Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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sexta-feira, setembro 04, 2015

Escolas Charter - 02


"Se o desempenho da instituição (leia-se, dos alunos) é critério para vantagens, os mecanismos forjados pelas escolas para selecionar os estudantes previamente ou minimizar sua participação nos indicadores não são desprezíveis"

"Eu particularmente acho mais não-desprezível a questão do sindicalismo. Também confio mais no governo e na sociedade para fiscalizar esse tipo de coisa do que para tocar tudo, uma vez que ele também terá interesse em maquiar as aparências para benefício próprio, ao mesmo tempo em que é mais imune a críticas, e mais engessado para mudanças. E, como a coisa não é monopolizada, então as escolas acabam também tendo um interesse em cobrar por fiscalização ou denunciar esquemas de corrupção com as concorrentes. Se é tudo do governo, a coisa praticamente se resume a chavões populistas como se gabar de ter "investido" mais, e questões de eficiência são geralmente deixadas de lado. De modo geral, o estado faz melhor em apenas fiscalizar aquilo que não tenha necessidade absoluta de gerir."

Cara 'seriedade', me alegro em ver um comentário lúcido em meio a tantas declarações ignorantes e preconceituosas feitas por 'educadores' que se limitam a repetir chavões e clichés à guisa de argumentos. Concordo em gênero, número e grau com sua visão, de que ao governo caberia muito melhor a atividade fiscalizadora e, sobretudo, à sociedade que se mostrando apática (não participando de reuniões de pais e mestres etc.), obviamente peca por deixar este processo nas mãos de políticos distantes dos problemas locais e funcionários carreiristas que inundam o setor público.

Vejamos aqui um parágrafo que é sintomático desta coletânea de erros de julgamento:

"Para Pilar, o Brasil ainda tem a avançar na cultura da escola pública, que passou da noção de uma escola para elites, exclusivista, para uma escola para pobres, negada pelas classes ricas. 'Como na França ou na Alemanha, precisamos ter uma escola pública para todos. Não é uma questão ideológica, mas um símbolo da vida democrática', diz."
[http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/167/artigo234913-1.asp]


Em primeiro lugar, o conceito de república não é o mesmo que democracia. Este último significa um regime de alternância do poder. O que a pesquisadora faz é confundir para angariar simpatia chamando a divergência de "não democrática", mesmo que implicitamente. Republicanismo, que a "coisa pública" seja realmente de todos não quer dizer que o estado deva ser seu gestor. Uma função não decorre necessariamente da condição de acesso ao poder e patrimônio. Até pelo contrário, aqui no Brasil, em nossa longa história de influência e herança patrimonialista (confusão entre o que é público e o que é privado), o estado brasileiro avança em áreas específicas criando distorções e ao não distinguir tratamentos dados à diferentes realidades acaba por impor uma homogeneização mais segregadora que qualquer outra coisa. Exemplo claro disto é a obrigatoriedade de ensino curricular e aceitação de livros didáticos (sugeridos pelo MEC) que não tratem de realidades locais e regionais com profundidade.

A questão financeira é fundamental para melhor gestão, que só pode ser feita a contento com fiscalização in loco. É muito mais fácil falsificar balanços orçamentários e avaliações de desempenho para quem está muito longe (em uma capital federal) e não percebe a mudança (para melhor ou para pior) de exemplos locais. Mas fica o aviso, uma escola charter não funciona apropriadamente bem sem a participação (e cobrança) local dos pais e responsáveis dos alunos.

E por fim, a frase da professora é ridícula na medida em que ela sugere ser do interesse das "classes ricas" impedir o acesso dos mais pobres ao ensino. Por uma questão de lógica esta afirmação não faz o menor sentido, uma vez que vários empreendimentos, sobretudo neste século que se inicia dependem, fundamentalmente, da maior instrução de empregados e funcionários. O capitalismo contemporâneo prescinde de meros cortadores de cana e quebradores de pedra quando tem máquinas capazes de fazer o mesmo com maior produtividade, mas precisa urgentemente de operadores qualificados destas.



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