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sábado, outubro 07, 2017

Separatismo e Oportunismo


“Não há regra, não existe uma lei natural para que este movimento político, muito menos uma legislação que foi criada determine que quanto menor, melhor. Um México pode ter menos liberdades civis que um Canadá, cujo território é bem maior; ou, se preferirem, em termos populacionais, uma Venezuela também tem (inegavelmente) menos liberdades civis que o Brasil. E a recíproca para extensão territorial ou população também é verdadeira, também temos pequenos estados ou sociedades onde se é mais livre. Em suma, liberdade não depende do tamanho, mas da qualidade da administração e de seu estado.”
Este é um trecho de um texto de 2016 sobre o separatismo sulista, cujo conteúdo integral se encontra aqui:
Além desta visão, que sempre que tenho oportunidade quando debato com separatistas e, especialmente, os separatistas de visão liberal é que não há uma lei que determine o tamanho como sendo melhor. Sei que este é um critério utilitário e que muitos liberais fundamentalistas irão me contrapor dizendo que, ora! Um povo deve ter o direito de fazer um plebiscito e lutar por sua autonomia! Que seja, mas preste bem atenção no que eu vou dizer, um processo desses nunca termina onde nós queremos ou achamos ideal. Se ele for válido para todo e sempre, um grupo futuro também poderá propor outro processo similar dentro do novo país. P.ex., por que não se poderia propor uma separação deixando o Rio Grande do Sul, estado financeiramente quebrado e decadente de fora? Imagine o movimento “Quase Todo o Sul é Meu País”, por que não? Ou, mesmo dentro do RS, o norte dinâmico do estado se separar da Campanha, porção meridional pobre e atrasada? Ou o norte industrioso e fabril de Santa Catarina dar um belo de um chute no sul mais empobrecido do estado? Analogamente, o Paraná também poderia fazer uma triagem interna, que acham? O que eu quero dizer é que não há um ponto ótimo. Em se tratando de História, o processo pode continuar indefinidamente e uma vez aberta a porteira para este tipo de ação coletiva de larga escala não há legitimidade nenhuma em poder fechá-la novamente. Portanto, se vão mesmo apoiar uma causa assim, que estejam preparados para as consequências. Vocês estão?
E agora me pergunto, a quem interessa mais a secessão territorial do país? “Ah! É contra Brasília, então está tudo bem!” É mesmo? E como você acha que esta organização se dará internamente? Por acaso já pesquisaram sobre quem são os líderes desse movimento aqui no país? Se eles são pessoas realmente ilibadas, se não tem algum processo judicial correndo contra eles e por que razão… Porque se há, este país já começaria muito mal, com vícios de origem. Pesquise antes de vestir uma camiseta para alguém que nem conhece direito e não sabe sua ficha corrida.
O uso político dessa questão não é nossa exclusividade. Vocês acham que foi diferente na Catalunha, região espanhola que recentemente teve o seu plebiscito? Assim como aqui, a região espanhola perde mais do que ganha na divisão de recursos do país, mas não por acaso está usando a questão separatista como cortina de fumaça para favorecer o seu governo acusado de envolvimento em vários casos de corrupção e que elevou a dívida pública regional ao maior patamar de todas as seções administrativas (cf. https://anselmoheidrich.wordpress.com/2017/10/02/a-autonomia-da-catalunha/). Há casos e casos, querer dizer que porque os curdos também lutam por autonomia, cujo povo de cerca de 20 milhões de habitantes se distribui entre países do Oriente Médio apresenta uma etnia própria em uma área rica em petróleo e fontes hídricas, mas foi igualmente perseguido por turcos e iraquianos é a mesma coisa que a questão catalã ou sulista no Brasil é forçar a amizade. Portanto, não há como ser incondicionalmente a favor do separatismo em qualquer lugar do mundo, assim como não há como ser incondicionalmente a favor da união em qualquer lugar do mundo. Cada caso é um caso distinto.
Mas o aviso foi dado… Vejam quem comanda os processos ora em curso. Analisem seu histórico e confirmem se esta foi uma causa defendida anteriormente. Lembre-se, tudo é política. Toda hora vemos isso, como um Trump que era a favor do controle de armas, mas quando se candidatou contou com o apoio da NRA, Associação Nacional do Rifle nos EUA, principal lobby pró-armas e, magicamente, Trump mudou o discurso se opondo às regulamentações. Agora, após o massacre em Las Vegas, ele próprio aceita discutir novas regulamentações. Independente de quem está certo, o que discutirei em outro artigo e já adianto que não há solução fácil, o fato é que há um histórico dos envolvidos e o meu conselho é analisem para ver se é mesmo legítimo. E outra vez, já que estou falando em LEGITIMIDADE:
SE FOR LEGÍTIMO QUE SE APOIE A SEPARAÇÃO TERRITORIAL DO PAÍS, TAMBÉM É LEGÍTIMO QUE SE APOIE A SEPARAÇÃO INTERNA NO NOVO PAÍS.
Não há razão lógica para se parar em um determinado ponto. INDAGUE ISTO AOS SEPARATISTAS e SE ELES DISSEREM QUE NÃO, QUE TEM QUE TER LIMITES É porque SÃO TODOS FAKES, NÃO TÊM COERÊNCIA e PODERÃO USAR A POLÍTICA DO NOVO PAÍS DO MESMO MODO QUE AGORA: de acordo com as necessidades de OCASIÃO.

Abraço e boa tarde chuvosa,
Anselmo Heidrich
2017/10/07


terça-feira, outubro 04, 2016

Separatismo do Sul VS Liberdade Individual


Por uma questão de lógica, quanto maior o índice de secessões, mais unidades estatais existem.

O movimento O Sul é meu País disse que teve mais de 95% de aprovação pela secessão em seu plebiscito, realizado sábado passado. Mas, o plebiscito foi acompanhado por quem? Em eleições suspeitas - o mesmo se dá aqui, no separatismo, devido a polêmica - observadores independentes acompanham este tipo de referendo/plebiscito ou eleição. Quem acompanhou esta votação? Além dos próprios interessados no separatismo, é claro.


O mais engraçado é ver libertários, supostos libertários defendendo isto: o separatismo, quanto mais disseminado, no limite amplia os poderes estatais, pois cria mais unidades políticas estatais ao longo do território.


sábado, janeiro 16, 2016

Quando um ancap fala sobre federalismo


O problema deste artigo, cujo tema é importante e me é caro, o Federalismo são as conclusões e premissas simplistas. P.ex., “todo país menor é melhor a princípio, pois é mais fácil que seus cidadãos controlem seus governos”... Ahã, como o Butão? Como Uganda? Como a Nicarágua? "Ah! Mas os microestados ou cidades-estado são sim..." Bem, se te referes a um fenômeno exclusivamente europeu até pode ser, mas qual o peso da União Europeia aí, ao menos nas condições de segurança nacional desses territórios? Pois sem isto, provavelmente tais países nunca existiriam. Ou seja, no amontoado de "ses" que o artigo utiliza, nas quais as condições seriam melhores se, se e se, o que mais salta aos olhos é a simples ignorância da realidade. Outro ponto é o forte maniqueísmo que há ao considerar qualquer revolta ou revolução contra o estado como sendo uma revolta ou revolução contra o estado, fundamentalmente. Movimentos messiânicos como o do Contestado tiveram força local por que eram contra a união nacional ou por que partilhavam uma ideia religiosa contra algo que não expressasse esta cosmovisão? Há uma mistificação neste e outros pontos, como o fato de que a luta contra uma unidade política maior - o estado brasileiro - significasse uma luta pela liberdade. A constituição proposta pelos revolucionários farroupilhas, p.ex., mantinha a "liberdade de manter escravos". É o mesmo argumento que defender os confederados americanos na guerra de secessão americana contra o “norte yankee opressor”, sem se dar conta que o que menos contava para os sulistas era a liberdade individual para todos os indivíduos porque nem todos eram considerados como tais. E embora eu ainda não tenha lido o artigo referenciado de Gary North, cabe perguntar a quantas anda a tributação britânica nos dias atuais, já que o artigo de Fernando Chioccha diz que:
 "a Revolução Americana que separou os Estados Unidos da Grã Bretanha prejudicou em muito a liberdade, pois quando os EUA eram parte do império, recaia sobre os colonos um imposto de apenas 1% e eles gozavam de um dos ambientes de maior liberdade do mundo.  Porém, já no eclodir da Revolução, os revolucionários inflacionaram a moeda, impuseram um controle de preços e, após a Revolução, a carga tributária havia triplicado — e nunca mais parou de subir."

Ora, então todos os colonos foram manipulados por se revoltarem contra a tentativa de elevação dos tributos imposta pelo império britânico e se eles permanecessem como súditos, ainda hoje estariam pagando apenas 1%? Sério que Chiocca acreditaria nisto? 

Bem, eu recomendo o texto, mais para saber como funciona o cacoete intelectual de um anarco-capitalista do que sobre o federalismo propriamente dito:

Independência de Brasília ou morte http://rothbardbrasil.com/independencia-de-brasilia-ou-morte/



E não podemos esquecer um dos melhores exemplos do século XX sobre como a secessão não é sinônimo por si só de um desenvolvimento político, econômico ou cultural.
Imagem: http://espanol.mapsofworld.com/continentes/africa/somalia/
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