Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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sábado, setembro 05, 2015

Bobagens sobre o capitalismo e a social-democracia

Para uma visão limitada e fundamentalista, a NASA não poderia ser eficiente, pois seus recursos são advindos de impostos que o estado não aloca de modo correto (imagem: theguardian.com).

“Boa parte dos brasileiros tem uma visão bastante negativa do capitalismo. O Brasil tem diversas mazelas sociais: pobreza, violência, desigualdade, entre outras. A causa de todos esses problemas costuma ser atribuída ao capitalismo. Esse raciocínio está logicamente equivocado. Na verdade, o capitalismo é a única alternativa conhecida de tornar as nações mais ricas. “Isso é algo muito fácil de observar. Durante quase toda sua história, a humanidade viveu em situação de extrema pobreza. Somente a partir do final do século XVIII, com o advento da Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo, esse quadro começou a mudar. Pessoas comuns passaram a usufruir de bens que antes eram destinados somente a pessoas muito ricas. Por exemplo, no Brasil colonial, objetos simples como talheres ou copos de vidro eram considerados bens de luxo. No Brasil dos anos 1960-70, somente pessoas com alto poder aquisitivo podiam ter automóvel, telefone ou viajar para o exterior. O capitalismo tem um grande poder de baratear as mercadorias. A história nos mostra isso claramente. Com o passar do tempo, os produtos vão ficando melhores e mais baratos. Produtos antes de luxo se tornam acessíveis às pessoas de mais baixa renda. Mas não foi somente o consumo que se expandiu, a saúde também melhorou. No começo do século XX, a expectativa de vida no Brasil era de pouco mais de 30 anos, atualmente é de 75. (...) “Outros citam as experiências social-democratas como exemplo de sucesso. Ledo engano. A social-democracia não torna os países mais ricos. Ela simplesmente redistribui de maneira mais igualitária uma riqueza já existente. O que torna um país mais rico é o livre mercado.”
 Cf. O que muitos brasileiros não conseguem entender sobre o capitalismohttp://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/filosofia-politica/o-que-muitos-brasileiros-nao-conseguem-entender-sobre-o-capitalismo/ via @veja  

Chamar "desigualdade" de grave problema social que impede o brasileiro de entender o capitalismo não é acertado, em termos liberais. Porque se o capitalismo é a única alternativa para tornar as nações ricas, mesmo rico, a desigualdade não deixará de existir, apenas a base desta estratificação ficará muito melhor, o que para mim já é suficiente. Dizer que a desigualdade é uma “mazela social” subentende que a igualdade pode (e deve) ser alcançada pelo capitalismo. Na verdade, sociedades que se estruturam sob o capitalismo são profundamente desiguais, mas isto nunca foi um problema se há grande mobilidade social nessa mesma sociedade. Se uma nação recebe milhões de imigrantes todos os anos, provavelmente estes se situarão nos patamares inferiores de sua escala social, mas se dentro de alguns anos, sua situação já pode ser sensivelmente alterada em comparação com o que viviam, então senhores e senhoras, este sistema é altamente includente.

Agora, as mentiras, ele diz que a social-democracia não torna nações mais ricas esquecendo de observar que social-democracia não é o oposto de capitalismo, mas uma variante dele. Dizer que "só redistribui uma riqueza já existente" é uma contradição com o que ele já havia dito ao afirmar que o capitalismo enriqueceu os países ao longo do tempo... Ora, a social-democracia existe há décadas. Décadas... Na Nova Zelândia, quem primeiro começou com isto, a partir do século XIX foi no último ano deste século. Vai redistribuir o quê? O que havia antes de riqueza? O que uma Nova Zelândia apresentava de riqueza a ser distribuída do século XIX, ou Alemanha e Inglaterra no início do século XX? Sinceramente, não há consistência nenhuma em dizer que a social-democracia só distribui a riqueza, se ela foi parte constituinte do desenvolvimento da sociedade que gerou a própria riqueza. Por outro lado pode se questionar se sem esta organização política não haveria maior índice de riqueza; se formos conjecturar que a social-democriacia não é tão dinâmica, que terá ou já tem dificuldades devido à transição demográfica etc. Aí tudo bem, estas seriam questões relevantes, mas dizer que "só redistribui a riqueza já existente" é desonesto ou muita desinformação.

Apoiar o estado mínimo é o óbvio para qualquer liberal, no entanto dizer que o estado não costuma gastar, alocar os recursos de impostos de modo eficiente é um equívoco, pois esquece de comparar casos que é o que nos dá uma base para análise. Como funciona a educação finlandesa? Como funciona a pesquisa espacial americana ou o sistema de transporte público europeu? Todos estes setores têm forte participação estatal, mas numa análise rasa, não são recursos bem alocados porque o fundamentalismo antiestatista me impede de reconhecer variantes que desautorizem meus dogmas. Paradoxalmente, o estado é tratado como uma igreja e defendê-lo para desenvolver o capitalismo e sua sociedade aberta é pregação. Assim, quem se mostra um pregador barato e sem profundidade é quem acusa ao não se deter em detalhes. Buscar seletivamente apenas informações que corroborem meus princípios de fé não é uma postura investigativa digna de um analista social.

O problema quando se lê um artigo assim é que deixamos de observar os detalhes nem tão precisos porque nos fixamos nas banalidades das quais concordamos. Isto precisa mudar na nossa cultura, a tosca mania de procurarmos nos agrupar com quem concordamos no geral porque temos que formar mais uma “igrejinha de pensamento”.


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