sexta-feira, junho 22, 2018

A Moralidade deve ser um critério de convivência

Acusar a censura aos atos de assédio e punição com demissões como sendo características da “Idade Média”, “corporações de ofício” etc., toda sorte de equiparações descabidas apenas eximem a imoralidade de sanções. Não faz sentido, sobretudo porque uma ordem moral baseada em castas, estamentos ou profissões formando um círculo fechado se define pela origem dos trabalhadores e não no comportamento comum e necessário à convivência que não é dado pela origem. Leiam este excerto:
diniz diz merda-2018.06.22-23-52-10n
Discordaaannndoooo…. Em primeiro lugar, esse papo de Idade Média. Na I.M., um senhor feudal podia desposar a esposa de um de seus vassalos, na data das núpcias. Ele tinha o privilégio. No referido caso, da moça em meio aos brasileiros que a enganaram ou das russas sendo assediadas pelo funcionário, a propriedade primeva delas que é seu corpo não pode ser objeto de uso, sem seu consentimento. Já aí acho descabida tal comparação. Se tu estiver pensando em uma espécie de censura, sinto te dizer, esta sempre existiu, porém às vezes era tão consensual que não havia todo esse questionamento que estamos tendo, cuja maior transparência caracteriza nossa época. Se não gosta do comportamento de alguém, do procedimento de uma empresa, as coisas ficaram só mais explícitas, enquanto que em passado recente (décadas) nem se discutia, se obedecia. E o problema que enxergo não é sobre qual padrão de comportamento deve ser acatado, mas sobre a liberdade de se aceitar ou não a convivência com determinado comportamento. Refiro-me ao dono da empresa ou quem for designado para decidir sobre isto. A empresa, até onde sei não sofreu pressão externa, ainda mais judicial (isso sim é que caracterizaria algum tipo de “ditadura do comportamento”, “politicamente correta”), mas foi sua opção. Recentemente, um padeiro americano ganhou, na Suprema Corte(!) uma causa que o desobrigava a fazer bolos para casamentos gay porque a Constituição Americana preserva, na sua 1ª Emenda a Liberdade de Expressão. Veja, o casamento gay não é atacado, mas a liberdade de não aceitá-lo, não sendo obrigado a trabalhar para ele também é garantida. Este é o ponto. Tu, obviamente, não pode (e também não deve) expulsar teus alunos por terem algum comportamento inadequado, mas em um país realmente livre, um empresário do setor deveria ter o direito de fazê-lo, caso quisesse. Claro que quem pagou pelo serviço teria direito à indenização pela interrupção, mas não se pode impedir a interrupção em nome de uma idealização de sociedade anti-medieval. A questão aqui não é, pois, o que a(s) menina(s) sentiu(ram) em relação ao assédio, mas sim o que o empregador sentiu e quis. O direito dele empregar quem ele quiser DEVE ser preservado e dane-se se é pelo comportamento impróprio, se for pelo gosto musical recém descoberto ou o diabo do perfume. Não importa. Analogamente, SE tu tivesse uma faculdade particular poderia expulsar um aluno por algo que atentasse contra o que tu enxerga adequado para tua empresa que, obviamente, não seria a nota na prova, pois esta faz parte do processo de ensino sendo boa ou ruim. Quanto ao piloto do avião que mostrou o dedo médio para a Polícia Federal – PF vamos supor que tu esteja certo, que havia uma legislação para puni-lo em função disto (estamos supondo, não sabemos ao certo), o que torna a questão mais clara em que uma empresa pode punir um cidadão por mau comportamento, mas desnecessário. Se não há lei especificando o que NÃO SE PODE FAZER, no caso, como não pode demitir, todo o resto deveria ser possível. No entanto, eu aposto que não havia nada específico e a empresa realocou o sujeito para que não ficasse exposto trazendo mais prejuízo financeiro para ela. Ah! Mas e a Civilização… Pois é, ledo engano achar que esta se estabelece sem a censura espontânea entre as pessoas. Na Inglaterra Vitoriana, nobres imitavam o comportamento da realeza e eram imitados por seus subordinados e assim por diante num efeito cascata. Isto, ao ar livre, em parques, nos passeios de rotina. Este co-adestramento é um dos tantos exemplos de como se formou uma ética de convivência nos espaços públicos. Isto é civilização. Por outro lado, de certa feita pude presenciar alunos de uma escola de elite em Florianópolis apresentando um número de dança, ao som de violino e música renascentista durante o intervalo de almoço junto à praça de alimentação de um famoso shopping. Quando parecia que ia melhorar, as crianças começaram a dançar “na boquinha da garrafa” simulando penetração vaginal no gargalo da garrafa com suas ancas abaixando e subindo. A música de décadas atrás já não toca mais, mas a retardada da sociopata da professora continua lá, ensinando isto. Crianças sim, de cerca de 8-10 anos. Pode? Pior, elas form aplaudidas… Pior, elas foram aplaudidas por seus pais. Então, em meu país ideal, eu teria liberdade de pôr esta professora no olho da rua no dia seguinte, sem precisar que exista uma lei ou interferência jurídica para puni-la. Este é o ponto.
Anselmo Heidrich

Canal Hipocritas perdeu a chance de ficar quieto

Comentário sobre o vídeo do Arthur do Val:


Surpresa? O vídeo do Hipócritas é totalmente previsível, coisa CHUPADA de vários comentários da internet. E, quanto ao mérito, sinceramente... Só contribuíram para mostrar a hipocrisia de quem? De quem se indignou com os babacas da Rússia, como se fossem as mesmas pessoas que fazem apologia à letras de funk obsceno envolvendo crianças. Ora! É muito improvável que sejam as mesmas pessoas. O mais patético é ver vocês, "liberais-conservadores" criticando essas pessoas, por sua suposta contradição, enquanto que vocês, e tu mesmo ARTHUR fez toda aquela movimentação contra o Queermuseu. Quem é o contraditório agora? Quem é o hipócrita agora? Fui contro o Queermuseu, não pelo conteúdo (horroroso, dane-se), mas pelo envolvimento de menores de idade, sou contra o vídeo de otários usando uma menina na Rússia por isso mesmo, porque usaram-na sem saber do que falava, mas tem que ser muito obcecado pelo que dizem atores globais para achar que vou me preocupar com o que tais atores disseram. Estes dados adjacentes são o que são, adjacentes. NÃO IMPORTA. É a mesma esparrela de ficar na estratosfera do debate criticando Clinton que criou a lei que separa pais imigrantes ilegais de seus filhos, das fotos de crianças encarceradas no governo Obama ou a atual aplicação no governo Trump, enquanto que em nenhum momento se foca no que importa, se a lei é a mais funcional, se ela tem base moral etc. Porque este "desvio retórico" nos debates? Simples, porque ninguém está nem aí para a situação concreta envolvendo refugiados e imigrantes ilegais, se contra ou a favor e porque, o que conta parece simplesmente ser contra ou favor de Trump; analogamente, não vi direitistas ou esquerdistas, liberais ou conservadores discutindo se é válido enganar alguém que acreditava fazer parte de uma confraternização. Patético ver sedizentes conservadores, que deveriam levar o debate moral a sério fazer pouco caso disto. E não, não venha com esta cortina de fumaça de "ditadura do politicamente correto", eu faço piadas machistas etc. Divulgo-as na minha linha de tempo, MAS (este é o detalhe importante) não uso ninguém em particular como cobaia para fazer graça. E sim, a melhor forma de entender qual é o limite para tanto é se colocar no lugar do alvo e se não se importa pense na tua mãe, irmã, mulher ou filha. Se coloque no lugar. Também não advogo uma lei para proibir este tipo de babaquice, o que seria um absurdo. A liberdade de expressão tem que ser garantida, mas esta mesma liberdade pode ser usada por quem se sentir atingido, direta ou indiretamente e este é o caso. A condenação moral é extremamente válida e é disto que se trata. Falou 'm' paga pelos mesmos meios.

Arthur. o negócio é o seguinte, teu trabalho é fundamental, mas não caia nessa de corporativismo por afinidade ideológica. O Hipócritas perdeu a mão e a oportunidade de fazer um vídeo sobre a hipocrisia de um sujeito com rosto e nome, pois o que eles fizeram foi generalizar sobre quem se indignou com a babaquice, que também são os mesmos que não admitem ouvir lixo com letras apelativas. Não se trata de feminismo ou mimimi, se trata de respeitar a privacidade alheia, o que não deixa de ser o respeito pela propriedade moral de alguém.



O referido vídeo:



quinta-feira, junho 21, 2018

Trump, imigrantes e o assédio à garota russa


Fonte da imagem: Notícias ao Minuto Brasil - Brasileiros são acusados de machismo e assédio na Copa do Mundo noticiasaominuto.com.br via @noticiaaominutobr
Tive um colega professor de História, diretor do SENAI em Santos, SP lá pelos anos 90 (onde trabalhei no Anglo por 7 anos) e ele expulsou, veja bem, EXPULSOU um aluno do curso técnico no ÚLTIMO ANO. Vou deixar bem claro para que todos entendam: o cara, diretor do Senai expulsou um aluno no último ano de curso técnico às vésperas da formatura do infeliz. Por quê? O aluno colocou minhocas, ele teve a manha de comprar minhocas e jogar na panela de macarrão do restaurante em que os alunos iam comer. Daí perguntei ao meu colega, um corôa cerca de 20 anos mais velho que eu (eu tinha 20 e poucos anos a época) por que ele tinha feito isso e a resposta foi esta, nunca me esqueço: “como vou deixar um cara desses trabalhar na indústria, qual a MINHA RESPONSABILIDADE em deixar um sujeito desses entrar na indústria”. O mais bizarro é que a galera que está se dividindo agora em Esquerda condenando o ato “machista” e Direita acusando atores globais de hipocrisia com relação à idiotice de um grupo de brasileiros na Rússia ao enganar uma moça não estão focando no caso em si, pode um funcionário público, ainda mais policial dar este exemplo? O que vai acontecer? O cara vai voltar para SC, vai subir a serra, vai tomar alguma sanção administrativa da corporação, cujo tribunal é militar e deu pra bolinha, só isso. Nosso país é desigual e injusto sim, mas não em relação a renda, pois isto tem outras causas que não se relacionam à Justiça. Nosso país é injustamente desigual devido à aplicação da Lei.
Aqui, eu esclareço mais estas questões que põem em divisão algo que deveria ser consenso porque o que realmente importa a essa gente não é o caso em si, seja ele o referido assédio na Rússia feito por um grupo de otários ou o tratamento dado aos imigrantes ilegais pela administração Trump:

Anselmo Heidrich

segunda-feira, junho 18, 2018

Brasil e Romênia: a luta anti-corrupção

Acima, Laura Codruța Kovesi, "o Moro de saias romeno". Divulguem o nome dessa heroína.
Fonte: Romania anti-corruption chief hits out at critics ft.com via @financialtimes
Um amigo romeno me enviou esta matéria do NYT que mostra a luta anti-corrupção no país. Lá, eles têm um promotor que trabalha nacionalmente só com isto, que já foi responsável por centenas de processos e prisões, Laura Codruța Kovesi. E eis que o vice-presidente da Câmara dos Deputados Romena, Presidente do Partido Social-Democrata (PSD – Partidul Social Democrat) Liviu Dragnea acusado de desviar milhões de fundos de pensão passou a acusar quem o acusa de formar um “Estado Paralelo”, com táticas semelhantes as do Comunismo Romeno. Balela! Estão se borrando de medo da justiça e fazem parte de um esquema que, de modo similar ao Brasil não sabe o que fazer para sobreviver. Veja o que diz a matéria do NYT:
“(…) about 1,200 people have been indicted on corruption charges, and 1,000 convicted. Among those charged have been 14 government ministers, 39 deputy ministers, 14 senators and one member of the European Parliament. The office has secured 27 convictions in those cases, with most of the rest still pending.”
90% de eficiência no trabalho da promotora, i.e., na captura dos corruptos.
Agora vem a parte mais engraçada: adivinha qual é a retórica dos apoiadores do tradicionalismo corrupto? “Forças ocultas, George Soros, interesses externos” e todo tipo de baboseira que vocês imaginam. Sempre a mesma coisa, né? Incrível como este Soros serve para qualquer coisa, para justifica qualquer acinte contra o Estado de Direito bastando citá-lo para se fazer de santo, se dizer perseguido. Ah! Vira o disco!
E lá como aqui, o sistema judiciário deles se comporta como o nosso STF atrasando e criando estratagemas para aliviar a barra dos presos.
Em diferentes países, os problemas são similares quando não os mesmos e os discursos têm posições e dados diferentes, mas com uma mesma lógica persecutória. Se aqui o tal Soros e a bobagem do Globalismo serve para justificar ações do governo, na Romênia serve para acusar quem é contra o governo. Ao fim das contas, as pessoas prestam menos atenção em problemas reais, no lado empírico dos fenômenos sociais como a corrupção e se perdem em ideologices.
Mr. Dragnea’s party, emboldened by the failure of European Union officials to curb threats to the rule of law in Poland and Hungary, has cast his battle as one against enemies both foreign and domestic.
Anselmo Heidrich

sexta-feira, junho 15, 2018

Greve dos Caminhoneiros e Consequências

Vou encher o saco do povo que não fez a devida auto-crítica pelo apoio impensado a uma greve insana. E aí, o que vocês me dizem sobre a consequência dessa greve dos caminhoneiros? Vão ficar quietinhos, mesmo?!



¿Qué es el COMUNISMO? - VisualPolitik

Embora eu seja anti-marxista, este vídeo é muito bom, excelente, na verdade. Bem didático.

sexta-feira, junho 08, 2018

Fanáticos e Fracos


Look in my eyes, what do you see?
The cult of personality
I know your anger, I know your dreams
I've been everything you want to be
I'm the cult of personality
Like Mussolini and Kennedy
I'm the cult of personality...
Like Joseph Stalin and Gandhi

I'm the cult of personality

The cult of personality, Living Colour
O problema em se cultuar alguém ou algo é a crença em sua infalibilidade. Pior, mesmo que acidentes de percurso ocorram se fará de tudo para desviar atenção ou foco dos problemas para não admitir nenhum erro de seu objeto de culto. O fã político ou fanático é, por excelência, pior, muito pior do que seu ídolo que, muitas vezes, é alguém politicamente pragmático utilizando todas suas armas para se eleger ou reeleger. Tivemos exemplo recente nesta Greve dos Caminhoneiros… Candidatos ao cargo máximo do país, a presidência da república que deveriam dar exemplo de ponderação e calma nas palavras proferidas preferiram pôr gasolina na fogueira, já que esta faltou nos postos de combustível.
Sim, eu estou me referindo à Jair Bolsonaro, a quem já demonstrei apoio, mas que nesse caso se revelou despreparado e sujeito à influência e calor do momento querendo e propondo pressionar este governo federal para ceder aos anseios dos grevistas sem nem sequer se perguntar se:
  1. O movimento grevista tinha propostas coerentes e sustentáveis?
  2. Havia um compromisso das partes em acatar soluções mediadoras, ainda que incompletas?
  3. Não havia manipulação com fins eleitoreiros ou políticos por detrás dessa greve?
O que eu também não entendi foi o papel de dois economistas ligados ao candidato, Paulo Guedes e Adolfo Saschida que nada fizeram ou se fizeram, foram inócuos para influenciar o candidato a uma postura mais razoável. Sinceramente, se são liberais deveriam explicar, minimamente, o que ocorria no setor de transportes, na produção e distribuição de derivados de petróleo e nas distorções de mercado provocadas pelo PT para saber se havia como proceder diferente. O problema que ele, assim como muitos acreditam, ingenuamente, que a conta da corrupção, por maior que seja, seria suficiente para compensar o déficit no setor com mais subsídios, caso estes valores fossem ressarcidos ou a torneira dos desvios fosse fechado. Não, não era suficiente, não é e nunca foi, por mais danosa que seja essa anomia social. Assim como os gastos públicos indevidos, imorais, mas infelizmente legais que oneram nosso erário com a conta da previdência social que se torna cada vez mais insolvente. Tudo isto teria que ser explicado, didaticamente, ao candidato em uma hora ou mais antes dele sair dizendo besteira em um vídeo de What’sApp. Mas não, rápido para julgar, devagar para entender como um aldeão participando de uma caça às bruxas, o mito arrebanha seguidores tão desprovidos de raciocínio e lógica quanto ele próprio.
Agora pense no seguinte: em outubro essa peça é eleita e no ano seguinte, a máquina pública brasileira cada vez mais insustentável não consegue honrar seus compromissos e o mito se liquefaz tendo que enfrentar mais greves e movimentos pleiteando Intervenção Militar! O que faz esse figura? Vídeos pedindo calma e compreensão para depois outros prometendo combater os agitadores para depois outros acusando os movimentos de terem infiltrados para depois acusando os próprios movimentos para depois propor uma repressão geral por absoluta inépcia desde o princípio. Agora vem o pior, o que farão seus fãs-fanáticos? Negarão, negarão e enrolarão dizendo que tudo é culpa da mídia, da Globo, de George Soros, da conspiração, dos poderosos globalistas aliados com a Esquerda Mundial, a ONU e toda sorte de bobagens que já vem sendo destilada por essa direita burra e acéfala que se esforça por superar sua contraparte de esquerda que já ganhou vários prêmios na capacidade propor o atraso. 
Só te digo uma coisa bolsominion, não diga que eu não te avisei. Essa postura arrogante, imediatista, burra e fanática de vocês poderá trazer o caos sim. E aí, com apoio do General Mourão e a possível oposição do sensato Comandante Geral das Forças Armadas, o General Villas-Boas podemos ter o nosso maior pesadelo: o Exército dividido. Nestas horas, eu que sou um velho ateu só posso rezar para eles permaneçam unidos e ponham este afobado nos trilhos, como fez Mourão ao comentar a desordem que tomava conta do país. Menos mal… Se Bolsonaro não ouve seus economistas — ou esta dupla não serviu pra nada –, pelo menos se arrepiou com as palavras do General e fez um outro vídeo apaziguador, pedindo calma aos caminhoneiros, que não destruíssem o país, apesar deles terem razão(!).
Esse fanatismo, essa adoração, essa falta de senso auto-crítico esconde o quê? Uma fraqueza, um horror à política que, por pior que seja ainda é o caminho, único possível para resolvermos nossos problemas comuns. Esta ânsia de que um xerife todo poderoso venha resolver rapidamente os problemas, com requintes de truculência para regozijo da patuleia tem tudo a ver com quem não tem a paciência do leitor, mas de quem espera uma pílula para dormir e acordar bem no dia seguinte com todos os seus problemas resolvidos. Só que neste caso vai acordar em um pesadelo quando discursos, lágrimas e louvores ao hino nacional não bastarem para encher pratos.
Difícil, né? Está achando isso agora? Veremos como ficará depois… Eu só lamento muito que o voto impresso não tenha sido aprovado. Pois se Bolsonaro perder as eleições seremos obrigados a ouvir ad eternum que houve fraude e até nisto a Nova Direita Brasileira fará páreo à nossa Esquerda Paleolítica que travou o disco no discurso do “golpe”. Haja…

Anselmo Heidrich
08/06/2018

quinta-feira, maio 24, 2018

João Amoedo no Roda Viva

Imagem: twitter.com/joaoamoedonovo/

Vamos direto ao ponto: João Amoedo foi bem no programa. O programa é que foi mal. Como ficou claro, PARA QUEM VIU, houve uma confusão de perguntas, algumas prolixas e com entrevistadores se atropelando nas palavras. Dentro deste quadro fiquei impressionado com o foco que teve o candidato. Às vezes tive a impressão de que a sobrecarga de perguntas o favoreceria, deixando as mais espinhosas para trás e não, lá estava o engenheiro com seu foco característico retomando as questões a ele proferidas antes de passar a outra questão. Então eu acho totalmente descabida a acusação de que os entrevistadores arrasaram com ele. Agora, quem esperava um político com cara de manifestante ou revolucionário berrando em cima do palanque, João Amoedo não é (e nunca foi) “o cara”. Eu acredito que é necessário imprimir paixão no discurso porque a conexão que se faz com massas não é de todo racional. Aliás, me corrijo: a conexão que se faz com as pessoas de modo geral não é de todo racional.Que o digam os marqueteiros e psicólogos que sabem muito bem disto… Mas analisando por outro lado, tudo que tivemos no Brasil foram discursos irracionais, sem base técnica, sem análise de dados, sem proposição de programas exequíveis e explicação de como e quão exequíveis são. E agora que temos um candidato que foge por completo ao estereótipo do populismo, a crítica é porque ele é insosso, que disputa o título de “picolé de chuchu” com Geraldo Alckmin etc. Está mais do que na hora de termos racionalidade e conteúdo nas propostas.
Outra crítica que circulou nas redes foi um “fogo amigo”, daqueles liberais, libertáriosque acreditam no liberalismo econômico, mas também na esfera da vida privada ou como chamam, nos costumes. A questão, não poderia deixar de ser, foi em relação às drogas. Amoedo disse que não proporia a descriminalização das drogas nesse momento, mas em um momento futuro. Porque acha, o que é uma demonstração de bom senso que as experiências ora em curso deveriam ser analisadas, pois assim como há casos em que se relatam bons resultados – como em Portugal – também há os negativos – como na Holanda.
Leiam: essa é minha opinião e não algo expresso ou dito por algum membro do Novo: eu apoio a liberação/descriminalização das drogas, mas não sem sua devida regulamentação, como (a) quais drogas especificamente? (b) a partir de que idade seria permitido consumi-las? (c) em que local e em que situações (direção no trânsito, p.ex.) não seria permitido seu uso?
E uma outra muito importante: é justo pagarmos tratamento para dependentes químicos? Então, meus caros, eu defendo sim a liberação/descriminalização se e somente se houver regulamentação conjunta (e não a posteriori) com a devida extinção do atual modelo de saúde pública porque não devemos ser obrigados a subsidiar tratamento do vício alheio. O que, aliás, já deveria valer uma vez que há internações de alcoólatras e fumantes de cigarro.
Acho que João Amoedo conseguiu desagradar aos cotistas e aos anti-cotistas na questão específica, o que me trouxe simpatia. Não pelas cotas raciais em si, que eu sou obviamente contra, mas por sua abolição gradual que revela pragmatismo na política. Quando se altera mecanismos já institucionalizados tem que se, em contrapartida propor outros e foi exatamente o que disse o candidato. Com uma luva de pelica ele deu um tapa na bazófia da “jornalista e professora universitária” Rosane que só por citar Milton Santos (se baseando nele) já vi que era uma farsante. Em suma, ele não caiu no jogo dela.
Outras questões, óbvias para conservadores e liberais foram apropriada e acertadamente tratadas, como o custo da máquina pública, o engessamento da atividade produtiva, a necessidade de privatizações, da redução da carga de tributos, da segurança pública e do direito à defesa (que envolve o fim do Estatuto do Desarmamento), dos privilégios políticos (como o Foro Privilegiado), da falta de competição na expansão do crédito (que leva aos juros elevados) etc. Eu gostaria de ver que outro candidato (do nosso lado) teria a capacidade de tratar de tantos temas com desenvoltura como ele e sem cair em clichês como “bandido bom é bandido morto” ou que caísse em armadilhas como as questões sobre alteridade sexual. João foi preciso, embora frio e técnico como dita sua personalidade. E agora, na nossa atual conjuntura é disso que precisamos.
Uma nota sobre os bons entrevistadores: o sujeito d’O Estado de São Paulo (que falou pouco) e o da Revista Exame. O resto foi sofrível sendo o pior deles, o condutor do programa, que deixou rolar a bagunça e não teve pulso para orientar a entrevista que mais parecia um debate desrespeitoso. Aliás, a balbúrdia que surgiu em determinados momentos PROVOU que perante o RACIOCÍNIO LÓGICO, os clichês de esquerda se desmontam por si só.
Agora imaginem quem faria melhor? Que eu me lembre, no atual cenário, ninguém, nenhum homem, nenhuma mulher… E nenhum mito.

Anselmo Heidrich
24/05/2018

Valentia de internet e greve de caminhoneiros 2018 05 24 at 15 05 46