Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

Compre o livro NÃO CULPE O CAPITALISMO nos links abaixo:




sexta-feira, maio 30, 2014

Interceptor: Custo Brasil - 2

Matéria na qual jornalista assinala os ridiculamente elevados preços que pagamos por carros simples nos EUA: 
Brazil's Ridiculous $80,000 Jeep Grand Cherokee  http://onforb.es/QQWDHK via @forbes

Custo Brasil - 1

Comparativo

Vamos ser modestos... Quanto custa um HUMMER USADO NO BRASIL?

2006, 65.000 KM, sai por R$ 170.000,00.

Agora na ROMÊNIA, com cerca de METADE da quilometragem custa R$ 33.000,00. Tá bom pra ti? Vale a pena morar neste país?

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Fontes: autovit.ro e webmotors.com.br

quinta-feira, maio 29, 2014

Marxistas de facebook

Prontos para a diversão?

"Seja que for o valor se algum produto, e não importando como esse valor é estabelecido, esse valor é- no final das contas - produzido pelo trabalho de alguém."

Não diga? Valor é criação... Dããã. Mas, quem atribui o valor a algo? Quem faz? Quem trabalha? Eu acho que meu castelo de cartas é o mais belo já montado pelo engenho humano, i.e., eu, mas daí chegou o vento e o vento levou... Então, para além dos subjetivismos (e dizer que o trabalho cria valor não passa disto, subjetivismo), alguém em conjunto DEFINE O VALOR. Isto, minha cara neófita, não é um milagre de mão nenhuma, mas a simpática expressão "mão invisível" reflete algo objetivo a partir de inter-subjetividades. Isto Marx não viu e se um marxista reconsidera O Capital a partir disto, automaticamente, deixa de ser marxista.

Outra pérola refém de filosofia de 5ª:

"O mercado estabelece o valor e não o valor de uso do produto(fato que Marx sempre aceitou). Ou seja, o produto em si não tem, necessariamente, nenhum valor. "

Para qual galáxia foi enviada nossa correspondente? Ora, o produto em si é matéria, nada além disto. O valor de uso vai depender de cada um dos 7 bilhões, mas o valor que é aceito entre eles não depende de uma essência, cuja obsessão sempre acabou com qualquer seriedade econômica de Marx. Isto é ser refém de premissas filosóficas irrefletidas.

Êi! Te peguei! Aqui tu plagia o Lula, né não?

"Mas sem o produto, você não tem valor algum: sem produto, sem venda. Ultimamente, então, todo produto é, sim o produto do trabalho humano. Ele não aparece na terra, dado por um Deus benevolente."

Por que não? E se eu usar LSD posso ver e sentir vários produtos valiosos... Sem venda não tem o tal valor de uso que poucas linhas acima tu afirmava de pé junto existir? Ah tá, agora sim! Ultimamente, pois isto faz o quê, alguns milhões de anos desde o fim do Terciário com o surgimento do Australopithecus afarensis. Ou, se não é por bem, foi por mal então, com Odin, certo? Diga-me, cara sei-lá-o-quê, que diabos tu quis dizer com tudo isto? Se não foi o Lula, me diga por favor.

Show de bola...

"Na relação de trabalho que Marx descreve, o dono dos meios da produção extrai valor desse trabalho. Novamente, não importando COMO o valor do produto é estabelecido, o fato é que o burguês paga menos para o trabalho de fazer o produto o valor do produto no mercado."

Porque do contrário ninguém produziria e nem teria dinheiro para pagar operários, né Einstein? Como pagar mais do que se cobra se não tenho uma casa da moeda no quintal? 

" Esse valor aparece como se fosse "mágica", mas é de fato criado pela discrepância entre o valor do produto no mercado e o valor da mão de obra que o produziu."

Traduzindo, lucro. Êi 'jênia', mais-valia então é lucro? Por que inventar nome diferente para algo velho se não tem nada de novo a dizer? Isto, no meu dicionário, se chama PICARETAGEM ACADÊMICA.

Por enquanto só tive um choque com o nível de intelectualidade marxista exposto, agora vamos a um ponto sério:

"Se você tem alguma crítica contundente dessa teoria, eu gostaria de ouví-la. Até agora, você só está criticando a teoria de valor, que não é - de jeito algum - necessário para a teoria da mais valia."


Não têm nada a ver, é? Então tá...

sexta-feira, maio 16, 2014

Comparativo entre realidades tributárias americana e brasileira


Apesar de eu discordar que a realidade piorou, ela é muito, muito aquém do minimamente condizente com nossas potencialidades. Chega a ser patético de tão óbvio dizer que país pobre é país com muito imposto e país rico é país com menos imposto. É lógico e não há ideologia que prove o contrário.


Conflitos Ambientais: o Parque Estadual do Rio Vermelho


Pinus elliottii, o novo vilão para militantes xenófobos travestidos de ecologistas.
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pinus_elliottii

O Parque Estadual do Rio Vermelho (PAERVE), Florianópolis, SC segue em uma contenda que levará a perda de uma imensa e interessante área verde.

“Segundo o presidente Gean Loureiro (PMDB), (...)
“ ‘Não há dúvidas de que aqueles pinheiros são nocivos aquele ecossistema. Queremos devolver a vegetação e característica das dunas e restingas’, diz Loureiro. A recuperação da flora nativa deve ocorrer de forma natural e estimulada, com plantio de mudas cultivadas em viveiros, com preferência a espécies frutíferas.
“O dinheiro arrecadado com o leilão, de acordo com o presidente da Fatma, será investido na própria unidade de conservação ambiental. Não há previsão de quanto renderá a venda da madeira extraída do Rio Vermelho, mas, segundo Loureiro, a retirada dos pinheiros já representa um grande lucro para o ecossistema e comunidades locais. Depois, do Rio Vermelho, 0 corte de pinus, casuarinas e eucaliptos ocorrerá nas demais unidades de conservação ambiental do Estado.”
[RT @ Floresta de pinheiros vai ao chão no Rio Vermelho, para futura substituição por vegetação nativa http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/110252-floresta-de-pinheiros-vai-ao-chao-no-rio-vermelho-para-futura-substituicao-por-vegetacao-nativa.html  via @ND_Online]

Em primeiro lugar, como era esta “mata nativa”? Embora a ilha tenha perdido parte substancial de sua vegetação de 1500 aos dias atuais, se considerarmos a partir dos anos 40, a vegetação se recompôs significativamente.[1] O motivo é simples, com a mudança de atividade econômica predominante, a agricultura e pecuária cederam espaço para outras essencialmente urbanas e o desmatamento arrefeceu. Claro que isto não serve como desculpa para que, atualmente, a ocupação se processe de qualquer forma, sem controle, legislação ou fiscalização. No entanto, o alarmismo é inconsequente, exagerado e falso e traz efeitos nefastos ao desenvolvimento sustentável por criar e fomentar uma oposição radical e irreconciliável entre diversos setores da sociedade. Enfim, o alarmismo segue uma agenda política anti econômica que, a seu tempo, cobrará dividendos em termos de tributação sobre aqueles que o aceitarem e sofrerem com sua aceitação hegemônica.
Quem já andou em uma mata nativa sabe que nem toda biomassa é constituída por “espécies frutíferas”, então como este presidente da Fatma, político de carreira quer substituir uma floresta, artificial que seja, por mata nativa? Isto é, com toda a diversidade que caracteriza uma formação original em ambiente subtropical dando preferência às arvores produtoras de frutos comestíveis? Isto é contraditório, para dizer o mínimo. Assim como soa sem nexo falar que a recuperação da vegetação deve ocorrer de forma natural e estimulada(sic). Ora, ou é de uma forma ou de outra, não há como ser as duas ao mesmo tempo no mesmo espaço, exceto é claro, se ele estiver se referindo à diferentes seções da área de interferência. Como se pode falar em “árvores frutíferas” quando se afirma na mesma entrevista que quer “devolver a vegetação e característica de dunas e restingas”? É bizarro! A vegetação típica desses ambientes é herbácea e, no caso de restingas, depende se estivermos tratando do conceito geológico, mais estrito ou do botânico, que não se trata, necessariamente, de solo de restinga. Minha impressão é que estes burocratas não têm a menor ideia do que estão falando.
Mas falando em dinheiro, onde está o plano com orçamento detalhado de reinvestimento dos recursos arrecadados no parque, para sua alegada manutenção? Ou vão me dizer que esta será mais uma obra daquelas em que “vamos fazendo”, com se tornou comum na “república do gerúndio”? Ora, se algo assim é afirmado supõe-se que haja definição de quanto e como vão ser investidos, quanto será auferido, tim-tim por tim-tim. Ou é isto ou não passa de promessa de palanque.
Ora vejam só... Enquanto que não há consenso sobre o calculo econômico a ser adotado em avaliações de impacto ambiental, nosso presidente da Fatma afirma que já houve lucro em só retirar os pinheiros. A não ser que se arbitre o valor para o que seja considerado benefício ambiental, não há como se afirmar isto, mesmo porque há divergências sobre o conceito de meio ambiente, tendo este evoluído ao longo da história. O bairro (chega desta historia ridícula de ‘comunidade’) não vive da agricultura. Como todo bairro, ele é tipicamente urbano e poderá ter prejuízos em termos ambientais para começar pelo microclima que será alterado com a retirada da biomassa e suspeito que teremos decorrências do desmatamento, como invasões de insetos nas residências próximas ao parque.
E o que dizer sobre a segurança? Haja vista a falta de policiamento atual no próprio bairro, eu não tenho como nutrir boas expectativas de que ainda teremos fiscalização na área desmatada do parque. Ou alguém aí acredita que um bairro sem policiamento regular ainda terá como garantir a segurança de seu parque? O que ocorrerá, a exemplo de outras áreas descampadas Sr. Loureiro será uma massiva ocupação irregular do que hoje é uma aprazível área verde na ilha. Parabéns pela ignorância histórica de vocês e seus mitos ambientalistas esdrúxulos.
Aliás, a matéria não está completa em relação aos objetivos de constituição do parque, que não se limitaram a mera contenção de dunas e sim de criar uma área pública, de passeio e convívio ao lado de estudo de adaptação de espécies para fins comerciais.[2] Em qualquer lugar do mundo isto seria chamado de desenvolvimento sustentável, mas aqui não. Por quê? Porque a espécie símbolo é o pinheiro americano e nosso típico ambientalista é do “tipo melancia”, verde por fora e vermelho por dentro, se é que me entendem. São fundamentalistas religiosos que se acham cientistas e têm ojeriza à planta de origem norte-americana. Por que, me digam o mesmo critério e alarmismo não se aplica a dezenas de outras espécies, como por exemplo, a braquiária (Brachiaria decumbens)[3], erva daninha que assola a superfície do parque e não serve para o pastoreio, mas é de origem africana? É o principio de cotas aplicada à natureza, por acaso?
Para mim está claro que a motivação não é de ordem científica, mas pseudocientífica.




[1] Conferir o clássico estudo de Mariléa M. L. Caruso, O desmatamento da Ilha de Santa Catarina de 1500 aos dias atuais (UFSC, 1990).
[2] Conferir a este respeito o elucidativo blog O Parque do Rio Vermelho pelas palavras de seu fundador Henrique Berenhauser. Disponível em: <http://livroberenhauser.wordpress.com/2010/12/15/o-parque-do-rio-vermelho-pelas-palavras-do-seu-fundador-henrique-berenhauser/>. Acesso em: 16 mai 2014.
[3] Conferir BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Espécies invasoras. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/chm/_arquivos/port_inva.pdf>. Acesso em: 16 mai 14. 

quinta-feira, maio 08, 2014

A opção antivacinação e o dano social


Imagem: conservativepapers.com

Uma das questões de mais difícil resolução é o conflito que surge quando se opta por algo que traz consequências para além de nós mesmos. Não se trata de qualquer consequência, mas daquelas que podem levar até a morte de outras pessoas. Um exemplo claro está aqui, o que muitos consideram um "excesso de vacinas" e seus possíveis efeitos colaterais originou um movimento contra elas. Algumas razões são legítimas e, realmente, merecem pesquisas, como se a frequência e quantidade das aplicações não estariam criando vírus mais resistentes que levem a necessidade de antídotos mais poderosos. Mas, outras razões alegadas não passam de desconfianças meramente ideológicas, como que a razão de tantas vacinas corresponder, tão somente, às necessidades da indústria farmacêutica. 
Como vivemos em uma época de informação abundante, muitos se sentem confortáveis para discutir o tema após a leitura sumária de algum artigo. Muitas vezes um artigo de opinião meramente difamatório escrito por algum ambientalista apocalíptico... Basta também que um indivíduo se declare "terapeuta" para assumir ares de autoridade sobre o assunto e ser aclamado por outros do rebanho que joguem décadas de pesquisas sérias no lixo. O problema é que se o dano se limitasse a eles, dos males o menor, mas não, o movimento anti-vacina deixa sequelas graves, sobretudo em crianças mais fracas ou subalimentadas e põe em risco a saúde pública, com o retorno de doenças que se acreditava praticamente extintas.

Cf.: Brasil também tem adeptos do movimento antivacina http://bbc.in/1go38ff

Aqui, um artigo que dá acesso a um guia contra as besteiras disseminadas pelos paranoides antivacinação:

Obrigado, grupos antivacinação! A poliomielite está de volta http://hypescience.com/obrigado-grupos-antivacinacao-a-poliomielite-esta-de-volta/ via HypeScience

O mais incrível nisto tudo é que, justamente, o desejo de preservar a humanidade contra os malefícios da indústria farmacêutica por estes ativistas românticos põe em risco as crianças de países pobres, particularmente africanos e asiáticos, com menores condições de resistir ao retorno de doenças com alto índice de mortalidade. Mas acho que a consciência não trará dor para quem acredita em qualquer coisa para fugir da realidade...

segunda-feira, maio 05, 2014

Black Sabbath - Keep It Warm

Aí gurizada, me despeço com a melhor voz que a música já recebeu numa bela e romântica canção... 



Sweet woman are you feeling right?
What was it that you did last night?
You made me crazy you made me fly
I can't forget the hungry look in your eye
Ooh what's the matter with me?
I'm justa runner I was born free
But since I met you I can't leave you alone
I'm leaving now but I'll be coming home

Keep it warm at the place by your side
Nobody's gonna take away our magical ride
Keep it warm for me when we talk on the phone
Don't forget will you pretty one that your man is coming homne

D'you hear the rumor that is going around?
Say I'm ruined 'cos I'm settled down
It's not true well maybe half and half
You know I love you but I still like a laugh
Ooh I'm feeling fine I got it right for the first time
Sweet woman I can't stay for long, but every one will be proved wrong
I'm like a gypsy, I need to roam, but don't worry I'll be coming home
I need the danger I need the thrill
I need to know what is over each hill
Ooh I'm a different man I'm still running but you understand
Since I met you I can't leave you alone
I'm leaving now but I'll be coming home

domingo, maio 04, 2014

Sobre calçadas: um caso paulistano


Divulgarei sem dó, pois este tipo de ação é que está na base de todo descaso que se tem com a coisa pública, pois se a calçada, que é um bem público antes de mais nada, usada cotidianamente e tão próximo e visível a todos nós tem este trato, o que se dirá daquilo que não é tão transparente assim? Não adianta se fazer parte de correntes e enviar spams críticos e participar de fóruns de protesto se temos postura egoísta, mesquinha e escrota assim. Se for um clichê dizer que os políticos no Brasil representam ameaça maior do que simples desmandos de nossa microfísica social, também é verdade dizer que eles emanam de nossas atitudes e não atitudes, i.e., omissão em se indignar com estes pequenos atos que somados geram a combinação perfeita para o caos urbanístico e apatia cultural. As calçadas simbolizam (e efetivamente são) nosso limbo entre o mundo privado das residências e estabelecimentos e o mundo público da rua, do logradouro, da praça etc. Elas deveriam ser o palco da gentileza, educação e ordem espontânea entre os cidadãos que originam algo chamado de 'cidade'. Hoje, mais aparentam trincheiras de peões de um jogo de tabuleiro a galgar espaços entre desníveis, buracos e armadilhas para pedestres. E por falar em deslocamentos, o desincentivo ao transporte público começa antes das latas de amassar gado humano chamadas de ônibus: começa na hora de pormos os pés na rua, ou melhor, nas calçadas que perderam o papel de nos propiciar um passeio seguro e se transformaram na terra de ninguém em que diferentes classes se apropriam à revelia do que deveria ser a civilidade. Parabéns pelo artigo.
Gràcia Bar: da ignorância ao desrespeito ao cidadão e à lei http://blogs.estadao.com.br/edison-veiga/2014/05/05/gracia-bar-da-ignorancia-ao-desrespeito-ao-cidadao-e-a-lei/ via @estadao

Usando a Ucrânia para atacar os EUA

Lembrei-me de Putin olhando para os ucranianos... Fonte: facebook.com/TheVoiceofRussia, 05/05/2004

Aqui, o mesmo argumento surrado de sempre. Leiam e vejam a tentativa de inversão de causalidade e imputabilidade de ação beligerante para benefício ideológico inconfesso. É com este tipo de artigo sofista que se doutrina incautos e muitos alunos país afora:

Blog do Fausto Brignol: A UCRÂNIA COMO ARMADILHA: Na madrugada de 1º de setembro de 1939 a Alemanha invadiu a Polônia, dando início à II Guerra Mundial. Anteriormente, em 1938, a ...

Li e, para ser sincero, já imaginava o teor do artigo. É sempre assim, não dá para admitir que a pátria espiritual dessa gente, no caso, a Rússia (embora não mais comunista, ainda concentra suas máfias) esteja envolvida em atos imperialistas. O imperialismo sempre deve ser representado pela Stars and Stripes, o grande satã para os fanáticos, sejam muçulmanos ou marxistas. É tão absurdo ver este tipo de sofisma que até esquecemos que os EUA, assim como a atual Federação Russa ou a China têm sim seus interesses e se esforçam em concretizá-los, mas não sem custos ou obstáculos. A imagem que esta gente tem, no entanto, dos EUA é de um império representado por algo concreto e inatingível como a Estrela da Morte do Star Wars. Os EUA mal se recuperam de uma dura crise econômica e tiveram insucessos recentes, a exemplo do Afeganistão e, relativos, como no Iraque. O último caso bem sucedido foi a intervenção na Bósnia, cirúrgica, como se dizia. Agora, a Rússia é um queijo suíço de tanta fronteira aberta e penetrável por vizinhos antipáticos. Claro que eles irão barrar qualquer tentativa de que um satélite, mesmo rebelde reforce amarras econômicas com que quer que seja, sobretudo a União Européia, pois isto significa passar outra fonte de gás natural pelo seu território a partir do Cáucaso em direção à Alemanha e Europa em geral e daí, adeus fonte de renda básica do petroestado russo. É isto. O que dizer ao autor, quem é imperialista cara-pálida?

As 100 melhores cidades para investir no Brasil


As melhores cidades para negócios,
 de 30 de abril de 2014 é uma típica boa matéria da Revista Exame. Gostei particularmente da seção destinada a duas das cidades elencadas no ranking dos melhores destinos ao investimento, Rio das Ostras no Rio de Janeiro e Parauapebas no Pará. Antes de tudo, é bom que se frise de tratar de uma análise geral, isto é, não há um estudo detido por setor, que me levou a comprar a revista com a esperança de que encontrasse indicações de melhores centros para se investir em ensino, com cursos preparatórios (para concursos, vestibulares etc.). Os casos destas duas cidades, a do estado do RJ e do PA são sintomáticos de como decisões políticas e não, tendências econômicas já preestabelecidas podem traçar o futuro de uma cidade, a região que polariza e, por vezes, um estado inteiro. A cidade paraense vive com a renda gerada pela extração do minério de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce (sim, aquela que, uma vez privatizada elevou sua participação, produtividade e competitividade globais) e que, se prevê estar apenas com mais duas décadas de matéria-prima abundante. Duas décadas... Pode parecer muito, quase uma geração inteira, mas é pouco se pensarmos nos investimentos necessários, a começar pela formação de mão de obra para diversificar a formação da riqueza local e regional. E o que está sendo feito? Absolutamente nada, além do que estou fazendo aqui: divagando. Quanto à cidade fluminense ocorre exatamente o oposto, a começar pelo investimento na faixa educacional mais importante, a do ensino básico. Consequentemente, enquanto a renda geral dos dois municípios aumentou (chegando a superar a da capital, no caso paraense), em uma delas, a renda dos mais pobres também cresceu acima da média nacional, que foi o caso de Rio das Ostras. Claro que nesta localidade, o impulso dependeu da captação dos royalties do petróleo que, por ser mais raro é também mais estratégico do que nossas abundantes reservas de minério de ferro. No entanto, nada mudaria substancialmente se este recurso não fosse bem aplicado. Administrativamente falando, Rio das Ostras é um caso raro, no qual apenas 30% do PIB da cidade é gasto com manutenção de servidores, enquanto que o limite dado por lei é de 60% e outros 20% são investidos no município. A cidade também foi uma das primeiras a criar seu Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano em 1999, com a particularidade de estabelecer uma zona especial para indústrias distante da orla turística. Bom senso básico ao procurar equilibrar uma atividade poluidora com o setor turístico, que nutre ojeriza a isto. Não precisou fomentar um conflito entre setores econômicos e, com a distância haverá tempo (este é outro desafio) para estabelecer planos de mitigação de externalidades negativas ambientais. Enquanto cresce (a população decuplicou em duas décadas), outro plano diretor é traçado para 2030. Quer dizer, bem ao contrário do que fazem outras municipalidades brasileiras, cujos planos de desenvolvimento urbanos servem para “tapar buracos” tentando, infrutiferamente, resolver problemas, o da cidade fluminense traça contornos para seu futuro.
E a cidade de Parauapebas? Nada disso nem daquilo, apenas ostenta uma posição entre as 100 mais violentas cidades do país. São 60,5 homicídios por 100.000 habitantes. Além do descaso que são sintomas comuns com a qualidade de vida da população: na já vergonhosa taxa de esgotamento sanitário brasileira, que é de 48%, Parauapebas não vai além de míseros 13%. Mas é a 2ª melhor cidade do Brasil com mais de 100.000 habitantes com potencial para receber novos investimentos. E aí eu te pergunto, isto vale à pena?! Tendo outras alternativas, alguém em sã consciência se mudaria para lá com seus filhos? Eu não.
Agora a cidade onde resido, Florianópolis. De cara, algo me chama atenção e não fecha o raciocínio... Se há 39% dos empregados com ensino superior, contra a média nacional de apenas 18%; 111 matrículas no ensino superior contra 37, respectivamente; mas, o crescimento do número de empresas é pouco mais da metade da média nacional de 20% e de empregos formais apenas 11%, também pouco mais da metade do país, como é que é “tão bom viver aqui”? Para onde estão indo estes trabalhadores que formam o “maior capital humano de uma cidade com mais 100.000 habitantes” no país? Por outro lado, os exemplos citados na seção, de profissionais que largaram seus locais de origem, em outras cidades do estado e, sobretudo, em outros estados são daqueles que pertencem ao topo da pirâmide de empregados qualificados, cujos salários, embora perfaçam metade do que poderiam obter fora, ainda assim são muito maiores do que os encontrados localmente. Ora, o que faz a capital catarinense parecer “tão boa” é mais um artifício temporário da demografia do que uma tendência de longo prazo. Assim como cidade teve um boom de desenvolvimento com a instalação de sedes de empresas estatais e universidades a partir dos anos 70, com o turismo nos anos 80 e permeando tudo isto com a venda de imóveis e terrenos (que ainda continua), a taxa de crescimento vegetativo é baixa (sendo complementada pela imigração), o que compõe, seletivamente, o quadro populacional sem miseráveis. Mas, eu duvido que isto se mantenha no longo prazo se não houver investimentos mais pesados, como faz Palhoça, cidade da área metropolitana. Vejam: o equilíbrio é a chave de tudo. Se investimentos exclusivos, sem preocupação com o desenvolvimento social, como o caso de Parauapebas criam uma bomba relógio, o caso florianopolitano apenas ruma à estagnação e, talvez, decadência. Afinal, melhor capital humano sem emprego dará em quê? 
Rio das Ostras leva a melhor, embora esteja em 16ª posição em um ranking de 100 cidades pesquisadas porque não vive do passado e elabora o 2º plano diretor; investe em setores industriais, embora valorize o turismo; depende da riqueza de um setor energético, mas elabora sua independência relativa do setor e harmoniza o desenvolvimento equilibrando educação com renda (embora ainda falhe na oferta de serviços de saúde). Se os dados colhidos pela Exame forem fiéis à realidade, esta é minha opção de cidade exemplar. Não apenas pela sua posição absoluta atual, que é apenas um flash da realidade, mas pelo filme todo, pois saiu de uma situação de penúria e avança econômica e socialmente. Não tem essa de que investir no setor econômico se dá em prejuízo do social, ou vice-versa. Isto é balela de esquerda, os dois setores são necessários, obviamente porque se complementam. Não há como ter uma boa mão de obra sem ensino e não há como ter saúde e educação sem geração de renda pelas empresas. Lições tão óbvias que não são ensinadas na maioria dos cursos de humanas do país devido à doutrinação ideológica rasteira e sofista.
Em tempo, não podemos nos esquecer ainda da boa gestão pública de Rio das Ostras, fundamental, como conter gastos com pessoal sem transformar o setor público em “cabides de empregos”, para tristeza dos sindicatos.

Rio das Ostras... Quero conhecer.

(...)