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quinta-feira, maio 09, 2019

Por que as escolas militares são melhores do que as normais?

Minha resposta a Por que escolas militares são melhores que escolas normais? https://pt.quora.com/Por-que-escolas-militares-s%25C3%25A3o-melhores-que-escolas-normais/answer/Anselmo-Heidrich?srid=n4EX2
A resposta é simples: disciplina. As pessoas contestam dizendo que não é preciso ter disciplina militar para gerir um bom sistema de educação. É verdade, mas a questão não é essa, o problema não é que as escolas militares têm uma disciplina rígida, o problema real é que as escolas civis (públicas e privadas), regra geral, não tem nenhuma disciplina
E não adianta vir aqui com afirmações de pedagogos, assistentes, administradores ou até professores que não têm autocrítica, basta visitar as escolas sem anunciar para ver que professores que querem dar aula (ao contrário de muitos) não conseguem faze-lo sem gastar 15 minutos ou mais chamando atenção de seus alunos. Este não é um fenômeno só brasileiro, pode se observar mundialmente, mas o fato de termos uma epidemia de indisciplina em nossas escolas se explica pela confusão conceitual de tratar ensino e currículo como educação. Não são, são coisas bem diferentes, embora complementares. 
Leve teu filho a um curso de artes marciais e se surpreenda que os seus professores gastam minutos explicando conceitos de convivência para que os alunos não se transformem em meros pit-boys querendo sair batendo nos outros nas ruas, que defesa pessoal compreende um conjunto de valores de respeito aos outros. Professor de verdade professa verdades. Isto é fundamentalmente diferente do conceito pobre de instrutor de ensino criado por pedagogos para retirar poder do professor e que agradou aos políticos e legisladores que no passado viram aí uma fonte de economia de recursos… 
Como? Sim, exatamente. Quando os alunos não sofrem sanções pelo comportamento inadequado, como suspensões e, no limite, expulsões acabam sendo inseridos em um programa de “Progressão Continuada” (já ouviram falar? também conhecida como “aprovação automática”) no qual, exceto em raríssimos casos, não repetem de ano. Ou seja, o sistema criado ao longo dos anos por leis educacionais que não têm nada de educativas levou os professores militantes de utopias pedagógicas a acreditar que assim os alunos tomariam consciência. Ora! Como se conscientiza um aluno que é premiado pelo mau comportamento ao passar de série ou ano sem fazer nenhum esforço como o bom aluno? E como você acha que esse bom aluno seguirá se esforçando ao ver que os mal comportados, indisciplinados e vadios têm o mesmo resultado positivo? 
Caro, quem tem que “tomar consciência” somos nós. Só reconhecendo este cenário é que vai se compreender porque os resultados e indicadores dos alunos brasileiros em matemática e português são tão baixos. Erroneamente, nossos analistas e pesquisadores veem a ponta do iceberg e daí, seu titanic governamental já afundou. Em se tratando de escola pública, o MEC não dá conta, as secretarias de ensino estaduais e, principalmente, as municipais é que têm de fazer o serviço com regras próprias. Paralelamente a isso, as escolas privadas também podem absorver alunos carentes com vouchers, ao mesmo tempo que suprimem a legislação anacrônica do MEC e do ECA, verdadeiros atrasos para quem quer que o sistema realmente funcione. 
Com medidas assim, talvez levemos duas décadas ou menos para começarmos a ver bons resultados em escolas privadas e públicas, para alunos de diferentes faixas de renda sem que caiamos mais no discurso enganador de que “não dá para lutar com isso porque as ‘condições sociais’ não permitem”. Essa conversinha é de sindicalista que acha que aumentar salário resolve a “crise na educação”. Cascata! Esse é o mesmo raciocínio de quem acha que aumentar salário de funcionário corrupto acaba com a corrupção crônica. Sem disciplina e sanções adequadas, nada vai para a frente.
Anselmo Heidrich


9 mai. 19

segunda-feira, abril 29, 2019

"Cursos Livres" não são submetidos à legislação do MEC

Fonte: O Globo

Bolsonaro divulga vídeo de aluna que filmou professora em aulahttps://oglobo.globo.com/sociedade/bolsonaro-divulga-video-de-aluna-que-filmou-professora-em-aula-23628113?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar
Se se tratar de um curso privado, seja ele preparatório para vestibular ou concurso público, a denúncia da aluna deve se dirigir ao mercado e não a sua judicialização. Não há nada que o Ministério da Educação deva fazer, nem é esse seu papel. Se o atual ministro Abraham Weintraub for ingerir nisto será o equivalente ao ministro Sérgio Moro continuar julgando casos da Lavo-Jato.
Mas o mercado é mais eficaz e rápido do que a judicialização, ele é melhor. Basta que a direção do curso e seus mantenedores tomarem conhecimento de que isso trouxe repercussão negativa e talvez perda da clientela que rapidinho eles dão um jeito na professora-manipuladora.
Sobre a aula em si, é possível sim, perfeitamente ensinar e dar sua opinião sem deixar de ser justo, isto é, colocar outras visões em pauta para que os alunos possam refletir e quiçá, optar por sua visão própria ou até construir alguma a partir de um mix de opiniões. Por que não?
Mas o que ocorre não é isso, nós sabemos. Vira puro proselitismo político-ideológico em nome da mera da “liberdade de cátedra”. Claro que isso não é uma aula desejada por quem tem interesse em aprender alguma coisa para passar numa prova, mas cabe a esses alunos irem protestar diretamente com o coordenador e depois, rápido para não perder o calor do momento chamar atenção de seus superiores e donos da empresa.
Se queres mudar algo mesmo tens que ser “o chato”. Se ficar acomodado aí porque não queres ser mal visto, não reclame depois quando teus sucessores, herdeiros e filhos saírem por aí quebrando lojas, agências e queimando ônibus ou viaturas.
É aí que começa a loucura dos nossos tempos: em nossa omissão.
Anselmo Heidrich
29 abr. 19

terça-feira, agosto 02, 2016

Como manter a educação brasileira em constante atraso


PISA[1] 2012
Já não é de hoje que o Brasil vem mostrando um péssimo desempenho em seu setor educacional. Cabe lembrar que não se trata apenas do setor público, pois o baixíssimo desempenho no setor privado também reflete na avaliação geral. O que temos que fazer? Avaliar porque ainda temos algumas “ilhas de excelência” (algumas escolas privadas, outras públicas, como os Institutos Federais) e procurar seguir estes exemplos tanto quanto possível. Só que isto é bem diferente das generalizações pedagógicas absurdas que se faz para o território nacional, como o grande equívoco da Progressão Continuada, eufemismo para Aprovação Automática que simplesmente aprova quase todos, independente de seu desempenho. Em suma, nosso Ministério da Educação simplesmente boicota toda e qualquer medida meritocrática desde seu nascedouro.

Isto não pode continuar.

2 ago. 16

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http://inter-ceptor.blogspot.com/
Fas est et ab hoste doceri – Ovídio
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[1]O Programme for International Student Assessment (Pisa) - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes - é uma iniciativa de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.
O programa é desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada país participante há uma coordenação nacional. No Brasil, o Pisa é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Em 2015, a aplicação do Pisa será 100% por meio do computador, com foco em Ciências. Novas áreas do conhecimento entram nas avaliações: Competência Financeira e Resolução Colaborativa de Problemas. No Brasil, a realização do Pisa ocorre no mês de maio para estudantes selecionados de todos os estados. A avaliação vai envolver, aproximadamente, 33 mil estudantes nascidos no ano de 1999, matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental, distribuídos em 965 escolas. As informações contextuais serão coletadas por meio de três tipos de questionários: Questionário do Aluno, Questionário do Professor e Questionário da Escola.”

quinta-feira, junho 23, 2016

Tem algo errado no ensino privado em Santa Catarina?


Sérgio Roberto, professor de história em Chapecó critica os baixos salários do setor privado em sua região:
Cf. Sem frescura: Tem algo errado no ensino privado.: Falar sobre educação é necessário e sempre muito importante, principalmente porque sabemos das enormes carências e deficiências que ainda t... 
Os baixos salários dos professores da rede privada em Santa Catarina são compreensíveis, embora imorais e injustificáveis se tomarmos em consideração que esta deveria ser uma das principais políticas públicas no país. Mas, são compreensíveis exatamente porque o estado detém a menor taxa de natalidade do país, logo de reposição de jovens no mercado de trabalho, nativos, catarinenses mesmo. O efeito disto é lógico: há menos demanda pelos serviços educacionais e os professores não tem sua oferta reduzida na mesma proporção, o que leva a um excesso de oferta desses profissionais. O resto é Lei da Oferta e Procura, muita banana na feira, banana em promoção. Triste, duro ouvir isso, mas estamos oferecendo muitos profissionais e, cá entre nós, de nível cada vez mais sofrível em um estado com cada vez menos jovens (proporcionalmente falando). Como se tudo isto não bastasse, ainda temos uma elevada taxa de evasão no ensino médio. Como resolver? Valorizando, i.e., pagando melhor o profissional da rede pública porque isto reflete no setor privado. Se não há fundos para tanto deve se reconfigurar os gastos públicos para setores essenciais (Educação, Saúde e Segurança) que, como bem sabemos, tem sido muito mal gastos neste país. 

Anselmo Heidrich
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Fas est et ab hoste doceri – Ovídio


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domingo, fevereiro 07, 2016

Educação, Ensino e Impunidade – 1


"Manifestantes mascarados que se infiltraram no protesto pacífico dos professores, destruíram caixas eletrônicos de uma agência bancária no centro - Gabriela Batista" (Imagem: blogdainseguranca). Será? Será que não houve conivência?

Primeiro leiam este artigo, curto, conciso e imperdível:

http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/a-inveja-a-crise-e-as-trevas-ct2njygzzil93bf5o470fgmi8


Leram? Então, agora meu comentário fará sentido:

Que texto excelente! Eu tenho muitas histórias para comentar a este respeito, nem sei por onde começar, como a de um professor de história de Santos, onde trabalhei 7 anos, que entrou cantando em sala de aula um dia após o atentado às torres gêmeas e, não por acaso se tornou vereador da cidade pelo PT. Agora, paralelamente a estes casos há outros, tão ou mais graves, como aquele professor de história que entra em sala de aula e alguns poucos alunos imitam o som que seu filho, com algum tipo de retardo mental, emitia. Ele ficou completamente aturdido e sem saber o que fazer, jogou o giz na calha da lousa e disse "façam tudo comigo, menos isso". Foi embora e nunca mais voltou. Então, há coisas que não são propriamente da qualidade de ensino - a doutrinação a que se refere indiretamente o artigo -, mas sim à educação mesmo, às regras de civilidade. Antigamente, algumas décadas atrás, quando eu era aluno, muitos professores já ensinavam pelas lentes ideológicas da esquerda, MAS o que vemos hoje em dia é que eles conseguiram piorar em muito a situação quando fundiram a baixa qualidade do ENSINO com falta de civilidade que a EDUCAÇÃO deveria proporcionar. Pois, mesmo este caso do professor duramente agredido não tenha sido causado por ele, foi sim por uma série de administrações lenientes que levaram a isto, a ausência de temor pois sabem que não existe repressão. O que está então na raiz desses comportamentos, da barbárie perpetrada pelos manifestantes de que fala Alexandre Borges, o autor do artigo e o caso, entre tantos outros, da agressão moral? Adivinhem, A IMPUNIDADE. E esta impunidade que proporciona a expansão do crime no Brasil, a corrupção política e a pedagogia da leniência, onde uma delas acaba servindo de motor para a outra em um ciclo vicioso.

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quinta-feira, março 19, 2015

Notas sobre a qualidade de ensino


Os Estados Unidos promovem uma revolução na educação contratando escolas privadas para atender alunos de baixa renda. O Brasil não faz o mesmo por puro preconceito - http://glo.bo/195MzH3

Veja... Eu apoio os vouchers e a privatização do ensino, ok. Mas isto por si só melhora a administração e as finanças públicas ao delegar a setores mais competentes o planejamento e execução da atividade, que seriam as escolas particulares. Nesta parte iria tudo bem, mas não a educação em si... Nem escolas privadas nem públicas conseguiriam só por sua razão social, pelo fato de serem públicas ou privadas somente conseguir traçar uma educação de qualidade. O que se precisa é de independência perante o MEC. Quem define regras são pedagogos e este tipo de profissional, regra geral, não dá aulas. Então, eles não sabem como dirimir conflitos e o problema hoje é indisciplina. Quem é estudante não tem noção disto, mas creiam-me, é muito pior do que se imagina. 90% das turmas ou mais são boa gente, mas o que se vê com o passar do tempo é que os que avacalham as sessões de aula prejudicam e claramente contaminam os demais. Por que 'contaminam'? Porque passam direto, só se roda por faltas. é a "PROGRESSÃO CONTINUADA", mais conhecida como APROVAÇÃO AUTOMÁTICA, introduzida goela abaixo pelo MEC. Eles, do próprio setor público conseguiram destruir a educação, só que isto TAMBÉM atinge o ensino privado. Portanto, não basta mudar a razão social, isto é, privatizar que tudo vai dar certo. Tem que se tornar autônomo em relação ao MEC e os responsáveis colocam seus dependentes onde quiserem, ensino religioso, militar, laico, marxista, liberal etc. Tão simples, quem quer doutrinar ou abrir mentes tem que escolher livremente o tipo de ensino que vai ofertar. O que não dá é para termos que aturar um bando de incompetentes burocratas pedagogos perdidos no cerrado brasileiro e que não enfrentam a realidade da trincheira das escolas públicas. Vejam o que diz a matéria acima, "meritocracia", e o que mais me admirei "zero falta de professores"... Alguém aqui tem noção da vadiagem que são nossos efetivados que cumpriram seus estágios probatórios? Como eles sabem que não ganharão mais sendo competentes, que não há diferença salarial por desempenho melhor, no que se agarram então? Eles se empenham em trabalhar menos, em exigir mais "horas de planejamento" etc. Como se fosse necessário planejar o trimestre semanalmente e como se para cada aula ministrada precisassem de outra hora parados coçando nos corredores ou comentando sobre a novela. Isto me enoja.
Precisamos:
1-      Privatizar;
2-      Esquema de vouchers;
3-      SOBRETUDO, acabar com o MEC (pelo menos do jeito que ele é hoje).
4-      Traçar metas gerais para avaliarmos e detectarmos problemas (sim, para alguma coisa precisamos do estado... lembre-se que minarquista não é ser um anarco).
Por aí...

Pelo que entendi do modelo acima, não são escolas públicas normais, mas são regidas por universidades ou avaliadas por universidades privadas, com o propósito precípuo de colocar alunos pobres dentro delas, mas através de uma concorrência acirrada. E neste método meritocrata, ideologia não conta. Outra coisa é que é ingênuo pensar que professores de rede privada não valsam ao sabor da ideologia do momento. Valsam sim, e como... Donos de escola, entrando dinheiro não estão nem aí, e estão certos no que fazem, mas o que fazem não é critério para falarmos em melhoria de ensino. Reitero, simples privatização não melhora o ensino, melhora somente a administração. Tem que haver sim um conjunto de condições, incluindo a privatização, mas não exclusivamente, para melhorarmos a educação.

Se querem chamar isto de ação afirmativa, subsídio, ok, o façam, mas não digam que equivale ao mesmo lixo de cotas e assemelhados que não é não. A garotada ali é ensinada a competir desde cedo e não estão lá por serem pobres, mas por serem pobres que se destacaram. O maior valor dessas escolas é ensinar que aquelas crianças não precisam de caridade, como cotas e bolsas-família, mas que precisam de um subsídio para estudar e vencer. Isto não é um dinheiro mal empregado SE for bem monitorado, fiscalizado. Claro, a fundo perdido, nada é bom. Agora, me digam aqui qual modelo de escola brasileira tem zero faltas de professores?

domingo, fevereiro 22, 2015

Questões e falsas questões sobre educação


Uma questão central no processo educacional é entender quem são os nossos professores, o que pensam e o que fazem. Por isto mesmo eu temo que nosso processo educacional ainda precise de uma bela faxina geral, pois a militância é uma das principais razões de termos este setor à deriva. Imagem: marcobueno.pro.br.

Eu costumo fazer, para fins didáticos, uma distinção entre EDUCAÇÃO vista como um conjunto de atos e programas envolvendo a incorporação do aluno na escola e, o que é bem menos comentado em matérias sobre o assunto, ENSINO visto como a apresentação e treino de disciplinas (matérias) passadas nas séries (os atuais "anos", na nova terminologia).

Não é verdade que o ensino de escolas privadas seja essencialmente superior em nosso país. Para tanto basta analisar como se saem as escolas de ambos os tipos em avaliações nacionais. Há as boas escolas privadas e públicas e um "oceano de incompetência" no sistema público e privado. O mercado tem seu mérito, sem sombra de dúvida, pois os problemas administrativos, tão comuns de se ver em escolas públicas, dos quais a estabilidade do servidor, geralmente alcançada após os três anos iniciais de serviço induz os profissionais a usarem seus direitos, o que inclui uma certa quantidade de faltas sem justificativa necessária, dentre tantos outros. No sistema privado isto é impensável. Com raras exceções (Santa Catarina é uma delas), as escolas privadas pagam melhor. E isto não decorre porque o aluno paga por seu estudo, mas porque a lógica do sistema público parte de uma má remuneração pela hora de aula e busca de horas extras como "atividade" (planejamento, correção de avaliações etc.) que redunda muitas vezes na presença obrigatória em sua escola sem obrigação de ministrar aulas. Um absurdo no meu entender, pois se objetiva uma diluição do trabalho e não sua intensificação. Assim, a renda auferida se torna proporcionalmente menor pelo tempo que se depreende, pari passu à produtividade do trabalho. Ou seja, ao invés do professor do ensino público objetivar maior renda por hora, ele busca menos trabalho (efetivo) no total. Surreal, um absurdo.

Quanto à qualidade do ensino, uma vez instituído a chamada Progressão Continuada, mais conhecida como "aprovação automática" (introduzida pelo PSDB em S. Paulo e popularizada nacionalmente pelo PT), o aluno ri da tua cara, caso seja chamado a trabalhar e se empenhar nos estudos. Ou seja, só "roda" por faltas e, assim mesmo, em conselhos de classe é capas de ser aprovado conforme os ânimos do momento e a conjuntura política. Não, não foi força de expressão, uma vez que diretores escolares não se submetem a nenhum critério objetivo para serem eleitos em muitos municípios, se tratando apenas de indicação política.

Há muito o que comentar, como os bons índices educacionais em avaliações como o IDEB, que não passam de números fake, porque o índice de aprovações conta positivamente. E, como eu disse, praticamente ninguém mais é reprovado. Simples assim, uma realidade paralela com a pílula azul da Matrix. Lixo, uma civilização que é homeopaticamente drogada e jogada no lixo. Não existe escola sem repressão disciplinar, se trata de condicionamento necessário. O que vemos é um antro de encorajamento à delinquência que só muda quando o bairro ou conjunto de bairros em seu entorno tem características razoavelmente boas. Portanto, não são só professores e governo, os grandes culpados... Uma figurinha não pode passar em branco: PAIS. Quando eles são realmente atuantes e cobram, inicialmente indo às reuniões que são convocados, a escola reflete melhor com decisões corretas e ações conjuntas.

Por ora é isto, mas tenho muito mais para contar.

(...)

domingo, agosto 24, 2014

Repugna-me - 2


O legado da teorização sobre a educação brasileira tem muito a ver com a popularização do pensamento de Paulo Freire, mas como posso provar que tem a ver com este pedagogo?

Minha resposta não será satisfatória. Foi Paulo Freire quem iniciou o processo de decadência? Não, mas os atores responsáveis por isto via de regra são entusiastas de Paulo Freire. É uma aproximação, "achismo" se preferir, mas todos pedagogos com quem conversei (e não são poucos devido a minha profissão) foram unânimes em admitir que PF é a maior referência intelectual que possuem dentro de sua área E o autor mais lido em seus cursos (na USP e na UFSC). Pedagogos e professores que cursaram, por obrigação, disciplinas da pedagogia elaboram, anualmente, os programas curriculares de suas turmas, Isto, anualmente falando. Há aí um feedback ideológico à isonomia com que são tratados os professores (salários iguais e diferenciado apenas por tempo de serviço), i.e., com condenação, às vezes expressa, de qualquer forma de meritocracia que reflete na condenação do vestibular (que resultou na sua alteração e composição junto com o Enem e as cotas). Sindicatos adoram isto, não haveria inferno pior do que uma categoria internamente competitiva e, portanto, competitiva. Há, portanto, como afirmar que a pedagogia PF é o principal fator de um mau resultado no PISA? Não, pois teríamos que isolar esta variável e ver como o conjunto se comporta. Nem acredito que uma pedagogia seja o estopim de origem de uma situação decrépita, MAS é um fator FUNDAMENTADOR. Tal qual o islã radical que não pode ser restrito a uma explicação conceitual e literária, ele busca nos conceitos e literatura próprias seus fundamentos. E, cá entre nós, PF é explícito na sua ojeriza a qualquer forma de ranking, uma vez que isto seria "a reprodução de um sistema competitivo e alienante distantes do verdadeiro desenvolvimento". Como se vê nos resultados de pesquisas como o PISA, o desenvolvimento dos estudantes brasileiros é pobre, o que implica na formação de uma massa ignóbil apta ao mercado de manobra político.

“A maior parte dos professores nunca leu Paulo Freire.”

A maior parte dos comunistas ou simpatizantes do comunismo ou de ideologias próximas ao comunismo nunca leu Marx. E, provavelmente, nunca lerão. Veja... Eu li e consigo detectar marxismo mesmo quando alguém diz "não gostar de Marx", "não ser socialista" e "odiar o comunismo". Quantas pessoas tu já viu criticando a URSS ou mesmo Cuba, enquanto que fala da sociedade movida por classes sociais? Gerida por uma classe? A coisa é tão bizarra que algumas semanas atrás eu conversava com um corretor imobiliário aqui do meu bairro e comentei sobre a nossa possível "bolha imobiliária" e esperando mais informações ou a percepção do sujeito sobre o assunto fiquei boquiaberto com o rosário de melancolias que ele começou a destrinchar contra a "especulação imobiliária"! Cara! Ele é um especulador! É o tipo de agente social que vive da especulação. Via de regra eliminando os atravessadores como ele, os bens ofertados ficam mais baratos. Mas, o que quero dizer é que não é preciso se autodeclarar ou ter lido para usar uma lógica pertencente a um pensador ou escola de pensamento. Quanto ao mérito atribuído por 'experts' em pedagogia ao Paulo Freire é algo como me dizer que o Clube dos 13 fez uma avaliação positiva da FIFA. Não sei, mas provavelmente quem avaliou positivamente o legado de Paulo Freire seja farinha do mesmo saco. Com todo o respeito, não tenho respeito por pedagogos, se estes não tiverem sido professores com carga horária e semanal de trabalhador que precisa disto para fazer renda. Há pedagogos que simplesmente seguiram este caminho fazendo cursos de pós e passando a maior parte da vida em Faculdades de Educação, sem nunca terem tido experiência em escolas públicas do ensino básico ou particulares que, no geral, não trazem uma qualidade de ensino muito superior não.

Abaixo, nosso maldito legado pela ideologização do ensino e preconceito à meritocracia:


quarta-feira, agosto 06, 2014

Notas sobre a doutrinação escolar - 01


O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Bráulio Porto também criticou o excesso de ideologias na formação dos professores e considerou a inserção de temas transversais nas disciplinas tradicionais brasileiras como prejudiciais. “O excesso de doutrinação ideológica reduz o espaço dedicado à alfabetização e aos outros conhecimentos básicos como português, matemática e ciências. Enquanto as faculdades de educação de Cingapura oferecem 18 disciplinas de matemática, ciências e língua materna; no Brasil, as faculdades costumam oferecer apenas uma ou duas disciplinas de matemática, ciências e língua”, observou.
[Especialistas criticam excesso de ideologia na formação de professores, http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/29001/especialistas-criticam-excesso-de-ideologia-na-formacao-de-professores/]

Assino embaixo. Quanto a ter opinião é o seguinte: toda pessoa tem, eu mesmo tenho e é forte, não abro mão, exceto, é claro, que alguém prove que eu esteja errado. Agora, como professor que sou, acho um absurdo em entrar em sala e passar, sistematicamente, a impingi-las. A Geografia, matéria que ministro é pródiga nestes casos e há temas que são mais consensuais, como os abarcados pela Geografia Física, afinal uma montanha não se move de lugar por opinião (nem por fé...), mas o que fazer com a montanha, exploração, preservação, habitação, como habitá-la, se for o caso, etc., sim, é plenamente passível de opinião e posicionamentos programáticos e políticos acerca dessas opiniões. O que um professor, de verdade, deve fazer? Passar ao aluno todas as opiniões possíveis para que ele escolha ou construa a sua. “Ah! E a prova?” Deve ser composta por questões exatas sobre temas tidos como consensuais, do ponto de vista científico e questões livres, dissertativas se for o caso, sobre opiniões, abertas, mas passíveis de análise e julgamento pelo professor a partir de dados corretos e construção do raciocínio. “Ah! Mas quem faria isto? Como ver se o professor está agindo corretamente em sala?” Perfeito. Concordo com este temor e preocupação. O professor, assim como qualquer profissional, DEVE ser avaliado externamente e uma dessas avaliações deve ser a partir de provas externas aplicadas aos alunos, i.e., o desempenho destes sobre questões objetivas será um forte indicador de quão deturpada pode estar sendo seu programa de aulas.
Não há razão para não executar um programa de avaliação de desempenho indireto do profissional, o que é mais interessante que aplicar uma bateria de provas ao próprio professor é investigar o produto de seu trabalho, ou seja, como os alunos aprenderam o conteúdo ministrado em sala de aula. E o foco do avaliador que avalia o professor é entender a dinâmica da sala de aula e qual ou quais são as razões de problemas que são recorrentes. Temer isto não passa de um pueril corporativismo que lesa toda a sociedade com o mau resultado combinado de ideologia, falta de profissionalismo e acomodação numa carreira estável (se for pública) e que não zela pelo estudante porque, nesta equação, o estudo não está sendo ... estudado.

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Doutrinação e empulhação no ensino de geografia - 3

O mapa-mundi na projeção de Peters mostra os continentes com seu tamanho territorial equivalente bem mais próximo da realidade, observe e responda : é o Sul do mundo de fato "periferia" ou é a brutal maioria do mundo e como tal tendo muito mais recursos e potencialidades ? [geografia.geopolitica/]

Em termos territoriais, o sul, Hemisfério Sul (H.S.) bem entendido, não contém a maioria das terras. Em termos rasteiros, o H.S. apresenta sim menos recursos, mas isto é apenas uma réplica à comparação esdrúxula e intelectualmente pobre entre os hemisférios. Mesmo porque, se analisarmos os recursos marinhos, o H.S. apresentaria maiores possibilidades de exploração (devido à maior área). A comparação é pobre porque como hemisférios são equivalentes (do contrário não seriam 'hemi', metade do 'sfério', esfera), o que um pode ter a mais, o outro tem compensações em outros setores e, como nós bem sabemos, de nada adianta isto sem intelecto, cultura, planejamento, ordem e empreendedorismo. O resto é ladainha terceiro-mundista.


Também não é maioria em termos populacionais, uma vez que China e Índia, de longe os países mais populosos encontram-se totalmente no Hemisfério Norte (H.N.) e só para um discurso leninista (mais que marxista) o H.S. é 'periferia'. Na verdade, se há alguma, esta se dá em relação à economia (capitalista, claro, pois é a única que presta), pois a maioria de suas sociedades e governos emanados delas ASSIM SE COLOCA. Aventuras bolivarianas em pleno Século XXI são prova inconteste de nosso atraso em termos de cultura política.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

Doutrinação e empulhação no ensino de geografia - 2


Para mudar o padrão de apresentação do mapa mundi basta divulgar sua ideia ao invés de chorar buscando atenção. Imagem: cperrier.edublogs.org
 Sobre: O Mapa Mundi – a mentira a que já nos habituamos! http://disq.us/8gk984 
Já vi muita deturpação na internet, mas esta superou a todas. É nítida a técnica de "remendo" ou "retalho" na redação ao comentar um valor moral (já introduzido no início do texto) e depois "rechear" com dados técnicos (sobre navegação) totalmente alheios ao sentido da matéria para depois, a guisa de conclusão, retornar com a mesma ladainha terceiro-mundista pretensamente científica. Vamos aos fatos (porque a opinião vem depois):

E o Hemisfério Norte não apresenta mais ou menos milhas quadradas, pois Hemisfério é metade de uma esfera, logo, a área de cada um é exatamente igual a outra. Agora, se estiver falando de terras, é outra coisa, mas daí tem que saber redigir o texto...

Não há plano, manipulação, ocultação, nada disto. Uma vez que esta clássica projeção (de Mercator) foi produzida na Europa é absolutamente natural que seu criador, um europeu por suposto, colocasse a Europa, seu continente no centro e "acima" do ponto de vista do mapa. Logo, o mapa mais utilizado no mundo não é uma mentira, mas todo e qualquer mapa é uma "mentira" na medida que não representa o mundo -- algo próximo de uma esfera -- de modo achatado, mesmo compensando as áreas equatoriais, como é o caso da projeção de Peters.

Querem "conscientizar as massas" (eufemismo para doutrinar aluno) ou, sendo mais honesto, possibilitar uma visão alternativa? Façam como telejornais japoneses que colocam seu país, o arquipélago japonês no centro e acima nos mapas no painel ao fundo dos jornalistas na TV em horário nobre. Não, não foi um "MEC japonês" que determinou isto, nem uma política pública a la bolivariana esdrúxula, mas simplesmente uma perspectiva cultural própria do Japão; ou como na Austrália, admirável país onde se encontram camisetas à venda "no longer down under" com a Austrália no centro e acima (o planisfério "invertido"). Estas colocações norte/acima e sul/abaixo vocês nem chegaram a considerar de tão absortos que ficaram na papagaiada ideológica. Os mapas, meus caros, podem ser vários de acordo com a necessidade do freguês. Sugerir que se trata de um plano intencional de dominação psicológica é patético. Quem está realmente tentando estabelecer uma relação de dominação através da mentira aqui são vocês com este festival de ignorâncias ao doutrinar ideologicamente ao invés de contextualizar historicamente o porque da técnica cartográfica. Agora, se esta visão é limitada perante as outras, criem e divulguem as suas, mas não critiquem o que foi um avanço para a humanidade. Parem de chorar como derrotistas e ressentidos e façam valer a sua proposta. Divulguem-na, ou vão me dizer que não tem nenhuma?

Ah sim.... Esta é a Síndrome do Oposicionista Crônico (S.O.C.): ele sabe criticar e repetir ad nauseam, mas não tem nada para por no lugar, nem luta para este fim com construção, apenas vive da culpabilização alheia, como se alguém sempre fosse responsável pelo seu infortúnio e miséria. Mal sabe ele que sua inveja é um elogio inconfesso de admiração: ele gostaria de estar no lugar daquele que critica.

Por que isto seria uma empulhação no ensino, então? Parece piada, mas aqui no Brasil, ao menos, a crítica insensata à cartografia é vista como lúcida e ‘conscientizadora’.

domingo, agosto 25, 2013

Mentindo de modo visualmente convincente

Sobre: Meu professor de História mentiu pra mim: Ilha das Flores, uma hipnose marxista em formato d...: Ilha das Flores é um curta-metragem de cerca de 10 minutos, escrito e dirigido, em 1989, pelo cineasta Jorge Furtado, do qual a Wikipedia...
Este filme foi realmente muito bem sucedido, inclusive com alunos que não suportavam discussões políticas em sala de aula, pois sua linguagem é realmente sedutora. E, para além do aspecto visual, ele soube captar (e dirigir) uma certa percepção ambiental do problema social, tudo isto em uma visão simplificadora sobre problemas complexos como se resolvendo o problema da pobreza toda produção de externalidades negativas fosse milagrosamente solucionada sem aporte tecnológico que é, em última instância, incrementado com capital e não contra o capital. Os alunos que foram devidamente doutrinados saem do ensino médio, após ver este e outros filmes, após assistir aulas, cujos debates são condicionados de modo maniqueísta por doutrinadores chamados, eufemisticamente, de 'professores' para cursos superiores de administração, direito, economia etc. sem ter o que contribuir para a sociedade, exceto por proporem taxar mais a atividade produtiva, de tanto que aprenderam a desprezá-la. 

Aqui, um exemplo claro do que digo:
"Conforme análise da figura acima, verifica-se que o aumento da produção aliado ao trabalho da mídia na busca constante de “criação de necessidades”, resulta em maior  procura por novos produtos e no estímulo à necessidade de compra. Os que possuem condições financeiras aderem ao processo do consumismo, aumentando a pressão sobre o meio ambiente; já os que sofrem com as precárias condições de alimentação, saúde e moradia, são excluídos automaticamente do processo e sentem os efeitos das desigualdades sociais."
E não se trata de um texto de um autor de 'humanas' (ciências sociais, geografia ou história), mas de alguém ligado à área ambiental, cujo modo de ver a relação entre sociedade e meio ambiente foi de tal modo poluída que a repetição de um marxismo tosco nem sequer é atribuída ao marxismo, mas a uma genuína "consciência ambiental". 

Quanto ao filme em si vejo a observação de quem "tem dono" estar em situação melhor a quem não tem, mais como uma crítica à propriedade privada do que à necessidade de controle estatal, embora ambas as determinações estejam intimamente ligadas. A mensagem que ficou clara, ao menos para mim é de que uma vez extinta a propriedade privada, todos seriam bem tratados, inclusive os desprezados seres humanos retratados na película cinematográfica. 


O que dizer disto tudo? O que mais sinto falta não é de uma rejeição a este tipo de mensagem subliminar, típica picaretagem de nossas elites culturais que professores e alunos desavisados engolem sem perceber ou questionar, mas sim a ausência de resposta a altura, com o mesmo tipo de linguagem ou melhor mostrando toda sua incoerência. Nós precisamos e devemos é incentivar a crítica à percepção crítica deles estimulando uma guerra cultural. É o único jeito de por fim a este monopólio discursivo que encontramos na academia, meios de comunicação e modismos intelectuais rasos.

quinta-feira, maio 09, 2013

Para professores de geografia e demais interessados

Trata-se de uma boa trilha de slides para apresentação em sala de aula, como degustação do que está por vir. Embora façamos ressalvas, como o peso dado ao aquecimento global e a conotação conclusiva de que existe e somos responsáveis por ele, não dando espaço ao dissenso, assim mesmo é muito útil, basta que nós mesmos contrabalancemos o teor da apresentação. Enfim, não deixe de conferir:

sábado, abril 06, 2013

Uma possibilidade para o ensino de geografia

"Como é?! Vocês no Brasil estudam geografia do mundo sem conhecer de fato o básico sobre seu território e seus aspectos físicos?!"
Poucos têm coragem de dizer o que muitos também acham. Para mim esta é a principal razão de ler este texto:
Em pleno século XXI, século que viu a grande revolução dos sistemas de informação geográfica, para que serve a geografia escolar? Num século em que as capitais dos países, o clima das cidades, os mapas urbanos, regionais, temáticos e todas as informações “socioeconômicas” estão disponíveis ao alcance de um ou dois cliques, para que serve abrir um livro didático cheio de mapas defasados, gráficos ultrapassados e explicações eivadas de ideologia e carentes de lógica?
Leia mais em: PARA QUE SERVE A GEOGRAFIA ESCOLAR?

Dada a situação atual de nosso ensino de geografia (e história), eu concordo contigo mesmo. No entanto, acho até que poderíamos ter em um ensino técnico-profissionalizante um curso de geografia verdadeiro, calcado, p.ex., na obra Geografia Física de Arthur Strahler. Teríamos excelentes profissionais que trabalhariam como analistas ambientais em órgãos competentes como a CETESB, em São Paulo e fariam uma verdadeira revolução em vários órgãos fajutos dessas municipalidades espalhadas pelo país, que são mais antros de vagabundos carreiristas com estabilidade do que órgãos profissionais de verdade. Veja também o que é o trabalho de um geoprocessador... Acho toda esta revolução tecnológica na geografia algo fantástico, mas não é preciso cursar toda uma faculdade para exercer certas funções do SIG. Alguns desses técnicos são meros desenhistas que operam sistemas que qualquer nerd de ensino médio saberia fazer, mas logo empapuçaria devido a sua monotonia. Claro que há os pesquisadores que se utilizam desses recursos, mas isto seria melhor aproveitado se os mesmos já tivessem visto estas técnicas e conteúdo antes de entrar no curso superior. O que ocorre é que estas inovações pegaram muitos departamentos de geografia de surpresa e agora, meio deslocados, a maioria deles não sabe o que fazer com este conhecimento. Aproximá-lo da sociedade, para seu usufruto seria um bom começo e uma forma seria propiciar o conteúdo à jovens que não pretendem (ou não precisam) de faculdade para atuar como técnicos em geoprocessamento.

Dei um pequeno exemplo para divergir parcialmente do texto, onde eu creio que seria possível sim um ensino útil de geografia, MAS... Do jeito que está não dá para reformar mesmo, o negócio é "resetar" de vez este ensino.

segunda-feira, março 25, 2013

Falácias Geográficas - 1


"O critério de desenvolvimento adotado, por exemplo, é simplesmente a repetição das falácias repetidas a muitos anos. Não ocorre uma busca de uma classificação que considere algum indicador de referência como por exemplo o Índice de Desenvolvimento Humano, que colocaria no rol de países desenvolvidos os sulamericanos Chile e Argentina, porção sul e sudeste do Brasil além de vários países da América Central, como Costa Rica, Porto Rico e outros menores."
Cf.: As mentiras que os geógrafos contam para as crianças. Por Fernando R. F. de Lima 

Agora imagine se os geógrafos utilizassem vários critérios para n-regionalizações, como não seria rica a possibilidade de aulas sob vários temas e sua dimensão espacial e de como esta pudesse influenciar o desenvolvimento dos próprios temas, causas e fatores de desenvolvimento em foco. P.ex., assim como é o caso do IDH poderíamos avaliar graus de segurança pública, jurídica, poluição em separado para demonstrar como estas variáveis evoluem, se correlacionam (ou não) etc. Mas, para tanto, a atualização deve ser uma busca constante e é muito mais fácil decorar um esquema preconcebido calcado nesta falaciosa teoria desenvolvimentista com acordes marxistas-leninistas que demonstrou acima. Dentre tantas críticas que se poderia fazer, como nos dias atuais, em plena época do agronegócio, da importância das commodities e da cadeia produtiva que se associam, se pode falar em países exportadores primários como se o alto desempenho disto não dependesse de uma indústria de insumos e infra-estrutura? 

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Ensaio sobre a verdadeira cegueira


Em Sim, a escola varre as milhões de vítimas do socialismo para debaixo do tapete, Luis Lopez Diniz Filho se digladia com um estudante de História que pretendeu lhe dar uma lição, mas inadvertidamente tentou fazê-lo sem se apoiar nos fatos... Históricos! Aqui abaixo eu repito meu comentário ao seu post, que acho que vale a pena divulgar:

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Debate com professores é o mesmo há 30 anos » Agenda 2020

Se a situação não muda por que deveria ser diferente?
Debate com professores é o mesmo há 30 anos » Agenda 2020
E os salários não são ínfimos? Negar isto é tapar o Sol com a peneira. Sem bons salários, NUNCA melhorará o ensino. Mas, apenas isto é insuficiente, pois os mesmos bons profissionais têm que ser CONSTANTEMENTE avaliados como QUALQUER outro profissional. Isto é o que os sindicatos de categoria não querem nem ouvir falar.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

FUVEST: Geografia para idiotas

A partir de 2004 iniciei uma série de artigos comentando provas de seleção, seja de vestibulares de grande procura e concorrência no estado de SP onde vivi e trabalhei quase duas décadas ou no famigerado ENEM. Aqui, o primeiro deles:


A prova de Geografia 

da FUVEST 2004


por Anselmo Heidrich em 16 de janeiro de 2004 
Resumo: Em artigo para o MSM, o professor Anselmo Heidrich mostra como a última coisa que existiu no vestibular de Geografia da FUVEST - 2004 foi... a própria Geografia! 
© 2004 MidiaSemMascara.org



Agora que o maior vestibular do país terminou neste ano, e muitos candidatos foram postos à prova segundo conteúdo ministrado por milhares de professores no estado de São Paulo e no Brasil em geral, cabe fazermos alguns comentários. Só que um pouco diferentes do que os feitos pelos cursos pré-vestibulares.
Na primeira fase foram doze questões, quatro extremamente problemáticas com relação a orientação que os formuladores do vestibular lhes deram. E na segunda foram dez questões, e simplesmente cinco delas são tendenciosas.
A seguir, as questões e seus respectivos gabaritos comentados.

sábado, dezembro 10, 2011

Educação ou ensino?


Aqui está o link do 2º artigo mais lido no facebook em 2011:
Professores são educadores, não babás - Educação - Notícia - VEJA.com

Trata-se de um artigo sobre educação que diz o que todos professores sérios sabem que o processo educativo não funciona sem a participação dos pais. Mas, o artigo tem furos sim. Eu acho justamente o contrário neste parágrafo: