terça-feira, fevereiro 13, 2018

Desigualdade Econômica nos EUA

As Causas da Desigualdade Social Brasileira


Em As quatro causas da desigualdade brasileira – SpotniksLeandro Narloch faz uma boa e sucinta análise sobre as razões do Brasil ser uma país tão diversificado do ponto de vista socioeconômico.
Aqui estão elas:

O Brasil é desigual porque é livre
(…) Suponha que, de repente, todo o dinheiro do Brasil é dividido igualmente entre todos os brasileiros. De um dia para o outro, nos tornamos um país mais igualitário que a Noruega; o coeficiente de Gini cai a zero.[1] O banqueiro Joseph Safra e o cobrador de ônibus acordam com o mesmo patrimônio.
Agora imagine que, no dia seguinte a essa revolução igualitária, surge na internet um canal de humor chamado Porta dos Fundos. Os humoristas do Porta dos Fundos escrevem roteiros geniais; os vídeos que eles lançam logo geram comentários e milhões de visualizações. Ao clicar tantas vezes em links do Porta dos Fundos, os brasileiros dão mais dinheiro a esse grupo de humoristas que a outros, criando a desigualdade no mercado de humor pela internet. O Porta dos Fundos ficaria com a maior parte da verba destinada a canais de comédia do YouTube, sem falar nos anunciantes que, por vontade própria, decidirão usar sua parte da renda dividida igualmente entre os brasileiros para contratá-los como garotos-propaganda.
A situação inicial, em que todos os brasileiros tinham a mesma renda, terá desaparecido.
(…)

O Brasil é desigual porque é diverso
(…) a mistura de povos diversos num grande país – explica boa parte da desigualdade de renda do Brasil. Uma causa importante da desigualdade brasileira é uma das qualidades que nos dá orgulho: a mistura de povos e culturas. O fato de tribos indígenas e imigrantes suíços donos do Burger King conviverem dentro das mesmas linhas imaginárias empurra a estatística para cima.
Se eu estiver certo, preciso provar que há uma Dinamarca incrustada no território brasileiro. Pois ela existe, fica no Rio Grande do Sul. Das quinze cidades mais igualitárias do Brasil, doze são gaúchas de origem alemã (dê uma olhada na tabela a seguir). A cidade com a renda mais distribuída do país, São José do Hortêncio, tem um índice de Gini de 0,28, abaixo dos 0,29 da Dinamarca. Não houve nessas cidades nenhuma política pública de redução de desigualdade, nenhum imposto sobre fortunas ou coisa parecida. O que explica a igualdade por lá é simplesmente a semelhança entre os cidadãos. Assim como os dinamarqueses, quase todos ali têm a mesma origem cultural, o mesmo nível de educação. E muitos têm origem luterana, como os dinamarqueses, o que historicamente contribuiu para a igualdade. “Comunidades protestantes trabalharam para difundir educação que garantiria que todos pudessem ler a Bíblia, o que tanto aumentou o nível de educação quanto diminuiu sua variação”, diz o economista Edward Glaeser. (…)
Em contrapartida, para achar os locais com maior desigualdade de renda, é preciso mirar nas cidades em que grupos bem diferentes moram juntos. É o caso das capitais, que atraem tanto o João Paulo Diniz, herdeiro da rede de supermercados Pão de Açúcar, quanto o ex-boia-fria que sonha em ganhar mil reais por mês como jardineiro do João Paulo Diniz. Mesmo Florianópolis e Curitiba, as duas capitais mais igualitárias do Brasil, estão acima da média nacional de desigualdade.
No entanto, por causa da classe média expressiva, as capitais não são as campeãs nesse quesito. As cidades mais desiguais são aquelas que reúnem um pedaço da Dinamarca, outro do Quênia e só. É o caso de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a cidade brasileira mais desigual. Com um índice de Gini de 0,80, ela supera de longe Seychelles, o país com renda mais concentrada no mundo (0,65). O motivo? Em São Gabriel da Cachoeira há apenas dois tipos de moradores: mais de 400 tribos indígenas, que formam 74% da população e não têm renda formal, e militares, médicos e outros agentes federais muito bem pagos. De fronteira com a Venezuela e a Colômbia, São Gabriel da Cachoeira é sede de batalhões e órgãos federais de vigilância. A cidade prova, como nenhuma outra, a importância da diversidade cultural para a desigualdade econômica. “Em países particularmente igualitários, como os da Escandinávia, a população é geralmente bem-educada e a distribuição de qualificação bem compacta”, afirma o economista Edward Glaeser. “Já países particularmente desiguais e em desenvolvimento, como o Brasil, são enormemente heterogêneos nos níveis de qualificação entre elites urbanas bem-educadas e trabalhadores do campo pouco educados.”
Talvez a miscigenação atue ainda de outra maneira. Provavelmente por vantagens evolutivas da lealdade de grupo, as pessoas tendem a contribuir mais com quem se parece com elas ou pertence à mesma identidade coletiva. Palmeirenses ficam mais contrariados com o dinheiro público gasto no Itaquerão que os corintianos. O economista Erzo Luttmer mostrou em 2001 que, nos Estados Unidos, o valor dos programas de redistribuição de renda é menor nos estados onde a população é mais diversa. “Se indivíduos preferem contribuir para sua própria raça, etnia ou grupo religioso, eles optam por menos redistribuição quando membros de seu grupo constituem uma parte menor dos beneficiários”, diz Luttmer. “Com o aumento da diversidade, a porção de beneficiários que pertencem a um grupo diminui em média. Então o apoio médio para redistribuição cai se a diversidade aumenta.” Isso leva a uma conclusão impressionante. Não foi o estado de bem-estar social que possibilitou a igualdade da Dinamarca, mas o contrário: a semelhança entre os cidadãos escandinavos possibilitou o estado de bem-estar social.

O Brasil é desigual porque as famílias pobres tinham muito mais filhos que as ricas
(…) mais filhos significam mais gastos – e menos dinheiro para investir na educação de cada um. “O número de filhos que um casal decide ter possui forte relação com o nível de educação que os pais conseguirão fornecer aos filhos”, dizem Hausmann e Szekely. Cada criança começará a vida com uma parte menor da renda dos pais e com menor escolaridade. Um estudo de 2014 mostra que até 40% da queda da desigualdade de renda são explicados pela queda na desigualdade de escolaridade.
Fica ainda pior. Crianças com pouca escolaridade, quando crescerem, vão concorrer no mercado por vagas de pouca qualificação, aumentando a oferta de trabalhadores não qualificados. Uma vez que salários, assim como qualquer preço, são definidos pela oferta e procura, o salário de pessoas não qualificadas vai cair, aumentando a diferença de renda entre pouco e muito qualificadas. O maior número de filhos ainda resulta numa poupança menor – e um país com menos economias tem menos capacidade de investimento.
(…)
O poder dessa máquina de desigualdade já foi calculado. Em 2010, 45,2% dos brasileiros eram donos de apenas 10% da renda do país, enquanto 5,9% dos brasileiros ficavam com 40% da renda. Como seriam esses números se a fecundidade de 1980 tivesse permanecido estável até 2010? Teríamos mais pobres dividindo os mesmos 10% e menos ricos desfrutando os 40% da renda nacional. “Se a natalidade não tivesse caído, as proporções comparáveis seriam de 62% e 4,1%, respectivamente”, diz a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Ipea.
O demógrafo Jerônimo Muniz, da UFMG, tem estudos similares. Ele calculou o que aconteceria com a desigualdade social no Brasil entre 1990 e 2000 se todas as variáveis, com exceção da demografia, ficassem constantes. Em 1990, a diferença de fecundidade entre mulheres pobres e ricas era bem menor que nas décadas anteriores, mas ainda existia. “Se a demografia fosse o único componente do cálculo, a proporção de pobres aumentaria 28% entre 1990 e 2000. Isso corresponderia a 42% da população. Já a desigualdade seria até 40% maior”, diz Muniz. Por causa da estabilidade da moeda e o crescimento (ainda que pequeno) da economia, houve um movimento modesto na direção contrária: a pobreza caiu 9% entre 1990 e 2000.
Estaria eu culpando a vítima ao dizer que as mulheres de classe baixa são responsáveis pela alta desigualdade do Brasil? Nunca me esqueço de uma vizinha da minha mãe que pagava menos de um salário mínimo para a empregada e não cansava de dizer que os pobres eram pobres porque nada faziam além de ter filhos. Não: culpa não é um conceito que funciona bem em economia. Os pobres provavelmente ficaram presos numa armadilha: sem dinheiro e informação, tiveram muitos filhos, o que os deixou com ainda menos dinheiro e informação. Não é correto culpar os pobres nem os ricos pela desigualdade. Basta entender que é a demografia, e não tanto a opressão das grandes empresas e do capitalismo, que explica boa parte da concentração de renda no Brasil.…

AGORA PRESTE ATENÇÃO: todos os fatores de desigualdade econômica aventados pelou autor, Leandro Narloch são sociais, isto é, dependem da sociedade se conscientizar e querer mudá-los, mas invariavelmente são confundidos com fatores políticos, como se bastasse pressionar representantes para proporem e executarem “reformas estruturais”. Ledo engano… Demografia, homogeneidade cultural, o ímpeto pelo estudo e a liberdade de mudar ou escolher o que fazer da vida, estudar, trabalhar etc. não são coisas que dependam de projetos de lei, votações, plebiscitos etc. NO ENTANTO, o próximo fator SIM. Quando nossa Esquerda e críticos do capitalismo atribuem toda e qualquer situação de desigualdade ao capitalismo estão enxergando um problema, mas atirando no alvo errado.

ENTÃO, qual é este ALVO?

ÊI-LO:

O BRASIL É DESIGUAL PORQUE O ESTADO ESCULHAMBA O PAÍS
Uma opinião comum nas discussões sobre economia é que, se o governo deixar, as grandes corporações vão avançar sobre os pequenos empresários e os ricos concentrarão toda a renda do país.
Não, é o contrário.
Grandes empresas recorrem a políticos para se tornarem monopólios. Empresários estabelecidos num negócio pressionam o governo para aumentar regras e exigências, dificultando a vida de possíveis concorrentes. Leis urbanísticas protegem o patrimônio dos ricos contra a desvalorização. E os brasileiros de classe A são quem mais recebe dinheiro público.
Quem diz isso é um cara de esquerda, o economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de 2001. No livro O Preço da Desigualdade, Stiglitz dedica todo um capítulo sobre ações do governo que deixam os pobres mais pobres e os ricos mais ricos. Seu principal alvo é o rent-seeking – a arte de conseguir benefícios e privilégios não pelo mercado, mas pela política. “O rent-seeking tem várias formas: transferências ocultas ou abertas de subsídios do governo, leis que tornam o mercado menos competitivo, leniência com as leis de proteção da competição, e regras que permitem às corporações tirar vantagem dos outros ou transferir custos para a sociedade”.
Stiglitz diz que a América Latina é rica em privilégio a grandes empresas – e ele está certíssimo. Dos casos recentes da política brasileira, o exemplo mais bem-acabado é o da Braskem, a maior petroquímica brasileira. A Braskem é a única fabricante nacional de diversas resinas plásticas usadas na fabricação de brinquedos, embalagens, cadeiras de plástico, carpetes, seringas, peças de carros e eletrodomésticos, tubos, canos – enfim, de quase tudo. Na média mundial, o imposto de importação de resinas é de 7%. No Brasil, era de 14%, mas em 2012 a presidente Dilma elevou a taxa para 20%. Na época, o aumento causou revolta, pois reverberaria em toda a cadeia de produtos plásticos made in Brazil. “A iniciativa beneficiará somente um monopólio instalado no país, o da Braskem, prejudicando toda uma cadeia produtiva e, o que é mais grave, os consumidores pagarão a conta”, escreveu José Ricardo Roriz Coelho, então presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico. Com os concorrentes estrangeiros fora do páreo, a Braskem pôde cobrar mais pelas resinas que vendia a 12 mil fábricas brasileiras. Entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014, o aumento dos produtos da empresa foi de 27,6%. Agora, adivinha quem controla a Braskem? Nada menos que a Odebrecht, empresa envolvida até a alma em escândalos de corrupção e propinas para o partido no poder. Durante a operação Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Yousseff disseram que a Braskem pagava propina em troca maiores lucros em contratos com a Petrobras.
Outros motores estatais de desigualdade não são tão fáceis de perceber. As leis urbanísticas, por exemplo. Em muitas cidades brasileiras, a prefeitura impõe um limite de área construída em relação à área do terreno. É por isso que o Brasil não tem prédios com mais de cem andares, como em qualquer lugar civilizado. A regulação urbanística cria uma escassez artificial de espaço urbano, empurrando o preço para cima. Esse fenômeno não é exclusividade do Brasil. Leis que dificultam a construção de prédios aumentam o preço dos imóveis em 800% na cidade de Londres e em 300% nas metrópoles Paris e Milão.


sábado, fevereiro 10, 2018

A Desigualdade Social pode ser boa?


O aumento da desigualdade pode ser benéfico à sociedade sob algum ponto de vista? Não? Então leia isso:
“E o que ajuda a aumentar a desigualdade, segundo o estudo que vocês realizaram?
“Basicamente são os salários e a previdência que contribuem com a maior parte da desigualdade. A tributação direta ajuda a reduzir a desigualdade. Isto é, o imposto de renda e as contribuições obrigatórias para a previdência promovem igualdade. Os tributos têm um peso muito maior – na ordem de vinte vezes – do que todas as políticas de assistência social juntas. Embora haja rendas que contribuem para aumentar a desigualdade, não se pode julgar isso superficialmente, nem toda contribuição para a desigualdade é intrinsecamente ruim. Por exemplo, quando o Estado contrata médicos, professores, enfermeiros, policiais, contrata pessoas que ganham mais do que os trabalhadores sem qualquer qualificação – que são a maioria da força de trabalho – acaba contribuindo para a desigualdade, mas isso não é intrinsecamente ruim. Veja bem, aumentar o salário das professoras do ensino primário para contratar professoras mais qualificadas é uma coisa desejável. Mas se fizer isso a desigualdade brasileira vai crescer. Isso porque as professoras, embora não ganhem muito bem, ganham mais do que a maioria das pessoas que têm pouca educação. Só que esse crescimento não é um problema grave. Aliás, isso também vale na outra direção, nem toda redução da desigualdade é boa. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, a desigualdade caiu muito nos países da Europa que foram destruídos, mas isso não foi bom, porque ninguém ganhou com isso. Não se pode fazer uma interpretação rasteira do que é bom e o que é ruim no comportamento da desigualdade. A redução da desigualdade é boa quando alguém ganha com isso, quando há redistribuição. Há situações em que aumentar da desigualdade pode ser justificável se os benefícios forem muito superiores aos custos.”
Já sei… Você é daqueles que não valoriza, mesmo que o conteúdo seja bom ou tenha bons argumentos lógicos etc. Ainda mais se for de um blog liberal-econômico, certo? Eh eh, pois bem, caso te interesse saber a fonte e se aprofundar no assunto, aqui vai:
Um conselho amiguinho: deixe a retórica ideológica de lado por alguns minutos e parta para a análise da realidade baseada em fatos e dados. Faz bem para não se perder nesta tormenta de interpretações mal fundamentadas que são as redes sociais nos dias atuais.
Anselmo Heidrich

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Quando Não Existe Crítica na “Teoria Crítica”

Apesar de formalmente romper com o marxismo, grande parte dos estudos pós-modernos mantém os velhos cacoetes de teorias revolucionárias ao enfatizar a imposição de novos objetivos, supostamente, moralmente superiores em detrimento da análise acurada da realidade.
Alguns excertos maravilhosos de um excelente texto:
“Afirmei que a ambição da “ciência social crítica” era ter não apenas uma ciência social guiada por comprometimentos normativos, mas também tornar esses comprometimentos explícitos. O maior problema dos livros que li é que quase que invariavelmente falharam nesta segunda parte. Era óbvio que os autores – com a exceção de uns poucos professores de direito – não faziam qualquer ideia de como elaborar um argumento normativo. De fato, pareciam incrivelmente avessos a sequer alegar claramente que tipo de padrões normativos estavam sendo empregados. O resultado é livros inteiros que têm o objetivo de fortalecer a resistência a coisas como o “neoliberalismo”, nenhum dos quais jamais explicitou o que é tal coisa e muito menos o que há de errado nisso.
“[N]otei há muito tempo que o termo “neoliberal” funciona como a peça mais importante do vocabulário criptonormativo nos estudos críticos. Para quem não sabe, o problema básico com o “neoliberalismo” é o seguinte: se trata de uma coisa inventada. É apenas uma palavra que Foucault popularizou para falar sobre ideias econômicas que não entendia. Não há um grupo de pessoas por aí que efetivamente se descrevam como neoliberais. Por conta disso, não há limites para o que o termo pode referir, e não há ninguém para responder a qualquer das críticas que lhe são feitas. Compare-se isso com termos como “conservador” ou “libertário”. Porque há pessoas reais que se auto-intitulam “libertárias”, se você escrever algo que critica o libertarismo, um libertário de verdade pode escrever de volta e contestar o que você disse. No caso do “neoliberalismo”, por outro lado, você pode dizer o que quiser sem medo de que um neoliberal da vida real escreva de volta e conteste as suas alegações – porque não há qualquer um. Como resultado, as pessoas que usam esse termo na sua escrita estão basicamente anunciando, de antemão, que a sua audiência pretendida é a câmara de eco da esquerda acadêmica. Afinal de contas, se quisessem se engajar em debates com as pessoas fora dessa câmara, teriam que se direcionar a uma ou mais das ideologias que são efetiva e conscientemente adotadas por pessoas exteriores a ela. (A este respeito, as pessoas que criticam o neoliberalismo são os leões covardes da academia. Se você acha que tem coragem, por que não sair e encontrar alguém verdadeiramente de direita para debater?)
“A ironia, é claro, é que, porque os seus praticantes não parecem saber como elaborar argumentos normativos, os estudos “críticos” acabam por ser incrivelmente dogmáticos. Os estudantes devem considerá-las completamente desconcertantes. Embora supostamente estejam sendo ensinados a “pensar criticamente” sobre o mundo, são muito enfaticamente desencorajados de pensar criticamente sobre o que está sendo dito nos livros que se propõem a ensiná-los a pensar criticamente sobre o mundo.
“Não é assim – repita-se – que a teoria crítica deveria ser feita.”
Joseph Heath
Revisão de Desidério Murcho. Publicado originalmente no blog In Due Course.
Continue lendo aqui: Crítica

domingo, fevereiro 04, 2018

Foro de São Paulo é Espantalho Político


O Foro de São Paulo é um espantalho político, isto é, um evento que tomou proporções teóricas maiores do que o fato em si. Qualquer um dos chefes de estado, eu disse qualquer um, até mesmo o Bolsonaro teria que estar presente a um evento desses, até mesmo para sondá-lo e se preparar para contrariá-lo. Este é um dos princípios básicos da diplomacia e convém manter os amigos perto, mas os inimigos mais perto ainda. Claro que se você é daqueles que comunga paranoias coletivas e teorias da conspiração irá querer ampliar o real efeito e praticidade de uma reunião, cujos resultados foram pífios se pensarmos em escala continental e sua principal consequência, digamos que fosse uma consequência, o regime bolivariano da Venezuela foi um total fracasso. Então, a proposta de Fidel Castro (no evento citado) de “retomar na América Latina tudo que perdemos na Europa Oriental” não passou de mais uma bravata daquela múmia política que ainda, na sua fase de cadáver é adorada por uma legião de pseudo-intelectuais dos cursos de Humanas no Brasil.  Meu conselho, nunca avalie os fenômenos pelo que se diz dele, mesmo seus porta-vozes, mas o faça pelas suas ações ou efeitos concretos.

Anselmo Heidrich
2018 02 04

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Por que eu não acredito no que chamam de "Marxismo Cultural"


Eu entendo o termo ‘cultura’ a partir do marxismo como reflexo do que Marx entendia pela ‘estrutura da sociedade’, i.e., a contradição entre relações de produção e forças produtivas. Nesta perspectiva marxista, original, não há espaço para uma ‘autonomia’ da cultura em relação a este par dialético. Religiões, ideologias, doutrinas etc, tudo do campo das ideias se tronam mero ‘reflexo’ do que ‘vem antes’. Já, quando se revitaliza o marxismo no século XX, mas mesclando-o com outras filosofias, como o existencialismo ou a psicanálise advém o fenômeno do ‘marxismo heterodoxo’ que, a partir dos anos 60 contribuiu para o fenômeno da chamada ‘contracultura’. O que temos aí então é menos marxismo e mais ‘voluntarismo’ seguindo a tradição de movimentos anarquistas criticados por Marx por não saberem detectar as ‘condições propícias’ ao advento revolucionário e quererem fazer sua revolução a partir da mera vontade. Por isso que marxistas antigos chamavam sua filosofia de ‘ciência’ crendo, erroneamente, que haveria uma ‘lógica histórica’ que prediria quando, como e onde a revolução poderia ocorrer. O que temos hoje em dia por nossas esquerdas é uma agenda política que parte de uma filosofia do ativismo, aqui e agora que não tem nada a ver com a filosofia original marxista, exceto por seu ódio e incompreensão da história e do capitalismo.
Em tempo, eu sou anti-marxista, mas prefiro focalizar bem o inimigo para saber onde ‘estou atirando’. Considero o termo ‘marxismo cultural’ uma conveniência política, mas não uma congruência teórica.

Anselmo Heidrich
2018-02-02

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Saúde em Cuba? Não, obrigado!

No Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano de Apuleyo, Mendoza e Montaner tem uma análise interessante, na qual me inspirei:
“Alguém ainda pode nos sugerir que Cuba, apesar de todos ‘contratempos’ conseguiu desenvolver eficazmente um sistema social de saúde realmente popular… bem, segundo a OMS, a relação médico/habitantes minimamente aceitável deve ser de 1 para 1.000, Cuba tem 1 para 220. Isso nos levaria a uma conclusão imediatista de que a ditadura castrista teria uma notória preocupação com a saúde de seu povo? Vejamos com mais vagar: a Dinamarca que é uma reconhecida nação de primeiríssimo mundo, tem cerca de 1 médico para cada 450 habitantes. O que isto significa? Que Cuba tem um nível social melhor do que a Dinamarca? Será que a Dinamarca teria que fazer uma revolução em direção a um comunismo sanguinário emoldurado pelo paredón para aumentar a oferta de médicos ou Cuba é quem tinha que aprender e aprimorar o conceito de eficácia de seus médicos não inflando a estrutura estatal de funcionários ineficazes? Mas o que se pode esperar de um país que tem como emprego ‘entregador de senha’ para ser atendido em seus botecos com o pôster de Che Guevara emoldurando as paredes? Insano, simplesmente insano.”
Anselmo Heidrich

terça-feira, janeiro 30, 2018

Jordan Peterson, Marcia Tiburi e Kim Kataguiri



Mas o importante é que lá (Canadá, Reino Unido etc.), eles apreciam o debate. Por pior que ela seja, eles discutem. Agora pense, quem de opinião oposta já foi chamado para debater assim? Recentemente, a Márcia Tiburi se negou a debater com Kim Kataguiri. Percebeu como somos diferentes? E nossa direita, anti-petista, os bolsominions repetem exatamente o mesmo padrão dos petistas, esquerdistas etc. Aqui se foge do debate e há uma razão para isso: por que se lê pouco, as palavras têm pouco apreço.



Interceptor: Jordan Peterson "pegando" uma jornalista: Eu gosto desse sujeito e o jeito que ele pegou ela foi uma coisa... Cirúrgica, bonito de se ver mesmo. É esse tipo de senso lógico, de capac...

OPINIÃO: CAOS NO CEARÁ

Excelente análise: https://youtu.be/efhsqM3FmZw, ele ressalta como nossa mídia está apática com a situação de violência no país.

ACHO QUE nunca compartilhei tanto um vídeo quanto esse. Se nota, SE NOTA que tu está sob forte carga emotiva e se contendo para passar a mensagem objetivamente. Difícil, difícil mesmo. Infelizmente por esta situação, mas felizmente por teu trabalho podemos ter noção do absurdo quem que se tornou o "experimento sociológico" chamado Brasil. (minha mensagem e repassem por favor)