Look in my eyes, what do you see?The cult of personalityI know your anger, I know your dreamsI've been everything you want to beI'm the cult of personalityLike Mussolini and KennedyI'm the cult of personality...Like Joseph Stalin and GandhiI'm the cult of personalityThe cult of personality, Living Colour
O problema em se cultuar alguém ou algo é a crença em sua infalibilidade. Pior, mesmo que acidentes de percurso ocorram se fará de tudo para desviar atenção ou foco dos problemas para não admitir nenhum erro de seu objeto de culto. O fã político ou fanático é, por excelência, pior, muito pior do que seu ídolo que, muitas vezes, é alguém politicamente pragmático utilizando todas suas armas para se eleger ou reeleger. Tivemos exemplo recente nesta Greve dos Caminhoneiros… Candidatos ao cargo máximo do país, a presidência da república que deveriam dar exemplo de ponderação e calma nas palavras proferidas preferiram pôr gasolina na fogueira, já que esta faltou nos postos de combustível.
Sim, eu estou me referindo à Jair Bolsonaro, a quem já demonstrei apoio, mas que nesse caso se revelou despreparado e sujeito à influência e calor do momento querendo e propondo pressionar este governo federal para ceder aos anseios dos grevistas sem nem sequer se perguntar se:
O movimento grevista tinha propostas coerentes e sustentáveis?
Havia um compromisso das partes em acatar soluções mediadoras, ainda que incompletas?
Não havia manipulação com fins eleitoreiros ou políticos por detrás dessa greve?
O que eu também não entendi foi o papel de dois economistas ligados ao candidato, Paulo Guedes e Adolfo Saschida que nada fizeram ou se fizeram, foram inócuos para influenciar o candidato a uma postura mais razoável. Sinceramente, se são liberais deveriam explicar, minimamente, o que ocorria no setor de transportes, na produção e distribuição de derivados de petróleo e nas distorções de mercado provocadas pelo PT para saber se havia como proceder diferente. O problema que ele, assim como muitos acreditam, ingenuamente, que a conta da corrupção, por maior que seja, seria suficiente para compensar o déficit no setor com mais subsídios, caso estes valores fossem ressarcidos ou a torneira dos desvios fosse fechado. Não, não era suficiente, não é e nunca foi, por mais danosa que seja essa anomia social. Assim como os gastos públicos indevidos, imorais, mas infelizmente legais que oneram nosso erário com a conta da previdência social que se torna cada vez mais insolvente. Tudo isto teria que ser explicado, didaticamente, ao candidato em uma hora ou mais antes dele sair dizendo besteira em um vídeo de What’sApp. Mas não, rápido para julgar, devagar para entender como um aldeão participando de uma caça às bruxas, o mito arrebanha seguidores tão desprovidos de raciocínio e lógica quanto ele próprio.
Agora pense no seguinte: em outubro essa peça é eleita e no ano seguinte, a máquina pública brasileira cada vez mais insustentável não consegue honrar seus compromissos e o mito se liquefaz tendo que enfrentar mais greves e movimentos pleiteando Intervenção Militar! O que faz esse figura? Vídeos pedindo calma e compreensão para depois outros prometendo combater os agitadores para depois outros acusando os movimentos de terem infiltrados para depois acusando os próprios movimentos para depois propor uma repressão geral por absoluta inépcia desde o princípio. Agora vem o pior, o que farão seus fãs-fanáticos? Negarão, negarão e enrolarão dizendo que tudo é culpa da mídia, da Globo, de George Soros, da conspiração, dos poderosos globalistas aliados com a Esquerda Mundial, a ONU e toda sorte de bobagens que já vem sendo destilada por essa direita burra e acéfala que se esforça por superar sua contraparte de esquerda que já ganhou vários prêmios na capacidade propor o atraso.
Só te digo uma coisa bolsominion, não diga que eu não te avisei. Essa postura arrogante, imediatista, burra e fanática de vocês poderá trazer o caos sim. E aí, com apoio do General Mourão e a possível oposição do sensato Comandante Geral das Forças Armadas, o General Villas-Boas podemos ter o nosso maior pesadelo: o Exército dividido. Nestas horas, eu que sou um velho ateu só posso rezar para eles permaneçam unidos e ponham este afobado nos trilhos, como fez Mourão ao comentar a desordem que tomava conta do país. Menos mal… Se Bolsonaro não ouve seus economistas — ou esta dupla não serviu pra nada –, pelo menos se arrepiou com as palavras do General e fez um outro vídeo apaziguador, pedindo calma aos caminhoneiros, que não destruíssem o país, apesar deles terem razão(!).
Esse fanatismo, essa adoração, essa falta de senso auto-crítico esconde o quê? Uma fraqueza, um horror à política que, por pior que seja ainda é o caminho, único possível para resolvermos nossos problemas comuns. Esta ânsia de que um xerife todo poderoso venha resolver rapidamente os problemas, com requintes de truculência para regozijo da patuleia tem tudo a ver com quem não tem a paciência do leitor, mas de quem espera uma pílula para dormir e acordar bem no dia seguinte com todos os seus problemas resolvidos. Só que neste caso vai acordar em um pesadelo quando discursos, lágrimas e louvores ao hino nacional não bastarem para encher pratos.
Difícil, né? Está achando isso agora? Veremos como ficará depois… Eu só lamento muito que o voto impresso não tenha sido aprovado. Pois se Bolsonaro perder as eleições seremos obrigados a ouvir ad eternum que houve fraude e até nisto a Nova Direita Brasileira fará páreo à nossa Esquerda Paleolítica que travou o disco no discurso do “golpe”. Haja…
Vamos direto ao ponto: João Amoedo foi bem no programa. O programa é que foi mal. Como ficou claro, PARA QUEM VIU, houve uma confusão de perguntas, algumas prolixas e com entrevistadores se atropelando nas palavras. Dentro deste quadro fiquei impressionado com o foco que teve o candidato. Às vezes tive a impressão de que a sobrecarga de perguntas o favoreceria, deixando as mais espinhosas para trás e não, lá estava o engenheiro com seu foco característico retomando as questões a ele proferidas antes de passar a outra questão. Então eu acho totalmente descabida a acusação de que os entrevistadores arrasaram com ele. Agora, quem esperava um político com cara de manifestante ou revolucionário berrando em cima do palanque, João Amoedo não é (e nunca foi) “o cara”. Eu acredito que é necessário imprimir paixão no discurso porque a conexão que se faz com massas não é de todo racional. Aliás, me corrijo: a conexão que se faz com as pessoas de modo geral não é de todo racional.Que o digam os marqueteiros e psicólogos que sabem muito bem disto… Mas analisando por outro lado, tudo que tivemos no Brasil foram discursos irracionais, sem base técnica, sem análise de dados, sem proposição de programas exequíveis e explicação de como e quão exequíveis são. E agora que temos um candidato que foge por completo ao estereótipo do populismo, a crítica é porque ele é insosso, que disputa o título de “picolé de chuchu” com Geraldo Alckmin etc. Está mais do que na hora de termos racionalidade e conteúdo nas propostas.
Outra crítica que circulou nas redes foi um “fogo amigo”, daqueles liberais, libertáriosque acreditam no liberalismo econômico, mas também na esfera da vida privada ou como chamam, nos costumes. A questão, não poderia deixar de ser, foi em relação às drogas. Amoedo disse que não proporia a descriminalização das drogas nesse momento, mas em um momento futuro. Porque acha, o que é uma demonstração de bom senso que as experiências ora em curso deveriam ser analisadas, pois assim como há casos em que se relatam bons resultados – como em Portugal – também há os negativos – como na Holanda.
Leiam: essa é minha opinião e não algo expresso ou dito por algum membro do Novo: eu apoio a liberação/descriminalização das drogas, mas não sem sua devida regulamentação, como (a) quais drogas especificamente? (b) a partir de que idade seria permitido consumi-las? (c) em que local e em que situações (direção no trânsito, p.ex.) não seria permitido seu uso?
E uma outra muito importante: é justo pagarmos tratamento para dependentes químicos? Então, meus caros, eu defendo sim a liberação/descriminalização se e somente se houver regulamentação conjunta (e não a posteriori) com a devida extinção do atual modelo de saúde pública porque não devemos ser obrigados a subsidiar tratamento do vício alheio. O que, aliás, já deveria valer uma vez que há internações de alcoólatras e fumantes de cigarro.
Acho que João Amoedo conseguiu desagradar aos cotistas e aos anti-cotistas na questão específica, o que me trouxe simpatia. Não pelas cotas raciais em si, que eu sou obviamente contra, mas por sua abolição gradual que revela pragmatismo na política. Quando se altera mecanismos já institucionalizados tem que se, em contrapartida propor outros e foi exatamente o que disse o candidato. Com uma luva de pelica ele deu um tapa na bazófia da “jornalista e professora universitária” Rosane que só por citar Milton Santos (se baseando nele) já vi que era uma farsante. Em suma, ele não caiu no jogo dela.
Outras questões, óbvias para conservadores e liberais foram apropriada e acertadamente tratadas, como o custo da máquina pública, o engessamento da atividade produtiva, a necessidade de privatizações, da redução da carga de tributos, da segurança pública e do direito à defesa (que envolve o fim do Estatuto do Desarmamento), dos privilégios políticos (como o Foro Privilegiado), da falta de competição na expansão do crédito (que leva aos juros elevados) etc. Eu gostaria de ver que outro candidato (do nosso lado) teria a capacidade de tratar de tantos temas com desenvoltura como ele e sem cair em clichês como “bandido bom é bandido morto” ou que caísse em armadilhas como as questões sobre alteridade sexual. João foi preciso, embora frio e técnico como dita sua personalidade. E agora, na nossa atual conjuntura é disso que precisamos.
Uma nota sobre os bons entrevistadores: o sujeito d’O Estado de São Paulo (que falou pouco) e o da Revista Exame. O resto foi sofrível sendo o pior deles, o condutor do programa, que deixou rolar a bagunça e não teve pulso para orientar a entrevista que mais parecia um debate desrespeitoso. Aliás, a balbúrdia que surgiu em determinados momentos PROVOU que perante o RACIOCÍNIO LÓGICO, os clichês de esquerda se desmontam por si só.
Agora imaginem quem faria melhor? Que eu me lembre, no atual cenário, ninguém, nenhum homem, nenhuma mulher… E nenhum mito.
Alguns dias atrás meu filho (6 anos) me fez uma pergunta, daquelas difíceis de responder, “pai, quem construiu o planeta?”
— Bem, ele não foi construído… Quer dizer, ele foi, mas não por alguém. Ele surgiu. Alguns acreditam que por uma explosão que começou tudo, o planeta, as estrelas, as galáxias.
Seu rosto era uma dúvida estampada.
— Mas alguns acreditam que alguém, um ser superior fez ele, aliás fez tudo. Eu não acredito nisso, mas muita gente acredita. Ian, esta é uma dúvida que tu vai levar pro resto da vida ou não, não sei. Tu mesmo vai ter que procurar uma resposta.
E, obviamente, eu não pensava só no planeta. E me empolguei…
— O problema é que se alguém o construiu, quem construiu ele, o que existia antes?
Claro que não ajudei muito, mas sei que não extingui sua vontade de conhecer mais sobre o assunto, ainda mais conhecendo meu guri. Em tempo, isso seria só o início.
Alguns anos antes, nós andávamos pelas ruas, uma das típicas servidões de Florianópolis que, para quem conhece sabe como são péssimas vias, cujo status permanece assim porque isenta a prefeitura de cumprir suas obrigações com as devidas melhorias para as quais somos onerados com impostos, taxas, “contribuições” e mais novos impostos e taxas. Daí, o rapazinho me diz:
— Pai, quem cuida da rua?
— A prefeitura…
— O que é “prefeitura”?
— A prefeitura é um órgão… Quer dizer, algo que a gente cria para cuidar da rua, posto de saúde, escola. Tem escola que é diferente da tua, quem cuida é a prefeitura.
Daí ele olha para o chão e vê terra, pedras soltas, outras eclodindo da terra como ovos de tartarugas, pasto avançando pelas laterais, lixo sem recolhimento, galhos entremeados aos cabos telefônicos, muros que não deixam nem 30cm do meio fio, quiçá os 4m estipulados em lei etc. e mantém aquele semblante que se repetiria anos mais tarde com a astrofísica e a origem do universo.
— Mas, ela não está assim…
Cuidada, ele pensou.
— É… Deveria, mas isso não funciona bem aqui, no nosso país, mais ainda na nossa cidade. Nós poderíamos arrumar tudo isso aqui, ainda mais se não pagássemos nada pra prefeitura que não faz nada aqui. Mas acho que um dia muda.
# # #
Uma resposta foi bem mais vaga, mas esperançosa, já na outra terminei pregando a esperança, apesar de sua evidente falta de inspiração. Com o tempo percebi que quanto mais difícil é explicar algo para uma criança é porque existe algo de errado ali.
Tem que ser muito hipócrita para não admirar a sinceridade da chanceler neste caso. Queriam que ela agisse como qualquer populista prometendo o que sabe que não poderá cumprir ou favorecendo uma menina como simbolismo do que não fará pela imensa maioria?
Merkel é criticada por resposta a criança palestina
Alguns excelentes comentários coletados na Internet sobre o edifício que desabou com moradores trancafiados no Largo do Paissandu, centro de São Paulo:
Algumas informações sobre a invasão do Edifício Wilton Paes de Almeida, em São Paulo, que desabou na madrugada de hoje em decorrência de um incêndio:
– Famílias pagavam ALUGUEL no valor de R$150,00 a R$400,00 aos coordenadores do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM). Quem atrasava o pagamento, era expulso do local.
– O fornecimento de água só ocorria na madrugada, sob fiscalização dos coordenadores.
– Uma das regras da invasão era a proibição da entrada e saída de pessoas a partir das 19h. No local, havia um coordenador que trancava a porta principal do prédio. Um cárcere privado, basicamente.
– No momento do incêndio, a porta principal estava trancada e o tal coordenador não deu as caras. Um dos moradores quebrou a porta e só assim, o restante das pessoas puderam se evadir do local.
– Falando em coordenador, haviam dois deles na invasão. Quando o fogo começou, eles fugiram em >carros<, que estavam estacionados na garagem do próprio prédio.
– Este post está sendo publicado às 14:34 e até o momento, o prefeito e o governador de São Paulo e até o Presidente da República estiveram no local, mas NENHUM representante de qualquer movimento social compareceu no local. Mas o Guilherme Boulos já soltou notinha no Twitter.
No final das contas, descobrimos da pior forma possível como um movimento sem teto pode ser rentável para os seus líderes, que estão cada vez mais gordos e com iPhones da última geração na mão, fazendo lives no Facebook a fim de mostrar como o socialismo é bom e que o Lula é inocente.
Enquanto isso, famílias perdem tudo e seus parentes morrem nos escombros.
Parabéns a todos os canalhas envolvidos.
M.
…
Em virtude do último post publicado por mim, que trouxe uma imensa repercussão inesperada (ainda bem!), trago aqui as fontes solicitadas de tudo o que falei na publicação mencionada para que possam consultar e comprovar tudo o que escrevi (para enfiar onde quiserem o papo de que publiquei “fake news”). Há links com outras informações também:
Pronto. Aí estão as fontes solicitadas. E na foto abaixo, o recibo de uma das famílias dos aluguéis pagos para os coordenadores da invasão.
No momento deste post, a publicação anterior ultrapassa as 20 mil curtidas, 16 mil compartilhamentos e os 4 mil comentários. E da hora do post até aqui, apareceram mil novos seguidores neste perfil.
Tenho recebido diversos elogios pelo texto e agradeço. Críticas também, o que é normal. No entanto, vários comentários são ofensivos e caluniosos, e eu já estou em comunicação com o meu advogado para verificar esses comentários e, se for o caso, acionar os responsáveis judicialmente. (Até ator da Globo me xingando rolou).
Aceito tranquilamente as críticas, mas calúnias, difamações e ofensas JAMAIS passarão numa boa.
No mais, agradeço a todos por novamente, acreditarem no meu trabalho e comprometimento com os fatos ocorridos.
Que Deus abençoe vocês e interceda pelas vítimas dessa triste tragédia.
Nando Castro
…
SERÁ?
1) Dono de prédio que não consegue mais alugar suas unidades tem prejuízo para manter seu imóvel desocupado.
2) Ele convida uma ONG de sem-tetos para invadirem seu prédio.
3) Sem-tetos invadem prédio vazio e entram com pedido de usucapião.
4) Prefeitura declara prédio “de interesse social” e o desapropria mediante pagamento de indenização para o proprietário.
5) Proprietário entra na Justiça para revisar o valor da indenização e ganhar mais.
6) Sem-tetos vão ficando e transformam o prédio invadido em mafuá.
7) Corpo de Bombeiros vistoria o imóvel e decreta que ele não tem condições de moradia e que pode sofrer incêndio a qualquer momento. Desocupação é recomendada.
8) ONG de sem-tetos levanta liminar na Justiça para deixar moradores no prédio condenado.
9) Quando não pega fogo ou desaba, prédio é finalmente “comprado” pela Prefeitura, que o doa à ONG invasora por convite.
10) Indenização é paga ao antigo proprietário, que racha a bufunfa com a ONG.
Parabéns! Você acaba de aprender como funciona a indústria das ocupações, que somente na região central de São Paulo já possui cerca de 150 prédios.
Victor Grinbaum
…
Pra não dizerem que sou radical e não apoio movimentos sociais, vou dar uma dica ao MTST. Existe um imóvel de 400m², instalado em um terreno de 720m², desocupado, na Rua Paula Ney, 446, Vila Mariana-SP, avaliado em mais de 2.800.000 reais. A construção, da década de 70, faz parte do espólio do pai de um rico médico infectologista. Um legítimo membro da burguesia, da elite. Esse médico, por acaso, é o Dr. Marcos Boulos, pai do “sem-teto” Guillherme Boulos, o socialista nascido em berço de jacarandá que vos manobra. Mas ele não vai se importar. Afinal, é contra a propriedade privada. Não é? Tudo em nome da “revolución”!
A Síria é um país situado em uma das mais instáveis regiões do globo, o Oriente Médio. Sua concentração populacional está a oeste, uma franja de terra mais úmida do país e o interior é um enorme deserto que se estende ao sul, na Península Arábica. Mas não é qualquer deserto… Ele margeia o Golfo Pérsico que concentra 1/3 das reservas de hidrocarbonetos (petróleo e gás) mundial. Mas para enviar esta riqueza aos principais centros consumidores (Europa e América) tem que se circundar a península, passar por um estreito – Ormuz – que é estratégico e vigiado de perto por inimigos (Irã), costear o sul com vizinhos em pé de guerra (Iêmen), atravessar outro estreito – Bab-el-Mandeb – sujeito à pirataria somali e adentrar no Mar Vermelho para depois atravessar o Canal de Suez e só daí então conseguir entrar no Mar Mediterrâneo no sul do continente europeu onde estão alguns dos principais consumidores. Claro que tudo isto custa. A distância, a passagem pelo canal e os riscos embutidos nesta hercúlea tarefa sem considerarmos os “custos políticos”, i.e., manter governos aliados que tenham interesse na estabilidade regional e manutenção da integração comercial. Só que há um jeito mais fácil.
Seria um mamãozinho com açúcar se pudessem enviar a produção de hidrocarbonetos diretamente pelo deserto em dutos passando pela Síria até chegar ao Mediterrâneo Oriental. Mas se tudo fosse uma mera questão de logística e pagar a quem tem poder de cobrar seria bem menos confuso. Quando falamos em Oriente Médio não nos referimos apenas à vastidão desértica e seu subsolo. Há muito mais tipos de paisagens sobre a superfície, só que culturais… Descendo os rios Tigre e Eufrates (que nascem na Turquia) até sua desembocadura encontramos uma grande e fértil planície, a Mesopotâmia que foi berço de civilizações, como a Assíria. Formando um arco até o Rio Nilo dentro do Egito temos o Crescente Fértil que são dois grandes ecúmenos (regiões favoráveis ao povoamento) na região. Três grandes regiões monoteístas surgiram aí, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo que mais tarde, por diferentes razões entrariam em conflitos. Também civilizações tiveram a região em seu bojo, os persas, os gregos e os romanos. O Império Romano se dividiu em dois e o Império Romano do Oriente sobrevive resistindo ao Império Islâmico, que se formaria mais tarde. Mas os católicos tentam recuperar esta área de onde teria surgido a sua religião. Mais tarde, provenientes da Ásia Central chegam os turcos otomanos e seu império domina o mundo árabe, norte da África e os Bálcãs no sudeste da Europa por 600 anos até a I Guerra Mundial. Quando esta finda, surgem países onde havia uma coesão dada pela força turca.
Pela primeira vez temos a Síria no mapa, assim como a Jordânia, o Iraque, a Arábia Saudita criados no em 1916, quando ingleses e franceses partilharam o território do Império Turco-Otomano. Como não podiam vencer os turcos sozinhos articularam uma aliança como os árabes que eram subjugados pelo império. A promessa, na verdade uma moeda de troca era a criação de um país para os árabes, a Grande Arábia. Mas o que ocorreu, de fato foi a partilha em vários países. Inicialmente o Iraque, a Jordânia e a Palestina pelos britânicos, a Síria pela França.
Vamos definir os fatores envolvidos, como toda grande população não há uma homogeneidade que faça uma maior união entre os árabes que sua própria língua. Isto pode ser básico, mas não é suficiente. Lembremos que a religião é um fator essencial na região e não há somente uma, mas três grandes religiões monoteístas, cada qual com sua visão de mundo, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Embora vários países fossem criados, eles permaneceram divididos internamente entre grupos religiosos e suas subdivisões internas, as seitas, como foram os sunitas e xiitas dentro do Islã. Para melhor controle da situação e aliança com grupos locais, algumas dessas elites locais privilegiaram seus grupos étnicos. P.ex., xiitas na Síria e sunitas no Iraque.
Como sabemos, a região é riquíssima em petróleo, mas este não é o caso da Síria que, por sua vez tem um ótimo acesso ao Mar Mediterrâneo. Os grandes produtores voltados para leste, contrariamente vivem sob tensão entre rivais (Irã, Iraque, entre outros) com saída apenas pelo Golfo Pérsico e uma estreita passagem, o Estreito de Ormuz. Com a II Guerra Mundial, o ciclo do chamado imperialismo finda e as nações europeias enfraquecidas abandonam a região, mas plantando um problema, a criação de um estado polêmico, Israel. Quando abandonada pelos britânicos, Israel é atacada pelos estados árabes vizinhos. Próxima à Israel, Síria tem constantes golpes de estado e assim como a região se torna uma bomba-relógio. Justamente nesta época surge na Síria uma ideologia o Baaz que resgata o antigo sonho de união do mundo árabe, o panarabismo com ideias socialistas, mas com algo que a distingue de muito do que vemos hoje, a divisão entre estado e religião, isto é, a laicidade. Seguindo esta visão, Síria e Egito formam uma aliança e enquanto este nacionaliza (estatiza) o petróleo no país, Al Assad, pai do atual Bashar al-Assad se torna o chefe do estado baaz no país. Ao lado, no vizinho Iraque, Saddam Hussein, aquele mesmo que foi enforcado cresce em poderio, mas mantém suas diferenças e divergências com o país vizinho. Isto leva os demais países árabes a se dividirem em Baaz pró-Síria ou Baaz pró-Iraque. Em cena, que na verdade nunca tinha saído do ato, a velha Razão de Estado dá as caras, novamente. Em suma, não se trata de uma gritante diferença étnica, religiosa que inviabiliza a convivência entre os povos na região, assim como as diferenças religiosas, pois mesmo quando situadas distantes há o aproveitamento dessas para manutenção e expansão do poder dos organismos estatais. E mesmo no caso de uma ideologia laica criada na região, o Baaz, a Razão de Estado prevalece. Por essas e outras é que não é a teologia ou ideologia qualquer que explica isto tudo, a não ser como um elemento a mais. Mas sim a Geopolítica. Ela é que é o estudo adequado para entender a realidade em sua complexidade, como uma eterna luta pela conquista e administração do poder territorial como algo inerente aos humanos e suas agremiações políticas e sociais.
Agora estamos na Guerra Fria e a divisão geopolítica do globo fica clara, ou somos pró-EUA ou pró-URSS. Esta oposição se reflete em conflitos regionais, como entre árabes e israelenses com ataques no sul do Líbano, área estratégica entre Síria e Israel. Mas nesta luta não há apenas dois lados ou duas ideologias claramente antagônicas como muitas vezes aprendemos nos bancos de escola. Surge dentro da Síria um movimento de oposição ao regime, a Irmandade Muçulmana que manterá até 1963, quando ocorre um golpe do Partido Baaz. A oposição com força religiosa cresceu durante os anos 70 até que milhares fossem massacrados no levante de Hama, em 1982. Temporariamente apagada, as sementes dessa resistência iriam germinar mais tarde…
Agora lembremos a composição religiosa da região. A maioria dos árabes era (e continua sendo) muçulmana e esta se subdivide em dois ramos fundamentais, sunitas e xiitas, cujas diferenças remontam a época da morte de seu profeta, Maomé.[1] No caso da Síria, apesar de ser um estado laico, os governantes eram xiitas que representavam menos de 13% da população e mais de 70% da população, sunita. Um fato curioso é que os cristãos perfazem 10% da população do país. Enfim, os xiitas controlam a população através da administração e o exército.
Distribuição étnica na Síria
No ano 2000, Assad, o pai morre e o filho assume com muitas promessas modernizadoras na área social, econômica, tecnológica etc. que se seguiu a um período de intenso debate político. Agora lembre-se, que em momentos de abertura política de regimes autoritários (vide URSS no período Gorbatchov), a oposição que jaz adormecida mantém sua crítica e revolta contra o regime, latentes. Na menor chance de manifestação ressurgem com força e, geralmente, de forma caótica que leva a uma violência de um governo que vê na repressão pura e simples, uma instituição já consagrada. Como vimos, a repressão com milhares de mortos já era corriqueiro desde os anos 70. Por que agora em um “mundo globalizado” não iria ocorrer da mesma forma só por que celulares se tornaram mais acessíveis? É uma grande ingenuidade achar que o simples acesso a mercados internacionais torna a política mais civilizada e a cultura como um todo, automaticamente, mais compreensiva entre suas diferenças em qualquer lugar do mundo. O desenvolvimento nunca é homogêneo para todos e sem a percepção e administração que leve a cultura e geografia locais, não há sociedade que se estabilize.
No plano externo, o então presidente americano George W. Bush declara a Síria pertencente ao “Eixo do Mal” (juntamente com Iraque, Líbia, Cuba, Coreia do Norte e Irã). Isto leva ao isolamento do país e as negociações emperram. Novamente, Razões de Estado operam… Até outubro de 2015, o governo de Assad era apoiado por Rússia (que já detinha bases militares no país), por Irã e China. Todos esses países que a Europa chama de “oriente” (mesmo incluindo a Rússia nesse bolo). Aliados à oposição de Assad estão Estados Unidos, Reino Unido, França, Turquia e Arábia Saudita. A divergência entre estes grupos de países, o Ocidente e o chamado “Eixo do Mal” não é só pelo financiamento ao terrorismo. Sauditas, cujo país é um grande aliado americano também são acusados de ajudarem grupos terroristas e financiamento de mesquitas com mensagens claramente antiocidentais mundo afora e nem por isso sofreram qualquer tipo de boicote e nem poderiam, pois são os maiores exportadores mundiais de petróleo. A questão que leva a outro nível de complexidade regional é quem se opõe ao controle que vise facilitar a distribuição dos recursos energéticos que facilitam o consumo de seus principais importadores. Lembre-se que a Síria estava no caminho e agora, como herdeira das relações com a antiga URSS, uma aliada da Federação Russa.
Agora entram em cena outros agentes, não menos importantes, responsáveis pela inclinação do pêndulo geopolítico ora para as forças ocidentais (EUA, Europa Ocidental, Japão, Arábia Saudita etc.), ora para as orientais (Rússia, Irã e China): os curdos. Os curdos considerados o maior povo apátrida do mundo, que se distribuem entre Síria, Iraque, Turquia e Irã também começam a se manifestar no cenário político sírio, o que leva à repressão e mortes. Em 2011, como já devem saber começa a chamada Primavera Árabe, uma série de protestos que vai se estendendo por todos os países árabes em nome da democracia. O que tem que ficar claro é que democracia não é um ideal per se quando se trata de um regime político, mas um meio para se atingir certos ideais. A questão agora é saber quais seriam estes em países árabes? Uma coisa que chama atenção ao lermos editoriais politicamente corretos em defesa da democracia, que estão certos quanto ao método político é que não se perguntam qual o objetivo de muitos desses movimentos no uso da democracia: é por um estado de direito aos moldes ocidentais ou a instalação de teocracias que destituam regimes laicos e autoritários do poder na borda subdesenvolvida do mundo?
Duas categorias de países se formam na região, os que viabilizam processos de mudança através do regime democrático e os que sofrem repressão de seus governos, o caso da Síria. Esta se generaliza dando origem a uma guerra civil entre diversas facções. Quais são elas? Lembremos que uma minoria, xiita, laica e governista se opõe a uma maioria religiosa sunita, em que pese o fato de haver uma minoria laica na oposição, a grossa maioria tem fundamentação religiosa, como se pode averiguar no quadro abaixo:
Xiitas
Sunitas
Laicos
Islamitas
Islamitas extremistas
Governo Assad
FSA (Frente Islâmica)
“oposição”
Al Nusra
(al Qaeda
na Síria)
ISIS (EI = Exército Islâmico)
Obviamente que em meio a uma crise como esta surgem oportunistas, dos quais o ISIS é apenas mais um, que se alimenta do ressentimento da opressão aos sunitas, da visão do ocidente invasor, a identidade árabe e a mitologia de antigos árabes. O objetivo do ISIS impacta muitos. Pretendem construir um Estado Islâmico em todo o Norte da África e Oriente Médio, mas seus oponentes não se restringem a Assad ou o Ocidente. Lembre-se dos curdos, que têm organizações políticas, como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (Parti Karkerani Kurdistan, PKK) perseguidas em muitos países, mas com ao tirar proveito da crise passaram a controlar o norte da Síria e eles têm recebido financiamento para lutar contra os insurgentes. Perseguidos por aliados ocidentais como a Turquia, os curdos também são inimigos de “inimigos maiores” dos ocidentais. Na confusa geopolítica do Oriente Médio, a máxima de que “o inimigo de meu inimigo é meu amigo” não funciona, pois o inimigo de meu inimigo pode ser meu inimigo também.
Aqui já podemos tirar algumas conclusões. Enquanto os impérios europeus existiram durante, a Síria como conhecemos há pouco mais de 70 anos. Claro que como toda ex-colônia não foi ela quem formatou suas fronteiras, mas isto também não deve servir de desculpa e causa única para todas as mazelas posteriores. Fosse assim, nós aqui na América Latina também deveríamos estar em ebulição civil porque houve imposição de linhas demarcatórias.
Para muitos analistas, a anatomia da crise política, social, econômica nas ex-colônias se resume ao seguinte quadro esquemático:
Necessidade de controlar o próprio destino
ZONA ESTRATÉGICA
Todos a querem
Impérios
Europa divide a região para controle
Países desenhados sem consulta à população
FRACASSO: Guerra Civil
A retórica ideológica embutida no esquema politicamente correto acima diz que todo povo deve controlar seu próprio destino, mas o que vemos é que “povo” é uma categoria vaga, melhor substituída por população que encerra um conceito meramente quantitativo ou sociedade, que compreende um conceito qualitativo não harmônico, isto é, que tem o conflito e divisão de interesses como premissas. Quando percebemos que durante estas décadas, a ideologia agregadora daquelas pessoas foi a laica, nacionalista e socialista Baaz, que só se manteve no poder graças a repressão nos perguntamos qual a densidade teórica do ideal de historiadores? Portanto, o relato histórico tem que ser descritivo mesmo ou não entenderemos mais nada. Quando substituída por premissas valorativas que nada mais são que juízos de valor pautados por frágeis ideais, só ficamos mais e mais confusos sem entender o que realmente acontece. Este é o caso da Síria, quando a retórica nacionalista é usada para apontar soluções esquecendo-se que foi justamente ela que levou à ruína da pouca estabilidade que existia.
Se este artigo serviu para algo espero que seja a resposta à pergunta “quem tem razão na guerra na Síria?” ao que direi depende. Agora, claro está que este relativismo analíticonão deve servir como relativismo moral, pois se há algum valor que sirva como baliza absoluta aí está e é nele que devemos nos pautar quando dizemos que algo está errado, independente de qual lado, ideologicamente mais simpático venha a agressão. Evidentemente que numa guerra ocorrerão mortes, mas daí resta saber quem agrediu primeiro e de que forma nos levando a uma análise um tanto quanto tecnicista, mas necessária para podermos ter alguma posição (nem que seja a da neutralidade) neste bravo novo mundo tribal globalizado.
[1] Quando este morreu não deixou nenhum sucessor e seu primo e genro, Ali reivindicou a posse de profeta da religião e os califas, chefes-de-estados – os shiat Ali –“partidários de Ali”, mais conhecidos como xiitas assumiram que qualquer liderança religiosa só poderia vir da linhagem de Maomé. Seus opositores, os sunitas, seguem um documento que narra as experiências de Maomé, a Sunna e admitem como lideranças sucessores de outros califas além de Ali. Como se deduz, é uma luta por poder sucessório que vai além de qualquer teologia.