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sexta-feira, abril 12, 2019

Putas, Palhaços e Hipócritas


O saudoso Janer Cristaldo, o melhor cronista que conheci, escreveu um texto sobre o “tutear” na Suécia. A substituição do tratamento formal por apenas o “tu” para todo e qualquer vivente. Vocês podem conferi-lo aqui: http://cristaldo.blogspot.com/2014/04/sobre-tutear-nos-dias-em-que-vivi-em.html
Lembrei-me dele exatamente por um comentário do radialista “Fifito” no programa Morning Show da Jovem Pan, no qual ele critica Danilo Gentili por tapar as letras “D” e “E” de “deputada” quando mostrou a intimação que recebeu por ofendê-la. Ou seja, aproveitou a deixa para ofendê-la novamente. Eu não gosto desse tipo de humor, mas a verdade é que a deputada Maria do Rosário é uma hipócrita, como eu e muitos outros já escreveram e a sentença pesada de seis meses de cadeia se refere mais ao fato dele ter picotado a ordem judicial e esfregá-la no saco. Informaram-me que isto consta, inclusive, na sentença, provavelmente não com estes termos pouco singelos.
Mas, qual forma de tratamento é adequada a uma “puta”. Goste ou não goste delas, tenha ou não usado seus serviços, o que fazem não me diz respeito, da mesma forma que quem mantém sua fé bizarra em alguma espécie de “criador”. Sim, eu estou equiparando e se não gostou pode parar de ler porque vai piorar…
Exceto se a atividade de profissional do sexo me importunar, como quando fazem ponto em frente a casa dos outros, o que elas praticam não me incomoda. Da mesma forma se um palhaço faz palhaçadas sem graça, exceto se for comigo, no que já retribui com cara de vômito em seus olhos. Mas nunca, seja por isto ou aquilo, eu desejei que fossem encarcerados por meio ano de suas vidas. Sabemos que a pena vai ser convertida em outra forma, mas o recado de poder do Judiciário que se viu ofendido pela ordem judicial desprezada foi dado. E o “ninguém está acima da lei” serve como mantra seletivo, já que aqueles que acusam o Presidente de “fascista” não serve.
Presidente com “P” maiúsculo, sim, mas não por admiração e sim por formalidade já que se trata de uma instituição. Já quando vier escrito “presidente Jair Bolsonaro” ou “presidente Temer” ou “presidente Lula” deve vir com minúscula para desassociar o cargo da pessoa. O nome pessoal vem com maiúscula, já o cargo nesse caso, apenas passageiro não é uma instituição, apenas uma função. Esta é a forma republicana de se redigir, nem sempre seguida a risca, como quando nos referimos à títulos nobiliárquicos: o Papa Bento XVI ou o Papa Francisco são igualmente “Papa”, pois aí a figura não é de um cidadão com direitos políticos que foi eleito para tal, mas alguém que detém o cargo por uma tradição que corresponde ao estado. Vejam que eu me traio, pois acabei de escrever “estado” com “e” minúsculo mesmo, pois não o concebo acima de “sociedade”, ambos com iniciais minúsculas. A mesma regra vale para reis, como Rei tal e tal etc.
Se formos rigorosos neste quesito não devemos chamar o ditador, de facto, Nicolás Maduro de “ditador”, mas de “presidente”, como “presidente Nicolás Maduro” ou, simplesmente, “Presidente”. Deu nojo? Sim, para mim também, mas se formos ser formais, esta é a regra, a função de presidência não está dissociada do estado de direito ou Estado de Direito no qual a instituição foi forjada e goste ou não goste, as regras correspondem às da Venezuela e não ao meu senso próprio de justiça universal. Como nem sempre ando de terno em casa, na verdade ando mais de cueca mesmo, eu escrevo “ditador feladaputa” para Maduro, diferente de quando escrevo em algum periódico que exige um mínimo de formalidade institucional. Ensino meus filhos a falar corretamente e dizer palavrão só comigo (não com a mãe, que já me olha torto).
Então, como dizia, a deputada aí teria mais ou menos valor do que uma puta? Formalmente, o mesmo valor, pessoalmente vai do gosto de cada um. Eu já a chamaria apenas de “deputada”, pois sei como tratar com putas, mas não com quem usa seu posto de poder para vinganças pessoais.
Não parei ainda. Se vale para Chico, também vale para Francisco…
Por isso mesmo, quando um presidente ou o nosso Presidente usar uma conta pessoal em rede social para atacar ou se defender de alguém de forma informal, ele está abdicando dos procedimentos protocolares sem perder sua imunidade como político. É como eu entrar em uma boate e pedir para se afastarem porque quero dançar sem esbarrar em ninguém. Eu estou deslocado e desloco quem quer que seja porque tenho maior poder. E isto não é uma formalidade, mas um fato.
E a desigualdade de poder em termos institucionais pode até ser legal, mas em se tratando de liberdade de expressão, ela não é justa.
É injusta porque permite que um parlamentar se exceda chamando outro (ou a nós) de “fascista” que é algo bem pior do que “puta”.
E os palhaços ou humoristas ou bobos da corte? O pior que pode lhes acontecer… O que é? É ignorá-los e boicotá-los, como aconteceu com Rafinha Bastos quando fez uma piada escrota, absolutamente sem graça sobre estuprar uma mulher e, se não me engano, sua filha[https://inter-ceptor.blogspot.com/2011/07/toda-mulher-que-eu-vejo-na-rua.html]. Nada melhor do que uma multa para tocar essa gente onde eles têm sentimentos: no bolso. Mas ao proibir a venda de seu DVD, o MP fez um favor ao humoristas com publicidade gratuita. As pessoas simplesmente detestam quem lhes diga o que devem ou não ler ou assistir.
As putas, por sua vez só querem teu dinheiro e são honestas, exceto quando mentem dizendo “eu te amo” para cobrar mais caro. Daí, além de putas são hipócritas. Maria do Rosário pode ficar tranquila, pois não serve para humorista (não tem graça nenhuma), nem puta stricto sensu, pois com sua duplicidade ética, como quando defende Zé de Abreu ao cuspir em uma mulher que o criticara no restaurante e bradar contra o “machismo” ou como quando defendeu Lula de chamar as lésbicas de “mulher de grelo duro” e se dizer “feminista”, a torna só uma Hipócrita.
Daí sim, com “H” maiúsculo, pois sua condição não parece temporária.
Anselmo Heidrich
11 abr. 19
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domingo, agosto 19, 2018

Por que querem um Hulk Gay?


Querem um Hulk gay, querem um Super-Homem andrógino, querem um Homem de Ferro currado, querem um Homem-Aranha michê? Não, eles querem mais do que isso, querem alterar a tua sensibilidade. Totalmente.
Mas quem são eles?
Essa matéria da BBC mostra a visão artística de quem está cansado ou se ofendeu com a “imagem sexista” dos super-heróis em quadrinhos:
BBC News — 100 Women: The artist redrawing ‘sexist’ comic book covers https://www.bbc.co.uk/news/entertainment-arts-45149478
Mas por “sexista” se entenda aqui um homem (ou super homem) másculo, por “sexista” se entenda aqui uma mulher (ou heroína) sensualmente feminina, atraente para a maioria dos homens. É como se a visão de um herói masculino efeminado também não fosse um apelo sexista, é como se a visão de uma heroína destituída de atributos que tornam uma mulher atraente fosse “não sexista” e pior, algo “justo” por si só. A Mulher Maravilha não pode mais ter curvas acentuadas e usar fio dental porque “A artista indiana Shreya Arora ficou chocada quando viu a imagem”. Ela diz:
“Para Hulk, a representação visual concentra-se em sua força. Para a She-Hulk, tudo o que vemos é uma ênfase na sexualidade”, diz Arora, que cresceu lendo histórias em quadrinhos.
Então, a sua solução é alterar esta percepção, tipo assim ó…

Não, ainda não é lei, mas quem quer apostar que ainda surgirá um maluco dizendo que “isso tem que ser levado em conta, que nossas crianças precisam optar, que precisamos educar e disponibilizar alternativas”, enfim que o gênero é uma construção social e tudo o mais? Exagero de minha parte? Então me digam o que acham disso:
Concurso da PM do Paraná tem quesito polêmico: masculinidade https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/08/13/concurso-da-pm-do-parana-tem-quesito-polemico-masculinidade.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=share-bar-desktop&utm_campaign=share-bar
No meu entender, o edital não se equivoca em exigir masculinidade entendendo essa como coragem e determinação, mas o melhor seria colocar esses atributos já que o termo “masculinidade” não é consensual… Hoje em dia. O mesmo edital dizia que o candidato não deveria demonstrar interesse em histórias românticas e de amor, o que me parece uma besteira, pois agir contra o mal pressupõe valorizar o ideal de amor. Enfim, ele já foi retificado, mas se eu fosse mais paranoide diria que o brucutu que o escreveu quis mesmo ajudar na pauta LGBTI (não me perguntem o que é o “I” dessa porra de sigla):
A Aliança LGBTI e o Grupo Dignidade publicou nota afirmando que a exigência é um retrocesso discriminatório. Segundo trecho, “Fere a Declaração Universal de Direitos Humanos e a Constituição Federal Brasileira no que diz respeito à igualdade de todas as pessoas, além de estar na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ONU) em relação ao alcance da igualdade entre os gêneros”.
Cf. Concurso PM PR causa polêmica ao exigir masculinidade
Isso foi dar pano pra manga para essa hiper-sensibilidade afetada. E o ataque vem de todos os lados. Aqui em Florianópolis teremos uma exposição de tatuagens (até hoje) e, ao invés de chamarem atenção para a beleza artística das tatuagens em si, não! O que fizeram? Mais mimimi se auto-vitimizando:

O que esses hiper-sensibilizados devem aprender é que não, não somos preocupados com a sua cor de pele (deveriam dizer desenho, enfim…), mas fazem isto de propósito, para confundir racistas com preconceituosos com tatuagens, para ampliar o público anti-racista como adeptos de tatuagens e incrementar seu negócio. O que vemos é depois do capitalismo mercantil, do industrial e do financista, esses xaropes criaram uma nova categoria, a do Capitalismo Ressentido. Vá ter paciência assim nos infernos…
Acho que esse movimento cobrando uma postura “correta” na capa dos gibis será só o início e poderá por fim a liberdade artística que ainda existe nesse nicho. Muito preocupante! Aceitar que o homossexualismo existe é uma coisa, mas empurrarem a androginia como pauta obrigatória nas artes devido a uma “postura politicamente correta” é algo que todos nós deveríamos nos revoltar. Isso é o início do fim da liberdade artística que é o fim da liberdade de expressão. O que falta a esses canalhas agora que investem contra o traço nas revistas em quadrinhos?!
O que fazer? Ridicularizá-los, mas nunca tentar proibi-los. Isto seria, justamente, agir como eles querem que façamos. Isto, nunca.
Ah! Antes que eu me esqueça, essa é para você que é gay: tua liberdade e vida não deve ser da conta de ninguém, mas enquanto esses aproveitadores de causas políticas usarem seu modo de vida como instrumento, a população em geral irá identificá-los como parte dessa estúpida militância. Meu conselho: 
Lute contra a imposição a seu modo de vida, mas o faça também contra quem quer usá-lo como massa de manobra fazendo com outros exatamente o que não quer que façam com você. Não aceite ser instrumento de causas escusas. 

Anselmo Heidrich
19–08–2018

quarta-feira, julho 18, 2018

Fernando Holiday VS. Ciro Gomes


Que a ameaça de Ciro, caso eleito é um absurdo, um acinte ao estado de direito não resta dúvida, mas o caso em si é uma falácia. Por acaso a direita também se rendeu ao politicamente correto? O que há de racismo em chamar alguém de “capitão do mato”? Há sim um argumento tosco aí, típico de quem não tem argumento. Isso deveria ser explorado para atacar Ciro Gomes e não ficar tolhendo sua liberdade de expressão que convenhamos, o candidato tem todo o direito de bancar o idiota. Caso não tenham percebido, este processo contra Ciro Gomes é análogo ao feito contra Bolsonaro por este ter se referido aos negros em arrobas. Ora, todos nós pesamos e podemos ser mensurados em quilos, arrobas etc. Não há racismo aí também. O que temos hoje em dia é uma verdadeira síndrome de mimimi, até parece que vivemos em um novo período geológico, o Mimioceno… Se criticamos um negro, tudo vira racismo; se criticamos uma mulher, tudo vira machismo; se criticamos um gay, tudo vira homofobia e assim por diante. Disto tudo só posso concluir que o autor da ação, “Fernando Holiday” é ignorante ou um oportunista porque sabe muito bem o que está fazendo e tenta capitalizar politicamente em cima da estupidez de Ciro? Fica a dúvida, a insegurança e a certeza de que candidatos que falam demais e que temem demais não merecem meu voto.
Cf. Ciro Gomes ataca promotora que abriu inquérito por injúria racial contra ele https://www.boletimdaliberdade.com.br/2018/07/18/ciro-gomes-ataca-promotora-que-abriu-inquerito-por-injuria-racial-contra-ele/
Anselmo Heidrich
18–07–2018

terça-feira, dezembro 20, 2016

Como o discurso politicamente correto se torna contraproducente


Jordan Peterson, professor de psicologia na Universidade de Toronto (imagem: cbc.ca).

Li o primeiro parágrafo e adorei:

"Estamos ensinando mentiras a universitários" - Uma entrevista com Dr. Jordan Peterson
http://xibolete.uk/peterson/ via @xibolet

Esta perspectiva integradora - natureza e humanidade -, na qual ele procurou entender os problemas sociais a partir de uma análise próxima à biologia é assaz sedutora. Isso choca:

Uma das coisas de que estou tentando convencer meus alunos é que se eles tivessem vivido na Alemanha na década de 1930, eles teriam sido nazistas. Todo mundo pensa “eu não”, e isso não está correto. Foram em grande parte pessoas comuns que cometeram as atrocidades que caracterizaram a Alemanha nazista e a União Soviética.

Saber que pior do que encarar um psicopata, assassino serial o que seja é identificar o mau em nós mesmos. Uma das teses mais idiotas que já vi é dizer que o esquerdismo é uma doença mental, como já se tornou usual ouvir de conservadores por aí disseminando a tese de um livro que adquiriu certa fama. Este é um dos traços do fanatismo ideológico disfarçado: se apoiar em resultados de pesquisas científicas convenientes e, claro, solenemente descartar outros. 
E a percepção dele, acertadíssima, sobre onde leva a adoção compulsória de termos que buscam resignificação é perfeita, se trata de uma novilíngua que muda o raciocínio, o julgamento e o valor dificultando uma visão de oposição, de dissenso, enfim, de liberdade.
O que tem que ficar claro é que esses projetos não se bastam a uma escolha livre da própria identidade, mas sim em uma imposição da identidade escolhida a outrem, o que é bem diferente, se trata de um ataque a liberdade de julgamento, como se a liberdade de expressão fosse unilateral:

Há coisas sombrias acontecendo. Para começar, o Projeto de Lei C-16 codifica construtivismo social no tecido da lei. O construtivismo social é a doutrina de que todos os papeis humanos são socialmente construídos. Eles são desvencilhados da biologia subjacente e da realidade objetiva subjacente. Então o projeto C-16 contém um ataque à biologia e um ataque implícito à ideia da realidade objetiva. Isso também é flagrante nas políticas da Comissão dos Direitos Humanos de Ontário e na Declaração dos Direitos Humanos de Ontário. Ele diz que a identidade é puramente subjetiva. Então uma pessoa pode ser homem em um dia e mulher no próximo, ou homem em uma hora e mulher na próxima.

Os opositores dele dizem que não detém tanto poder quanto são acusados, mas como diz Peterson por que então transformar isto em um princípio legal? Ou como exemplifica, o princípio jurídico basilar em Ontário (e não só lá) de que se é inocente até que se prove o contrário passa a ser substituído pelo da "preponderância da evidência". E começa assim, nos campus para depois se alastrar por toda a sociedade. Enfim, o totalitarismo em sua forma legal, que difere do autoritarismo personificado. 
"Você não consegue meu respeito exigindo-o [e] você não tem direito de eu tratá-lo de forma especial" são algumas das sentenças óbvias de Peterson que atacam a pretensão totalitária desses regulamentos. Como ele diz, ninguém é naturalmente bom, as pessoas são provavelmente más, um "balde de cobras" para usar sua expressão, mas é perfeitamente possível, como assevera, que utilizemos um "neutralidade cética" uns com os outros ou uma "confiança corajosa" que permita que nos relacionemos com educação sem que abortemos nossos princípios. Que se pare com esta mania de se sentir ofendido pelo que os outros irão pensar ou dizer sobre nós. 
A tentativa de ordenar o caos pela palavra, algo similar ao Cristianismo aqui assume ar de revolução, dogmática e profundamente anti-liberal. No entanto, a mensagem da esquerda autoritária é anti-liberal e não há compaixão nenhuma em suas ações, apenas o ressentimento. E quando não há um ressentimento se evolui para o ódio. As leis que visam controlar discursos, inclusive o discurso de ódio acabam limitando o diálogo e quando metades não se comunicam, temos a constituição de inimigos. Com inimigos temos o combustível pronto para uma guerra. O discurso politicamente correto, embora pleno de boas intenções acaba por ser contraproducente.

Então nós não deveríamos chamar alguém de ‘sua majestade’ só porque eles pediram isso?
Bem, esse é outro problema que está se escondendo sob o argumento da subjetividade, uma vez que você divorcia a identidade de uma base objetiva. Essas pessoas [defensoras de múltiplas identidades de gênero e leis para protegê-las] afirmam que identidade é uma construção social, mas mesmo que essa seja sua afirmação filosófica fundamental, e que eles a tenham inserido na lei, eles não agem de acordo com aqueles princípios. Ao invés disso, eles vão direto à subjetividade. Eles dizem que sua identidade nada mais é do que seu sentimento subjetivo daquilo que você é. Bem, isso também é uma ideia exageradamente empobrecida do que é que constitui identidade. É como a alegação de uma criança egocêntrica de dois anos, e eu quero dizer isso tecnicamente. Sua identidade não é só como você sente sobre você mesmo. É também como você pensa sobre você mesmo, é o que você sabe sobre você mesmo, é seu julgamento informado sobre você mesmo. Ela é negociada com outras pessoas mesmo se você for vagamente civilizado porque de outra forma ninguém lhe suporta. Se sua identidade não for um híbrido daquilo que você é e daquilo que as outras pessoas esperam, então você é como a criança no parque com quem ninguém pode brincar.

Além do mais, sua identidade é um veículo prático que você usa para manobrar a você mesmo durante a vida. Em sua identidade real, você é um advogado, você é um médico, você é uma mãe, você é um pai, você tem um papel que tem valor para você e outros. Nada disso é subjetivamente definido. Então isso é completamente absurdo, e filosoficamente primitivo, e psicologicamente errado. Ainda assim, está inserido na lei. Eu acho que a lei faz das discussões de biologia e gênero ilegais. Acho que nós tivemos um gostinho disso na entrevista da TVO Agenda que eu tive onde [o professor de estudos transgêneros da U de T] Nicholas Mack disse ‘bem, o consenso científico das últimas quatro décadas é que não há diferença biológica entre homens e mulheres’. Isso é uma proposição absurda. Há diferenças entre os sexos em todos os níveis de análise. Há escalas de masculinidade/feminidade que foram derivadas; elas são basicamente derivações secundárias de descritores de personalidade. Há diferenças enormes de personalidade entre homens e mulheres. Há literatura explorando diferenças entre homens e mulheres em personalidade em muitas, muitas sociedades no mundo todo. Eu acho que a maior publicação examinou 55 sociedades diferentes. E eles ranqueiam as sociedades por igualdade sociológica e política. A hipótese era que se você equaliza o ambiente entre homens e mulheres, você erradica as diferenças entre eles. Em outras palavras, se você trata meninos e meninas igual, as diferenças entre eles desaparecerão. Mas não é isso que os estudos mostraram. Na realidade, elas se tornam maiores. Aqueles são estudos de dezenas de milhares de pessoas. A teoria do construtivismo social foi testada. Ela falhou. A identidade de gênero é muito determinada biologicamente.

 Excelente.



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domingo, novembro 15, 2015

É o indivíduo, estúpido!


Antes de lerem, ouçam isto:
https://www.youtube.com/watch?v=L32hbRx6YpQ

O negócio é o seguinte, George W. Bush avisou o que poderia acontecer com a retirada das tropas americanas? Sim. Porém, SE ele não tivesse invadido o Iraque, esta instabilidade atual não existiria. Seria certo deixar um ditador no poder? Não, mas também não seria certo apoiá-lo numa guerra contra o Irã, anos antes. Há muita coisa para considerar, assim como há muitos atores, (a URSS, p.ex, que enquanto existiu foi a maior investidora em armamentos no Iraque de Saddam). Não há um culpado, há vários, mas procurar uma demonização em uma categoria coletiva, o Islã é típico de coletivistas, como o próprio Marx foi um. Culpados são indivíduos, assim como responsáveis pelo sucesso. da humanidade. Se muçulmanos por serem muçulmanos fossem embriões do mal, o mundo já teria acabado, assim como partiriam do Irã e da Turquia a maioria deles (dado que são os países mais populosos). Com certeza que a política frouxa de abertura aos refugiados é um problema gerador de outros (quem faz bem neste caso é a Austrália, criticada pelos relativistas), mas colocar todos no mesmo saco é um simplismo atroz. Não dá para ficar repetindo como papagaio asneiras em considerações metodológicas, tipo a maioria dos egípcios e dos paquistaneses odeia o ocidente... Ora, o Brasil já foi apontado como o 2o maior antiamericanista do mundo em uma dessas pesquisas de opinião (das quais quase ninguém se importa em pesquisar como foram feitas). E aí, nem por isso há muitos brasileiros saindo por aí e cometendo atos terroristas. Menos paixão, menos rapidez no julgamento, mais razão e senso lógico é o que se pede. Mas, caso não considerem este pedido, apenas aceitem que não passem sem tomar sua hóstia de fanatismo diário.

Caso não tenha entendido meu protesto, não é a religião que mata, são indivíduos que matam. Ah! Mas e a Jihad? Sim, é um forte preceito e base para ataques, mas a escolha de segui-lo é do indivíduo que aceita a interpretação. Se não fosse assim, vários cristãos poderiam se tornar torturadores ao levar o Velho Testamento da Bíblia ao pé da letra...


segunda-feira, setembro 03, 2012

Marketing Caricatural / Caricatural Marketing

Porque algo está na moda, então tenho que ser necessariamente contrário? / Because something is in fashion, so I have to be necessarily contrary?

Sobre: Folha de S.Paulo - Colunistas - Luiz Felipe Pondé - Marketing social - 03/09/2012. Eu geralmente gosto dos textos de Pondé, mas neste, o seu “anti-politicamente correto” pecou pelo tom excessivamente oposicionista ao atual modismo intelectual. Este texto consegue ser, no máximo, uma caricatura a guisa de análise.
Em uma das passagens, o autor critica algo sem especificá-lo: é verdade que nem tudo se aprende com os pais, pois o meio social é muito mais amplo do que isto, daí que a “dignidade” passada pelos pais não seria verdadeira. Mas, a qual “dignidade” ele se refere? Então, o paradigma social é o da indignidade mesmo? Dignidade do que, indignidade do que? Isto parece mais um arremedo pseudo-filosófico baseado em um hobbesianismo primário, estilo “o homem é o lobo do homem” ou, na versão mais popular contemporânea, “está tudo dominado!” Ficou, por demais, impreciso. Se ele não define qual dignidade se refere, não dá para saber se o que diz procede, não dá para concordar nem dá para discordar. É um completo vazio.

quarta-feira, maio 23, 2012

Estereótipo e racismo / Stereotyping and racism


A Comissão Europeia retirou do ar um vídeo de sua mais recente campanha para promover o crescimento da União Europeia (UE) após acusações de racismo na internet.
 O vídeo mostra três lutadores de artes marciais se preparando para enfrentar uma mulher branca com um visual parecido com o da atriz Uma Thurman nos filmes "Kill Bill".
Primeiro, um especialista em Kung Fu do leste asiático pula em frente à lutadora. Em seguida, o mestre da arte indiana Kalaripayattu aponta uma espada contra a mulher. Por último, um capoeirista negro derruba uma porta e invade o galpão. Quando ela se multiplica para formar um círculo ao redor dos rivais, estes imediatamente largam suas armas e as 12 projeções da mulher formam as estrelas da bandeira da União Europeia.
(...) UE retira comercial contra Brasil, Índia e China - TV iG
Palhaçada. Agora tudo vira sinônimo de ‘racismo’. O comercial é excelente e mostra, exatamente, o que os nacionalistas mais extremados do Brasil, China e Índia pensam sobre os europeus: alvos a serem abatidos.