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quinta-feira, julho 18, 2019

É bobagem dizer que Hitler era esquerdista

Hitler em Munique (1931) na saída da sede do Partido Nazista.

“Mas a opinião de Hitler vale alguma coisa?” Depende, tudo depende. Assim… Vamos dizer que tu queiras combater o racismo, certo? Quem foi o maior expoente do racismo, que propôs a extinção de seus inimigos raciais e não só teorizou sobre isto como IMPLEMENTOU isto? Sim, ele mesmo, o pintor austríaco frustrado que tinha avó judia e perdeu a namorada para um judeu e também foi rejeitado como pintor, ADOLF HITLER. Então, mesmo assim tu ainda acha que a opinião dele não deve ser analisada? Pois quando dizemos “valer alguma coisa” não significa concordar com a mesma, mas levá-la em conta ao ponto de analisar seu impacto.
Assim, não ignore seu inimigo. Estude-o para melhor conhecer suas falhas, combatê-lo e vencê-lo. É tão básico isso que o simples fato de eu ter que explicar já explica muito sobre a incapacidade das pessoas em entender o óbvio se desvinculando de suas paixões.
Quanto ao artigo abaixo, quando Hitler fala que os nazistas não tinham nada a ver com comunistas, o posicionamento não é sobre a pauta econômica. Dizer que eram sim farinha do mesmo saco é totalmente anacrônico. Vamos por partes:
1. Naquele momento histórico e naquela sociedade, praticamente todos grupos políticos, a maioria defendia o intervencionismo estatal. Achar que então todos eram “esquerdistas” seria o mesmo que eu dizer agora que os governos militares também eram de esquerda na medida que avançaram a estatização da economia;
2. O erro aí está em não enxergar a dualidade Direita/Esquerda como o que é, RELATIVISTA, pois o termo “direita” e o termo “esquerda” não encerram em si mesmo nenhuma essência, eles dependem do contexto histórico no qual são utilizados. Tanto é assim, como é bem sabido, que esta dualidade surgiu em um momento histórico, pós-revolução francesa onde a esquerda era liberal e formada por comerciantes e a direita adepta da oligarquia, que seria no máximo defensora de um capitalismo de estado, algo que a direita atual, americana e brasileira dizem combater.
3. Ambos os regimes criados por Hitler e por Lenin foram genocidas, o nazismo tendo matado mais em menos tempo e o comunismo tendo matado mais em um prazo maior. Isto seria então suficiente para pô-los do mesmo lado político-ideológico? Não, pois se vermos assim, governos conhecidos pela sua posição à direita são os mesmos que mataram milhares de pessoas, como o de Pinochet no Chile só para citar um exemplo mais conhecido. Alguém poderia objetar que um governo que mata milhares ainda assim é melhor do que um mata dezenas de milhões… Sim, do ponto de vista meramente quantitativo, mas em termos de princípios, não. Daí, a diferença esvanece por completo. Notem que essas pessoas que acham que o número dá uma legitimidade moral são as mesmas que eximem Daltan Dallagnol de qualquer culpa por desvios de função para ganhar mais dinheiro, mas acusam os petistas de corrupção pelo desfalque de bilhões. Sem dúvida que para a economia, o último foi o pior, de longe, mas em termos de moral nenhum pode arrotar superioridade.
A diferença é que direitistas assim são melhores em grau, mas não em princípio. Ambos são corruptos, pois anulam os procedimentos que garantem a defesa dos direitos do indivíduo. Ser direitista não te torna, necessariamente, um defensor das liberdades individuais. Esses direitistas, aliás, valem tanto quanto os esquerdistas que conhecemos: porra nenhuma.
Popper, em livrinho ótimo chamado A Miséria do Historicismo (que parodia criticamente A Miséria da Filosofia de Karl Marx) faz a distinção entre o que ele chama de ESSENCIALISMO e NOMINALISMO. A primeira vertente filosófica é a que procura “essências verdadeiras” em fenômenos que só são explicados pela sua conjuntura histórica, tipo quem diz “o verdadeiro comunismo de Marx não é isso aí etc.” Ora, isto não explica nada, no máximo que a teoria de Marx não era tão acurada, pois não previu a realidade. O comunismo de fato é o que foi feito. Sendo assim, o mesmo vale para o capitalismo. Não adianta tu vir com a balela de que “o verdadeiro capitalismo seria…” se nunca o vemos. O que podemos, na melhor das hipóteses, é COMPARAR modelos de capitalismo REALMENTE EXISTENTES e dizer como poderíamos melhor um ou outro. Portanto, não existem essências que tornam uma Direita Ideal modelo a ser seguido, nem uma Esquerda Ideal outro modelo a ser seguido, o que existem são os CASOS de governos de Direita e de Esquerda para serem estudados, porventura seguidos ou adaptados e, na maioria dos casos, REJEITADOS.
Agora, quando assumimos uma postura mais científica na filosofia, o que chamamos de NOMINALISMO encaramos cada caso como único e que o que o une a outro sob o mesmo nome é isso apenas, SEU NOME. Isto quer dizer que o comunismo chinês tem de ser estudado pelo que ele é, um fenômeno chinês e não porque é um sistema derivado do modelo teórico de Marx. Chineses antes do comunismo já matavam em massa, apenas se setiram legitimados depois, russos idem (estudem o czarismo) e assim vai. O desenvolvimento social e moral é um fenômeno anômalo, esta é a triste verdade e para segui-lo requer um esforço descomunal a passo de tartaruga na história. Portanto, TODO MOVIMENTO QUE DIZ TER FEITO UMA REVOLUÇÃO, SOBRETUDO NA ÁREA DOS COSTUMES ME CHEIRA A FALSIDADE.
Se eu já detestava petistas, esse nojo agora me vem quando vejo gente arrogante e que se acha imune às críticas fazendo movimentos e passeatas por um governo patético como o de Bolsonaro. Se Guedes acertar em algo (e torço por isso) serei analítico e ponderarei, mas NUNCA baixarei minha cabeça para uma personalidade fazendo culto a ela, NUNCA. Esta bobagem deixo para seres sub-humanos que precisam de ídolos e mitos.
Outra coisa que não sabem sobre o nazismo que coloca este movimento a direita do que havia na Alemanha é que, ao contrário do comunismo ele era religioso, cristão. Muitos dirão que falsamente cristão, mas este é o ponto, toda nova seita não é bem vista pela ortodoxia, tanto que aqueles que se auto-denominam “ortodoxos” vêem os outros como falsos, corrompidos. Ou vocês acham que a mistura de cristianismo com paganismo de Hitler é muito mais heterodoxa do que os mórmons primitivos que defendiam a poligamia? Além do mais, para todo cristão do oriente, o que se expandiu para o ocidente séculos depois no Império Romano deveria ser algo estranho e alienígena que pouco tinha a ver com o culto original porque, basicamente, tudo se adapta à realidade local. Fenômeno conhecido como SINCRETISMO e que tem no Brasil um exemplo notório.
Bem, se pouco importa que comunismo e nazismo tenham sido direita ou esquerda, exceto pelas suas posições políticas relativas em um dado momento histórico e na sociedade em que se desenvolveram, o que os une? Sim, eles têm algo em comum que é o que realmente importa, o TOTALITARISMO, um sistema autoritário nas regras, além das pessoas, que persegue dissidentes e tenta controlar a comunicação e reage às críticas taxando as pessoas de “esquerdistas” ou “direitistas” e sequer querendo debater civilizadamente. Eu vi este lixo ontem no PT, hoje eu vejo no Governo Bolsonaro. Eu tenho asco dessa gente. Eu tenho asco de um babaca grande e careca que vi segurando uma bandeira do Ustra, quando fui a uma manifestação contra o PT. A última que fui, pois o movimento pró-impeachment, democrático e civilizado tinha se degringolado completamente. De legítimo passou a ser meramente OPORTUNISTA.
Eu não me arrependo do que fiz, de lutar pelo impeachment, era necessário, mas é triste ver que um movimento social que se separava dos intervencionistas se tornou um movimento, desidratado, que deu voz a esta minoria autoritária que só quer legitimar o governo que está no poder e tenta calar a força os que discordam. Se quer governar, tem que aguentar as críticas, mas insuflar manifestações é uma maneira de não responder com conteúdo.
Espero que isto tudo termine um dia, mas temo que o pior ainda aconteça para que a maioria perceba seu erro. Para ficar claro, o povo acertou em derrubar um governo corrupto e ineficaz do PT, mas erra em apoiar um governo eximindo-o de seus erros (e não são poucos). De um movimento crítico se passou a um gado chapa-branca.
Portanto, minion, quando tentar colocar Hitler como “esquerdista” para preservar tua Direita, tu só estás tapando o Sol com uma peneira. Pois nazismo e comunismo são totalitários, simplesmente, contrários à liberdade individual, assim como o sentimento de gado é contrário à liberdade de expressão individual.
Anselmo Heidrich
17 jul. 19
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Imagem: “Hitler saindo da sede do Partido Nazista em Munique, 1931” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/recuerdosdepandora/7106028925

segunda-feira, julho 30, 2018

Esquerdas + Direita Vs. Convivência


Imagem: thespruce.com
A Esquerda que eu conheci era revolucionária, acreditava que todo e qualquer rico enriquecera expropriando os demais, que a “culpa” pela pobreza existir era por um esquema, sistema de soma zero, se alguém ganha é porque alguém perdeu, mas a Esquerda contemporânea é pior, ela parte do princípio de que mesmo não tendo uma relação de exploração instaurada, a desigualdade é imoral e para restabelecer esta moral, a expropriação dos ricos tem que se dar. A antiga Esquerda condenava a exploração, a atual endossa a exploração em sentido contrário. No que uma certa Direita coaduna com ambas as Esquerdas? Quando alguns direitistas acham que uma elite global, que alguns ricos mantém outros povos, com seus ricos, pobres e remediados em situação de pobreza relativa. A solução para estes vira então, um belo e pomposo discurso com polpa nacionalista, mas cuja semente não passa de protecionismo, isolamento e medo. Esta é a raiz do sentimento anti-imigratório em países que se formaram e desenvolveram com a imigração. Esta é a raiz do pré-julgamento contrário e negativo sobre uma empresa global, cujo criador e principal detentor expressou opinião simpática a uma Esquerda (ainda que moderada). O que os une não é senão um sentimento de fraqueza que não trata todos por igual, sobretudo se o que “o outro” crê é algo distinto de mim. Para estes pseudo-liberais que falam em “censura” não existe o questionamento de quando se pode censurar alguém, pois nós o fazemos todos os dias em nosso ambiente privado. Ambiente PRIVADO, difícil entender? Sim, para muitos, as regras valem só para os outros. Para quem realmente defende a Liberdade, ela vale inclusive para quem quer se manter um idiota, desde que seja com sua própria vida, em seu próprio espaço e em sua própria EMPRESA.
Agora lembre-se, o raciocínio que guia a Esquerda contemporânea, dita Pós-Moderna de que devem existir cotas para “minorias” — mesmo que pardos sejam maioria em nosso país e haja mais mulheres que homens, estes são exemplos de “minorias” na novilíngua — é o raciocínio de quem acha que deve regular um espaço público. O que você espera que irá acontecer quando a regulação de um espaço privado pelos seus descontentes for sacramentada? Todos os espaços de convivência terão interferência alheia por força de Lei. Vai vendo, mas se depois vier chorar aqui, eu devo dizer “eu não te avisei” ou “VTNC”?
Anselmo Heidrich
30–07–2018

quarta-feira, agosto 16, 2017

O que Chris Rock diria sobre Charlottesville?

Agora, que nossa esquerda brasileira faça pouco caso das ameaças de um louco na Coreia do Norte que ameaça não só os EUA, mas também ilhas no Pacífico, sua vizinha, a Coreia do Sul e o Japão ou o assassinato de mais de 120 jovens que protestaram contra o fim da democracia na Venezuela na semana passada ou contra a pior corrupção do planeta capitaneada pelo PT aqui no Brasil, eu não me admiro. Obviamente que ela tentará encobrir estes e outros fatos, FATOS com a morte de uma militante antirracista por um canalha assassino que furou sua marcha batendo em um carro que colidiu com seu corpo. Uma morte sim, mas uma morte estúpida feita por um fanático que trouxe a ira de americanos contra seu protesto a favor da preservação da estátua de um militar a serviço dos escravocratas. Claro que Trump poderia ter sido rápido no gatilho ao condenar o protesto e o timing dele, por vezes tão ágil no Twitter falhou. Acabou se manifestando, só que depois de vários congressistas de seu próprio partido se anteciparem. Dentre todos que li, a melhor foi do senador veterano pelo estado de Utah:
Continue lendo aqui >> https://anselmoheidrich.wordpress.com/2017/08/16/chris-rock-a-esquerda-e-a-direita/

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Kamaradas!

Vou falar sobre uma parte da Esquerda brasileira:
No início dos 80, quando eu me voltei para a política, no plano meramente teórico eu via gente dizendo coisas como:
1. A Direita domina porque não tem preconceito, eles leem Marx (um dos melhores conhecedores de Marx é Delfim Netto[1]);
2. Havia muita briga interna, muita mesmo. Mais do que entre conservadores e libertários, do que entre ancaps e minarquistas, do que "bolsominions" e liberais que se vê hoje em dia... Era entre trotskystas e stalinistas (Convergência Socialista vs. PCdoB), leninistas pós-Kruchev (PCB) vs. stalinistas (PCdoB), comunistas (Marx) vs. anarquistas (Proudhon, Bakunin etc.) e todos esses ficaram de cara quando gente como Gabeira voltou falando de negros, mulheres e meio ambiente - "ah! mas você quer lutar pelas minorias?!" - refletindo as transformações da esquerda europeia (e americana), a New Left, que é o que domina hoje em dia aqui;
3. Pois bem kamaradas! A esquerda chegou ao poder e ela não teria conseguido sem os sindicatos e o que fez? Aplicou a teoria? NANANINANÃO... Ela SE ADAPTOU!
Agora sabem o que eu vejo? A mesma coisa do outro lado do espectro político, na chamada "direita" (mesmo que liberais não gostem do rótulo é assim que eles nos enxergam). E sabe o que vai acontecer quando tomarmos gradativamente o poder? Teremos que nos ADAPTAR.
AGORA, nós queremos brincar de política, de revolucionário ou queremos crescer e ser "gente grande"?
Se formos crianças vamos repetir o filme da esquerda só que defendendo a propriedade privada, talvez a única diferença; se formos adultos deveremos estudar Teorias do Estado (ao invés de fazer biquinho e dizer "estado bobo, feio, mal, não gosto do estado, buáááá") para transformá-lo paulatinamente. Isto leva décadas e deve começar pelas prefeituras, pois estas estão ao nosso alcance.
Ao invés de tentar mudar a sociedade pense em políticas voltadas ao seu bairro, ao invés de pensar no meio ambiente amazônico proponha um plano de saneamento para a cidade, ao invés de só falar no tesouro nacional te informe sobre as contas públicas do município. Daí, juntando os cacos aqui e ali teremos informação e experiência para pensar Brasília e outras instâncias.
Se não for isto, tu podes sair cantando Titãs "a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte..." para que em 2018 venha um novo Salvador da Pátria. Daí kamaradas nós teremos muito choro, muita emoção, a bandeira nacional tremulando contra o azul profundo do céu, abraços, lágrimas, emoção... Mas toda a velha guarda estará ali, com seu melhor olhar triste treinado de político profissional pronta, prontinha para o quê? Para se ADAPTAR. E nisto reconheçamos, eles são muito bons. Fazem há décadas e continuarão fazendo se não mudarmos isto de baixo pra cima, de fora pra dentro, como qualquer sociedade que evoluiu fez.






[1] À época visto como um legítimo pensador de ‘direita’, mas não liberal, pois liberalismo mesmo era coisa entendida como ‘fracassada’. Ser de ‘direita’ era, simplesmente, ser anti-socialista e isto compreendia tudo, desde o pró-americano ao defensor de ditaduras militares etc.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Se há algum mérito na esquerda...


O fracasso das ideologias de esquerda no Séc. XX não pode ter contra-exemplos do Séc. XVIII, com a Rev. Francesa e Americana a Rev. Gloriosa, no Séc. XVII por serem resultados dos movimentos “de esquerda” de sua época, contra uma aristocracia e estado que subjugavam as liberades. O século passado teve o lugar da esquerda tomado por movimentos de ideologia coletivista diferente daqueles anteriores pautados nas liberdades civis, individuais. Se ainda flexibilizarmos mais o conceito abarcando a Social-Democracia, o primeiro país a aplicá-la teria sido a Nova Zelândia, país colonizado por muitos britânicos do movimento operário, cujo governo surgiu no último ano do Séc. XIX. A Social-Democracia fortalecida no século seguinte era vista, no entanto, como um "desvio à direita" pelos mais puristas dos movimentos comunista e anarquista, tanto que socialismo passa a se definir como uma oposição dentro do movimento operário. A definição marxista de socialismo como um 'estágio' para o comunismo não era consensual dentro do movimento operário, lembremos, mas ela se tornou hegemônica na interpretação intelectual latino-americana devido a sua formação sectária.

Tais observações se fazem necessárias para contextualizarmos o que vem a ser ‘direita’ ou ‘esquerda’. Dependendo do contexto histórico podemos ser uma coisa ou outra... Eu não me defino como "de direita", embora não me sinta incomodado em ser chamado assim por um esquerdista, de jeito nenhum. Acho didático, aliás, apesar de empobrecedor... Quando vemos a miríade de movimentos direitistas, muitos dos quais de tom claramente estatistas (proibição das drogas, contrários ao casamento gay, antiambientalistas etc.) me posiciono, claramente, como um "acorde dissonante". Recentemente fui chamado de 'comunista' por uma fanática, porque muito do que vem a se chamar de 'direitista' hoje em dia é uma massa acéfala de naipe religioso que transmutou deus e diabo para a esfera política resumindo tudo em Ocidente vs. Comunismo ou, para alguns ainda, Ocidente (cristão) vs. Islã. Ignoram solenemente a contribuição (decisiva) do Renascimento e do Iluminismo à formação do Estado Laico que permitiu um maior desenvolvimento do capitalismo. Esquecem, alguns convenientemente... Que o capitalismo não iria longe sob o peso da Igreja devido à oposição desta ao comércio fora de sua direção e restrição:

“(...) Decididamente os comerciantes ocupam grande espaço na Idade Média desejosa de mutação. Apesar da Igreja. Sejamos justos: o preconceito anticomercial não é unicamente dela. Vai ao encontro de uma inveterada desconfiança popular contra o intermediário, que vende o que não foi produzido por ele mesmo: ‘Capelista que vende de tudo nada faz’, diz o provérbio. A Igreja não se priva de ir ainda mais longe.“Ela decreta a proibição da atividade ‘comercial’ a seus próprios membros. O cânone 142 do Código de Direito Canônico é drástico: ‘É proibido aos clérigos exercer, para si ou para outrem, atividade nos negócios ou no comércio, seja em seu benefício, seja em benefício de terceiros’. “A proibição não tem em mira os leigos, mas predomina a ideia de que não se pode ser, ao mesmo tempo, comerciante e bom cristão: ‘Raramente, talvez nunca, um comerciante pode agradar a Deus’” (Alain Peyrefitte. A Sociedade de Confiança: ensaio sobre as origens e a natureza do desenvolvimento. Rio de Janeiro : Topbooks : IL, 1999, p.90. Grifos meus).

Acho importante estudarmos as ideologias, mas mais como representações e entendimento do mundo pelos diversos grupos do que explicações de fato. Ideologias podem ser poderosas forças motivacionais, mas o curso dos acontecimentos dificilmente sai como previsto idealmente. Por isto, o que quer que o movimento operário tenha defendido durante os séculos XIX e XX não foi obra de sua exclusividade, mas resultado de uma conjunção de forças que sem a acumulação capitalista da qual muitos se opunham, não teria sido possível realizar. Avanços legislativos tais como horas trabalhadas, direito à férias, licença-maternidade etc. atribuídos como resultado dos movimentos de esquerda não teriam sido possível sem o avanço daquilo que os comunistas mais demonizavam: a acumulação capitalista. Se isto pode ser visto como “mérito da esquerda”, também o é todo resultado disso desalinhado da produtividade, isto é, sem preocupação com o caixa, a responsabilidade fiscal e a capacidade de distribuir após o crescimento sustentável economicamente. Preceitos caros à chamada 'direita' são consenso hoje no mundo desenvolvido, mas não para sociedades marcadas pelo populismo. 

E o Brasil sofre com essa sanha legiferante, na qual uma casta informal, os juristas definem para si o que é o desenvolvimento. Se há um lugar onde o ethos capitalista não chegou, foi neste cancro estatal brasileiro.



quinta-feira, setembro 15, 2016

Enquadrando George Orwell

Eric Arthur Blair, mais conhecido com George Orwell
(25/06/1903 - 21/01/1950). Imagem: en.wikipedia.org).

George Orwell era um direitista ou um esquerdista?

Se tentar enquadrá-lo segundo critérios hodiernos, nos quais "direitista" pode ser contra o estado hipertrofiado, sim, mas à época e contexto de Orwell não havia esta posição com acintosa e quem, de qualquer modo, coletivista ou individualista se posicionava contra o estado era considerado revolucionário, anti-establishment, i.e., "esquerda". Os conceitos mudam... Por isso que falar em "direita" como "defensora de direitos naturais", como querem nossos conservadores de facebook, só mesmo sendo completamente anacrônico.


sábado, junho 06, 2015

Direita, esquerda, esquerda, direita? O quê?


Por se distanciar e se opor às teses típicas da esquerda, como ampliação do estado e disseminação de bolsas, qualquer agremiação partidária ou política de matizes liberais é frequentemente enquadrada como "de direita", mas isto é muito simplista... Não somos herdeiros, muito menos representantes daqueles governos e regimes ditatoriais que caracterizaram a política latino-americana do pós-guerra. O que trazemos são mensagens e propostas liberais clássicas, i.e., calcadas na redução do estado e aumento de sua eficiência, o que tem a ver obviamente com redução de custos e aumento de produtividade, mas sem esquecer de critérios meritocráticos para melhoria da gestão. Isto não tem nada a ver com a direita clássica na América Latina que defendia estados inchados, hipertrofiados que normalmente procuravam garantir mercados privilegiados para o setor industrial do qual mantinham muito mais que mera proximidade... Conluio seria a melhor palavra. Tampouco tem a ver com a esquerda estatista que se baseia na mera transferência de renda aos mais pobres (quando a maior parte deste montante não é simplesmente desviada) criando uma massa de dependentes que se torna impossível diferenciar de uma massa de manobra. Isto não significa que não nos importemos com os mais pobres, em reduzir a pobreza ou, quiçá, extingui-la mesmo, mas os métodos para tanto é que são e devem ser fundamentalmente diferentes. A coisa toda passa pela promoção do emprego com busca e competição pelo próprio indivíduo (anote isto). Claro que o sistema de ensino também teria que sofrer fortes reformulações para sustentar esta competição entre todos os estratos da sociedade. Afinal, para competir no mercado buscando eficiência e maior qualidade dos serviços se requer um capital cultural mínimo, i.e., treino que é dado pelo ensino técnico. E apesar de um quadro geral desanimador de nosso ensino público, há bons exemplos que devem ser incentivados e seguidos. 

Como se vê, falei em "ensino público", então há um estado mínimo que deve ser garantido? Sim, claro. Liberalismo clássico não é um "anarco-capitalismo", no qual estas atividades seriam obrigatoriamente todas privatizadas. A segurança, saúde e educação públicas, além do judiciário seriam contempladas pelo estado, mas possibilitando e facilitando a promoção de ensino e saúde privados via redução tributária. Aliás, este é um dos cernes de nossas propostas, além da discussão de um novo pacto federativo para distribuição de recursos, ou melhor, para se eliminar certos repasses que consideramos indevidos à união.

domingo, abril 19, 2015

Isto não tem nada a ver com doença mental


"As societies grow decadent, the language grows decadent, too. Words are used to disguise, not to illuminate, action: you liberate a city by destroying it. Words are to confuse, so that at election time people will solemnly vote against their own interests." (Gore Vidal)


REAÇÃO À IMAGENS NOJENTAS PODE REVELAR SE ALGUÉM É DE DIREITA OU ESQUERDA
Conservadores possuem mais tendência a não gostar de imagens "nojentas".
A nova pesquisa foi realizada pela Virginia Tech e os resultados passaram por um algoritmo que comparava toda a movimentação cerebral de liberais e conservadores durante as imagens mais pesadas (mutilação humana, cenas de gore -muito sangue, tripas, etc - e restos de animais).
As ondas cerebrais foram medidas através de ressonância magnética.
Os pesquisadores encontraram que as pessoas com maior sensibilidade àquelas imagens faziam parte do grupo político de conservadores com uma incrível margem de exatidão de 95%.
A pesquisa levou a questionamentos mais profundos, como, por exemplo, se essas respostas de nojo poderiam ser uma reação adversa ancestral, necessária para evitar contaminações, doenças e violência.
Outras coisas nojentas analisadas: coisas não-identificadas grudadas no cano da pia da cozinha, infestações de vermes de moscas, banheiros imundos.
As imagens que mais previam a orientação política foram as de corpos mutilados de animais.
Esquerdismo, quem diria, faz a pessoa mais complacente com barbarismos. Ou será que a pessoa nasce com a tendência?
http://revistagalileu.globo.com/…/forma-com-que-voce-reage-…http://www.sciencedaily.com/releases/2014/…/141029124502.htmhttp://research.vtc.vt.edu/…/liberal-or-conservative-brai…/https://plus.google.com/11706631533909324…/posts/9phBYRWhhuc


Hoje mesmo eu conversava com um fanático direitista que me citou o já clássico "Liberal Mind" que "prova" que o esquerdismo é uma "doença mental". Além da ignorância acerca do que seja 'doença', 'transtorno' e sua ligação com o termo 'mental', o que impressiona é a necessidade de demonstração de superioridade. Eu não gosto dessas teses coletivistas de programas sociais ou propostas que não levem o indivíduo na devida conta e, muito menos, a maneira errada de enxergar a realidade, baseada em categorias coletivas, MAS... Nem por isto preciso torcer a realidade para justificar uma suposta superioridade moral, intelectual e agora, de saúde mental! Se o esquerdismo (coisa que varia historicamente, todos sabemos) fosse mesmo uma doença, isto só o isentaria de responsabilidade, afinal "eles (os esquerdistas) não sabem o que fazem". Bastaria para tanto adotar um protocolo médico específico, psiquiátrico que estaria tudo resolvido e seria de responsabilidade pública (de saúde pública) tratar desse contingente de 'doentes', portadores de transtorno mental. Este estudo incorre na mesma falácia que seria eu argumentar que o fundamentalismo, totalitarismo islâmico para ser mais preciso é questão de doença mental. Ora, tais militantes não são descritos em nenhum CID-10, mas sim foram crianças, jovens verdadeiramente adestradas. E isto é o que mais nos choca: a possibilidade de que qualquer um de nós poderia estar lá... Atirando rojões em jornalistas, coquetéis molotov em policiais, vandalizando redações jornalísticas, invadindo e depredando fazendas, estações experimentais da Monsanto, ocupando e depredando plantações, menos pelo terra em si do que pelo desejo de violação do que é alheio, atirando em chargista, queimando pilotos jordanianos ou simplesmente profanando e quebrando esculturas sagradas de culturas anteriores à vinda do 'profeta'. Isto, por mais apavorante que seja, não é fruto de receptores neuronais com déficits em substâncias químicas necessárias ao bom funcionamento de sinapses. Na verdade, não passam de crenças em utopias daninhas cujas premissas são raízes que se nutrem da morte dos tolerantes.

sexta-feira, novembro 07, 2014

Classificação política e falta de objetividade


Sobre esquerdas e direitas – O Diagrama Scar http://t.co/UeHz8Yonok


A questão de que a chamada direita atual ter sido a esquerda do passado, séculos atrás está correta, assim como a caracterização da evolução subsequente. Neste sentido, o artigo é rico e bastante informativo. Como relatado, lá pelos idos do séc. XIX, ainda existia quem defendia a monarquia contra a democracia. Estes eram os direitistas de então, mas... Veja que ele não cita esta palavra, Democracia, sua análise está totalmente centrada no Capitalismo e esta é uma falha. 

Os anarco-capitalistas -- ancaps --, autoproclamados 'libertários' que estariam na extrema direita para ele seriam a favor da liberdade total, totalmente pelas vias do mercado livre, mas atente que sendo assim, discordam da democracia como meio de regulação. E os comunistas na extrema esquerda também não ligariam para ela, a democracia. Deste ponto de vista, quando o poder individual ou, na oposição, o coletivo descartam a negociação e equilíbrio de aceitar pontos divergentes para manutenção da ordem, de meu ponto de vista, não estão separados, mas próximos. Então, eu trocaria o Diagrama Scar, que ele propõe por outro, uma ferradura. Que aliás, não é ideia minha... Conferir aqui a Teoria da Ferradura (Horseshoe Theory). Os extremos, anarco-capitalistas e comunistas descartam a negociação e se tornam autoritários, um para o indivíduo e outro para o coletivo. Adicionaria aí também o detalhe que a extrema esquerda também sempre foi lembrada pelo movimento anarquista que, antes dos ancaps era tido como essencialmente de esquerda. Estes rótulos enfim, cansam porque estão sujeitos a interpretações diversas -- quem os define, define como lhe convém e fica nítido que o autor, Scar, tem uma queda pelo liberalismo. Nada condenável, aliás, pois também tenho, mas se tem que assumir este dado e não tratá-lo como se fosse objetivo e imune a nossa subjetividade na escolha. Por exemplo, já ouvi um liberal dizer que a social-democracia (se referindo aos nórdicos europeus) "não dá certo"... Patético, tanto "não dá certo" que existe há décadas. E outro erro é tomar o que eles definem como "socialismo" como algo socialista na teoria de Marx. É bem diferente. A propósito, a Nova Zelândia, um país que prima pelas excelentes avaliações em rankings de liberdade econômica foi colonizada por imigrantes trabalhistas e socialistas. Quem diria...

Então mais cuidado e cuidado especialmente ao definirmos o que é algo a partir de um simples nome, pois este pode não significar aquilo que uma velha teoria queira nos dizer. E sim, não sou isento, eu critico o teor do artigo porque discordo que possamos construir uma ordem duradoura sem democracia e senti a ausência do termo no mesmo. 

Mesmo que se diga que a democracia não define um sistema econômico por inteiro (o que é verdade), também é verdade que enfatizar a dicotomia Capitalismo v. Socialismo é por demais pobre... Eu prefiro discutir "Sistema Social" e aí não entra somente o modo como a propriedade é regulada, mas também a cultura e sua organização jurídica. Importante porque há países, regiões, estados (em fortes federações) ou até cidades e condados nos quais se pode ter razoável ou forte liberdade econômica sem paridade na liberdade política (Singapura, p.ex.), embora o contrário seja difícil. 

Enfim, eu endosso o liberalismo e me defino como liberal, mas sem os arroubos e delírios anarco-capitalistas ou anarquistas, cujo ódio e preconceito contra tudo que enseja a palavra estado não conseguiram construir nada melhor do que sociedades clânicas (como a Somália) e chegam ao absurdo de dizer que na monarquia se tinha maior justiça econômica que na democracia. Claro que sim, para o senhor feudal...

Dizem que o espaço é curvo. Talvez o espectro ideológico político também não fuja disto e necessitemos de uma revolução epistemológica na ciência social...


quinta-feira, agosto 22, 2013

Detalhes sobre a crítica ao fanatismo de direita - 1

Fonte: leithalthinking.com
Defender a ditadura para acabar com outra é condenar uma futura geração à falta de opções sobre qual destino tomar e torná-la refém daquilo que, suposta, originou a revolta contra a opressão. Um ciclo vicioso sem fim. No passado chamado ouro de tolo, hoje surgem seus defensores como seringas descartadas nos parques. É um veneno ao alcance de qualquer um.

Sobre: A confusão mental dos seguidores de Olavo de Carvalho | Bertone Sousa
Gostei da crítica ao olavismo, com certeza, embora eu discorde da análise econômica dele do período da ditadura militar. O problema, p.ex., na questão agrária, não era a distribuição de terras, mas o emprego e este se dá com demanda pelo trabalho. Desejar isto para o campo é regressão política e econômica, pois o desenvolvimento para a massa de trabalhadores não está em semear e arar, mas em empregos urbanos que, por pior que sejam, ainda assim costumam ser muito melhores em remuneração. Sem contar o fato de que no meio urbano, as chances de crescimento profissional para as gerações vindouras são bem mais aprazíveis. 
Ainda, sobre a dívida externa, não é o problema, mas sim suas condições de rolagem. Desenvolvimento econômico demanda crédito, que é outro nome, positivo, para a dívida. Este é o problema, os juros que pagamos e não o montante, como ficou exposto. Se não foi exatamente isto que ele quis dizer, tudo bem, mas é um detalhe do qual tenho que discordar.
Quanto à suas críticas à dupla moral dos fascistas internéticos entusiastas do picareta, sou de acordo em gênero, número e grau, com certeza. Eu mesmo já debati com este Leonardo Bruno, o "Conde", tanto quanto foi possível e nossa discussão não raro resvalou para onde não devia, a mais pura agressão verbal. Trata-se de um covarde que se esconde nos rincões da selva amazônica... 
Mas, lendo o resto do artigo, quando ele acusa a oposição ao Jango de 'entreguista' já percebi que o apelo recorrente ao manancial de clichês com premissas falhas é brutal, tão avassalador quanto quando um olavette ensandecido apela para suas ridículas teorias conspiratórias. Jango, p.ex., não precisava ser 'comunista' para endossar ou adotar políticas estatizantes e controladoras que prejudicassem a liberdade de mercado ou que deixassem o estado brasileiro à mercê das máfias sindicais. Ora, dê o nome que quiser, o rótulo que quiser, mas ele foi um péssimo presidente e, claro, foi deposto de modo equivocado por um grupo de militares que também se mostrou incompetente para pôr o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável. 
Eu gostaria de parabenizar o autor pela crítica ao baixo nível e cafajestice desses seguidores idiotizados de um guru incoerente, mas também não poderia deixar de expressar que tenho muitas discordâncias sérias em relação ao que pensa. De todo modo é bom e salutar discordar de quem tem bom caráter, pois nos focamos no que realmente interessa, as teorias sobre a sociedade. 

segunda-feira, novembro 19, 2012

Ela é uma inútil


Neste texto: Socialista Morena » A volta do filho (de papai) pródigo ou a parábola do roqueiro burguês, uma comentarista, cujo blog se chama “Socialista Morena” critica o “endireitamento” de “roqueiros brasileiros”, como Lobão, Roger (do Ultraje à Rigor) e Leo Jaime. Como é comum neste tipo de análise, sempre se tenta enveredar para uma análise pretensamente científica do caso. Sabe... 

terça-feira, outubro 02, 2012

O imbecil individual / The individual buster

Sobre:
Tomatadas: Uma nota sobre Olavo de Carvalho: Ao comentar o post A culpa da nossa direita , um leitor fez indagações bastante interessantes sobre o intelectual conservador Olavo de Carv...
"O Imbecil Coletivo" é um bom livro, mas "O Jardim das Aflições" é... Uma aflição! Olavo de Carvalho chega a defender a Inquisição Medieval com argumentos como de que pelo menos se tratava de um "devido processo legal", anteriormente ausente. Ora, se assim for, então qualquer déspota que tenha escrito o que faria também representaria uma "evolução institucional", uma vez oficializada a barbárie.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Tomatadas: Aziz Ab'Saber defende ideia medieval

“Aprender a contestar os idiotas”

Assim terminou a entrevista do Professor Aziz Ab’saber sobre a tragédia em São Luiz do Paraitinga. Sábio conselho! [http://acaoecosocialista.wordpress.com/2010/01/11/aprender-a-contestar-os-idiotas/]
(...) Engraçado, ele parece supor que, se a Vale continuasse estatal, nosso minério teria sido exportado a preços bem mais altos e o governo teria recursos para fazer a tal ponte. Por que isso não aconteceu durante as décadas em que a Vale foi estatal mesmo? E ele fala como se o preço internacional do minério de ferro fosse definido pela empresa exportadora a seu bel prazer, e não pela relação entre oferta e demanda, como qualquer outra commodity. Ora, se fosse assim, seria uma grande burrice uma empresa privada como a Vale vender a preços aviltantes o que podia ter vendido por muito mais.
Mas o pior mesmo é constatar que, à semelhança de Eduardo Galeano e de todos os nacional-populistas da América Latina, Ab'Saber pensa o comércio internacional com base numa doutrina defendida pela igreja durante a idade média, a saber, a teoria do preço justo (*). Trata-se da ideia, moralista e bastante simples, de que os preços dos produtos não devem ser estabelecidos por livre negociação no mercado, mas sim de acordo com a "justiça". (...)
Mais em Tomatadas: Aziz Ab'Saber defende ideia medieval

Não sei se o que queria Ab'Saber era que a Vale cobrasse mais pelo minério. Acho que ele supunha que se não fosse privatizada, o minério seria utilizado no território nacional. Como se já não o fosse...

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Os Bolsonaros da esquerda são piores. | Implicante


Outro bom artigo:


Também chamam Bolsonaro de “reacionário”. Eu tomaria como elogio. Na mitologia grega, o fogo (símbolo da razão) foi dado aos homens por Prometeu (“aquele que enxerga antes”), enquanto os males foram liberados ao mundo por um descuido de seu irmão Epimeteu (“aquele que só enxerga depois”). Ser reacionário, saber como as coisas reagem antes que elas aconteçam, ter cautela ao invés de acreditar cegamente na benevolência de alguma força escolhida no presente, é característica de pessoas experientes. O revolucionário é aquele que acredita no poder das armas dadas ao povo – o reacionário é aquele que já descobriu que todo tiro disparado faz a arma ter um repuxo forte sobre o próprio atirador. Ele aprende com o tempo a esperar essa reação.
Já os revolucionários, que querem mudar toda a sociedade – ou seja, sempre querem te obrigar a se comportar desta ou daquela maneira, através dos graus de violência que lhe estejam disponíveis – acreditam apenas na força propulsora da sua própria benevolência em governar o próximo. Seu projeto é a concentração de poder em suas próprias mãos, ditando o que os outros devem fazer, e os que se opõem a isso são “reacionários”. Os comunistas usaram o termo “reacionário” nos versos da “Internacional” e os nazistas na “Canção de Horst Wessel” para qualificar seus inimigos.

terça-feira, agosto 02, 2011

Assassinos não precisam de coerência


Reinaldo Azevedo não me convence. Neste texto, ele discute o que já demonstrei em outro post, como a mídia tem deturpado o caso do terrorismo norueguês partidarizando os ataques covardes e insanos de um louco. Vejamos um excerto aqui:

domingo, julho 24, 2011

Equívoco de análise: a partidarização ideológica do terrorismo


(...)
Desde então, grupos de extremistas de direita noruegueses parecem ter criado laços com a comunidade de criminosos, assim como grupos similares no exterior, na Europa, Rússia e EUA.A Suécia, ao contrário, viu uma grande diminuição da atividade extremista desde seu auge em meados dos anos 90, quando seus jornais publicaram fotos de todos os neonazistas conhecidos do país.Mas, ao mesmo tempo, a Expo relata como a repulsa mostrada pelos suecos nos anos 90 vem se transformando cada vez mais em curiosidade sobre a suavizada retórica da extrema direita.Sentimentos parecidos tem aflorado na Noruega, onde políticos discutem abertamente preocupações sobre como a cultura do país seria diluída pela imigração vinda de países com valores e religiões diferentes.Mas após os ataques em Oslo e Utoeya, será interessante observar se muitos no país vão desenvolver uma visão mais sofisticada a respeito de onde vêm as maiores ameaças, em meio ao entendimento de que o extremismo pode ser mortal, independente de nacionalidade, etnia ou religião.
Cf.: BBC Brasil - Notícias - Análise: a ameaça da direita extremista na Noruega

Anders Behring Breivik é
considerado um simpatizante da extrema direita
Terrorista é terrorista, todos devem ser punidos e encarcerados pelo resto da vida (no mínimo). Não há predileção de direita ou esquerda com a violência, são apenas criminosos da pior espécie. Politizar esta barbárie é o caminho para dividir a humanidade insanamente e não nos unificar contra a violência. O argumento da matéria acima é o mesmo dos que acusam o terrorismo como tendo pedigree islâmico. Sofisma.

A questão é por que os jornalistas associam, sem nenhum pudor, este ato terrorista à direita, mas quando se trata de outros, como o de Battisti ou de forças árabes claramente anti-capitalistas, não se trata de "esquerda"? Seria porque entendem que "a esquerda mudou", mas não encaram o mesmo fato para a direita?

Isto não é jornalismo e sim propaganda ideológica que permeia fatos levantados pela mídia. Cuidado ao lê-los para não comprar gato por lebre.
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