terça-feira, abril 15, 2014

Entre o senso de dever e o privilégio de participar: o debate entre impostos e filantropia nos EUA



O interessante neste artigo é a ideia de um pacto, que nos falta evidentemente. Foi com Roosevelt, durante a II Guerra Mundial que o cidadão americano viu o ato de pagar um pesado imposto para a guerra como mais que um dever, viu como um privilégio. E nesta noção, de privilégio, a doação privada cresceu e supriu algumas necessidades durante períodos de crise. Mesmo hoje, durante a recente recessão que houve (e estão saindo), os EUA mantém taxas elevadas de contribuição filantrópicas. Ou seja, ninguém obriga, mas o rico se sente no dever de contribuir. Este senso nos falta como sociedade. Aqui, não é 'chique' contribuir e quando se discute isto se tem um sentido deturpado, de obrigatoriedade imposta pelo governo e também na qual, os chamados (na verdade, auto-intitulados) "excluídos" cobram benefícios via estado, como se os ricos, exclusivamente, e não o conjunto da sociedade devessem trabalhar para resolver o mau desempenho da economia. Eficiência econômica também é confundida com arranjos sociais, pois nestes, a parcela pobre da sociedade poderia fazer muito, como por exemplo, um bom e necessário planejamento familiar, mas não... O anti-malthusianismo herdado do marxismo tosco faz com que não se veja como necessário ter uma estabilidade financeira para garantir uma boa reprodução e criação dos filhos. É o futuro postergado pela inconsequência do presente e ignorância do passado.

Cf.: Happy Tax Day http://www.newyorker.com/online/blogs/newsdesk/2014/04/happy-tax-day.html?utm_source=www&utm_medium=tw&utm_campaign=20140414 via @NewYorker