terça-feira, dezembro 17, 2019

O que a direita bolsonarista e a esquerda psolista têm em comum?


O que a direita bolsonarista e a esquerda psolista têm em comum?

O RESPEITO PELO REGIME NORTE-COREANO

Duvida?
Então brigue com os FATOS:
Deputado do Psol homenageia Kim Jong-un na Assembleia do RJ @congemfoco https://congressoemfoco.uol.com.br/mundo-cat/deputado-do-psol-homenageia-kim-jong-un-na-assembleia-do-rj/
Não se pode comparar ditadura da Coreia do Norte e da Venezuela, diz ministro das Relações Exteriores brasileiro | Mundo | G1 https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/02/25/nao-se-pode-comparar-ditadura-da-coreia-do-norte-e-da-venezuela-diz-ministro-das-relacoes-exteriores-brasileiro.ghtml
ÓBVIO que tem que se dialogar, mesmo com o pior dos regimes, pois isto significa uma CHANCE às suas VÍTIMAS de sobreviverem, MAS fingir que um regime como o de Pyongyang “não é tão ruim” quanto o de Caracas, apenas porque este representa uma desculpa para todos os problemas latino-americanos é uma simples HIPOCRISIA.
O deputado psolista pode ter sido sincero demais em sua loucura, o ministro das relações exteriores pode ser hipócrita demais, mas ambos PASSARAM PANO PARA A DITADURA COMUNISTA.

Paulo Freire é um engodo


#PauloFreire Eu li e é um engodo, cujas páginas não servem nem para papel higiênico, mas não é verdade que ele seja a causa da deterioração do sistema educacional, por uma simples razão: a imensa maioria dos professores nunca leu um livro dele.‬ os pedagogos o leem, mas não se conecta com a maioria do material didático.
Diferentemente do #MaterialismoHistóricoeDialético, pode se pegar um material de filosofia, p.ex., em que no sumário, o materialismo histórico e dialético está no final, como se não houvesse nada de importante depois disso, mas o que isto diz sobre o desempenho em matemática ou português?
E por pior que seja essa filosofia, ela não quer dizer um endosso à falta de nexo das palavras de um Paulo Freire, que é a sua principal marca.
MESMO QUE A #PEDAGOGIADOOPRIMIDO SEJA UMA ODE À REVOLUÇÃO, ELA NÃO TEM ABRANGÊNCIA ENTRE OS PROFESSORES, A IMENSA MAIORIA NUNCA A LEU.
É isso mesmo, mas de onde teria vindo a mensagem revolucionária se a maioria nunca a leu? E, comparando a forma de defender a revolução em Marx e Freire, p.ex., dá para dizer que Paulo Freire nunca foi marxista. Explico… PF é metafórico, uma escrita tipo “o aluno tem que se libertar das amarras do saber bancário”… O que é isso? É necessário explicar por A+B, mas não existe explicitação disso, em uma seção teórico-metodológica. O leitor vai ter que montá-la. Com Marx, Weber, esse pessoal, é diferente. Eles têm por tradição, acadêmica, pôr os pingos nos ‘ii’. Pode-se não gostar de Marx, mas tem que se ler para não falar besteira. E não precisamos ler todos os volumes d’O Capital (eu mesmo não o fiz), mas fica claro no pouco que se lê dele que não é um ‘voluntarista’, isto é, a revolução não ocorreria a partir da vontade dos homens. Para um pedagogo como PF, basta que os homens “tomem consciência”. Por que distingui ambos? Porque a maioria dos professores que se diz marxista não o seria se lesse Marx, no próprio Manifesto do Partido Comunista, que é um livrinho, ele deixa claro as grandes realizações do Capitalismo e como só seria possível passar ao estágio seguinte, através de uma revolução, violenta, após a acumulação de capital. Ou seja, não há como fazer em país pobre. Mais tarde em sua vida, proporá, de modo não formalizado, isto é, sem o mesmo desenvolvimento teórico tirar vantagem do atraso, isto é, como fazer a revolução sem passar por todos os estágios. E nesse ponto que Lenin traçará sua rota, menos por preciosismo teórico e mais por puro pragmatismo (não dava para ser diferente). Então, os professores brasileiros que falam em socialismo são tão marxistas quanto um patriarca putanheiro que vai na zona todo fim de semana, mas domingo está na missa: é só da boca pra fora. O que faz então nossos professores serem “de esquerda”?- salários iguais e baixos sem vínculo com a produtividade;- sindicalismo;- predomínio de grades desvinculadas de ensino técnico voltado à produção;- ideologia, sim, mas diluída e disseminada por porta-vozes (acadêmicos).Dá para detectar que o vórtex está na Academia, mas que ela não mudará sem mudar o modo de retribuição pelo trabalho, isto é, não mudará sem meritocracia. Não tem como defender um sistema diferente se tu nunca provou este modelo.
Acho difícil sair desse quadro de dependência teórica a esquerda, enquanto a uniformização do profissional da educação for uma premissa de trabalho, acho difícil também sair dessa desculpa conveniente a direita, enquanto houver um vilão ideal que se superestima para servir como desculpa por todas as mazelas de um sistema educacional. De certa forma, Paulo Freire é extremamente útil a ambos militantes dos extremos do espectro político, a direita e a esquerda. E é lamentável que se perca tempo discutindo um inútil aos problemas reais da educação ao invés de focar nos reais problemas do sistema de ensino.
Anselmo Heidrich
17 dez. 19


Imagem “Paulo Freire”https://www.flickr.com/photos/chhhh/2973802038 .

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Rússia e sua longa lista de países que sofreram interferências eleitorais

The History of South America: Every Year

MANIPULANDO COM MAPAS

Pessoal, adorei esta versão animada-mapeada e musical da
história da América do Sul, mas notem que até as civilizações pré-colombianas,
i.e., antes da chegada de portugueses e espanhóis, a música é calma, 'doce',
APAZIGUADORA e da chegada dos povos ibéricos (portugueses e espanhóis) e depois
outros europeus, muda para uma música CLARAMENTE BÉLICA.

Eheheheh, o que vcs acham que nos foi SUTILMENTE 'sugerido'
com esta trilha sonora???

Depois com a formação dos estados-nacionais independentes
surge uma batucada legal que pode querer dizer outra coisa, aí não quero forçar
a barra, mas para mim foi clara a noção de que durante as civilizações
indígenas era um clima de paz e amor #SQN!!!

Agora bora passar esse videozinho pros alunos manipulando
nossos infantes?

NÃO MESMO.



ANSELMO HEIDRICH
13 dez. 19



Comunistas confiesan PLAN FINAL de la REVOLUCIÓN en Chile | Florencia Lagos

Por que o tipo de reação a um ataque insurrecional pode ser tão ruim quanto?



Por que as forças em ação no Chile hoje podem levar o país à decadência, pois já está em caos?



Neste vídeo abaixo, recebido de um colega, anti-comunista, mostra um vídeo acusando "quem está por trás" do "processo revolucionário" no Chile.



A figura de FLORENCIA LAGOS NEUMANN, quem trabalhou no governo de Michele Bachelet, em comunicação para militantes chavistas na Venezuela sobre o que querem e como querem mudar o Chile é central para entender o argumento do conservador chileno.



NO ENTANTO, se prestarem bem atenção, verão que há uma crítica ao "imperialismo", e que "assim funciona o mundo", como diz o narrador, não como endosso, mas mote para sua resistência. Só que por "imperialismo", ele entende... Já estava demorando, a internacionalização de capitais, a migração internacional, a ONU, ou seja, o maldito conspiracionaimso teórico do "globalismo" que prefiro aqui chamar de BOBALISMO.



Já o disse mais de uma vez, as razões para o tipo de reação que se gesta no Chile não são eminentemente econômicas, aliás, nunca são somente isto e, de mais a mais, como é sabido, a realidade chilena não era das piores. O que tem que ser notado é que um grupo, de esquerda comunista se esforça para tomar as rédeas da situação, o que incentiva outro grupo, antípoda e similar do outro extremo do espectro político, que é a clássica direita nacionalista e autocrática. Ambos os grupos têm uma visão estatizante da economia, uma visão anti-democrática do controle do poder e uma ação prática de deturpação da comunicação. E historicamente, ambos os grupos lançaram mão da tortura e repressão bruta quando lhes convinha.



Ambos são anti-democráticos e ambos merecem nosso repúdio. Está na modinha falar mal da democracia devido a suas imperfeições. Imperfeito é o estado de direito se não tem contrapesos eficazes. Não funda os dois para não confundi-los.



Mas uma coisa é fácil perceber, ou tu defende uma sociedade aberta e tolerante ou não defende. Se não defende pode ser um totalitário comunista ou fascista nacionalista, pouco me importa, pois são igualmente nefastos.



Anselmo Heidrich​

13 dez 19






quinta-feira, dezembro 12, 2019

O poder da Rússia pós-União Soviética. E a hegemonia de Putin

Ao final do vídeo, o jornalista se trai, "modelo de democracia liberal IMPOSTO pelos EUA"... 1. QUAL outro modelo de democracia existe? 2. COMO os EUA impuseram tal modelo? 3. Os EUA são em grande parte, RESULTADO, desse modelo. Prove-me o contrário.

Isto não é doutrinação, mas evidente que é uma visão de mundo comum aos professores e jornalistas, de que há uma manipulação e condução da realização de modelos políticos onde alguém ou algo, quer tirar proveito em detrimento de outros cidadãos ou outro sistema social. Por mais útil que seja o vídeo (e é), sempre podemos nos vacinar contra as adjetivações carregadas de sentido ou premissas inconfessas de seus narradores.



terça-feira, dezembro 10, 2019

O Brasil da Pós-Verdade #1


Começou o jornal do Olavo, Brasil Sem Medo, e aqui temos uma matéria defendendo o Felipe G. Martins (https://pages.brasilsemmedo.com/o-chefe-do-odio/). Então vamos lá aos contrapontos…
Martins, apesar da pouca idade, se consagrou entre os anos de 2015 e 2018 fazendo as mais acertadas análises sobre as corridas eleitorais nos EUA e Brasil. Enquanto o mainstream das projeções de cenários, os institutos de pesquisa e a mídia inteira considerava Trump e Bolsonaro meros azarões – quando não nulidades inelegíveis – o jovem Filipe, partindo de outros pressupostos e olhando a realidade sem lupas ideológicas, cravava, com certeza vática, suas vitórias. Dito e feito.
Estas “análises acertadas” foram assim consideradas pelo próprio grupo de simpatizantes, o que fica fácil, para não previsível de se ter. Quanto à Trump ter vencido as eleições (2016) já era algo alardeado por toda mídia conservadora americana e simpatizantes continentais e mundiais, não há nada de novidade nisso. E o fenômeno no Brasil já era bastante previsível ao justificado e crescente sentimento anti-petista.
Note que no excerto acima, há um subtexto interessante: “enquanto o mainstream das projeções de cenários”, como se todos endinheirados e poderosos não quisessem Trump ou Bolsonaro no poder. Aqui no Brasil, o setor bancário foi o mais beneficiado nos anos Lula-Dilma, mas boa parte do empresariado amargou perdas chegando a ter uma fuga de capitais para outros países, dentre os quais, o Paraguai foi o mais beneficiado. Portanto, insinuar que houvesse uma divisão (até classista) entre quem pensa favoravelmente aos outsiders políticos de Trump e Bolsonaro como “ligado aos interesses do povo” e quem não, ao mainstream, é uma manipulação. Diferentemente, do que diz o jornal Brasil Sem Medo não descola a verdade da ideologia, muito pelo contrário, apenas de modo manipulador te induz a pensar que eles estão te esclarecendo. Não, não estão.
E essa capacidade de previdência chamou a atenção da família Bolsonaro. Hoje, corrido o primeiro ano de governo, Filipe, depois de rodar o mundo e travar negociações nas mesas mais importantes ao lado de Bolsonaro, parece bastante à vontade no cargo. Há até quem diga que ele é o mentor secreto por detrás do presidente, seu conselheiro-mor – especulação que, na entrevista, Filipe negou taxativamente.”
Em governos anteriores, intelectuais se tornaram presidentes (FHC), outros intelectuais ruins (Chauí) se integraram aos governos, mas o atual governo de Bolsonaro era carente desse tipo de quadro. De onde veio a suprir esse déficit? Como quem fala é chefe, se buscou alguém com muita influência na internet através de teóricos conspiracionistas e alarmistas, daí a eminência parda de Olavo de Carvalho. Mas como faltava alguém de carne e osso e como tal não se encontrava na academia, aliás, quase ninguém, se foi em busca de alunos do filósofo. Teóricos de conspirações e teses mal acabadas sobre uma arquitetura de dominação global ascenderam como porta-vozes desse movimento. Aí que entra o jovem, como se juventude fosse virtude para esse caso. Enquanto na verdade é nada, apenas algo indiferente, na retórica serve como uma espécie de deslumbre perante o novo e o revolucionário na forma de um espírito juvenil.
Até o momento, o artigo tem uma introdução que serve como cortina de fumaça para esconder o principal tema: o “gabinete do ódio”, que seria gerido por Filipe para atacar adversários políticos com recursos públicos, ou seja, o teu e o meu dinheiro.
Vejam que, em um primeiro momento, se desdenha o peso e relevância do tal ‘gabinete’:
“Gabinete. Por falar em gabinete, e esse foi um dos temas da conversa, Filipe é apontado pela velha e a nova esquerda, unidos em torno da malfadada CPMI das Fake News, como o chefe do Gabinete do Ódio, o seu real cargo, sendo aquele carimbado no Diário Oficial mera cortina de fumaça. Gabinete do Ódio.”
“Por falar em gabinete…” Eh eh, péssima estratégia para fazer pouco caso, sobretudo, para depois assumir que existem ‘intermediários’, ora intermediários entre quem e quem?
“Segundo Martins, esta designação é nada mais que uma pecha infamante cujo fim é calar os novos intermediários na opinião pública que ganharam relevância após as manifestações de junho de 2013.”
E continua a deturpação das narrativas. Segundo Filipe, 2013 serviu como ruptura a “esse estado de coisas”, mas esquece de dizer que a manifestação original era contra um aumento de passagem de ônibus, pautada pela própria esquerda. Mas, como toda manifestação que toma vulto, não há uma só voz, uma só direção, mas sim uma pluralidade de manifestações que se somam. Isso, por si só, já desconstrói a tônica do discurso de Filipe que vê um processo uniforme com início, meio e fim em torno da candidatura e vitória (apertada) de Jair Messias Bolsonaro, mesmo porque um dos principais protagonistas dos movimentos que se seguiram, o Movimento Brasil Livre (MBL) é, atualmente, um dos grandes desafetos do atual governo e, em particular, desde antes, do olavismo.
Veja aqui como deturpam o processo inteiro:
“Dessa maneira, conforme avalia o assessor – ou chefe do Gabinete do Ódio, vai ao gosto de quem lê – os eventos de 2013 serviram como uma ruptura a esse estado de coisas, e, desde lá, esse povo esnobado elegeu, sem o auxílio dos universitários, os seus novos interlocutores – concentrados nas redes sociais. A síntese desse processo foi a vitória de Bolsonaro.”
E claro que o problema não é, nem nunca foi “a torcida de cidadãos privados” por quem quer que seja, mas o modo como isso é feito, na base da difamação e calúnia, ou seja, o Brasil Sem Medo já inicia defendendo o método da mentira para vencer. Um mau agouro:
“Por isso, segundo entende Martins, todo esse esforço para condenar como discurso de ódio a defesa e a torcida de cidadãos privados ao presidente é nada mais que a velhíssima censura, agora empreendida pelo establishment derrotado. Só que é uma censura travestida de defesa da ordem democrática, do decoro nas discussões, da transparência, da ética, da paz, do amor – o oposto do ódio. Enfim, o diabo metido numa fardinha de escoteiro.”
Agora a principal mensagem do artigo para quem sabe ler nas entrelinhas, uma defesa de Filipe G. Martins e seus ilícitos, a coordenação de uma milícia virtual, cuja cobertura do bolo é a mesma cantilena teórica de sempre, a defesa de uma teoria do globalismo, puro conspiracionismo como se instituições supranacionais dirigissem países, mesmo que a realidade mostre o contrário, repetidamente:
“Esclarecida essa questão, e negando peremptoriamente que haja qualquer ação coordenada de servidores públicos para defender o governo nas redes sociais – o tal gabinete –, Filipe ainda teve tempo de dar uma aula sobre globalismo, fenômeno que Chacras, Pontuais, Leitões e Camarottis continuam a confundir, em pleno 2019, com a globalização.”
Vejamos como evoluiu o argumento:
“Martins explicou ao Emílio Surita e seus ouvintes, que há dois movimentos no cenário mais amplo das relações internacionais: os territorialistas, também chamados de nacionalistas ou soberanistas; e os funcionalistas.”
O primeiro grupo, ele explicou, é o de que fazem parte Trump, Bolsonaro, Boris Johnson, Matteo Salvini, entre outros, cujo o elo que os unem é a defesa de que as decisões políticas e a determinação dos rumos de seus povos, sejam feitas nos limites jurídicos do território tradicional, segundo as leis ali discutidas, segundo os costumes antigos por eles cultivados.”
Mais comentários agora: esta direita europeia tem sido acusada de receber apoio de Putin, o que faz todo o sentido, pois ela vai contra a União Europeia, o que é extremamente útil para a Rússia. Quem compra o principal produto de exportação russa – e que mantém sua economia em pé, inclusive em pé de guerra –, os hidrocarbonetos em bloco, através de diretivas da União Europeia tem força como comprador. Ao contrário, quanto mais fragmentados, divididos e competindo entre si estiverem os importadores europeus, mais fáceis serão como alvos da pressão russa. Aliás, não faz muito tempo em que a economia russa sofria sanções devido a invasão da Crimeia e a guerra do Donbass na Ucrânia, a partir de 2014. Não é a atoa que a Ucrânia tenha um forte movimento nacionalista, anti-russo que também é pró união europeia. Como isso se explica na teoria de Filipe? Não se explica porque o mesmo jovem parte de uma classificação rígida, Funcionalistas vs. Globalistas e, que não explica o mundo e não serve para nada além de iludir.
Vejamos mais:
“Por outro lado, os funcionalistas – ou globalistas – apelam para uma reconfiguração da ordem social e política de forma que as diretrizes econômicas, de segurança, de saúde, de educação, de clima, etc., sejam tomadas por agências internacionais criadas exclusivamente àquela função, sob a promessa de que isso nos traria a paz e a prosperidade pelos séculos. ONU, Unesco, OMC, OMS, seriam prenúncios desse novo modelo.”
“Há nisto, de acordo com Filipe, uma tensão entre os valores tradicionais dos povos e interesses duvidosos de magnatas que o povão jamais viu as fuças. E seria este o pano de fundo que explica o Make America Great Again de Trump, e o nosso Brasil Acima de Tudo (de caráter nacionalista, soberanista, territorialista), Deus Acima de Todos (simbolizando a defesa dos valores antigos que, no Brasil, se assentam em torno da fé cristã).”
Isso é parcialmente verdade, mas não adianta contar verdades fragmentadas e descontextualizadas para criar uma grande mentira. Os valores tradicionais dos povos não são os valores de uma maioria religiosa que, verdade seja dita, está cada vez mais dinâmica. Em parte devido à migração, em parte devido à disseminação da informação, as crenças historicamente tradicionais se mesclam, seus significados são alterados e reinterpretados. Portanto, esses valores a que o Filipe se refere precisam ser explicitados e melhor, contabilizados em um estudo estatístico criterioso, coisa que a trupe olavista não tem por prática fazer.
Outro detalhe é que não há essa suposta harmonia total entre os funcionalistas como querem nos fazer crer, basta ver casos como a da Polônia, entusiasta da permanência na União Europeia, mas que não apoia a ingerência em sua politica doméstica. Outros países, na Europa Central seguem rumo parecido que, na pratica, é a velha ordem realista em que países e estados tentam impor suas agendas políticas aos demais, caso da Alemanha e da França, particularmente.
Em suma, o delírio desse assessor e seus acólitos de achar que existe um territorialismo-nacionalista contra um globalismo-funcionalista esquece o mais importante, a busca pela verdade que pode ser alcançada com uma perspectiva realista e nada mais.
Imagem: Por Kuebi = Armin Kübelbeck – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=61856977

sexta-feira, dezembro 06, 2019

Nossa Ilusão de Liberdade


Pode se dizer que fui anarquista quando jovem. Na verdade, só uma maneira de se posicionar ideologicamente frente ao mundo ao lado de minha ignorância. Quando amadureci, a social-democracia parecia racional e na pós-adolescência, o liberalismo era um impulso e ímpeto avassalador de desconstrução de mitos.
Vejo que hoje, as pessoas têm muito mais acesso a tais ilusões no supermercado da fé. Sempre que se tem mais acesso, não deixa de se enriquecer com algo, mesmo que isto também signifique maiores custos nem sempre acompanhados de responsabilidades. Nessa história vi muitos jovens embalados pelo sectarismo que quando envelheceram apenas mudaram seu foco-inimigo mantendo o mesmo modus operandi. Se antes idolatravam a União Soviética e a China, hoje passaram a fazer o mesmo com os EEUU ou a Inglaterra, mesmo não existindo mais um EEUU, nem a Inglaterra com que tanto sonham, o que nem preciso falar da URSS e a China é qualquer coisa distante do que sempre se imaginou, nem podendo dizer que ela mudou quando não sabíamos o que realmente era.
Na música é a mesma coisa, antes o rapaz se derretia ouvindo riffs de guitarra que hoje acha infantis. Numa busca obsessiva por se diferenciar, entende o mundo como um reflexo de suas predileções de momento, como um velho no asilo que vai ao jardim pensando que já viu demais o mundo por hoje. O fato é que pouco mudamos, pouco entendemos e cada vez mais parecemos o que nos assusta, robôs. Não como esses dos “filhos do capitão” (pensando na política doméstica), mas sobre aqueles determinados desde nossos códigos genéticos, uma combinação que guarda a ironia de acreditarmos em livre-arbítrio, quando ele próprio foi uma dádiva molecular.
E assim segue o barco, cada vez mais velhos fantasmas nos assustando no traslado que fazemos entre o amor próprio, que inclui o lugar onde nascemos e fomos criados e a fuga destas correntes para um cosmopolitismo que só funciona quando sobra dinheiro. Sempre que confiamos demais no nosso destino programado esquecemos de uma pré-programação e de que como uma pré-história nos olha a espreita esperando apagar o fogo da caverna e a tinta para riscar suas paredes.
Nesse mundo cada vez mais presente, porque nunca foi embora, tudo que temos é percepção que nos engana e nos conforta. Aí dizemos que está tudo bem olhando para o céu, enquanto não olhamos o abismo ao lado da estrada sinuosa em que nos sentimos livres.
Livres em uma estrada da qual não se pode sair.

Anselmo Heidrich
6 dez. 19
Imagem: “From Langar to Murghab“.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

A Fórmula Steinmeier e os Obstáculos para a Paz na Ucrânia


prolongado conflito entre a Rússia e a Ucrânia na guerra do Donbass já dura cinco anos e levou à morte de 13.000 ucranianos, 40.000 feridos e 1,5 milhão de desalojados. Como parte do trabalho para pôr fim a este conflito foram firmados, em 2014, os Acordos de Minsk, os quais não foram cumpridos, tendo ocorrido várias interrupções no cessar-fogo. Uma simplificação destes acordos, chamada de “Fórmula Steinmeier”, foi criada pelo então Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, e hoje Presidente, Frank-Walter Steinmeier, que previa eleições para os oblasts* conflagrados pela guerra, Donetsk e Lugansk.


Como condições para sua realização, as eleições deveriam ser livres, de acordo com a legislação ucraniana e observadas pela Organização para Segurança e Cooperação Europeia (OSCE). Ocorre que o presidente Zelensky só acataria a proposta se as tropas russas se retirassem antes do território ucraniano, sem o que não haveria possibilidade das eleições se realizarem. Isto é um complicador, uma vez que a própria Rússia sequer reconhece que suas tropas estejam lá, ou mesmo interfiram apoiando os rebeldes.

O que é a Fórmula Steinmeier”?

A Fórmula Steinmeier tem como objetivo estabelecer um autogoverno especial para os territórios em conflito através de um processo eleitoral, sob aval da Organização para Segurança e Cooperação Europeia (OSCE). Para tanto, a Ucrânia recuperaria o controle da região até sua fronteira leste e submeteria estas eleições à sua legislação. Levando tais requisitos em consideração, a fórmula foi finalmente assinada em 1º de outubro de 2019 por representantes da Ucrânia, da Rússia, dos territórios conflagrados (os oblasts de Donetsk e Lugansk) e da OSCE. 
A esquerda: Frank-Walter Steinmeier, responsável pela criação de um protocolo para aplicação dos Acordos de Minsk
No dia 2 de outubro de 2015, na cúpula dos líderes do Formato Normandia** em Paris, Steinmeier apresentou sua principal versão da fórmula para o plano de paz para implementação das cláusulas dos Acordos de Minsk. Ela obedecia às seguintes etapas:

1. Uma lei constitucional sobre o status especial dos territórios de Donetsk e Lugansk;
2. Uma lei para anistia sobre as ocorrências naqueles territórios, possibilitando que os envolvidos nelas possam ocupar cargos públicos;
3. Uma lei especial para realização de eleições naquele território.
Após 90 dias da entrada da lei eleitoral especial em vigor seriam realizadas eleições nos territórios em conflito. O Parlamento ucraniano aplicaria provisoriamente a lei sobre o status especial no dia em que as eleições fossem realizadas. Posteriormente, o Parlamento aplicaria a lei de status especial permanentemente, assim que a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) certificasse a lisura dessas eleições, atestando sua conformidade com os padrões da organização. 

Perspectivas russa e ucraniana

Para Zelensky não há possibilidade de eleições livres com a presença russa na região, em suas palavras, “não haverá eleições sob o cano de uma arma”. Para Moscou, a Ucrânia é um país estratégico para sua segurança nacional, de modo que qualquer aproximação com a União Europeia levanta suspeitas e, com a Otan, um alerta. George Friedman, da Stratfor, considera a interferência russa na Ucrânia de um ponto de vista defensivo: “A Ucrânia controla o acesso da Rússia ao Mar Negro e, portanto, ao Mediterrâneo. Os portos de Odessa e Sebastopol fornecem acesso militar e comercial para exportações, principalmente do sul da Rússia. É também uma rota crítica para o envio de energia para a Europa, um requisito comercial e estratégico para a Rússia, uma vez que a energia se tornou uma alavanca principal para influenciar e controlar outros países, incluindo a Ucrânia”.
Nesta perspectiva, sem comentar as decisões de Zelensky, Moscou já sinalizou positivamente ao acordo de paz, inserindo-o dentro de uma estratégia mais abrangente para sua segurança nacional. 
Como contraparte da perspectiva russa, uma forte tendência nacional ucraniana é enxergar a guerra do Donbass como resultado de uma fragilidade interna ocasionada pela crise econômica. Consequentemente, qualquer tentativa de acordo com a Rússia gera suspeita, como se Moscou quisesse, inevitavelmente, tirar vantagem disto. “Somos contra a guerra, mas também somos contra a derrota”, diz um cartaz de um dos comícios em uma das trinta cidades em que ocorreram protestos contra o acordo de paz. Para seus críticos, a submissão aos interesses de Moscou é uma forma de capitulação e um preço muito alto a se pagar pela normalização das relações com a Rússia. 
Outra visão é a de que o apoio das forças colaboracionistas do Donbass à Rússia só tem a força atual devido à crise econômica enfrentada pela Ucrânia. Isto quer dizer que, se o desenvolvimento econômico nacional fosse significativo, boa parte dos ucranianos insurgentes que hoje lutam contra Kiev recusariam quaisquer possíveis vantagens trazidas pelo apoio russo. Nesta linha de pensamento, o apelo étnico russófilo das populações do leste seria bem menor, quando não, insignificante: “Se menos da metade desses sonhos idealistas se tornasse realidade, muito mais pessoas do meu país diriam: ‘Dane-se, morar na Ucrânia é muito melhor’. O regime colaborador em Donbass estaria rapidamente perdendo popularidade. Lembre-se disso, foi o ressentimento por problemas econômicos intermináveis e instabilidade política na Ucrânia explorados pela propaganda russa que preparou o cenário para a guerra no Donbass, de várias maneiras”.
Este tema, no entanto, não é consensual, 2/3 dos entrevistados em uma pesquisa baseada em Kiev não souberam avaliar se a proposta é boa. A maioria dos ucranianos quer o fim da guerra, mas já ocorreram protestos contra a proposta de paz no dia seguinte à assinatura do acordo apresentado por Steinmeier, com a participação de muitos apoiadores do ex-presidente Petro Poroshenko e ultranacionalistas.

O ponto de vista europeu e americano

A retirada de forças “estrangeiras” ou “ilegais” e a restauração do controle ucraniano se faz necessária para que o acordo vingue, mas só viriam a ocorrer após as eleições nos territórios ocupados e discussões sobre como ocorreriam. Uma vez validadas local e internacionalmente, as forças russas se retirariam da área. As eleições na região do Donbass são, evidentemente, complicadas para Kiev. Lá, o extinto Partido das Regiões, pró-russo, detinha até 70% de aprovação durante décadas até 2014, quando a Rússia e os rebeldes passam a deter o controle da região. 
Para o Departamento de Estado Americano, as tropas russas têm que se retirar para não corromper o processo eleitoral: “Realizar eleições democraticamente válidas neste território sob controle russo é, portanto, impensável. Essa também é a posição do Departamento de Estado dos EUA, como o Representante Especial Kurt Volker a articulou repetidamente. Um ambiente seguro teria que ser estabelecido antes da implementação dos procedimentos políticos e técnicos para a realização de eleições. Como condições mínimas para um ambiente seguro, os militares russos devem se retirar do território, as forças ‘DPR-LPR’ devem ser dissolvidas e o lado ucraniano da fronteira deve ser colocado sob controle não-russo, de acordo com os comentários mais recentes de Volker sobre a Fórmula de Steinmeier (Ukraiynska Pravda, Interfax-Ucrânia, 14 de setembro de 15)”.
Independente de qual interpretação para a Fórmula Steinmeier prevaleça, Moscou entende que sua assinatura é uma condição essencial para que a Cúpula da Normandia continue sua missão de aplicar os Acordos de Minsk. As forças separatistas e ucranianas já começaram o recuo de uma cidade de Zolote no dia 29 de outubro. Petrovske, outra cidade nas proximidades, também deverá ser deixada pelas forças em combate para que as negociações tenham prosseguimento. Apesar dos obstáculos para a concretização da paz, as ações para sua realização estão ocorrendo. Como o presidente Zelensky ainda mantém elevado índice de aprovação, grupos extremistas nacionalistas na Ucrânia ou pró-russos não conseguirão obliterar o plano de paz.
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Notas:
Oblasts são unidades administrativas na Ucrânia, equivalentes aos nossos estados brasileiros.
** Formato Normandia foi um encontro diplomático entre os quatro representantes da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, para apaziguar a crescente guerra no Donbass. Levou esse nome por ocorrer em 6 de junho de 2014, paralelamente às comemorações do desembarque na Normandia.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Formato Normandia, em Minsk, 2015 (Alexander Lukashenko, Vladimir Putin, Angela MerkelFrançois Hollande e Petro Poroshenkorepresentantes e Chefes de Estado, respectivamente, da BielorrússiaRússia, AlemanhaFrança e Ucrânia, em Minsk2015)”(Fonte – By The Russian Presidential Press and Information Office – This file was derived from: Normandy format talks in Minsk (February 2015) 03.jpeg:, CC BYSA 3.0): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=38416194
Imagem 2 FrankWalter Steinmeierresponsável pela criação de um protocolo para aplicação dos Acordos de Minsk” (Fonte): https://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Frank-Walter_Steinmeier_20090902-DSCF9761.jpg