Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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quinta-feira, novembro 12, 2009

Um reles indivíduo


Ao pensarmos sociedade nos acostumamos com grandes e numerosos atores capazes de fazer história. Ora são as nações, ora as classes sociais, ora as etnias etc. O engraçado é que num mundo tão povoado, cada vez mais povoado por indivíduos sobre tão pouco espaço para esta categoria de análise: o indivíduo.
Pois o caso em questão aborda precisamente isto: como um indivíduo pode e, de fato, conseguiu mudar uma larga e tradicional cultura produtiva. O Sr. Leontino Balbo Junior divergiu de um arraigado modo de produzir açúcar de cana, divergiu da cômoda taxa de lucro do curto prazo, de colegas empreendedores que viam com maus olhos sua campanha contra as queimadas nos canaviais, de uma indústria de insumos que oferece soluções rápidas a “pragas” e doenças da lavoura... Enfim, trata-se de um indivíduo que divergiu da tradição. É interessante notar que ainda soa estranho acreditar que o empreendedorismo, a atuação de um self-made man tenha peso ao ponto de mudar todo um estado de coisas. Sobretudo quando nos acostumamos a pensar que o modo de produção capitalista impingiria contradições inexoráveis em sentido contrário ao conceito de sustentabilidade sócio-ambiental. Então, duas categorias que são verdadeiras “vacas sagradas” do pensamento social militante, a força do coletivo e a superação do modo de produção foram postas em cheque neste caso pessoal.
Uma questão importante que se põe para nós, portanto, é: será que as grandes inovações são mesmo processos anônimos, coletivos dependentes de uma lenta e gradual curva da evolução social ou podem partir de mudanças bruscas que sejam conseqüência da mera força da imaginação? É difícil para os ecologistas militantes crer que vários pressupostos seus, como a criação de uma matéria orgânica (húmus), o retorno da vida selvagem (mais de 100 espécies animais), independência de produtos químicos etc. não tenha partido de uma superação econômico-social nem de um pacto social entre governos, empresários e movimentos sociais, mas simplesmente da vontade de um indivíduo que não abdicou do lucro, como empresário que é, mas planejou sua atuação para auferir uma maior lucratividade no longo prazo. Então, como fica todo discurso de que capital e meio ambiente não combinam, neste caso?
Mais difícil ainda para os militantes de esquerda, com os quais, grande parte do discurso ecologista se confunde, é admitir que a sustentabilidade econômica e ambiental seja possível com uma empresa que detenha 14.000 hac, 90% do mercado de açúcar orgânico nacional, mais de 60% do internacional, atue em 67 países.
Portanto, o mais fácil é crer que se não temos uma solução definitiva para a problemática ambiental, ao menos temos indicações que nos levem a um processo. E este, ao que sugere a experiência do Sr. Balbo não é pré-determinada segundo um script político, não segue um deducionismo rigoroso, mas se pauta na velha e boa tentativa e erro. E por trás deste empirismo ocidental, uma boa dose de paixão e fé.

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