segunda-feira, setembro 28, 2015

A teoria dos "ódios de classe" e a massificação dos intelectuais brasileiros


A teoria dos "ódios de classe" e a massificação dos intelectuais brasileiros

Utilizando como fio condutor uma entrevista do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira tecemos breves considerações sobre as origens, os desdobramentos e a influência exercida pelo que chamamos "Teoria dos Ódios de Classe". Inicialmente formulada por intelectuais como a filósofa Marilena Chauí (USP) tal ideologia permeou a mídia e o cotidiano, bem como a academia e os negócios

José Roberto, 2 de março de 2015 
A semana que se iniciou, assim como a anterior, assim o fez sob efeito de mais uma manifestação de intelectuais acadêmicos com respeito aos rumos da política nacional, o aprofundamento dos prospectos de crise econômica e recessão e de expectativas pessimistas de deperecimento institucional do país.
Desta vez, ao invés de se verificar que o protagonista dos eventos era um petista histórico o que se tem é justamente a mensagem de um ex-ministro do governo tucano que precedeu o do Partido dos Trabalhadores. A saber o economista Luiz Carlos Bresser Pereira.

16 de Agosto


Notícias do Dia, Florianópolis, 12 mar 2015.

"Neoliberalismo" não existe... ou de longe nem todo mundo é igual.


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"Neoliberalismo" não existe... ou de longe nem todo mundo é igual.
Por José Roberto Bonifácio*
Os anos se vão e algumas polemicas sempre permanecem. Mesmo que o foco da atenção
sobre elas oscile de tempos em tempos, ora encobrindo-as, ora explicitando-as.
Quando se tratam de ideias político-econômicas isto não deixa de ser verdade. Assim o é, por
exemplo, com o “Neoliberalismo”, que, não bastasse o prefixo “neo” e o sufixo “ismo”
agregados ao substantivo “liberal” (para alguns é adjetivo altamente pejorativo), já suscita as
mais intensas e duradouras controvérsias.


sexta-feira, setembro 25, 2015

"Não Existe Direita", "Não Existe Oposição no Brasil". Sobre lugares comuns, falácias argumentativas e o que elas ocultam.



São muito correntes no discurso hodierno, da imprensa, formadores de opinião, redes sociais, blogosfera e tais quais aqueles argumentos ou teses de que "não existem partidos direita no Brasil" ou ainda de que  "não existem partidos de oposição no Brasil".
As duas assertivas quase sempre se sobrepõem e, quando combinadas lógicamente, engendram o corolário de que a democracia brasileira se acha ameaçada ou sob risco de extinção por métodos autoritários .“Ditadura comunista” ou “ditadura bolivariana” são termos que completam ou acompanham frequentemente este tipo de diagnostico.

quarta-feira, setembro 23, 2015

Adeus aos pobres...


A euforia de vender para a “baixa renda” acabou. A partir de agora, a empresa que quiser sobreviver precisará se preparar para servir não à alta, mais a “altíssima renda”, porque até a “alta renda” está adiando o consumo para ver no que vai dar esse imbróglio todo da economia brasileira da atualidade.
A euforia da “baixa renda” surgiu como resultado de uma complexa e ampla rede de causas tecnológicas e condições propícias. A liberação da Internet para uso público em 1995 e sua extraordinária expansão nos anos 2000 aliada à popularização da telefonia móvel e da banda larga permitiu às economias industrializadas terem um aumento extraordinário da produtividade, o que gerou um crescimento econômico global sem precedentes.

Os bárbaros vão à praia


 
Retratar 'arrastões' como conflito de classes ou o que é pior, de raças, realmente não capta toda diversidade da situação e por diversidade se entende fatos e dados que fogem ao enquadramento de teorias tradicionais de corte marxista ou racial (Imagem: blackwomenofbrazil.co).


Com relação aos recentes ataques, os chamados “arrastões”, aos banhistas no Rio de Janeiro é correto dizer que "os pobres vão à praia"? Sinceramente, a questão aí não é renda, não mesmo, mas modo (ou moda), que não se refere exclusivamente à vestimenta. Lembram-se dos rolezinhos? Pois é, o que aconteceu? Agora, alguém acha que o pobre deixou de ir ao shopping paulistano? Não, não mesmo, eles ainda estão lá, anônimos, mas com seus tênis de marca ou imitando marcas famosas e desejadas. A questão não é a renda do sujeito, mas o comportamento de grupo, ameaçador, exatamente isto. Não é classe contra classe, mas gangue contra indivíduo e a 'elite', tida como tal que se veste um pouco melhor, entendendo isto como algo mais caro simplesmente, reagirá da mesma forma, criando ou organizando gangues.[1] Ação e reação, análogo aquela que hoje vemos na nossa cultura política, na qual um partido que sempre se manifestou com ódio através de sua militância ensejou a criação de um sem número de movimentos e organização e páginas de internet que lhe devotam o mesmo ódio com juros. Aí no Rio de Janeiro, esta cizânia parece ter nítidas cores raciais quando se leva em conta o fator geográfico, “a favela contra o asfalto”, mas aqui em Santa Catarina, não... Em primeiro lugar porque aqui os pobres, na sua imensa maioria, também são brancos; em segundo porque não há uma causalidade exata pobreza/crime. Faz alguns dias, minha mulher acompanhada de nossos dois filhos entrou no drive thru de uma lanchonete fast food e atrás de seu carro, um outro veículo entrou em uma vaga apertada, mas o motorista estacionou mal e atrás dele outro, mais impaciente buzinou para entrar ao lado. Logo, o motorista do primeiro carro pediu tempo porque precisava tirar uma criança de uns 5 anos de dentro e, para qualquer um que seja pai, sabe como é difícil desamarrar crianças de cadeiras próprias, ainda mais quando um dos outros passageiros é um senhor de idade que também tem lá suas dificuldades. O motorista do carro que estava fora da vaga buzinou insistentemente e começou uma discussão, que logo partiu para as vias de fato. A mulher que acompanhava o 2º motorista saiu e começou a filmar a cena com seu celular, ao passo que o senhor de idade que parecia avô da criança do 1º carro dirigiu-se à mulher e a chutou para depois sair correndo com a criança pelo braço visivelmente nervosa balançando o outro bracinho. Minha mulher já tinha ligado para a polícia e não conseguia sair de perto da confusão, pois estava presa na fila e apavorada porque a garota com o 2º lutador lhe disse para não ir ao porta-malas "não, não no porta malas não"... Pelo visto deveria haver algum tipo de arma ali. Beleza. Bairro nobre...
Outro dia, ela foi ao centro evitando obras do norte da ilha (de Santa Catarina), no que arriscou ir pela Lagoa, no que tem que passar por uma estrada pouco utilizada, i.e., um campo perfeito para assaltos. Nisto, um carro lhe tirou um fininho e freava constantemente para fazê-la parar. Ela conseguiu sair dessa situação ao deixar outro carro lhe ultrapassar e ver o veículo ameaçador quase derrubar uma moto quando perdia o controle da direção. Detalhe: eles realmente escolheram-na para ameaçar, pois não perseguiam outros carros, mas reduziam para continuar o jogo de freada constante, quando ela se aproximou tentando ultrapassá-los novamente. Eles só fugiram quando a viram os filmando para pouco depois aparecerem duas viaturas correndo. Provavelmente já eram procurados por esta 'diversão'. Eu soube disto ontem, o que foi suficiente para estragar meu dia e me deixar mais paranoico com relação à segurança.
Vez que outra percebo homens da minha idade de cerca de 50 anos ou próximo disto comentando sobre lutinhas ou brigas de moleques, eles com suas barrigas de chopp, como se o prêmio por sua existência mofada fosse sentar no sofá fedorento assistindo UFC e bebendo sua cerveja aguada no fim do dia. Nada contra defesa pessoal, muito pelo contrário, mas o comportamento de quem põe um adesivo de jiu jitsu no vidro do carro é semelhante ao de quem fala que "comeu não sei quantas mulheres", mas se limita à várias masturbações diárias em sua solitude.
Às vezes penso em fazer campanha para o Bolsonaro, mas a saída nunca é de cima para baixo. Cada vez mais acredito que a guerra é cultural, de falar, falar e falar, expor com técnicas inteligentes na rede o ridículo da situação. Evidenciando quão patético tudo isto é, talvez em 10 anos tenhamos gente de melhor estirpe habitando nossas urbes. Sabe... Não que isto seja uma causa, mas a ausência de calçadas e praças são sintomas de falta de zelo e respeito de nós para nós mesmos. Assim como vagas apertadas não provocam brigas tolas de apressados no fast food, mas são consequência de quem não percebeu como cativar o cliente como consumidor fiel, apenas alguém que passe, leve o lanche sem se afeiçoar ao local. Cativar o cliente depende de gentileza, assim como querer andar nas ruas também. Qual a vontade de ir a um estádio de futebol se é um risco para sua família? Vivemos por acaso em um estado de topor e idiotia para não percebermos com isto nos afeta econômica e socialmente?[2] Para usar uma imagem conhecida, porém perfeita, o que estamos criando é uma multidão solitária.




[1] Após onda de arrastão, moradores prometem vingança nas redes - EXAME.com http://exame.abril.com.br//brasil/noticias/apos-onda-de-arrastao-moradores-prometem-vinganca-nas-redes via @exame_com. Acesso em 24 set. 15.
[2] O fator hostilidade - Sulconnection http://www.sulconnection.com.br/blog/gaucho-no-texas/91/o-fator-hostilidade via @sulconnection. Acesso em 24 set. 15.

FM - Live at Nightmusic Concert - TVOntario - 1976 (Remastered)




sábado, setembro 19, 2015

Não Culpe o Capitalismo: uma crítica à geografia marxista



Assista aqui a apresentação de nosso livro, 

NÃO CULPE O CAPITALISMO, 
em Curitiba, 11 de setembro de 2015. 

(Apresentação de lançamento do livro no SINDAFEP - Sindicato dos Auditores Fiscais do Paraná, em Curitiba.)

1ª



2ª



3ª





NÃO CULPE O CAPITALISMO -- http://naoculpeocapitalismo.blogspot.com.br/
Blog do Livro homônimo que reúne informações sobre o lançamento,os autores e o conteúdo. Mantido pelos autores: Anselmo Heidrich, Luis Lopes Diniz Filho e Fernando Raphael Ferro de Lima

"Dedicamos a todos os intelectuais que passaram vinte anos apoiando o discurso oposicionista do PT e mais de uma década apoiando os governos desse partido, apesar de tais governos terem jogado as propostas dos tempos de oposição na lata do lixo. Esses intelectuais são a prova viva de que, tal como mostramos neste livro, esse pensamento que se diz crítico não tem autocrítica e nem pensamento é."

Para adquirir seu livro acesse aqui:

http://naoculpeocapitalismo.blogspot.com.br/2015/09/links-para-adquirir-seu-livro-aqui.html

Imagem: quickmeme.com

sexta-feira, setembro 18, 2015

O risco moral da classe política e a circunstância moralmente arbitrária da classe empresarial


O risco moral da classe política e a circunstância moralmente arbitrária da classe empresarial

O risco moral da classe política e a circunstância moralmente arbitrária da classe empresarial:
alguns apontamentos sobre escolhasinstitucionais e desigualdades na (contra) reforma política em curso

Havia prometido a mim mesmo que não opinaria mais sobre o tema, tendo em vista a inércia dos partidos, a dubiedade do Executivo, o enviesamento das propostas correntemente esposadas pela opinião publica e vocalizadas na sociedade civil e a aversão ao risco de nossos parlamentares.

quarta-feira, setembro 09, 2015

Algumas perguntas que não querem calar: o Lulismo, a demonização de Eduardo Cunha e a arqueologia politica da bancada "BBB"



Algumas perguntas que não querem calar: o Lulismo, a demonização de Eduardo Cunha e a arqueologia politica da bancada "BBB"


Por toda a parte que olhamos vemos pessoas deplorando a atual composição do plenario do Poder Legislativo Federal ("o pior Congresso Nacional em mais de meio século") e do presidente de sua Camara Baixa, deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Tecem-se muitos comentarios pessoais com pretensões ora de reclamo, ora de protesto e tambem de analise. Quase todos invariavelmente tem por corolario a demonização da Camara dos Deputados e de seu presidente.

Associam Cunha ora a personagens ficcionais (a alegoria da Camara brasileira como a "House of Cunha" sugerida por jornalistas estrangeiros se tornou muito popular como descrição da presente legislatura) ora a personagens reais. E dentre estes sobressaem seus alegados financiadores de campanha eleitoral (no caso as empresas de planos de saude) e seus anonimos (ainda que bastante vocais e audiveis) eleitores evangelicos.