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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Batalhas_da_Guerra_Civil_Americana |
Pondé... O causo é o seguinte, ele mistura fatos, certos historicamente
falando, com opiniões, algumas claramente anacrônicas. Primeiro um aspecto
moral, Lincoln não atacou o Sul para "estuprar mulheres", embora isto
ocorra em maior ou menor grau em todas as guerras. Generais de moral ilibada e
outros oficiais punem severamente subordinados que façam este tipo de coisa,
mas aí é outro assunto... O que Lincoln fez teve um subproduto que foi a
abolição da escravidão, o que foi algo muito bom. Só não foi 'ótimo', porque
isto só ocorreria com a redução drástica do racismo, que não termina por
decreto, como bem sabemos. O racismo só diminui (porque não termina nunca,
assim como a inveja) para níveis irrisórios, com a maior miscigenação, o que
vai ocorrer de uma forma ou de outra com a maior imigração nos EUA que, no
caso, é latino-americana. Isto também gera, inadvertidamente, reações racistas
dos próprios negros contra hispano-americanos, dentre outras razões por menos
recursos para divisão em benefícios estatais.
Agora,
o que é a tese do artigo: Obama é um centralizador? Sim. O plano de saúde
proposto por ele ameaça a economia americana? Eu penso que sim. Lincoln também
foi um centralizador? Sim. Obama e Lincoln podem ser descritos como
centralizadores pelos mesmos motivos? NÃO. No caso de Obama, não há
como desenvolver um plano desta magnitude sem ordenamento jurídico federal.
Vários presidentes americanos tentaram ser mais centralizadores, mas a constituição
e reação americanas os impediu. Não é pelo caráter, todos têm sua "vontade
de poder", mas pelo sistema, inteligentemente pensado e
criado.
O
Sul ameaçava se separar do Norte e até houve proposta de integração com Cuba.
Acredito que os sulistas atuais, sobretudos os que não descendem de grandes
proprietários deveriam agradecer pela sua derrota nesta guerra que, sim, foi um
divisor de águas em termos de destruição, com o largo uso de explosivos para
matar mais, além da metralhadora citada por Pondé. A federação adotada nos EUA
é um princípio de organização política adotada para conter a secessão desde
antes desta guerra, lá com seus "pais fundadores". E foi
inteligentemente pensada. Um grau de protecionismo econômico orientou esta guerra
também, pois o Sul ameaçava (ou já executara, não sei ao certo), a importação
de manufaturados ingleses, o que prejudicariam o mercado cativo yankee no sul
do país. Ou seja, naquele período histórico, os EUA em seu centro de poder não
compartilhava as mesmas teses de que viria se tornar um defensor mais tarde. No
que concordo com eles, antes e depois, mas isto é outro capítulo...
Hoje
o que permanece desta guerra? Apenas folclore, da mesma forma que a Revolução
Farroupilha é lembrada no RS, uma guerra perdida, mas que "nos enche de
orgulho..."
Perdemos
e ponto.
Obama
é um "festeiro", "não tem culhões"? É muito cedo para
avaliar seu governo, mas uma das maiores críticas que se faz a seu governo é,
justamente, o fato de que não rompeu com a política externa de seu antecessor.
O Iraque e o Afeganistão controlados; os conflitos com a expansão russa no
Ártico, no Cáucaso e na Europa Oriental; a queda de braço com a China por
Taiwan; a caça e apoio ao confronto com terroristas; o "esquecimento"
da América Latina; a tolerância com os babacas bolivarianos que exportam
petróleo etc. Tudo, não vejo mudança nenhuma. Talvez, e daí sim, uma incrível
imagem positiva fruto de um poder carismático inegável de Obama que consegue
ser tão belicoso quanto Bush, mas continua sendo um "nice guy"!
Isto
só prova que nossas esquerdas, mídia e analistas, principalmente, do GNT não
têm objetividade.
É
isto, ele escreve coisas com que concordo misturando opiniões com público alvo
certo e um propósito: irritá-los.
Conferir: Folha de S.Paulo - Colunistas - Luiz Felipe Pondé - Lincoln, Obama e Bono - 28/01/2013