobre a Amazônia poderia ter sido bem melhor. Acompanhe minha análise e dê sua sugestão, crítica nos comentários abaixo.


[*]RETIFICAÇÕES Pessoal, errei em três pontos, a saber: 1º) Entre 6:40 e 6:50 atribuo a queda dos incêndios na Amazônia "aos governos subsequentes" ao de Jair Bolsonaro, o que evidentemente está errado, exceto se pudéssemos viajar no tempo. Foram, OBVIAMENTE, nos governos PRECEDENTES. 2º) Passei a impressão, aos 10:30, de que a queda na criminalidade se deveu ao governo federal. Não fui explícito nisto, mas passei uma impressão positiva desta causalidade. O colega Fernando Raphael Ferro de Lima (um dos autores do best-seller "Não Culpe o Capitalismo") me corrigiu, ao que lhe agradeço de que esta já era uma tendência que vinha se firmando desde 2018 no estado do RJ (provavelmente devido à Intervenção Federal). 3º E ÚLTIMO, UFA!) Aos 14:30 digo que doentes mentais, índios e crianças são inimputáveis perante a lei. Equivoquei-me. Segundo a psiquiatra Ana Paula Werneck, no Brasil apenas em casos de demência, psicose e retardo mental. Imagine o sujeito "fora de si", mais ou menos por aí, o que dista anos luz de alguém com depressão ou transtorno bipolar, o que não lhe afeta a consciência. Isso aí pessoal! Se eu não fosse tão analfabeto digital faria colocaria aquelas tarjas com retificações no corpo do vídeo, mas fica para outra vida. Boa noite, a.h

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Eurocéticos: Finlândia e outros


HELSINKI (Reuters) – A Finlândia deixará a União Européia e se posicionará como a Suíça do Norte para proteger sua independência se Laura Huhtasaari, candidata presidencial do Partido Finlandês Euróceptico, tenha seu caminho.

Após três estupros brutais, a polícia da cidade sueca recomendou que as mulheres não saiam sós a noite. Óbvio, mas o conselho não deveria ser somente este… Sweden: After three brutal rapes, Malmö police advice women not to go out alone after dark https://voiceofeurope.com/2017/12/sweden-after-three-brutal-rapes-malmo-police-advice-women-not-to-go-out-alone-after-dark/#.Wj1CKqUxWC4.twitter
Novo código de conduta da União Europeia recomenda aos jornalistas não publicarem crimes cometidos por imigrantes muçulmanos e não associarem o islã ao terrorismo. Big Brother de 1984 (G.Orwell) em plena ação… União Europeia pede aos jornalistas para não publicarem crimes cometidos por imigrantes muçulmanos | Renova Mídia https://shar.es/1MRbaj
Países europeus, sobretudo os da Europa Central, com menos recursos e economias menos dinâmicas, mas mais expostos à onda imigratória procuram se proteger das levas de refugiados e migração ilegal: Eslováquia, Hungria, Polônia e República Checa investem milhões para proteção das fronteiras da UE | Renova Mídia https://shar.es/1MRbGQ
Enquanto isso, a U.E. dirigida principalmente por economias mais poderosas como Alemanha e França querem enviar milhares de imigrantes para países pacatos como a Finlândia… Países da União Europeia querem enviar milhares de imigrantes ilegais para Finlândia | Renova Mídia https://shar.es/1MRbwX
Candidatos a presidência, como a finlandesa que defende a retirada do país da União Europeia não crescem a toa no continente. No centro do debate, a questão migratória (foto acima).
Obviamente, partidos e líderes que se opõem a esta centralização da U.E. e sua política migratória são taxados de “extrema direita” por defenderem a volta da autonomia de seus países… Líderes europeus da direita radical se reúnem em Praga – ISTOÉ Independente https://istoe.com.br/lideres-europeus-da-direita-radical-se-reunem-em-praga/#.Wj1ICcFZehA.twitter
Outros países já não admitem mais este tipo de acordo que suplanta sua autonomia em função de determinações da ONU e da UE… US pulls out of UN’s Global Compact on Migration: official http://www.business-standard.com/article/pti-stories/us-pulls-out-of-un-s-global-compact-on-migration-official-117120300066_1.html#.Wj1ImJKZQps.twitter 
Lembre-se que a UE é mantida porque interessa a determinados grupos, mas isto pode mudar… Metade dos alemães já questionam a eficácia do Euro: Half of Germans Want to Scrap Euro, Bring Back Deutsche Mark – Breitbart http://www.breitbart.com/london/2017/12/18/half-germans-want-bring-back-deutsch-mark/

Anselmo Heidrich

sábado, maio 16, 2015

Uma pátria educadora começa pela extinção do ECA


Este tipo de matéria pobre sobre o assunto educação tem lá sua utilidade:

BBC Brasil - PIB do Brasil pode crescer '7 vezes' com educação para todos, diz OCDE    http://bbc.in/1zZzRq3

Falo sério, graças a esta divulgação posso entender porque a educação vai mal: porque não é entendida. Vejamos aqui:

"Em outras palavras, a OCDE estima que um cenário em que todos os adolescentes de 15 anos estejam estudando e alcançando um nível básico de educação pode ajudar o PIB do país a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas.A análise se baseia na pontuação de alunos de 15 anos em testes de matemática e ciências. E configura o mapa mais completo dos padrões de educação em todo o mundo."

Maravilha... Mas, o cenário supõe que as crianças que estejam estudando estão melhores do que as que não estão. Parece algo óbvio, mas não é... Aqui em S. Catarina, um dos estados melhor situados nestes índices há uma das maiores taxas de evasão quando o estudante passa para o ensino médio, ou seja, quando ultrapassa a marca dos 15 anos. Provavelmente porque isto não fará quase nenhuma diferença na vida do sujeito, ao passo que estudar no ensino básico sim para obter o emprego almejado. A baixa qualificação é o lugar comum, então para que continuar? E não é só retórica, para que continuar? Dizer que o PIB brasileiro pode aumentar sete vezes se todas as crianças forem para a escola e citar o exemplo de Singapura é uma falácia. Porque não é só sentar os glúteos na cadeira (se bem que nem isto fazem direito hoje em dia) para que o PIB aumente. Qual o plano? Qual o método? Como será a organização? Cara, nada disto é feito, só é presumido e fica a cargo dos municípios na prática. Então meu amigo, cidades pequenas, que predominam, há uma disputa para indicações políticas para cargos administrativos (diretor etc.), cuja função precípua é não deixar os problemas passarem às secretarias de educação e prosseguir até o gabinete do prefeito. A ideia básica é "não criar problemas". Nas cidades maiores se torna um pouco melhor neste quesito, mas por outro lado os problemas se concentram. E os sindicatos ficam de quatro quando são agraciados com migalhas. Embora digam que não, suas representações se limitam à questão salarial e têm ojeriza a qualquer reestruturação visando o aumento de eficiência, produtividade e cobrança de resultados. Ou seja, os sindicatos ajudam a educação a permanecer estagnada. 

Também tenho que verificar o estudo em si ao qual se faz referência na matéria e não apenas um resuminho da BBC, mas fico embasbacado ao ler que o estudo se baseia somente em testes de matemática e ciências. É óbvio que se estendessem o mesmo para a capacidade de entendimento e leitura aí teríamos boa parte da causa da decadência e baixos níveis obtidos em outras disciplinas. Disciplina... Soa até hilário chamá-las assim. Alguém tem aí a mais vaga noção do comportamento coletivo padrão em salas de aula brasileiras? Não né? Então esqueçam, pois sem atacar isto, nada vai além. E creiam-me, tem a ver com o lixo do ECA sim. 


quinta-feira, março 29, 2012

Blá-blá-blá verde, isso sim

"A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) disse que ninguém tem mais credenciais verdes do que o Brasil.
Isso é em parte verdade, por causa do etanol, das hidrelétricas. Mas tem outro lado. Estão fazendo mais termelétricas. O governo nunca conseguiu fazer um plano de transição para uma economia de baixo carbono.
A única medida de política econômica que eu conheço que o Brasil tomou nos últimos anos com um conteúdo ambiental foi o favorecimento a produtos de linha branca [eletrodomésticos] que economizavam energia.
O que você não tem é um projeto de país, de governo, em direção à economia verde, como a China está fazendo, com investimentos pesados em inovação. No dia em que eles tornarem a energia solar competitiva, vamos ter de comprar deles, porque eles estão investindo, nós não.
Por que não?
Falta um lugar onde se possa pensar essa política, porque isso não é uma política do Ministério do Meio Ambiente. Você precisa integrar o conceito de baixo carbono no planejamento econômico. Mas você tem planejamento econômico no Brasil onde?"
Diplomatizzando: Economia verde no Brasil: onde, como, quando, de v...: Parece que não só o Brasil, mas a própria ONU, e todos os demais personagens dessa comédia de erros, andam atarantados sobre o que fazer, co...
Ele dá algumas dicas, mas diz coisas sem sentido, como comprar a energia solar dos chineses. Ora, o que terá que se comprar serão os geradores apropriados, caso descubram modo de otimizar e de menor custo. Quanto às hidroelétricas, perfeito, só uma visão ambiental fundamentalista para ver nas mesmas um atentado ao meio ambiente.

sábado, novembro 26, 2011

IDH e obscurantismo da ONU

Um velho texto meu, de 2003, quando escrevia para o MSM. E, claro, muitos links estão quebrados:


IDH e obscurantismo da ONU
por Anselmo Heidrich em 07 de outubro de 2003 
Resumo: A ONU se esforça em semear suas teses estatizantes e antiliberais ao sabor de um ranço tipicamente terceiro-mundista. 

sexta-feira, agosto 19, 2011

O papa e o economista: mais estado, estado e estado



‎"A economia não pode ser lucro, mas solidariedade." 
Joseph Ratzinger

Acho que o Papa perto de certos economistas não diz tanta besteira... 

É preciso fazer uma forte regulação nos mercados financeiros: não permitir que os bancos façam o jogo de apostas de cassino, forçar os bancos a fazerem investimentos reais. Precisamos de um sistema monetário global totalmente diferente, no qual as moedas não sejam determinadas pelo mercado. Precisamos de uma nova regulamentação global para as commodities, na qual os seus preços não sejam mais determinados pelo mercado financeiro.
Os bancos manipulam preços de commodities e de moedas, como o real, nos mercados financeiros para ganhar dinheiro nos próximos dois, três anos. Não estão interessados em crescimento de longo prazo. Isso precisa ser mudado.  
Folha.com - Mundo - Crise é do mercado financeiro, não de governos, diz economista - 11/08/2011

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quinta-feira, agosto 18, 2011

Sofismonomics: o que é bom para os EUA também é para o Brasil?




Além de escrever mal, este cara sofisma: "[o]s endinheirados locais adoram os impostômetros eletrônicos que denunciam o peso da carga tributária. Mas escondem que, também por aqui, quem ganha mais paga pouco e sonega muito. Sobra até para comprar ilhas na Bahia." Ora, "endinheirados" que vêem impostômetros são, sobretudo, classe média. Classe média que prefere concursos públicos a abrir empresas porque esta opção é difícil, onerosa e incerta. Incerta não poderia deixar de ser, mas os trâmites necessários, a burocracia que não faz jus ao nome, pois deveria racionalizar o processo e não prejudicá-lo e os riscos envolvidos a atividade empresarial tornam as opções de carreiras públicas ou da sonegação mais viáveis.
Não faço coro aos que acham que o estado para nada serve ou que simplesmente tem que se baixar tributos. É algo similar a liberação das drogas que, se for feita teria que vir acompanhada de uma série de leis mais rígidas para quem cometesse delitos associados a elas. Ou seja, reduzir tributação não poderia vir desacompanhada de um debate, de um programa e da revisão legislativa sobre como funcionam os fundos com recursos para os quais a tributação fora destinada. 


Sobre os promotores desses marcadores de índices de tributação serem associações comerciais ou sindicatos de donos de indústrias, a fonte ou o promotor da fonte, ou o interesse no caso é irrelevante. O que importa é o que se descobre. Suponhamos que haja grupos antiliberais na ONU que descobriram que via AGA pode-se tributar mais. A “solução” proposta é e sempre será questionável, mas isto não desautoriza por si mesmo o resultado ou resultados obtidos com pesquisas em torno do AGA. Ou se alguém pesquisa demografia tendo em vista um controle de natalidade, o que seria uma proposta dele exclusivamente, devo por isso deixar de atentar para o problema da alta fecundidade na África Subsaariana? Tratá-lo como uma “falsa questão” porque ela me sugere uma inevitável submissão aos ditames de certos malthusianos? Claro que não, haja falta de imaginação! No mínimo há mais de um modelo de recuperação ou tratamento ou desenvolvimento para uma questão, ainda mais sujeita a tantas variáveis como é a transição demográfica. Uma coisa não depende necessariamente da outra, pois posso enxergar como melhor solução (ou talvez única?) o aumento do emprego feminino no mercado e consequente redução da taxa de fecundidade. Separar objeto de projeto é fundamental, até mesmo para quem quer um projeto mais sólido e embasado na pedra da verdade.
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terça-feira, julho 08, 2008

Globalismo - 1

Globalismo, o que diabos é isto?*






Dias atrás assistia a um seminário sobre o movimento internacional de ongs destinado a atacar de forma virulenta a soberania nacional, as bases econômicas liberais e nossa tradição cultural e religiosa. Era unânime entre os expositores a acusação de que a ONU é o principal organismo internacional com interesses escusos nesta empreitada de significado histórico. Ao final, no debate, um aluno colocou uma questão que, para mim, resumiu toda a fragilidade da tese globalista, do domínio e hegemonia mundial sob auspícios da ONU. Vou puxar de memória:




Meus professores de cursinho eram todos esquerdistas, principalmente os de geografia e história e, eles diziam a mesma coisa de vocês, só que ao invés de afirmar que havia uma conspiração mundial “de esquerda”, ela era “de direita”.
Quer dizer... Que ao invés de dominar o mundo com ações da ONU, a ONU era submissa aos interesses dos países ricos e suas corporações mundiais. No fundo era o mesmo argumento de vocês, só que com conclusões opostas. Em vez de trazer o socialismo, elas estariam garantindo o capitalismo e monopólio mundial.
Agora, eu fiquei na dúvida, quem é que tem razão?





Estes são dos bons... Sempre gostei de alunos que me desafiavam. Para mim, um round se passara e a próxima aula seria uma demonstração de que eu estaria certo e, para tanto, tinha que me preparar. Mas, lá viria novamente o mesmo insistente e teimoso aluno com novas e novas considerações que me deixariam atônito. Boas aulas contêm dúvidas e motivação para o próximo capítulo. Mesmo quando eu tinha uma resposta ensaiada, sua inconsistência me atormentava durante anos e, lá me via, tempos depois concordando com o querelante.

Agora, eu vou bancar o aluno chato.

Por trás das ações coordenadas em nível mundial e sua declarada agenda de boas intenções, em uma conspiração a portas abertas (!) estaria a ONU e suas várias agências apoiando constelações hierarquicamente descendentes de ongs. Seu objetivo: reduzir a soberania nacional, especialmente dos EUA, na medida inversa em que finca os pilares de um “governo mundial” no coração de territórios outrora separados por nítidas e irretorquíveis fronteiras.

Em tese, isto estaria ocorrendo sem que percebêssemos o real perigo da situação, encantados que estamos pelo canto da sereia de uma sociedade justa e igualitária. Porém, se observarmos como as coisas realmente funcionam, a teoria do “globalismo” mais parece um boneco de palha. Como o globalismo é visto como um processo em pleno curso, outros exercícios de futurologia podem ser aventados para confrontar sua suposta eficácia. Permita-me utilizar do mesmo recurso de seus teóricos, a “arte do chute”...


Cenários possíveis

O Conselho de Segurança (CS) da ONU pode sofrer modificações nos próximos anos. A UE poderá substituir a França e o Reino Unido, caso sua constituição européia venha a ser consolidada. Um outro equilíbrio de forças se avizinha no horizonte histórico com os já garantidos assentos à China, EUA e Rússia. África do Sul, Brasil, Índia e Japão também são candidatos viáveis a membros permanentes do CS.

As alianças militares poderão ser ampliadas, como ocorre atualmente com a Otan rumo ao leste europeu. A Rússia, através de sua Comunidade dos Estados Independentes, CEI (não tão independentes assim) poderá reincorporar a Bielorrússia. Como contrapeso ao tacão russo, as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (do Cazaquistão ao Afeganistão) procurariam reforçar alguma aliança. Outra interessante aliança que funciona como filial americana neste rimland continental é a do Sudeste Asiático que vai do Paquistão à Oceania, sobretudo, Austrália e Nova Zelândia. Tradicionais aliados americanos para conter a expansão russa ao sul. Esta, na verdade, uma reedição do que já ocorrera na Guerra Fria. Outros problemas às forças ocidentais se formarão com a evolução da Liga Árabe (não “tão árabe”, caso venha abarcar o Irã), o que levaria a concentração dos maiores esforços ocidentais, sobretudo americanos, mais do que os da Otan. E só a manutenção da estabilidade do Iraque e acordos com o Irã já serão suficientes para manter o Pentágono ocupado, seja McCain ou Obama o novo presidente. Uma Otan, por sua vez, já estará suficientemente ocupada com as investidas do “urso russo” na Europa Oriental e suas ameaças de embargo de combustíveis à Europa Ocidental. Ameaças apenas, pois se a Rússia detém o precioso recurso, os ocidentais são clientes indispensáveis. O que, em outras palavras, pode significar um relativo isolamento de Washington.

A Organização da Unidade Africana (OUA) continuará uma mera quimera, cujo continente tem sido o maior celeiro de guerras civis no globo. Falar em “globalismo”, no sentido de uma ordem global centralmente conduzida e bem sucedida, neste cenário é coisa para quem abusa da liberdade de imaginação...

No continente americano teremos a união indelével entre Canadá e EUA, mas com o “acorde dissonante” do México oscilando entre a atração econômica do norte e seu atrasado sul (Chiapas, p.ex.). Bem como a reserva de mão de obra na fronteira norte, contígua ao sudoeste americano. E a América Central continuará sendo assediada por Washington. A “sala de treino” em stand-by permanece na América do Sul, com um Brasil periclitante nas relações externas, mas com a consciência de possíveis sanções americanas contra “estados-pária” da Argentina, Bolívia e Venezuela a sinalizar as políticas do Planalto Central. A China permaneceria, contida em si mesma, um universo à parte que ainda terá que se definir melhor neste cenário global do ponto de vista político.

É fácil imaginar uma teoria contrária e nada inverossímil. Se tais considerações parecem gratuitas, qual a base empírica das assertivas que afirmam o contrário de modo igualmente voluntarista?


Demandas globais

Se a ONU é um organismo tão ruim que visa prejudicar os povos diminuindo sua capacidade de autodeterminação, por que tantos governos a apoiam? Se a pedra de toque do “globalismo” não se sustenta sozinha, algo não faz sentido. Mas, ainda assim vejamos como esta organização tem asseverado seus “tentáculos hegemônicos” sobre o globo.

Seis países sul-americanos, três centro-americanos, dois norte-americanos, dez países asiáticos, a Rússia, a U.E. e outros europeus não-membros, 17 africanos apoiam a organização, financeira, logística e militarmente. Chega a ser hilário pensar que é de “cima para baixo” que ocorre a influência. É justamente o contrário que se dá. Talvez seja na própria miríade de estados que tentam alcançar uma coordenação e organicidade, a razão da maior inoperância da ONU. Muito chefe pra pouco índio...

Nos anos 90 tivemos 16 ações com tropas da ONU para intervir nos casos de desastres naturais. Como sabemos, não são “tropas independentes”, mas mantidas através de contribuições dos países que a sustentam. Onde está o “globalismo”? Trata-se de uma ação calculada que busca otimizar ações ao redor do mundo, inclusive por estados concorrentes em influência e hegemonia global.
No mesmo período, se contarmos as intervenções para conter atividades guerrilheiras e/ou terroristas foram 21, ou seja, superando com vantagem os danos causados por forças naturais. Isto, antes de 2001, o que significa que esta discrepância tende a aumentar, com maior número de esforços conjuntos para deter este estado de anarquia. Bem que podíamos ter um pouquinho de “globalismo”... Digo, ordem.

Também tivemos 14 operações das tropas no período no papel de “forças de paz” ou ocupação, termo muito mais direto e sincero, como é do meu gosto. Se pensarmos no conjunto, as ações militares contabilizam mais que o dobro às destinadas a amenizar os efeitos das forças naturais.

Não há logística mundial suficiente para sustentar estratégias que levem a um domínio coeso de um pequeno grupo sobre bilhões. Nem sinergia de “metacapitalistas” (capitalistas que devido ao seu poder e monopólio estariam criando um mundo sob o escrutínio de sua “engenharia social” por intermédio da ONU) contra os interesses de dezenas de países e centenas de elites oligárquicas e suas burocracias. Desconsiderar isto significa comprar o mesmo erro marxista de ignorar o estado e suas ramificações internas como dotadas de interesses e vontade próprias. Dentre os inúmeros erros dos marxistas, este contribuiu sobremaneira para sepultar seus intentos revolucionários de acordo com a teoria marxiana, mundo afora perante a perenidade (e necessidade) dos estamentos burocráticos. Analogamente, a suposição de um conluio ONU-metacapitalismo trabalha com um “marxismo de sinal invertido” ao tomar os sintomas de funcionamento de um mercado imperfeito, como objetivos expressos de uma política global e as políticas de contenção de conflitos como expressão de ganho e sustentação das corporações quando, justamente, as próprias mega-empresas é que são ameaçadas em cenários nacionais conturbados por guerrilhas e insurgências várias. O marxismo aí reside na visão de uma “necessidade” e porvir que se implantarão de um jeito ou de outro, uma fé no “destino histórico” desejado pelos marxistas, amaldiçoado pelos teóricos do globalismo, mas que não passa de uma mesma fé social-evolucionista. Uma fé otimista ou pessimista não deixa de ser uma fé que não se põe à prova.

A idéia de que um movimento globalista seja a “face do mal” da globalização se encontra amplamente disseminada, não só entre a dita esquerda, mas cada vez mais por uma auto-proclamada direita que, de liberal, não tem quase nada. Tais “direitistas” podem até defender o liberalismo, mas não usam métodos de análise desenvolvidos por liberais. Na medida em que temem o avanço do capitalismo mundial e, equivocadamente, concluem que este decorre de um arranjo previsto e pré-determinado, o caos e anarquia política são vendidos como uma contraproducente planificação.

Se para evitar os malefícios da ONU, dos quais não duvido que existam, tenhamos que acabar com a própria instituição e suas ações de contenção da barbárie, se para sanar imperfeições de mercado tenhamos que acabar com o próprio mercado, o imaginário super-estado global terá que ceder lugar a estados nacionais cada vez mais repressivos. A título de conter o avanço de forças destruidoras de nossas sociedades, não duvido que seu remédio possa ser mais amargo que a doença levando o enfermo a própria morte.




Fontes:

1. Ian Pearson, Atlas of the Future, New York: Macmillan, 1998.
2. International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1996-97, London: IISS, 1997.
3. Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), Yearbook, New York and Oxford: Oxford University Press, various dates.

* Versão original deste artigo: Globalismo?