sábado, agosto 24, 2019

A devastação da imagem do Brasil - William Waack comenta

William Waack sobre os erros na postura governamental sobre a crise envolvendo a Amazônia: https://youtu.be/37Hdjwy_HmA

quinta-feira, agosto 22, 2019

O que se espera que o governo faça quanto a Amazônia

O que se espera de um governo em um momento de crise?
Um plano de contigenciamento, de socorro e um preventivo. O caso dos fogos da Amazônia, particularmente em Rondônia tem servido para uma coisa: mostrar a total incompetência e inabilidade deste governo federal.
Antes que me acusem de “petista” deixe-me dizer, os governos petistas mantiveram médias de incêndios maiores do que em 2019 (Bolsonaro), ligeiramente maiores, mas maiores. Então o problema vem de longa data e a incompetência não é exclusividade deste ou daquele partido, desta ou daquela liderança, da “direita” ou da “esquerda”, ela é institucional.
Há uma farta, eu disse farta literatura sobre desenvolvimento sustentável e não me venha com essa de “papo de ecochato”, “ambientalista melancia” (verde por fora e vermelho por dentro), apenas ouse entender, deixe de ser ignorante e se debruce em cima do material científico que realmente existe.
Propostas de como capitalizar pequenas comunidades inserindo-as no mercado para lucrar mantendo uma produção não predatória que vai das bases de Amartya Sen até técnicas de produção que unem conceitos agronômicos e ecológicos.
A biomassa da floresta equatorial é rica em compostos que podem ser aproveitados pela indústria farmacológica, de cosméticos à medicamentos. Frutas podem ser comercializadas em cadeias produtivas para atender os mercados das cidades brasileiras ou do exterior através de vias fluviais e sistema portuário, tudo bem alinhavado com suporte de marketing, promoção via relatórios e press releases de agências não governamentais, incluindo a própria ONU, documentários etc. Mas, não, o que prefere nosso governo de estúpidos?
O que prefere? Acusar ONGs de atear fogo na mata, o que não é impossível, mas qual animal pode acusar sem provas e deixar por isso mesmo pondo a cabeça debaixo da areia? Qual?
Estes exemplos que dei não tem nada a ver com um suposto “retorno à natureza intocada”, nada, até porque esses métodos de “limpeza do terreno” para o plantio são herança indígena – a coivara – e não há nada de eficaz neles para se manter a produtividade que queremos. Mas endossar o desflorestamento para introdução de pastagens para pecuária extensiva é mais uma garantia de ampliar a propriedade (via usucapião) do que propriamente de produção lucrativa. Já houve tempo em que o Brasil tinha mais cabeças de gado bovino do que população humana e aqui ninguém come um boi por ano.
Então, há mais desconhecimento e irregularidades no meio amazônico que em outras regiões brasileiras. Ora, se aqui mesmo na Ilha de Santa Catarina há muita irregularidade na obtenção de terrenos (por meio de posse) com “contratos de gaveta” imaginem nesses grotões do interior do Brasil.
Agora, é uma tosquice que enche o saco ver gente se aproveitando de um problema para disseminar sua agenda política e nada mais: a esquerda dizendo que “este governo está promovendo a destruição da floresta”, ajudada por um inábil ministro do meio ambiente que não sabe propor nada sobre a pasta que comanda e a direita simplesmente acusando a esquerda de fazer drama ridicularizando-a porque uma moça tatuou uma girafa no rosto onde escreveu “pray for the Amazon”.
A primeira medida que gente séria deveria adotar é:
1) conhecer os fatos;
2) propor soluções de curto prazo;
3) planejar medidas de longo prazo.*
No mínimo.
Depois se critica o que o idiota do Boulos disse, o que a Gleisi comentou, o que fulaninho ou sicraninha disseram.
Ficar nesta bola dividida de “antes foi pior” ou “agora é que é o caos” não mostra nada além de picaretagem explícita de ambos os lados.
Pelo menos eu ficaria feliz se soubesse que esta crise prejudicaria estes dois pólos de extremistas inúteis, mas não, apenas quem tiver o melhor esquema de marketing sobreviverá espalhando sua deturpação mais emotiva.
E la nave va.
Anselmo Heidrich

*Tenho algumas sugestões que vão além da “economia verde” para a região. Na sequência…🙃

quarta-feira, agosto 14, 2019

Demissão de Andrei Bohdan, atual Chefe do Gabinete do Presidente Zelenski

Andriy Bohdan

Andriy Bohdan foi o nome indicado para formação da equipe do presidente Zelenski para exercer a função de Chefe da Administração Presidencial, um cargo de alta confiança. Seu nome envolveu polêmicas na indicação por ter trabalhado com o conhecido oligarca ucraniano, Ihor Kolomoisky, representando-o em julgamentos sobre a estatização do PrivatBank*. Bohdan também foi Vice-Ministro da Justiça, entre 2007 e 2010; Vice-Ministro do Gabinete de Ministros, entre 2010 e 2011; e Comissário do Governo para Questões de Combate à Corrupção, entre 2013 e 2014.
Seu currículo impressiona, não fosse o fato de que entre 2010 e 2014 o Presidente fosse Viktor Yanukovych, identificado como o responsável pela repressão dos protestos do Euromaidan entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014, que acabou se refugiando na Rússia.
Pela Lei da Lustração de 2014, em seu Artigo 3, Parágrafo 5, tal cargo — de Chefe da Administração Presidencial — está entre os que ser ocupados por funcionários que estavam no poder entre 25 de fevereiro de 2010 a 22 de fevereiro de 2014, podendo retornar às funções públicas somente em 2024.
Em transmissão televisiva em 21 de maio, Bohdan se desculpou, afirmando, no entanto, que a lei não era justa, pois, graças a seu trabalho combatendo a corrupção acabou com desvios da ordem de 2 bilhões de grívnias, aproximadamente, 313,4 milhões de reais, na cotação de 9 de agosto de 2019. Bohdan poderia estar sendo vítima de perseguição política, pois, segundo sua afirmação, um dos responsáveis por esse esquema de corrupção, cujo nome não forneceu, teria ajudado a criar a referida lei. Ainda disse que ao ser adotada a Lei da Lustração posições como Chefe da Administração Presidencial e seus adjuntos deixaram de ser considerados cargos públicos, portanto, a mesma lei não se aplicaria a ele.
Zelenski afirmou já ter dispensado Bohdan do cargo, após uma petição exigindo sua demissão baseada na referida Lei. Mas, a estratégia presidencial foi emitir um Decreto demitindo-o como Chefe da Administração do Presidente em 25 de junho de 2019, após ter criado o cargo de Chefe de Gabinete do Presidente em 20 de junho, no qual realocou Bohdan.
A atitude do Presidente foi mal recebida e, embora Andriy Bohdan tenha se justificado, afirmando que o cargo que ocupava não é considerado como público, a Lei da Lustração, em seu Artigo 2, parágrafo 5, é clara sobre quais cargos não poderiam mais ser exercidos por quem participou do governo Yanukovych, começando, inclusive, com o de “Chefe da Administração do Presidente”.
Em 17 de abril, poucos dias antes da votação do segundo turno da eleição presidencial, que já tinha Zelenski como favorito, jornalistas relataram uma suposta reunião de Andriy Bohdan com Stanislav Shevchuk, então Presidente do Tribunal Constitucional, o que causou protesto e seu julgamento foi adiado.
Bohdan construiu sua imagem na política lutando contra a corrupção e este legado é o que o mantém firme contra os ataques de seus opositores. A questão toda seria de fácil resolução, não fosse pelo fato de que estes opositores também se utilizam da lei para atacar antigos inimigos políticos ou aqueles que de uma forma ou outra colaboraram com o governo destes.
Veja qual foi o golpe de mestre do Presidente Ucraniano para driblar o desejo da oposição em demitir um assessor especial, Andriy Bohdan, ex-Chefe da Administração Presidencial : Demissão de Andrei Bohdan, chefe do Gabinete do presidente Zelenski
Logo da Agência Nacional de Prevenção da Corrupção


Como já apresentado antes, a sobreposição de poderes constitucionais na Ucrânia, assim como em qualquer país, ameaça a democracia e o frágil equilíbrio de forças políticas e sociais obtidas graças a este regime. Por outro lado, não raro, uma lei pode servir como instrumento para perseguir inimigos políticos que atuaram corretamente, se alguma falha ocorrer em sua atuação ou posição, o que parece ser o caso de Andriy Bohdan.
Segundo a Lei da Lustração, que, conforme apresenta, visa a “purificação do poder político” no país, Bohdan deveria ficar afastado dez anos do poder a partir de 2014, podendo então retornar à vida pública em cargos governamentais somente em 2024. Isto não o impede de seguir atuando como cidadão ucraniano em outras atividades, inclusive aconselhando o Presidente. A questão que se coloca, no entanto, é se vale a pena um jogo de forças de Vladimir Zelenski contra seus opositores em prol da sociedade ucraniana.
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Nota:
O PrivatBank foi estatizado como parte da estratégia de reorganização do sistema bancário apoiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Banco era acusado de práticas fraudulentas de empréstimo e “lavagem de dinheiro”.
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Fontes das Imagens:
Imagem 2 Logotipo da Agência Nacional para a Prevenção da Corrupção — A Agência Nacional para a Prevenção da Corrupção(NACCé o órgão executivo para formação e implementação de políticas de combate à corrupção” (Fonte– АвторTohaomg — Власна робота, Суспільне надбанняPublic Domain]): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=59911547

Originally published at https://ceiri.news on August 13, 2019.

sexta-feira, agosto 09, 2019

Após ‘Cristo desgovernado’ da era Dilma, imagem do Brasil tem nova baixa...

O significado das eleições parlamentares na Ucrânia

Fachada do Verkhovna Rada (Parlamento da Ucrânia)

A Ucrânia realizou suas eleições parlamentares no dia 21 de julho (2019). Seu Parlamento, a Verkhovna Rada, é eleito sob o regime de voto misto, no qual metade das 450 vagas são distribuídas em listas de partidos* e a outra em distritos eleitorais de um único membro**. Nestas eleições, o presidente Zelenski teve sua segunda grande vitória no ano, com seu partido — o Servo do Povo — obtendo a maioria das cadeiras do Parlamento, mais de 43%. Com o Poder Executivo e Legislativo em suas mãos haverá pouca dificuldade para aprovar sua pauta de reformas.
Observa-se que apesar da guerra travada no leste do país há cinco anos, a Ucrânia deu mostras de sua resiliência na defesa do regime democrático. Com a menor participação (49,8%) da população na história ucraniana, a eleição parlamentar referendou a eleição presidencial que levou Vladimir Zelenski ao poder, obtendo 254 cadeiras das 450 disponíveis no Parlamento.
Diagrama do Parlamento formado em julho de 2019




Em um segundo lugar, afastado, tivemos o Plataforma de Oposição — Pela Vida, de Yuriy Boiko, do qual já se aventava uma representação razoável, mas bem menor do que a que já houve dentre os partidos pró-russos. Em terceiro e quarto lugares tivemos os partidos União Pan– Ucraniana “ Pátria”, de Yulia Tymoshenko, e o Solidariedade Europeia, de Petro Poroshenko, respectivamente, de centro-direita e centro-esquerda. Interessante notar que suas participações nos resultados são muito próximas. Ambos os partidos são liderados por políticos tradicionais que, inclusive, já ocuparam altos postos no escalão da política nacional, Tymoshenko como Primeira-Ministra (2005; 2007–2010) e Poroshenko como Presidente (2014–2019).
Logo atrás desses partidos, a surpresa, o partido Voice, do músico Sviatoslav Vakarchuk (que já fora deputado em 2007), fundado em maio de 2019 e de orientação pró-europeia. Trata-se de um fenômeno similar ao que levou Zelenski e o seu Servo do Povo ao poder, pautado na busca de novos rostos para política e com um discurso de renovação para fortalecimento do Estado: “Devemos destruir o inimigo interno e nos tornar fortes diante do inimigo externo”.
Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Lista de Partidos




Grupos considerados como de extrema-direita, por sua vez, reduziram sua participação. Em 2014, dois candidatos às eleições presidenciais de partidos como Svoboda e Setor da Direita, respectivamente, Oleh Tiahnybok e Dmytro Yarosh, obtiveram 1,2% e 0,7% dos votos do eleitorado. Juntamente ao National Corps, tais partidos obtiveram apenas nove cadeiras nas eleições parlamentares. Já na eleição presidencial deste ano (2019), outro candidato desta linha política, Ruslan Koshulynskyi, alcançou apenas 1,6% dos votos. Nas eleições parlamentares de julho de 2019, o único partido concorrente deste grupo, o Svoboda, apoiado pelo National Corps e pelo Setor da Direita, alcançou 2,2% com apenas um candidatoganhando a votação.
Outro dado interessante na política ucraniana é a participação feminina em ascensão. Apesar do novo Código Eleitoral estabelecer cotas de participação feminina, ele entrará em vigor somente em 1º de dezembro de 2023. Nestas eleições, a presença de mulheres entre os candidatos eleitos passou de 12% para 19%, tanto no partido do ex-presidente Poroshenko (o Solidariedade Europeia), quanto no do atual mandatário (o Servo do Povo), e no estreante (o Voice), com 40%, 27% e 44,4% dos eleitos, respectivamente.
Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Candidato Único por Distrito Eleitoral




Vladimir Zelenski e seu Servo do Povo foram os grandes vitoriosos este ano. Eles obtiveram ampla aceitação, referendada pela participação popular nas urnas. Eles poderão formar todo o governo e aprovar qualquer indicação presidencial para os cargos de Procurador Geral, Chefe de Serviço de Segurança, Ministro das Relações Exteriores, entre outros. Política externa e interna serão controladas com fácil consenso. Além disto, a aprovação de leis sofrerá pequena oposição, exceto para Emendas Constitucionais, para as quais são necessários um mínimo de 300 legisladores. Neste ponto, sim, o poder de articulação terá de entrar em ação.
O voto no Servo do Povo foi um voto em prol de uma agenda reformista, mesmo que se considere que os apoiadores financeiros do Partido possam sair beneficiados. No entanto, o incomum são as propostas contra vantagens destinadas ao sistema político. O Partido quer tirar a imunidade dos parlamentares e introduzir um mecanismo para removê-los do cargo, além de Referendos sobre questões cruciais de importância pública. Sua proposta mais controversa visa criar um Projeto de Lei que proíbe qualquer funcionário do ex-governo Poroshenko ocupar cargos públicos.
Observadores consideram que a luta contra a corrupção na Ucrânia é tão importante, se não mais, que a luta contra inimigos externos. Mas, apontam que a ansiedade em a travar pode levar à introdução de mecanismos autoritários que tornem o Estado Ucraniano uma arena política onde o Legislativo se sobreponha ao Judiciário. No país, as mudanças são vistas como bem-vindas, mas requerendo debate e transparência.
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Notas:
Representação Proporcional por Lista de Partidos corresponde ao sistema de votação que favorece a representação proporcional em eleições, nas quais vários candidatos são eleitos através de uma lista eleitoral.
** Distritos Eleitorais com Membro Único corresponde ao sistema eleitoral que indica o candidato de sua escolha em uma cédula. Apesar de comum, não é um sistema universal e é praticado em cerca de um 1/3 dos países.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Fachada do Verkhovna Rada (Parlamento da Ucrânia)” ( Fonte): https://web.archive.org/web/20071005120059/http://portal.rada.gov.ua/control/uk/publish/category/system?cat_id=46656
Imagem 2 Diagrama do Parlamento formado em julho de 2019” ( Fonte — adaptado): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Verkhovna_Rada_2019.svg
Imagem 3 Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Lista de Partidos”( Fonte — By Tohaomg — Own work [based on data from the website of State voters register], CC BYSA 4.0): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=77631482
Imagem 4 “Resultados das Eleições Parlamentares de 2019 por Candidato Único por Distrito Eleitoral” ( Fonte — By Tohaomg — Own work [based on data from the website of State voters register], CC BYSA 4.0): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=80705720




Originally published at https://ceiri.news on August 6, 2019.

O MINISTRO SINISTRO - EDUARDO BUENO

segunda-feira, agosto 05, 2019

Classificar para Controlar

Aprendizes de déspotas têm dito que “o esquerdismo é uma doença mental” e Humberto Eco disse que a internet dava voz aos idiotas, mas eu acho que é pior do que isso, ela veicula os tiranetes que existem aos borbotões. Imagine agora se todos dos quais discordo eu tipificar como “doente mental”, “transtornado” etc. e tal? Esta realidade extraordinária, surreal mesmo é típica de um romance de Machado de Assis – O Alienista -, no qual o médico acaba colocando todos habitantes da cidadezinha no manicômio para depois descobrir que ele próprio era o “anormal”. E pior que isso aí é o típico eleitor bolsonarista dos dias de hoje, um sujeito que vê na divergência, doença e como tal não irá vacilar quando tentar nos colocar uma camisa de força. E isso começa tentando nos calar para que os vizinhos não ouçam nossos gritos.


Anselmo Heidrich

5 ago. 19