terça-feira, agosto 20, 2013

Óbvio oculto para marxistas

Sobre: Tomatadas: IDH prova que crescimento econômico é fundamental....: Faz décadas que acadêmicos, ambientalistas, militantes políticos e burocratas da ONU esperneiam contra a ideia de que o crescimento econômi...
O que chama atenção a esta falsa dicotomia proposta pela visão 'estruturalista', para a qual o 'social' suplanta o 'econômico' em importância é que não se percebe que a renda é apenas um indicador e, como tal, expressão relações... Relações estas em que um índice econômico não é algo independente, autônomo, isolado, desvinculado de relações de independência em relação à políticas populistas de distribuição de renda, clientelismo governamental, ao mesmo tempo em que expressa uma maior dependência à agentes econômicos; que falar em "maior renda" significa falar em empreendedores, profissionais melhor capacitados, maior produtividade etc., elementos que geralmente dependem de um nível educacional mínimo. Que não se trata de criar cotas para uma minoria de uma minoria, mas de multiplicar vagas em sistemas de ensino básico.

Tudo isto é conhecido, mas apesar da obviedade, nossos críticos da necessidade de aumento do PIB veem a renda como algo no ar, algo que foi extraído como se já estivesse lá, no sangue dos pobres. Não se trata da criação concreta, da atividade real para a qual o dinheiro é só um equivalente geral de trocas, se trata de uma 'essência', um tipo de ouro que se debatem para tomar. 

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OBS: uma colega me chamou atenção, acertadamente, que é preciso mais do que o 'mínimo' em termos educacionais para formar uma classe de empreendedores produtivos. Obviamente ela está certa. Grato.

sábado, agosto 17, 2013

Do "Onde está o Amarildo?" ao "Onde está a Geopolítica?”

Neste artigo, José Roberto Bonifácio tenta destrinchar os meandros dos recentes acontecimentos no cenário político nacional e sua relação com a ordem institucional e como isto pode afetar o equilíbrio de forças regional. 
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Do "Onde está o Amarildo?" ao "Onde está a Geopolítica?”


Há poucos dias era exonerado o Comandante da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro (PMERJ), Coronel Erir Ribeiro da Costa Filho. No mesmo dia, poucas horas depois, num concorrido programa televisivo, eram entrevistados os ativistas que se notabilizaram pela cobertura das manifestações urbanas de junho e julho¹.

sábado, agosto 10, 2013

Anistia Internacional fala em direitos humanos enquanto pensa em classe social


"BBC Brasil: A atuação da polícia durante as manifestações gerou muitas críticas, com denúncias de abuso de poder e prisões arbitrárias. A própria Anistia se pronunciou sobre o uso excessivo da força e de armas não-letais.
"Mas se você não tem segurança em uma favela, como vai querer ter um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU?"
Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional
Shetty: Paradoxalmente, acho que foi a primeira vez que a classe média experimentou a brutalidade da polícia, porque para moradores de favelas essa experiência é rotineira, assim como para os povos indígenas. O que aconteceu foi infeliz, mas por outro lado foi um grande despertar para o cidadão brasileiro médio sobre como a polícia atua.
BBC Brasil: Na sua avaliação, o que precisa mudar?
Shetty: O país precisa de uma reforma profunda na polícia. Precisa de uma força policial unificada, de um banco de dados e de informações unificado, de um treinamento muito mais sério para o policiamento comunitário – um policiamento que ajude as pessoas, e não as prejudique. E precisa de uma reforma jurídica.
Temos que lembrar que o Brasil tem um dos maiores índices de homicídios violentos no mundo, e uma proporção significativa, de cerca de 20%, são de homicídios cometidos pela polícia.
A questão central é a impunidade. Nós visitamos o Complexo da Maré, onde 10 pessoas foram mortas, inclusive um policial (durante operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, em junho). Tivemos o desaparecimento de Amarildo na Rocinha (o pedreiro que sumiu depois de ser levado para a Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP, da favela, em 14 de julho).
A Anistia vem levantando esses problemas há muito tempo, e agora eles se tornaram mais visíveis para a mídia e para a classe média por causa dos protestos e do uso excessivo da força."
Bem, o raciocínio baseado em classes sociais é totalmente anacrônico para a questão proposta. A 'classe média' quem? Os jovens universitários que começaram toda esta balbúrdia representam uma classe? Acho que não. E a resposta, ensaiada, da unificação das polícias (embora eu concorde) melhoraria em que, especificamente? A resposta/solução do do secretário da AI parece não ter relação com o problema do jeito que foi colocado. Não vejo lógica nenhuma nisto.

terça-feira, agosto 06, 2013

Fronteira Viva - 1

Hotel Kakslauttanen. Fonte: businessmagazin.ro
Sobre Finlândia-Noruega: Lapónia: "affaire" junto à fronteira | Presseurop.eu: atualidade europeia, ilustrações e revistas de imprensa
Este tipo de matéria me atrai porque trata de lugares 'esquecidos', enquanto que na verdade estão sob intensa transformação. As cidades da Lapônia estão na área onde a economia pode prosperar (petróleo e gás no Ártico):
 "Quando as coisas começarem a mexer no Ártico, Utsjoki estará bem no coração dos acontecimentos, a pouca distância, mas ao lado da Finlândia. Para que a Finlândia possa tirar proveito da proximidade do Ártico gostaria de encorajar as empresas a investirem aqui".
E, por enquanto, as diferenças de câmbio atraem trabalhadores finlandeses (e de várias outras nacionalidades) para a Noruega e noruegueses para o comércio finlandês. 
Uma questão adjacente (mas não menos importante) é qual o papel, ou melhor, importância do estado-nação nisto tudo? Sem ele, estes fluxos seriam mais intensos, produtivos, conciliatórios e ricos em termos culturais. Aí vai minha carga declarada de wishful thinking: isto é o futuro, cidades que formem redes urbanas integradas tecnológica e comercialmente, de modo que as divisões políticas do passado sirvam para confusas e herméticas aulas de história. 

sexta-feira, agosto 02, 2013

Lula e Vargas

"Qualquer semelhança com o stalinismo não é mera coincidência, pois marxismo e positivismo são filhos siameses da mesma fé cega na ciência que permeou o século 19 e influenciou profundamente o Brasil, a ponto de seu lema — “Ordem e Progresso” — inscrever-se na própria bandeira nacional."
[O pai caudilho de Lula - Jornal Opção]

Stalinismo é prática, com quase nenhuma teorização que não passe de puro marketing. Mas, "fé cega na ciência" que confundia "lei natural'"com norma. Ciência não é assim.

sábado, julho 20, 2013

A propósito de Soraya e outras

Sobre: Interceptor: The Stoning of Soraya M.
O ministro das relações exteriores norueguês disse algo bem interessante:
"A sentença em Dubai a uma norueguesa que denunciou um estupro é contrária ao nosso sentido da justiça. Daremos a ela apoio no processo de apelação", disse Espen Barth Eide, o ministro das Relações Exteriores norueguês, em sua conta no Twitter.
[Em Dubai, mulher é condenada à prisão após ter ter sido estuprada - Yahoo! Notícias]
Se mais governos agirem com esta perspectiva o grau de intervenção mundial aumentará, mas em um sentido positivo.

terça-feira, julho 16, 2013

A paz de Snowden

Sobre: Snowden é indicado ao prêmio Nobel da Paz - Opinião e Notícia
A questão do direito civil vs. direitos fundamentais parece ser o nó górdio deste imbróglio: deve Snowden ficar submisso à legislação de seu país ou há princípios mundiais sob os quais todos temos o direito de salvaguardar, senão dever mesmo? Esta me parece uma questão com a qual a comunidade mundial ainda não deu uma resposta sistemática, mesmo porque quem hoje está numa posição, amanhã pode estar noutra... O governo americano que quer a cabeça de Snowden em outra situação pode defender o asilo de alguém que seja procurado na Rússia etc. Assim, como recentemente se viu no caso boliviano, no qual um avião foi preso com o ministro da defesa brasileiro sob suspeita de ajudar um foragido, inimigo de Evo Morales [http://j.mp/15HhKn0] no final do ano passado, o mesmo governo boliviano ofereceu asilo político ao ex-agente da CIA [http://www.publico.pt/mundo/noticia/venezuela-e-nicaragua-oferecem-asilo-a-snowden-1599457]. Pois é, pois é, pimenta nos olhos dos outros é refresco... Então, esta indicação do professor sueco mais me parece um sintoma de antiamericanismo que não tem a ver com a questão colocada acima. Certo ou errado, Snowden não promoveu paz nenhuma, mas intriga. Opiniões e julgamentos são livres, mas os conceitos são determinados e previamente definidos e provocar celeuma mundial em torno de informações e espionagem não é exatamente o que pode se chamar de 'paz'. Agora, para os mais exaltados e eufóricos novos simpatizantes do virgem iludido que trabalhou na CIA, só tenho uma questão: não é meio hipócrita que em tempos de tamanha exposição voluntária, redes sociais, facebook etc. e tal haja tantos que se façam de vítimas por que um governo tenha espionado outros? Sinceramente, alguém aí em sã consciência achava que não seria assim? Poupe-me desta cretinice, por favor.

sexta-feira, julho 12, 2013

The Stoning of Soraya M.



1:02:40 a 1:03:39. Por isto, a lei não pode ser só positiva. Por isto, direitos fundamentais têm que ser buscados.

Como o vídeo acima não se encontra mais disponível no Youtube, aqui está uma alternativa do Vimeo: http://vimeo.com/23884029