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sexta-feira, março 17, 2017

quarta-feira, maio 15, 2013

Revoltas na USP e questões adjacentes



Apesar de tudo que disse o Pirulla, objetivamente falando ele demonstrou que uma facção dos estudantes se comportou de modo destrutivo. Independente da atuação da polícia, que ele retrata como tendo seu papel necessário, haveria chance de diálogo que foi posto na lata do lixo pelos estudantes indignados com a presença da polícia no campus. A questão adjacente, mas original do conflito que foi a posse de maconha tem que ser discutida e eu sinceramente acho que quem quer se drogar que se mate que não me faz falta, mas isto não serve de salvo conduto para desmandos com relação ao espaço público. Da mesma forma que há lei proibindo o consumo de cigarro em determinado espaço, uma vez liberada a droga como a maconha, ela também deverá ser submetida à mesma normatização legal que já existe. A ideia dos estudantes é não se submeter à nenhuma lei e eu me pergunto por que então não fumar em um espaço privado? Hoje em dia não se usa determinado narcótico para usufruir do mesmo ou para virar uma pretensa celebridade underground com síndrome de carência de atenção criada com toddynho, videogame, academia, mas sem relação com os pais. Sim, minha psicologia é de bolso, mas é suficiente para colocar estes caras onde merecem.

segunda-feira, março 26, 2012

Onanismo epistemológico e estelionato científico

Quando li o, até então marxista, Manuel Castells em seu A Questão Urbana, ele deixava claro que não poderia haver uma teoria do espaço desvinculada da sociedade. Eu não concordo com isto porque acho que podemos, muito bem falar de encostas e isotermas sem mencionarmos as cidades, mas eu entendi o que autor disse. O que me espanta nesses 'espaciólogos', muitos dos quais geógrafos é que há uma necessidade muito grande de converter o espaço em uma categoria autônoma, auto-suficiente teoricamente, ao mesmo tempo em que criticam os positivistas por sua busca obstinada por um objeto e adoção da lógica-formal. Em contraposição, sua mítica 'lógica dialética' lhes indicaria, automaticamente, o objeto a ser estudado. Algumas situações que vivenciem me mostraram quão estúpida é esta forma de pensar: certa vez encontrei uns estudantes de física na USP, na época em que fazia meu mestrado e empolgado com este discurso dos geógrafos de então lhes perguntei:
-- Como vocês estudam o espaço? -- os sujeitos devem ter me tomado por um idiota ou, na melhor das hipóteses, alguém drogado e responderam com outra pergunta -- De que forma? -- Ou seja, não se estuda o espaço em si, como se não fosse uma condição entre objetos dada pela distância ou outras categorias. O vácuo em si não é o que o importa e as categorias utilizadas têm que vir acompanhadas de conceitos precisos e não meras metáforas com as quais estes pesquisadores se torturam em uma espécie de onanismo epistemológico.
Outro caso interessante foi quando tive aula (se é que aquilo podia se chamar assim...) com Ana Fani Alessandri Carlos e ao eu ter feito um comentário citando Richard Hartshorne, para quem as ciências não se dividem por seus objetos, mas por seus métodos, pois afinal, tanto a geografia como a biologia podem estudar o meio ambiente a supracitada professora me respondeu que cometi uma falha "porque Hartshorne é um neopositivista". E? E... Qual a sequência do argumento? Nada. Simplesmente parou por aí. 
Sinceramente, este pessoal, os espaciólogos têm que ser denunciados mesmo, com artigos e posts, pois o que fazem é um verdadeiro estelionato científico.
Cf.: Tomatadas: Tese central de Santos, Harvey e Soja é só "malabarismo retórico"

sábado, fevereiro 11, 2012

A demissão dos intelectuais

Sobre o bem vindo fracasso dos intelectuais:
(...) o autor reclama que esses intelectuais que pensam o nosso tempo estão ficando cada vez mais excluídos dos debates e que têm menor influência em seus respectivos campos disciplinares do que seria de imaginar à luz da projeção que encontram na imprensa. Para o momento, porém, quero destacar apenas que, como se vê na passagem citada, embora os intelectuais de esquerda tenham considerável projeção pública, a despolitização da academia se relaciona à “impotência geral” desses autores para elaborar propostas de ação ou mesmo de reflexão.
Ora, essa é exatamente uma das ideais que tenho defendido neste blog! Mas há uma diferença abissal entre Caillé e eu. Ele constata a impotência propositiva dos intelectuais que desejam mudar o mundo e lamenta que inúmeros estudiosos da sociedade tenham decidido investir em pesquisas mais pontuais e privilegiar métodos empíricos e quantitativos aplicados à modelagem matemática (daí ele falar em despolitização). Eu, porém, vejo nisso um processo absolutamente normal e bem-vindo em qualquer ciência, que é a substituição de métodos e teorias que se mostraram ineficazes por outros métodos e teorias de maior eficiência explicativa. E, se os pesquisadores mais jovens utilizam tais métodos para serem fiéis ao compromisso com a neutralidade política, tanto melhor! A dissolução das fronteiras entre método científico e retórica política está na base do fracasso dos intelectuais que Caillé admira.(...)
Tomatadas: Nossos intelectuais não pedem demissão!: Fui à biblioteca pegar um livro de epistemologia e acabei descobrindo um outro sobre o mesmo assunto cujo título me chamou atenção. Trata-s...
Também é fácil para este grupo de intelectuais engajados se apoiar nisto, na ação em detrimento do entendimento porque mascara a falta ou dificuldade de desenvolverem pesquisas sérias sobre qualquer coisa.