Grandeza de região é eventual e muda com os ventos da economia. Norte da Inglaterra foi berço do capitalismo industrial, Liverpool e Glasgow portos riquíssimos e Manchester cidade mais industrial do mundo, mas hoje é tudo um lixo. Mesma coisa o "rust belt" dos EUA. SP até 1850 falava mais tupi q português e era econômica e culturalmente metade de PE. 100 anos depois inverteu e hoje quintuplicou. Isso é bom, mas não é mérito nenhum!É só fruto dos movimentos da Economia.
Errado. Os "ventos da economia" é que são soprados pelo engenho humano situado num dado território a que chamamos "região". O Rust Belt, também conhecido como Manufacturing Belt ainda produz e muito, embora perdendo espaço (relativo) para o Sunbelt, com estados como Califórnia e Texas tomando dianteira. Mas, muito mais importante do que porcas e parafusos são ideias e o fluxo contínuo de trocas que ao circular do capital 'socializa' a riqueza de modo mais justo que há. Também, em menor proporção chamar o norte da Inglaterra de 'lixo' colocaria nosso país, por comparação em outra categoria difícil de avaliar, pois não teria a mínima importância histórica, exceto pela nossa eterna posição de exportador importante de commodities. Quanto a S. Paulo, toda riqueza alegada e posição econômica brasileira atuais seriam impossíveis sem ele, criador, vórtex da economia brasileira atual e não só isto, o espírito que é mais fundamental. Criássemos outras seis São Paulos por este país e teríamos sim o papel civilizatório que outras grandes nações já alcançaram. E antes que me acusem de bairrismo, podem tirar o cavalinho da chuva, sou gaúcho, mas sei ler números.
São Paulo é o que é pq foi trabalhada pra ser assim, nenhuma outra cidade é tal qual ela, pq ela não deixa.
Dizer que São Paulo "não deixa" outras cidades serem como ela é o mesmo sintoma de argumento que vemos na retórica terceiro-mundista que alega sua vitimização devido à potência alheia. Na verdade, o que está no fundo, lá no fundo, na raspa da alma deste sentimento é uma larvinha chamada inveja. A inveja é, na verdade, uma forma muito particular de elogio, que mostra o que seu perpetrador gostaria, no seu íntimo de ser. Mas, cuja luz do farol que amaldiçoa impede que veja sua própria silhueta. Cegos pela luz também não vêem que é justamente por ela que ainda não naufragaram porque não tiveram (e talvez nunca tenham) seu próprio iluminismo.