quinta-feira, abril 30, 2020

O que é o Conservador Brasileiro? (I)

O que é o “conservador brasileiro”? Você, certamente, já se deparou com essa figura, que tem algo de grotesco, algo de revolucionário (embora ele negue isso de pés juntos), mas que em alguns casos, dependendo da plateia, faz sucesso do mesmo jeito que não muito tempo atrás seu sobrinho no curso de sociologia da universidade pública fazia, de modo muitas vezes desagradável em encontros familiares.



Texto: http://inter-ceptor.blogspot.com/2020/04/o-que-e-o-conservador-brasileiro-i.html



terça-feira, abril 28, 2020

O que é o conservador brasileiro (I)

O que é o “conservador brasileiro”? Você, certamente, já se deparou com essa figura, que tem algo de grotesco, algo de revolucionário (embora ele negue isso de pés juntos), mas que em alguns casos, dependendo da plateia, faz sucesso do mesmo jeito que não muito tempo atrás seu sobrinho no curso de sociologia da universidade pública fazia, de modo muitas vezes desagradável em encontros familiares.
Pois é, tenho ouvido dizer que o bolsonarismo criou esse tipo de gente. Ledo engano, meus caros, ledo engano. Aliás, esta avaliação incorre no mesmíssimo erro daqueles que diziam (ou dizem) que o PT criou o esquerdismo nas universidades, a ideologia de gênero nas escolas etc. Na verdade, foi exatamente, o contrário, o pensamento de esquerda que, se fortaleceu na ditadura, ironicamente, mas foi verdade, pois antes era só o marxismo, hoje são várias as correntes, se tornou um movimento crescente e legitimado pela repressão como se fosse algo sumamente necessário.
E, honestamente, era difícil fugir de seu apelo e sedução quando o outro lado só entendia a linguagem da força e brutalidade. Então, analogamente, o bolsonarismo é o resultado de anos de hegemonia e truculência na argumentação, falta de diálogo, uso de clichês como principal tipo de argumentação, ameaças, sim ameaças, por parte da militância nas universidades a quem fosse um simples dissidente, isso para nem falar dos opositores diretos. E, como se não bastasse, a violência legitimada intelectualmente nas universidades pelo conceito de “luta de classes” e pela dialética invertida (deturpada, na verdade) de que “as contradições internas da sociedade engendram sua própria destruição” levou a sua reação, inicialmente, moral, depois, racional e agora, política. Só que na mesma moeda, ou seja, com os mesmos vícios teóricos que se refletem na política, cujo primeiro sintoma é o aborto da verdade.
Repare nos símbolos, ícones usados por eles, bolsonaristas, que agora parecem predominar nas redes sociais (em parte porque o que vemos é uma bolha de internet, em parte porque eles usam robôs de disparos de mensagens). E símbolos, imagens falam mais rápido do que mensagens escritas, nas quais, com esforço e método, se pode detectar falhas e contradições. As imagens não, elas fazem o seguinte: te remetem diretamente ao que tu já queres expressar de modo sentimental, sensorial, sem ter que falar muito, mas com a clara intenção de chocar teu opositor. E é exatamente isso que se faz quando se simboliza um “conservador” com a imagem de um guerreiro, pronto para lutar, treinado para lutar, pronto para defender seus valores. Veja, ele não está lutando contra vícios políticos, ou o modo de funcionamento de um sistema disfuncional. Ele o diz, mas na verdade, sua imaginação vai longe, no tempo e no espaço e se vê como um cavaleiro empunhando uma espada, com elmo e escudo ostentando a insígnia do que chama de “cultura ocidental”. Embora, o que chamemos de “ocidente” seja um misto, uma pluralidade de influências e mesclas culturais em partes do globo terrestre de modo mais intenso e frequente num dado período da história. As partes dessa história e cultura que não lhe convém, nosso conservador que se julga defensor da cristandade, simplesmente, descarta como se fossem inexistentes. E não raro mistura as coisas, como a imagem de gladiadores, legionários, guerreiros pagãos em oposição ao islã, aos africanos, aos asiáticos (estes, reiterados pela atual conjuntura sinófoba).
Quando posto contra a parede, como estar defendendo um presidente que para sua sobrevivência e remota reeleição em 2022 faz acordos com a banda podre do Congresso, ele se sai com a esfarrapada desculpa de que “lutar contra o Comunismo é muito mais importante do que contra a Corrupção”, que esta é como vírus da gripe e aquele, como um leão. Sem perceber, é claro, que a gripe mata muito mais do que ataques de leões, também não se pode exigir coerência nas figuras de linguagem de quem, na raiz, já é incoerente por si só.

Antes de encerrar, um adendo, muitos grupos conservadores intelectualizados rejeitariam, in limine, minha visão do “conservador brasileiro”, o que merece uma explicação: a rigor, um conservador no Brasil é quase o oposto de um conservador, segundo sua tradição mais aceita teoricamente, de alguém que preserva a independência dos poderes e o estado de direito. Os Militantes A Distância, na sugestiva sigla que acabei de inventar, M.A.D., se prestam, quando muito, a uma versão limitada ao campo cultural, de preservação da família tradicional, monogâmica, uma certa visão religiosa, mas bem limitada ao Cristianismo e, por vezes, uma perspectiva criacionista em contraposição ao evolucionismo, identificando este, erroneamente, com o “progressismo” nos campos político e social. A pergunta chave e correta para mostrar quão anacrônico é ser um conservador no Brasil é “vamos conservar o que da política brasileira?” Com vocês, a resposta.
(Continua…)

quinta-feira, abril 23, 2020

150 anos de Lenin, uma eternidade de mentiras

Hoje faz 150 anos do nascimento do líder da Revolução Russa, #Lenin. Agora, vejam este pequeno vídeo, com um original de 1937 e outro dos anos 60. Sabem quem “desaparece” dali? #Stalin. Pois é, já naquele tempo tinha fake news. Entendam que essa tática de “eliminar o passado”, o chamado Revisionismo Histórico, é coisa usual, sempre existiu na política e sempre vai existir, como prova o atual governo tentando ocultar o passado de #JairBolsonaro. Então, mostre isso para o GADO quando uma rês vier te falar em “nova política”…
On Lenin’s 150th birthday, check out the crudely ingenious ways the 1960s retouched version of the 1937 film “Lenin in October” removed all sign of Stalin from the action. Compare the two versions below and watch out for disappearing Iosif…
@shaunwalker7



terça-feira, abril 21, 2020

A Mídia é de Esquerda?

Há anos que ouço isso, faz parte da narrativa da Nova Direita que, aliás, coaduna com a Esquerda que também dizia que "os grandes grupos de imprensa são lacaios do Capital". Na verdade, buscar e responsabilizar culpados não passa de uma estratégia evasiva para esconder a própria incompetência governamental e política.



sábado, abril 18, 2020

Métodos similares: Chauí e Bolsonaro

Relendo entrevista de 2003 com Marilena Chauí pela Folha de S. Paulo é possível perceber a forte semelhança na defesa feita ao governo Lula com a que grupos bolsonaristas e olavistas fazem atualmente do governo Bolsonaro. Se alterarmos alguns termos e expressões como "democracia liberal" por "velha política", "classe dominante" por "deep state" ou os ataques e responsabilização ao PSDB por tudo que se fazia com a que se faz ao PT, é a mesmíssima coisa.

Em suma, petistas e bolsonaristas são muito mais próximos e semelhantes do que imaginamos.


China e EUA não pararam os voos? React do Whatsapp EP. 600

EUA apuram se vírus teria saído de laboratório na China

Para aqueles que compraram a ideia de "vírus de laboratório":



Live - Distanciamento social: até quando?

Vou ser chato:

Crise, teremos, como aliás, já temos. Mas esta volta a normalidade intermitente é uma hipótese deles. Acho que teremos mais e-commerce, bom, mais ead, bom, mais delivery, bom, mais rigor fitossanitário, bom etc. Longo prazo promissor, além de descentralização produtiva (menor dependência da China) e incentivo à prata da casa.
Eles dizem que não dá para criar uma contradição entre economia e saúde, ok, mas eles estão fazendo entre setor público e privado.
Como se "nós poderíamos converter (...) ind. têxtil em produção de respiradores", p.ex. Como se faz isso? Com baixos juros de financiamento? Vá lá, mas vê que é meio que tirar um coelho da cartola achando que é fácil? O Guedes veio à público dizer que implantariam duas fábricas de respiradores, fácil dizer. Quanto tempo leva?
(...) Pois é, esforço de guerra, mas veja o que aconteceu após 29 e a II GM, veio uma época de bonança. Agora, o problema, é que não teremos um EUA pródigo. O que teremos no lugar e já estou pensando em estudar mandarim é a China no seu lugar. Ela vai financiar o mundo. Agora, o exemplo que ela dá da recuperação alemã pelo nazismo (ela observa isso, não faz apologia), mas não citou o Plano Marshall?!?!
(...) Discordo totalmente do final, eles traçam um cenário fúnebre para a China, mas basta ver a expansão que eles já estão fazendo em várias regiões do mundo para ver que estão agindo e não é de hoje. Eles estão em vários países em desenvolvimento e têm um mega-projeto de integrar a Eurásia através da Nova Rota da Seda. Agora, os EUA, se não mudarem a política trumpista irão definhar. Sei que eles estão discutindo contra os teóricos da conspiração que dizem que a China agiu com alguma intencionalidade neste processo e, claro, que eu descarto isto, mas o que vejo é que eles[chineses] estão agindo para se precaver e adotam uma expansão há tempo.