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quarta-feira, março 11, 2020

Florianópolis 0 X 10 Jurerê Internacional (II)


Outro dia, um amigo me cobrou um detalhe, que realmente fez falta no meu texto sobre Florianópolis e seu bairro, Jurerê Internacional, o acesso ao mesmo, que vive entupido por filas de carros durante a temporada de verão (e mais até). Parece-me um efeito normal de um bairro que funciona como uma ilha de bem-estar em meio a uma cidade crescentemente caótica, mas aceitar o caos como normalidade é que é a verdadeira causa de nossas mazelas sociais: o costume.

Então, para procurar um caminho para as soluções temos que nos desacostumar e como tal, temos que ver a cidade como algo diferente do que sempre vemos, uma paisagem urbana imutável. Não, a cidade é tudo menos isso, ela é feita para mudar, ou melhor, a cidade é feita de mudanças. Que me perdoem os saudosistas da velha Florianópolis, dos poetas nativos, dos manés, mas isso tudo atrasa a cidade, assim como em Porto Alegre, cidade onde me criei, a cultura do “patrimônio público” é outra chaga que apodrece as instituições e leva a cidade a sua estagnação econômica e, consequentemente, decadência social.
Vejamos, a cidade é produto de demandas, ofertas, produções e imaginação. Imaginemos então, a cidade como um mercado de bens e serviços. Em determinado bairro, no caso, o Jurerê Internacional, melhores serviços no seu todo são oferecidos à população, no que se formam filas, exatamente como ocorreria em um supermercado com produtos de melhor qualidade e preço mais em conta. Logo, os outros supermercados e mercadinhos da região e bairros vizinhos acabam limitando sua clientela àqueles consumidores que não querem se deslocar e se conformam em pagar mais caro por produtos piores só para não ter um transtorno de perder tempo, o que, diga-se de passagem, também é outra commodity cada vez mais importante nos dias de hoje. Você e eu até cogitamos em comprar aquela carne mais dura, um arroz de pior qualidade (aquela desgraça de arroz parboilizado) ou um erva-mate seca e sem cor para não ter que ficar mais de uma hora no carro. O bom se tornou dispendioso e nos agregou um custo maior.
Este custo maior se transforma em um preço, quanto mais gente, menor (proporcionalmente) a oferta e, portanto, maior o valor dispendido para obter aqueles bens. Os supermercados se tornam caros, os alugueis se tornam caros, os passeios, as baladas, as roupas, as compras e consumo de ocasião, um simples cachorro-quente ou churros viram “produtos gourmet” e o bairro fica “gentrificado”,[1] ou seja, o bairro se tornou um bairro chique, caro pra dedéu. Isto vai levar a busca de alternativas (outros bairros, geralmente vizinhos) e a necessária descentralização. A alta dos preços empurrou parte das pessoas para fora dos limites daquele bairro.
Mas um bairro e sua terra não são exatamente produtos da mesma espécie que os encontrados nas prateleiras dos supermercados, eles têm maior ingerência de leis municipais e urbanas. Em parte, são propriedade pública, então, comparemos com serviços públicos como, p.ex., a saúde. Em Florianópolis, capital tida como referência em atendimento público de saúde, há postos de saúde que são muito melhor preparados do que outros. Aqui, é público e notório que certos postos de saúde e policlínicas (centros de atendimento maiores e mais diversificados) são mais requeridos, mas como os usuários (clientes divididos pelo Sistema Único de Saúde, SUS) são “regionalizados”, i.e., divididos por regiões administrativas e obrigados a frequentar os postos e policlínicas de sua região, não se tem o livre-arbítrio de escolher o melhor atendimento. Eu, morador do Rio Vermelho, sou obrigado a buscar atendimento no posto do meu bairro, reconhecido pelos meus vizinhos como de péssima qualidade. E eu entendo o porquê da separação/regionalização: se liberassem todos para ir para os melhores postos, estes viveriam saturados, sempre.
O que faltaria para que descentralizassem, naturalmente? O que existe nos bairros que levam as pessoas a vazarem fora: um sistema de preços. Sei, sei, um serviço público não pode ter isto porque daí não seria público e sim, privado. Certo? Mais ou menos, isto pode ser adaptado de outra forma, com os pacientes sendo postos em listas de espera para serem atendidos nas melhores unidades. E, com cotas de tempo previamente estipuladas de acordo com metas, para se evitar assim superlotação nos postos com saturação de usuários pela lentidão nos atendimentos. Em duas palavras: monitoramento e fiscalização.
Bom, o que isto tem a ver com o engarrafamento na entrada do Jurerê Internacional? Preste atenção: este bairro NÃO TEM SOLUÇÃO SE PENSADO ISOLADAMENTE. Ele só irá melhorar se houver maior descentralização e isto ocorrerá com monitoramento e fiscalização de porque outros bairros não executam suas tarefas, através das superintendências e poder público municipal. Mas quais seriam essas tarefas? Pense que a cobrança (e pressão) sobre as piores unidades de saúde (postos e policlínicas) levará à melhoria do sistema com uma espécie de competição interna entre elas, cuja consequência deverá ser a maior descentralização interna ao serviço municipal e, ANALOGAMENTE, o mesmo deve ocorrer entre os bairros, na medida em que a melhoria dos serviços urbanos vizinhos leva a descentralização territorial da demanda pelo espaço urbano.
Isto parece ficção científica quando não imaginamos ser possível adaptar o princípio do sistema de preços do mercado privado para outra forma de avaliação do sistema público. E os preços são, antes de tudo, indicadores de preferência: preços maiores significam que são preferidos em detrimento de outros, que irão indicar isto através de preços menores. É possível a equivalência entre público e privado sim, só o executor é que é outro, ao invés da Dona Fulana indo com sua sacolinha na feira, é um técnico de formação na área averiguando, objetivamente, porque um posto X e tão mais lerdo e menos procurado do que Y. Algo como: “O que acontece lá? Por que não funciona? Vamos investigar.” Esses fiscais também trabalhariam em regime de produtividade, assim como policiais que ganham pontos por crimes resolvidos. Se isso não existe aqui, o problema é outro, porque temos que adaptar este princípio de operação e criar um modelo.
E agora eu me pergunto, se podemos fazer com um sistema de saúde municipal, por que também não com a segurança pública dos bairros? Com os arruamentos e calçamentos? Com a iluminação pública? Com o esgotamento sanitário? Com as escolas? Bom… Levaria anos, mas se eu tivesse que começar, faria duas coisas: reforma administrativa com perda de privilégios frente aos trabalhadores da iniciativa privada e o estabelecimento de critérios objetivos ao conhecimento de todos (servidores e usuários) de como o sistema deve funcionar.
Isso, pra começo de conversa. Mas, se não for por aí taca-lhe outro viaduto pro Jurerê Internacional e empurremos o problema com a barriga pra piorar tudo de novo daqui 5 ou 6 anos. Afinal, não é assim que se faz? Não é assim que sempre se fez?
Anselmo Heidrich
11 mar. 20

[1] Gentrificação “é o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local” (Wikipédia). A origem do termo deriva da palavra gentry, pessoas de boa posição social, especificamente (no Reino Unido), a classe de pessoas logo abaixo da nobreza em posição e herança de berço, membro de uma espécie de pequena nobreza.


domingo, fevereiro 23, 2020

Florianópolis 0 X 10 Jurerê Internacional


Florianópolis é tida (ainda) como uma das melhores capitais para se viver no Brasil, ok, mas eu não diria que seja uma das melhores cidades. As capitais brasileiras são, em geral, muito ruins. Digo, “em geral” porque se procurarmos por qualidades específicas, teremos cidades muito boas, como S. Paulo, p.ex., para a geração e obtenção de empregos, ou Curitiba, pela mobilidade etc.
Mas, quando se fala em Florianópolis, logo se pensa em “qualidade de vida”, seja lá o que isso signifique. O que temos aqui é uma população, relativamente, pequena para um sítio urbano grande, logo há espaços vagos entre seus bairros e distritos que são ocupados por áreas de preservação. Com seu relevo irregular, a maior parte do município se localiza em uma ilha – Ilha de Santa Catarina – que ostentam uma frondosa Mata Atlântica entrecortada por enseadas e suas praias. Pronto, acabaou aí… Acabou porque uma boa qualidade de vida requer espaços públicos, serviços públicos e uma boa mobilidade urbana e habitação.
Vamos por partes, quase não há praças ou parques e quando há se encontram concentrados dificultando o acesso por quem mais precisaria deles, cidadãos de baixa renda; serviços públicos se entendermos o SUS, comparado a outras capitais, é tido como bom, referência, mas se vermos o esgotamento sanitário, Florianópolis é pior do que muito país de IV Mundo, com um baixíssimo índice de tratamento, coleta, coleta de lixo seletiva que é “seletiva” para seus habitantes com poucos sendo atendidos; as escolas públicas são ruins, com alto índice de indisciplina, como na maioria do país (não é nossa exclusividade); a mobilidade urbana é, simplesmente, um LIXO. Quem mora ou morou sabe, S. Paulo, com toda sua frota flui muito melhor. Aqui se é refém das máfias dos taxis e ônibus, com motoristas de aplicativos funcionando nas zonas de sombra de baixa lucratividade e sem permissão para vans operarem para usuários comuns como operam, p.ex., no transporte escolar. E se funciona com segurança para crianças por que não funcionaria para adultos?
E a habitação segue o padrão do Rio de Janeiro, loteamentos irregulares sobem o morro como caramujos surgem após a chuva. Passados alguns anos, a situação é consolidada e nenhum juiz tira barracos de áreas de preservação. Barracos que vão melhorando até se transformarem em casas com qualidade razoável. É a gentrificação da periferia, fenômeno que a hipocrisia marxista impede que geógrafos e urbanistas entendam (ou procurem entender). Juridicamente, 85% de Florianópolis, a “capital do turismo do mercosul”, é uma grande favela. Não tem o aspecto, mas é o que é na prática.
Onde então encontramos um espaço mais justo e equitativo para o cidadão nesta cidade?
Segurem-se nas cadeiras.
No bairro mais elitista, Jurerê Internacional.
Vos digo porque…
Nele, qualquer um tem acesso a sua infraestrutura, não é impedido de utilizá-lo, facilmente se encontra vaga para estacionar, e há várias pracinhas e parques que enchem de usuários que vêm de outros bairros, justamente, pela carência nos seus. A questão básica sem a qual nada disso funciona, a segurança pública é ostensiva, com policiais educados que não te olham como se fosse um meliante.
E a razão disso é simples, como temos um país onde os serviços púbicos vão de ruim a péssimos, um bairro onde é garantido o direito de ir e vir (garantido na prática pela segurança), os instrumentos urbanos são de maioria privada e mantidos pelos moradores e, principalmente, comerciantes. A associação deles, Associação de Proprietários e Moradores de Jurerê Internacional (AJIN) é boa de briga e não deixa barato. Vai contra interesses que tentam prejudicar a moradia e convivência do bairro.
Mais do que a esfera privada e as leis de mercado, são a participação e interesse dos cidadãos locais que mantêm uma cidade aprazível e hospitaleira. Ou, pelo menos, parte dela…
Não é para menos que meus filhos foram em um bailinho de rua naquele bairro, assim como a maioria de seus frequentadores. Portanto, quando falarem com desdém desta área da cidade saibam que é, na melhor das hipóteses, por ignorância e, na pior, ressentimento e inveja.
Anselmo Heidrich
23 fev. 20

Imagem “Jurerê Open Shopping” (fonte): https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jurer%C3%AA_Open_Shopping.jpg

terça-feira, janeiro 10, 2017

Para que serve o poder público?


Certa vez andava com meu filho na nossa rua, uma dessas ex-servidões em Florianópolis e ele me perguntou por que ela estava toda esburacada. E eu aleguei a ação da chuva, do tempo etc. Daí, na maior ingenuidade me disse, “por que não arrumamos então?” E eu respondi que não era nossa tarefa, que a prefeitura cuidava disso que já pagav... “Prefeitura? O que é prefeitura?”, ele me interrompeu. Essa, eu confesso, foi a pergunta mais difícil que tive que responder. Como explicar algo tão abstrato a uma criança de 3 anos (hoje já com 4) que existe algo que não é alguém ou alguns que são incumbidos de fazer algo por nós, porque nós financiamos e deixamos de fazer nós mesmos o que, se juntássemos esforços locais faríamos melhor e mais rápido? Enfim, passou e faz tempo que não andamos na nossa rua e preferimos trilhas onde fica mais fácil, muitíssimo mais fácil falar de princípios de geomorfologia do que deveres do agente público.
Dias atrás conversava com minha professora, educadora física, uma pessoa que já fez três cursos superiores e não para de estudar. Ela tem um estúdio de pilates aqui no bairro e quer abrir uma clínica de fisioterapia, mas a prefeitura cobra dela que faça adaptações no seu imóvel, pois o segundo andar só tem um lance de escadas e deve ter um elevador para cadeirantes. Mas só a base para ele custa algo em torno de R$ 100.000,00 e só tem três empresas autorizadas pela prefeitura a executar a obra. Adivinhe se não tem esquema aí... Mas espere, não são dois andares, então a situação se resolveria se no andar térreo ficasse a fisioterapia e em cima, o pilates. Simples, qualquer ser racional deduziria isto e, claro que ela mesmo sugeriu isto. Como eu disse, qualquer ser racional, o que não é o caso de um fiscal da prefeitura que age sob outra óptica, outra racionalidade totalmente irracional para um ser humano que busca adequar meios a um fim específico com objetividade e sem deturpações. Ou sem dar chance para a corrupção.
É de um contrassenso absurdo, isto sem falar nas taxas anuais para operação que ela tem que manter já que não tem o habite-se porque não há esgotamento sanitário, assim como não há no bairro, assim como não há para 90% da cidade etc. E claro que haveria recursos se não houvesse tantas pessoas empregadas nesses “cabides públicos” sem fazer absolutamente nada, basta ver o que já foi transferido para a companhia de saneamento, a Casan.
Esta é a sina de ser um brasileiro, cujo poder estatal te obriga à ilegalidade. Faz alguns meses também, a Comcap, companhia que cuida da coleta de lixo e manutenção das vias públicas ficou, nada mais nada menos que 14 dias sem recolher nosso lixo na rua. Reclamação vai, reclamação vem por via telefônica, ouvidoria no site etc., nada resolveu. Mas nesses tempos de exposição on line (abençoado seja Zuckerberg!) procurei o facebook dos caras e em meia hora, o próprio diretor da empresa estava ligando para mim. É fácil deduzir onde e como passa a maior parte do tempo os funcionários da companhia... Inventaram uma mentira grosseira para mim, de que a rua estava muito esburacada, o que não procede. Não que não tenha buracos, pois como já disse, tem mesmo, mas não mais do que a maioria das outras ruas do bairro (a minha é uma das melhores). Daí perguntei se o motorista era novo e era mesmo só que o picareta culpou a via por ter corrido muito e arremessado um de seus colegas da caçamba. Como ficaram com medo de que eu expusesse toda a história vieram no dia seguinte, mas para justificar seu erro vieram podando galhos de árvores (que não tinha sido alegado como motivo do caminhão ter que desviar). Reclamei novamente em seguida porque mesmo assim, nada de coleta de novo! Vieram no mesmo dia às 22h!! Pergunto-me, para que serve o poder público brasileiro?!?!
Não fiquem achando que me refiro, exclusivamente, à Florianópolis. Se isto ocorre é porque resido na cidade há 11 anos. Em meus tempos de S. Paulo também passei por algumas... Naqueles verões na capital chovia aos cântaros e, numa dessas tormentas, os galhos das árvores da rua pressionaram os fios da rede de luz para baixo e batata! Queda de luz generalizada com direito à queima de aparelhos eletrônicos. Que que eu fiz? Liguei para a prefeitura para que providenciasse uma poda imediata, afinal estávamos só no começo da temporada de chuvas e recebi um número do protocolo do atendimento, cujo serviço deveria ser feito em um máximo de 45 dias! Sério?! Ah! Que bom né? Poderia ser um ano... Sempre temos que olhar para o lado positivo da coisa. Inconformado, liguei para a empresa que fazia a distribuição de luz, recém privatizada, AES-Eletropaulo e acredite ou não, em ½ hora os caras estavam cortando os galhos que tocavam nos fios. Não dá para entender quem reclama da privatização. Ou é mal informado ou tem interesses escusos a defender. Como sou obsessivo, próximo ao prazo limite de um mês e meio que me prometeram na prefeitura de S. Paulo, eu liguei novamente para saber se viriam e pasmem! Eles haviam perdido meu protocolo e tive que fazer outro para mais 45 dias! Ou seja, um total de 3 longos meses se passariam para o caminhão da prefeitura com seus incompetentes vir fazer algo, é mole? O verão com suas chuvas torrenciais teria acabado e os parasitas nem aí para quem os sustenta. É simplesmente ofensivo.
Quando os funcionários da AES estavam trabalhando com a poda dos galhos fui investigar e me disseram que quando os americanos compraram a companhia demitiram de cara, metade dos funcionários e viram que funcionava igualmente. Depois demitiram mais metade e continuou funcionando igual e fizeram mais uma vez... Para funcionar igualzinho! Em resumo, com 1/8 do staff da companhia mantinham a mesma produção, eles aumentaram muito a produtividade da empresa. Antes de pensar no lucro que tiveram, pense no prejuízo que nós tínhamos como pagadores de impostos por um serviço público de péssima qualidade. É este o raciocínio que devemos ter, mas como o cidadão brasileiro está tão acostumado (adestrado seria melhor) a achar que o serviço público é isso mesmo, só percebe o que os outros, empreendedores estão lucrando como se isto significasse um prejuízo para si. Uma visão completamente distorcida da realidade.
Florianópolis, São Paulo são as cidades que me lembro melhor, Porto Alegre já saí faz tempo, mas me recordo de meu pai dizendo que algum coitado apaixonado por árvores plantou várias em seu quintal, numa velha casa na Rua Marquês do Pombal, no bairro Moinhos de Vento. Daí, com o tempo é normal querer cuidá-las, fazendo a devida manutenção, mas não! Alguma repartição pública com uma pomposa sigla se dizendo ‘ambiental’, cujos funcionários iletrados passam o dia coçando resolveu sair do buraco mofado onde se escondem para proibi-lo. Típico, não? Pois é... E o sujeito ficou lá, com árvores velhas, apodrecidas prontas pra cair com estes vendavais pondo em risco a vida das pessoas. Mas, o que importa aos burocratas, já que zelar pela vida alheia não tem nada a ver com a tarefa monástica de preencher processos.
Vocês podem estar pensando: este cara escolhe problemas a dedo, exceções que confirmam a regra de que o serviço público no Brasil funciona meritoriamente. E eu pergunto vocês acreditam nesta mentira que contam pros outros? Na verdade eu estou descrevendo o corriqueiro. Quando eu fizer um artigo “o serviço público brasileiro que dá certo” é que estarei tratando de exceções que confirmam a regra. Então se alguém nunca simpatizou com teorias anarquistas de organização social saibam que é um bom momento para tanto. Não são minhas primeiras opções, mas no Brasil de hoje se impõem como necessidade, não há como confiar nos serviços públicos brasileiros que via de regra são um lixo mesmo. Mas por que é assim? Em primeiro lugar devido ao corporativismo com este monte de leis protecionistas visando garantir os direitos dos trabalhadores, mas direitos esses que se opõem aos direitos de seus consumidores, clientes, usuários etc. A sociedade brasileira opta por garantir direitos a si, enquanto categorias profissionais e não como indivíduos tratados com isonomia. Esta é nossa característica, cuja cultura política solapa qualquer projeto de desenvolvimento.
Esses dias um amigo meu teve a moto roubada aqui perto de onde resido. Obviamente, na vã esperança de que nossos serviços de segurança fizessem algo digno de seu nome, se guiou para a delegacia de polícia fazer um B.O. Chegando lá teve que ouvir um sermão do escrivão praticamente dizendo que ele era o responsável porque “deu mole” ao não ter alarme, nem cadeado na moto. Acabaram discutindo e o escroto do funcionário jogou a caneta com força em cima da mesa ao que meu amigo revidou com mais força ainda após assinar. O clima azedou ainda mais e pasmem, o covarde com distintivo ainda fez uma pose ao se levantar para que a camisa subisse mostrando sua arma. Paspalho! E é desses paspalhos que estamos cheios por aqui. Digamos então que isto não corresponda à maioria, que seja, mas a quem podemos recorrer nesses casos? Que tipo de proteção temos? É tão inusitada uma cena dessas em países onde o estado de direito realmente existe que mesmo um servidor escroto desses jamais faria isto, se não estivesse mentalmente perturbado, que as chances de sofrermos este tipo de ameaça são mínimas. Aqui não, basta não baixar o olhar para algo crescer e sermos intimidados por gente que não se coloca no seu lugar e nesse caso não sabe o que é proteger e servir. A mentalidade não é de proteger e servir, mas de intimidar e se servir.
Bem... Eu acredito no liberalismo e, embora eu ache os sonhos anarco-capitalistas um tanto apressados, sem que tenhamos desenvolvido uma cultura política e instituições começo a rever meus conceitos. Não há como melhorar isto a que chamamos estado brasileiro. Esta podre estrutura estatal precisa ser extinta.

Deixo vocês com um belo engraçado vídeo desses que sonhamos que um dia seja nossa realidade:




quarta-feira, abril 20, 2016

Zoneamento, Segregação e Terrorismo


Localização dos protestos de 2005 e mapa de renda salarial média por bairro da grande Paris. Licensa CC BY-SA 3.0 e GFDL apud caosplanejado.com

Neste excelente artigo se especula como o zoneamento urbano e seu efeito de constituição de guetos contribui para a formação de "células terroristas", que foi o caso do Estado Islâmico na França e Bélgica. Excelente artigo. Aqui em Fpolis, anos atrás, um conhecido empresário do norte da ilha propôs ao ex-prefeito da cidade, hoje senador que se misturasse a população de uma favela a ser deslocada para o interior da cidade e não, como se previa e desejavam os grupos de residentes oficiais em audiências públicas, em guetos isolados. Ele já via como, pela sua própria experiência no ramo turístico, se integrava a comunidade em parcerias com empreendedores, o que não era o caso de quem se mantinha isolado e sem perspectivas em sua 'comunidade'.

Cf. Como o zoneamento e os conjuntos habitacionais favoreceram o Estado Islâmico
http://caosplanejado.com/como-o-zoneamento-e-os-conjuntos-habitacionais-favoreceram-o-estado-islamico/ 
via @caosplanejado

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segunda-feira, março 21, 2016

Nota de agradecimento ao PT


Anselmo Heidrich em manifestação, Florianópolis, 13/03/2016.

Anselmo Heidrich –
21 de março de 2016

Sabe... Não me recordo de ter alguma vez na vida este sentimento que agora aflora nas ruas, de amor pelo país. Estranho que ele tenha sido insuflado, justamente, por quem representa o exato oposto disto tudo: o Partido dos Trabalhadores. Vocês, do PT conseguiram unir a sociedade brasileira, em sua grossa maioria, contra o que representam: a corrupção, a impunidade, o autoritarismo, o ódio, a malícia e, principalmente, a falsidade.
         Um argumento usual para defender o PT, até pelos ditos “isentos” é que “a corrupção sempre existiu e não foi o PT que a inventou”. É verdade, mas o vírus da gripe também existia antes das vacinas e não é por isso que vamos deixar evoluir para uma pneumonia. O PT pode não ter inventado a corrupção, mas a desenvolveu para um “estado de arte”, assim como Pelé fez com o futebol, assim como Beethoven com a música ou Einstein com a sua revolução na física. É claro que se o impeachment da presidente Rousseff for realizado, teremos alguns anos para chegar à estabilização da economia e poder crescer de modo sustentável novamente. O estrago feito pelo PT nas contas públicas foi de tal monta que ainda iremos amargar até que possamos andar com nossas próprias pernas e não só devido à importações chinesas. Mas se não fizermos nada quanto a isto, quanto ao crime provado e, claramente exposto, do PT e sua base aliada, o risco será maior, pois afetará todas as instituições que ainda restam como idôneas. O problema da impunidade é que ela serve como retroalimentadora do crime que irá ampliar, caso deixemos passar incólume a quadrilha petista. No longo prazo, mais ataques ao erário serão feitos e justificados tendo com base que nada foi feito a respeito antes.
Quando vocês do PT procuram (e conseguem) aprovar projetos que amordaçam a liberdade de imprensa (que é a de expressão também) mostram sua face plenamente autoritária. Quando vocês do PT sempre tiveram um discurso de jogar uma classe contra a outra, uma raça contra a outra, uma orientação sexual contra a outra insuflando o ódio, como bem serviu de exemplo uma nefasta professora de filosofia da USP, vocês obrigaram as pessoas comuns que apenas desaprovavam seus programas a enojá-los. Obviamente eu defendo o direito ao contraditório, o direito que toda pessoa tem de se defender de acusações, injustas ou não. Mas amordaçar a imprensa tornando a mera opinião um crime não se encaixa nesta categoria. Vocês do PT conseguem usar um programa social, como o Bolsa Família de modo meramente eleitoreiro, político-partidário. Vocês conseguem fazer com que indivíduos pobres pensem que “sair da pobreza” significa se tornar eternamente dependente do estado e de benefícios sociais. Isto é malícia como política de estado... Parabéns, Maquiavel teria orgulho de vocês, pupilos dedicados à manipulação de seus currais eleitorais. Vocês conseguiram trazer a burrice como método de trabalho, quando se acusa o mensageiro e não a mensagem ao criticar um veículo de comunicação, uma revista, um jornal e não se o que se publica é verdadeiro ou não. Vocês conseguem porque conhecem sua militância, que não pensa, não reflete e não faz autocrítica.

         Vocês do PT, pela sua falsidade crônica que consegue até dividir a base de apoio e partidos de esquerda, nos uniram contra um inimigo perfeito. Parabéns! Vocês do PT encarnaram o vilão que toda sociedade precisa combater e trouxeram a união aos brasileiros com o resgate de sua autoestima. Ao ver do alto do caminhão milhares de bandeiras no mar de gente nas manifestações de Florianópolis senti nascer um orgulho de ser brasileiro que inexistia em mim. Obrigado por vocês serem uma antípoda necessária à nossa evolução. Obrigado PT por vocês serem o mal necessário à reação do bem, obrigado por nos darem a chance de lutarmos para extirpá-los, como se faz com um parasita... Que, aliás, é o que vocês definitivamente são.

        
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segunda-feira, março 14, 2016

O 13 de Março e seus Milhões de Mitos




Anselmo Heidrich


“Mitou”... É comum ouvirmos ou lermos de um garoto ao se deslumbrar positivamente com a atitude de outra pessoa. Domingo passado, na Avenida Beira-Mar Norte em Florianópolis, o tempo nublado com uma leve brisa me rejuvenesceu e eu vi dezenas de milhares de “mitos”. Quando cheguei em casa com minha família e pus meus filhos na cama pude sentar e conferir vídeos e fotos do que ocorreu no país há apenas algumas horas... Milhões de mitos! Nunca, nem mesmo pela campanha das Diretas Já esse país viu tanta gente se manifestando em prol de uma causa. E o mais impressionante, sem um caso agressão relatado. Isto já vem sendo prática há meses e por quê?
         Podemos procurar uma explicação sociológica ou até econômica, mas nada vai ser mais preciso que atentar para a sensação individual e estendê-la a outros que como nós estávamos em passeata, em formação marchando por algo, querendo união, mas sem se sentirem coagidos. Não houve um comando, mas houve uma voz dentro de cada um de nós chamada vontade.
         Fomos chamados de ingênuos, pelos menos severos e golpistas pelos cínicos. Houve quem racionalizasse “mas quem entrará no lugar dela em caso de impeachment?” Todos essas críticas, desde as honestas até as mais interessadas, nenhuma partiu do princípio de que erros intencionais não podem ficar impunes. Que mesmo que tenhamos que amargar um longo infortúnio para nos reerguemos, o faremos de alma lavada por saber que uma lição foi dada e que nosso alto preço significará um alívio para nossos herdeiros, para as gerações vindouras. Com tudo que sofremos, ouvimos, com tudo que riram de nós, fizeram chacota de nós, como se estivéssemos ora em um mar bravio, ora em uma calmaria sem esperança de vento renovador, sempre tivemos uma visão... Ao longe, um farol nos enviando seu sinal. Sinal de fé. Fé em nós, no indivíduo libertador da massa apática que nos oprime com a indiferença.
         Bem... O que assisti no dia 13 é que deixamos a indiferença de lado para fazer a diferença. Não haverá sítio, apartamentos, objetos presenteados por países aliados ou desvios de grandes empresas que nos tivesse custado mais do que a honra e a ambição perdidas, caso desistíssemos de seguir em frente com o processo de impeachment, caso nossa vontade apagasse, caso a fé nas instituições brasileiras e ambição de alcançar a justiça esfriassem. O que vi naquela tarde foi que conseguimos juntar esses três elementos... Vi idosos se arrastando atrás de caminhões com sons ensurdecedores, vi jovens bradando contra organizações corruptas que manipulam estudantes, vi casais sorrindo e erguendo seus filhos como se os presenteassem com esta festa cívica. Mas vi minha esperança renascer porque me ergui, levantei a cabeça e mirei no meu farol imaginário, cuja luz emitia vontade, fé e ambição. Eu e milhões de mitos vimos e fizemos isto.

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domingo, janeiro 17, 2016

Tristes Subtrópicos


Poluição de praia afasta turista de Florianópolis
ALINE TORRES - ESPECIAL PARA O ESTADO - O ESTADO DE S.PAULO
16 Janeiro 2016 | 17h 53
Em Canasvieiras, visitantes usam máscaras para amenizar o mau cheiro do esgoto; surto de virose tem 50 registros por dia
[http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,poluicao-de-praia-afasta-turista-de-florianopolis,10000007278]



Isto me faz lembrar um antigo desenho, cujo personagem dizia "eu não te disse, eu não te disse"... Meses atrás eu falava das péssimas condições de salubridade do município de Florianópolis à parentes gaúchos, particularmente porto-alegrenses que riam de mim, pois para eles isto aqui é o "paraíso" e não podia haver lugar melhor para se morar, trabalhar, enfim viver. Eu cheguei a argumentar que dos 17 anos que vivi em S. Paulo (capital), nunca fiquei tão doente quanto aqui. Claro que isto é algo que se diz no calor do debate, pois temos que considerar outras variáveis na questão, como quando eu vivi lá, era mais jovem e, portanto, mais resistente e, antigamente, eu também não tinha filhos (que contraem toneladas de vírus nas escolas). Quando eu escrevi minha dissertação de mestrado -- A Função Social daPropriedade na Ilha de Santa Catarina --, eu estava apenas repetindo uma tese já consensual de que quando não se tem a garantia da propriedade privada, o descaso ambiental é muito maior. Não que ela por si só seja uma garantia, como se pode ver na barragem da Samarco, que desabou em Minas Gerais, mas há uma tendência a não se arcar com custos quando o prejuízo pode ser socializado pela sociedade. E é isto mesmo que se vê quando os esgotos a céu aberto devido à ligações clandestinas ou rede pluvial ligada à rede de esgotos que associada à maior pluviosidade traz cheias e mau cheiro. Apavorados com o índice de casos de viroses diários? Imagine agora uma população que bebe água com suspeitas de contaminação durante o ano todo....

http://tj-sc.jusbrasil.com.br/noticias/2502404/casan-condenada-por-pessima-qualidade-de-agua-no-municipio-de-rio-do-oeste


Há mais por aqui: 
https://www.google.com.br/search?q=Sanmarco&rlz=1C1CAFA_enBR610BR610&oq=Sanmarco&aqs=chrome..69i57&sourceid=chrome&es_sm=0&ie=UTF-8#q=casan+p%C3%A9ssima+qualidade+da+%C3PlanetaÁgua​

Bem, de tudo sobra algo, a marquinha da máscara no rosto pode combinar com a do maiô...


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quinta-feira, dezembro 17, 2015

Minha participação no programa Conversas Cruzadas da TVCOM


Edição do programa Conversas Cruzadas da TV COM no qual participei. O tema foi a construção de marinas na Ilha de Sta. Catarina, as quais sou favorável por diversas razões. A mesa composta por empresários e advogada deveria contar também com um ambientalista, motivo pelo qual chamaram um colega, Halem Guerra Nery, que não pode ir e me indicou. Bem... Não sou exatamente um ambientalista, como se costuma chamar atualmente, mas tenho sim, como poderão ver, uma visão particular sobre a interação ambiente/sociedade. Aproveitem.

1º módulo – meu comentário aos 15:50:


2º módulo – Sem comentários meus neste módulo, mas carreguei o vídeo para dar sequência lógica aos seguintes:


3º módulo – Neste bloco já compenso, por volta dos 00:35 já sou inquirido:


4º módulo – Encerramento, curto, meu comentário aos 2:45:


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quarta-feira, novembro 25, 2015

Eu, na TV COM


Pessoal, amanhã estarei no Conversas Cruzadas da TV Com, em debate sobre marinas em Florianópolis. Não sei quem mais irá, mas quero desmistificar esta visão de que não é possível visão empresarial com sustentabilidade ambiental.
A gravação será às 12:30 e a transmissão por volta de 21h. Aqui está o site http://tvcomsc.clicrbs.com.br/ para acessar o vídeo (no banner abaixo). Ou, mais tarde, também disponível no youtube.

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quarta-feira, setembro 23, 2015

Os bárbaros vão à praia


 
Retratar 'arrastões' como conflito de classes ou o que é pior, de raças, realmente não capta toda diversidade da situação e por diversidade se entende fatos e dados que fogem ao enquadramento de teorias tradicionais de corte marxista ou racial (Imagem: blackwomenofbrazil.co).


Com relação aos recentes ataques, os chamados “arrastões”, aos banhistas no Rio de Janeiro é correto dizer que "os pobres vão à praia"? Sinceramente, a questão aí não é renda, não mesmo, mas modo (ou moda), que não se refere exclusivamente à vestimenta. Lembram-se dos rolezinhos? Pois é, o que aconteceu? Agora, alguém acha que o pobre deixou de ir ao shopping paulistano? Não, não mesmo, eles ainda estão lá, anônimos, mas com seus tênis de marca ou imitando marcas famosas e desejadas. A questão não é a renda do sujeito, mas o comportamento de grupo, ameaçador, exatamente isto. Não é classe contra classe, mas gangue contra indivíduo e a 'elite', tida como tal que se veste um pouco melhor, entendendo isto como algo mais caro simplesmente, reagirá da mesma forma, criando ou organizando gangues.[1] Ação e reação, análogo aquela que hoje vemos na nossa cultura política, na qual um partido que sempre se manifestou com ódio através de sua militância ensejou a criação de um sem número de movimentos e organização e páginas de internet que lhe devotam o mesmo ódio com juros. Aí no Rio de Janeiro, esta cizânia parece ter nítidas cores raciais quando se leva em conta o fator geográfico, “a favela contra o asfalto”, mas aqui em Santa Catarina, não... Em primeiro lugar porque aqui os pobres, na sua imensa maioria, também são brancos; em segundo porque não há uma causalidade exata pobreza/crime. Faz alguns dias, minha mulher acompanhada de nossos dois filhos entrou no drive thru de uma lanchonete fast food e atrás de seu carro, um outro veículo entrou em uma vaga apertada, mas o motorista estacionou mal e atrás dele outro, mais impaciente buzinou para entrar ao lado. Logo, o motorista do primeiro carro pediu tempo porque precisava tirar uma criança de uns 5 anos de dentro e, para qualquer um que seja pai, sabe como é difícil desamarrar crianças de cadeiras próprias, ainda mais quando um dos outros passageiros é um senhor de idade que também tem lá suas dificuldades. O motorista do carro que estava fora da vaga buzinou insistentemente e começou uma discussão, que logo partiu para as vias de fato. A mulher que acompanhava o 2º motorista saiu e começou a filmar a cena com seu celular, ao passo que o senhor de idade que parecia avô da criança do 1º carro dirigiu-se à mulher e a chutou para depois sair correndo com a criança pelo braço visivelmente nervosa balançando o outro bracinho. Minha mulher já tinha ligado para a polícia e não conseguia sair de perto da confusão, pois estava presa na fila e apavorada porque a garota com o 2º lutador lhe disse para não ir ao porta-malas "não, não no porta malas não"... Pelo visto deveria haver algum tipo de arma ali. Beleza. Bairro nobre...
Outro dia, ela foi ao centro evitando obras do norte da ilha (de Santa Catarina), no que arriscou ir pela Lagoa, no que tem que passar por uma estrada pouco utilizada, i.e., um campo perfeito para assaltos. Nisto, um carro lhe tirou um fininho e freava constantemente para fazê-la parar. Ela conseguiu sair dessa situação ao deixar outro carro lhe ultrapassar e ver o veículo ameaçador quase derrubar uma moto quando perdia o controle da direção. Detalhe: eles realmente escolheram-na para ameaçar, pois não perseguiam outros carros, mas reduziam para continuar o jogo de freada constante, quando ela se aproximou tentando ultrapassá-los novamente. Eles só fugiram quando a viram os filmando para pouco depois aparecerem duas viaturas correndo. Provavelmente já eram procurados por esta 'diversão'. Eu soube disto ontem, o que foi suficiente para estragar meu dia e me deixar mais paranoico com relação à segurança.
Vez que outra percebo homens da minha idade de cerca de 50 anos ou próximo disto comentando sobre lutinhas ou brigas de moleques, eles com suas barrigas de chopp, como se o prêmio por sua existência mofada fosse sentar no sofá fedorento assistindo UFC e bebendo sua cerveja aguada no fim do dia. Nada contra defesa pessoal, muito pelo contrário, mas o comportamento de quem põe um adesivo de jiu jitsu no vidro do carro é semelhante ao de quem fala que "comeu não sei quantas mulheres", mas se limita à várias masturbações diárias em sua solitude.
Às vezes penso em fazer campanha para o Bolsonaro, mas a saída nunca é de cima para baixo. Cada vez mais acredito que a guerra é cultural, de falar, falar e falar, expor com técnicas inteligentes na rede o ridículo da situação. Evidenciando quão patético tudo isto é, talvez em 10 anos tenhamos gente de melhor estirpe habitando nossas urbes. Sabe... Não que isto seja uma causa, mas a ausência de calçadas e praças são sintomas de falta de zelo e respeito de nós para nós mesmos. Assim como vagas apertadas não provocam brigas tolas de apressados no fast food, mas são consequência de quem não percebeu como cativar o cliente como consumidor fiel, apenas alguém que passe, leve o lanche sem se afeiçoar ao local. Cativar o cliente depende de gentileza, assim como querer andar nas ruas também. Qual a vontade de ir a um estádio de futebol se é um risco para sua família? Vivemos por acaso em um estado de topor e idiotia para não percebermos com isto nos afeta econômica e socialmente?[2] Para usar uma imagem conhecida, porém perfeita, o que estamos criando é uma multidão solitária.




[1] Após onda de arrastão, moradores prometem vingança nas redes - EXAME.com http://exame.abril.com.br//brasil/noticias/apos-onda-de-arrastao-moradores-prometem-vinganca-nas-redes via @exame_com. Acesso em 24 set. 15.
[2] O fator hostilidade - Sulconnection http://www.sulconnection.com.br/blog/gaucho-no-texas/91/o-fator-hostilidade via @sulconnection. Acesso em 24 set. 15.

segunda-feira, junho 22, 2015

Fanatismo ambientalista v. Lógica Econômica e Realidade Sociopolítica


Exceção feita ao comentário sobre "especulação imobiliária", que revela ignorância sobre o assunto, de resto eu concordo:

Olá Anselmo....
Veja link no Notícias do Dia:
Concordo com o comentário feito e que copiei abaixo:
"Conversa fiada! É melhor ter um bosque de pinheiros e eucaliptos do que nada ou um loteamento, que é provavelmente o que vai acontecer. Fizeram o mesmo com aqueles eucaliptos antigos lindos do mirante do Morro das Pedras sob a desculpa de que iam plantar espécies nativas e num lugar inóspito entre o asfalto e as pedras do mar, onde não há possibilidade de biodiversidade de qualquer forma. Cortaram todos os eucaliptos na Lagoa de Peri e ficou horrível e vazio. Não tem por quê a ilha inteira ser constituída somente de árvores nativas, quando já há bosques de árvores maduras com 40, 50 anos, mesmo que sejam de fora. Árvores desta idade deveriam ser preservadas de qualquer forma, independente da origem. Invasores são condomínios e loteamentos! Há muito o que ser preservado mas o inimigo da natureza em Florianópolis não são as árvores de fora e sim a especulação imobiliária e seus facilitadores. E convenhamos: sem estas árvores não há Parque do Rio Vermelho. Elas são o parque. Cortem elas e a maioria de nós vai morrer sem ver nada equivalente no lugar. Isso é um crime ambiental."
Não sei se podemos fazer algo...
abçs

É por aí mesmo (...). E o pior é que não serão condomínios com 20% de área pública com vegetação, porque estes estarão embargados, já que será ilegal construir. Daí o que virá? Adivinhe... Sem fiscalização e com corrupção como sempre, os loteamentos irregulares brotarão como cogumelos e caramujos depois da chuva. Este será o resultado da ignorância e fundamentalismo ambientalista destituído de considerações da lógica econômica e realidade política e social de nosso país. Triste. 


sábado, fevereiro 07, 2015

Pseudoecologismo é derrotado no Projeto Ponta do Coral em Florianópolis


O absurdo deste tipo de manifestação é achar que sempre se pode prescindir de investimentos privados e incentivar apenas projetos administrados pelo poder público. De onde que estes militantes acham que irão vir os recursos que são repassados para a criação de seus parques públicos? E por que diabos antes ninguém promovia um ato desses e só agora que o setor privado demonstrou interesse nesta área praticamente abandonada é que se movimentaram contra?Imagem: amaufsc.wordpress.com
O projeto Ponta do Coral finalmente é liberado em Florianópolis. Trata-se de um grande empreendimento em área pública para o desenvolvimento de um hotel de alto padrão que irá alavancar a indústria do turismo na capital. 
Cf. Prefeitura de Florianópolis libera licença para hotel de 18 andares na Ponta do Coral http://floripamanha.org/2015/02/prefeitura-de-florianopolis-libera-licenca-para-hotel-de-18-andares-na-ponta-do-coral/#sthash.JDhoE1Ll.uxfs via @sharethis
Inicialmente o que me causa muita estranheza é como um projeto que foi "fortemente combatido" pelo prefeito, como diz na matéria, de repente é liberado? Tem linguiça debaixo deste angu... Agora, além desta minha desconfiança, quanto à lei em si é de uma imbecilidade atroz que o novo plano diretor em (eterna) gestação limite as obras em uma área central a apenas seis andares. Tanto não funciona que o projeto se valerá do plano diretor antigo que ainda vigora, se entendi bem. Este ecologismo estúpido, que nada tem a ver com ecologia de verdade, diga-se de passagem desconsidera que área urbana é diferente de área de preservação. Além disto, esta visão de que temos que residir em imóveis baixos é ultrapassada. Quem disse que uma cidade mais horizontalizada é, ambientalmente falando, melhor? O espraiamento urbano eleva custos e, dentre eles o do combustível. Logo, maior será a poluição. Além disto, áreas de preservação tendem a ser tocadas e alteradas com maior número de casas ao invés de edifícios. 
Resido em casa, eu prefiro este tipo de moradia, mas não o faço por demagogia pseudo-ambiental e sim por preferência mesmo. Agora estagnar o desenvolvimento urbano impondo um gosto e padrão estético a todos os demais e que, ainda por cima, eleva os custos de administração e implantação da infra-estrutura é um equívoco. Quanto à obra, ainda tem que se dizer que os empregos diretos e, sobretudo, os indiretos são muito bem vindos. Esta capital sulina, com sua posição privilegiada entre duas metrópoles vizinhas e duas grandes cidades continentais (S.Paulo e B.Aires) não pode mais depender tão somente dos humores sazonais de um turismo limitado. O próximo passo agora é encher as costas insulares com suas mais de 40 praias de marinas. Já passou da hora.