sábado, junho 04, 2011

Tigre de papel... Picado


Inner Mongolia had long been regarded as among the tamest of China’s ethnic-minority regions. Even after the eruption of widespread protests and riots on the Tibetan plateau in 2008, and bloody inter-ethnic clashes in Urumqi, the capital of Xinjiang province, the following year, Inner Mongolia remained calm. More ethnic Mongols live in the Chinese province than over the border in independent Mongolia. Even so they form less than a fifth of Inner Mongolia’s 24m people, outnumbered by Han Chinese. Unlike Tibetans or Uighurs in Xinjiang, many Mongols have little if any mastery of their ancestral language.


A região chinesa da Mongólia Interior apresenta uma pequena minoria mongol (menos de 1/5 de 24 milhões) que para a realidade demográfica chinesa é insignificante. O fato é que o atropelamento de um trabalhador local por um caminhão dirigido por um chinês han (etnia majoritária no país) expôs um mal estar com o poder central e acusações de maus tratos quando da construção de obras federais que levou a protestos nas univesidades locais. Como consequência, o governo de Pequim tratou a questão com mais sensibilidade do que demonstrara em 1989 contra os estudantes na Praça da Paz Celestial, os tibetanos em Lhasa e os uigures (turcos) em Urumqi, talvez até por respeito a um possível reflexo de manifestações massivas que se viram no mundo árabe.
Parece que tudo está sendo bem encaminhado, mas uma coisa me chama atenção no caso, como sabemos pouco sobre a realidade chinesa. E claro, o mesmo para outros países distantes de nossa cultura. Um recado também deve ser dado aos arautos do catastrofismo que muitas vezes simplesmente expressam um desejo pelo pior ao mundo ocidental: este é o país que dizem que irá suplantar os EUA? Até pode ser, em termos meramente numéricos totais, seu PIB e ponto. Mas, a realidade interna revela problemas e um delicado equilíbrio que dada nossa ignorância sobre o mesmo aparenta uma estabilidade de bloco monolítico. Meramente falsa, como se vê através desses respingos que nos são noticiados. Ainda há muito por conhecer, evidentemente, mas sem dúvida que isto mostra uma China mais cautelosa e pouco afeita a aventuras irresponsáveis como aliar-se a países instáveis (Paquistão, p.ex.) para confrontar parceiros econômicos de peso do outro lado do Oceano Pacífico.
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sexta-feira, junho 03, 2011

Um guru de morte


Interessante, eu não imaginava que iogues defendessem a pena de morte...

Matando a sociologia


Sociólogo e mestre em ciência política assina a pérola abaixo:


Existe, sim, um nexo efetivo entre a votação do Código Florestal e os novos assassinatos de trabalhadores rurais. Não adianta negar. Por mais que cause irritação em setores do governo, nos donos do agronegócio e nos políticos que lhes prestam serviço no parlamento brasileiro, tal vínculo existe. É ele, aliás, que explica também o surto atual de crescimento das áreas desmatadas.
Quem aperta o gatilho, claro, é um pistoleiro de aluguel. Mata, arranca a orelha para provar a execução do serviço, recebe o pago do mandante e fica acoitado na espera de novas encomendas. Pistolagem, grileiros, contrabando de madeira de lei, desmatamento ilegal, entre outras, são violências antigas no campo brasileiro. Mas flutuam de intensidade a depender das relações de forças na política. Os que assassinam opositores e destroem florestas estão, na quadra atual, certos da impunidade, e se imaginam respaldados de cima.
(...)
Os marcados para morrer que se cuidem, pois a alma do governo está empenhada ao agronegócio.
(...)

O que me impressiona é que hoje neste país fazer "ciência social" não exige análise empírica, apenas uma imaginação pra lá de fértil. O autor das linhas acima desconsidera, por exemplo, que boa parte da pressão pela revisão do Código Florestal parte, justamente, de pequenos e médios agricultores que têm áreas proporcionalmente maiores para preservar. 30m de cada lado de cursos fluviais pode ser insignificante para latifundiários, mas não para minifundiários, óbvio. Esta análise proporcional porém não traz a mesma ênfase mistificadora que dicotomiza a sociedade em classes antagônicas, das quais os mais bem sucedidos devem ser demonizados. Como sociólogo, o estudo da cultura e sua base em estruturas sociais deveria ser levado em conta. Este seria o caso em que regiões mais isoladas dos centros econômicos onde o estado de direito se faz menos presente são mais violentas. A falta de legalidade abre um vácuo de poder que é preenchido pela violência, óbvio também. Mas, não, tudo pelo qual opta o autor é uma ultrapassada teoria entre explorados e exploradores na qual tudo deve se encaixar.

Desmate subsidiado e ausência de alternativas


Muito tem se falado sobre desmatamento e reforma do Código Florestal atualmente em vigor, mas o que não se comenta é o sistema de financiamento que leva a tais atividades tidas ilegais. Na verdade, o estado brasileiro paga um preço por sua falta de sinergia na qual suas próprias agências de fomento têm incentivado a ilegalidade por falta de clareza do modelo produtivo que pretendem desenvolver.
Nesta matéria abaixo fica claro como o próprio estado, para além do governo que é transitório, falta visão gerencial sobre o que muitos arrotam com o nome de "sustentabilidade socioambiental", expressão tão respeitável quanto vaga.

O Ministério Público Federal no Pará ajuizou nesta quinta-feira, 31, ações civis públicas contra o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia por terem concedido financiamentos com dinheiro público a fazendas com irregularidades ambientais e trabalhistas no Estado do Pará. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também é réu nos dois processos pela total ineficiência em fazer o controle e o cadastramento dos imóveis rurais na região.
Os empréstimos detectados pelo MPF descumpriram a Constituição, leis ambientais e regulamentos do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, além de acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. O MPF demonstra nos processos que o dinheiro público - de vários Fundos Constitucionais - vem financiando diretamente o desmatamento na região amazônica por causa do descontrole do Incra e das instituições financeiras.
"Desvendou-se, de forma factual, que as propagandas de serviços e linhas de crédito que abusam dos termos responsabilidade socioambiental e sustentabilidade não retratam essa realidade nas operações de concessão desses financiamentos a diversos empreendimentos situados na Amazônia, que em sua maioria são subsidiados com recursos dos Fundos Constitucionais de desenvolvimento e de outras fontes da União", diz o MPF nas ações.
(...)
Mais em : Eco Amazônia :

Já passou do tempo desta cantilena ambiental que visa apenas acusar e punir com multas ter algum crédito. A repressão sem alternativa só pode levar a mais ilegalidades que, em última instância, nem são compreendidas pelos próprios órgãos estatais que deveriam apoiar atividades sustentáveis. Se tais alternativas produtivas não forem realmente criadas e incentivadas, o pior dos mundos continuará existindo, a ignorância pelos agentes públicos do que venha a ser equilíbrio entre meio ambiente e desenvolvimento.
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Bolha nada, crescimento de fato




Nessa rota do desenvolvimento, o receio de Altamira e dos dez municípios da região do Xingu é sofrer a realidade já comum a outras cidades pequenas que foram cenário de grandes obras do país, mas ficaram à margem do desenvolvimento. O governo federal promete uma ação coordenada para garantir o crescimento sustentável do complexo do Xingu e hoje se reúne com empresários, prefeitos e organizações, em Altamira, para reafirmar esse compromisso. A cidade não vai esperar muito. A cinco quilômetros da aldeia Juruna, próximo ao local onde será instalado um canteiro de obras, um comerciante já anunciou a abertura de seu "centro noturno de lazer". A inauguração ocorre em dez dias.

FORT Xingu - Construindo um futuro sustentável: Belo Monte, bolha imobiliária e desenvolvimento ur...: "O jornal Valor Econômico publicou na quinta-feira, 2, extensa reportagem sobre a valorização imobiliária na região de Altamira, por causa da..."

Este tipo de preocupação tem passado ao largo dos ambientalistas, o Desenvolvimento Urbano. Não falo do alarmismo em relação ao crescimento populacional e suas manchas urbanas, mas sim quanto aos espaços intra-urbanos. O fato do m2 em Altamira ter se valorizado revela apenas que o espaço urbano, como qualquer mercadoria, sofreu uma demanda maior que sua oferta. Até aí nenhuma novidade, só que isto é que visto como o problema, enquanto que na realidade o que falta é capacidade de previsão e, sobretudo, orientação do crescimento através de planos diretores articulados a planos regionais de desenvolvimento. Do contrário, a esta altura do campeonato ficar chorando as pitangas não propõe nada, absolutamente nada de construtivo. Na verdade, tudo parece uma peça de teatro repetitiva onde se lamenta o crescimento urbano e desenvolvimento econômico para ao final, assim parece... Tascar-lhe um bruta dum imposto que afasta a atividade produtiva para outras plagas.

Portanto, chamar de "bolha" um processo como este implica em ignorar o que realmente acontece, o desenvolvimento regional que, normalmente, por onde passa tem se mostrado irreversível.
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quinta-feira, junho 02, 2011

O muro e a parede



Uma jornalista da CNN ouviu falar de um judeu muito velhinho que ia todo dia
ao Muro das Lamentações para rezar, duas vezes por dia, e lá
ficava por muito tempo. Decidiu verificar. Foi para o Muro e lá estava ele,
andando trôpego, em direção ao local sagrado. Observou-o rezando
por uns 45 minutos, quando ele resolveu sair, vagarosamente, apoiado em sua
bengala. Aproximou-se para a entrevista.
- Desculpe-me, senhor, sou Rebecca Smith, do CNN. Qual o seu nome?
- Morris Feldman - respondeu ele.
- Senhor, há quanto tempo o senhor vem ao Muro orar?
- Bem, há uns 60 anos.
- 60 anos! Isso é incrível! O que o senhor pede?
- Peço que os cristãos, os judeus e os mulçumanos vivam em paz. Peço
que todas as guerras e todo o ódio terminem. Peço que as crianças
cresçam em segurança e se tornem adultos responsáveis. Peço por amor
entre os homens.
- E como o senhor se sente, pedindo isso por 60 anos?
- Me sinto como se estivesse falando com uma parede...

domingo, maio 22, 2011

O produto da falta de capital mental


Cf.: Fascistas da FEA – USP querem polícia assassina no campus | Jornal Correio do Brasil

Sim, isto porque "progressistas" podem deixar matar a vontade até o dia em que os assassinatos ocorrerem na porta do FFLCH. Se é que os assaltantes em questão também não eram alunos da Filosofia, Letras e Ciências Humanas...

segunda-feira, maio 02, 2011

Quando parasitas falam com autoridade



É porque chegou o tempo de cagarem em nossas cabeças. Vejamos o que diz um deles:

‘NÃO TEMOS UMA REPÚBLICA COMO MANDA O FIGURINO’ « Sonia Racy

Como se "o que está aí" também não fosse justamente consequência do que tivemos no período colonial e no Império. Se for vergonha termos a corrupção generalizada, o que dizer então do sustento legalizado de improdutivos que herdaram títulos de nobreza?

domingo, maio 01, 2011

Lei tem que ser como a da Gravidade


Se não for para valer, de que vale? Exemplo e fundamentação da falta de valor da Lei no Brasil, embora se diga justamente o contrário...


Ainda de acordo com a assessoria do STF, caso seja configurado crime contra a honra de Marco, o ministro Ari Pargendler receberá uma notificação. E terá a opção de se retratar ou não. Caso opte por não pedir desculpa, segundo o STF, nada acontece ao ministro, e o caso fica por isso mesmo.


Agora leiam isto aqui:

“É certo, no entanto, que muitos desses princípios não saíram do papel, o que aliás os próprios constituintes já previam ao termino dos trabalhos. Já se sabia que muitos preceitos da legislação trabalhista não seriam (não poderiam ser, segundo os empregadores) cumpridos. Não acreditamos, apesar disso, que devemos encontrar aí as causas da vida curta dessa Carta.[1] Mais uma vez, não é a inexequibilidade e a inadaptabilidade às realidades sociais, políticas e econômicas do País que determinaram a ineficácia do texto constitucional (Bonavides, Paulo. “A Constituição de 1934: a instabilidade da ambigüidade” in: História constitucional do Brasil. Brasília, OAB Editora, 2004, p. 326).

Independente de quão ‘liberal’ ou ‘social’ foi esta Constituição (na verdade, marcou o início da legitimação do estado intervencionista no Brasil), a questão é sua inaplicabilidade. Isto que me choca, pois se a anterior, da República Velha (1891) não foi seguida a risca, nem essa e parece que nenhuma outra, com exceção das genuinamente autoritárias, então para que perder tempo com estes rabiscos?! Muito mais sincera, embora eu não seja monarquista, eram as anteriores, imperiais que dispunham de um Poder Moderador, expediente autoritário, mas sincero. O Brasil choca por reproduzir em quase tudo um hiato entre o que diz (por escrito ou não) e o que faz.

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[1] Logo depois foi imposta a Constituição de 1937.