Sobre: Tomatadas:
Professores fazem doutrinação por terem sido igualmente doutrinados
Diniz, o comentário deste,
eu suponho, professor é interessante porque toca em um ponto que muitas vezes
passa batido, sem que tenhamos dado a devida atenção. Ele diz que o fato do
professor escolher (eu diria sugerir),
três livros didáticos para as secretarias de educação, municipais ou estaduais proferirem
o veredicto final, não implica que ele tenha muita influência no processo
decisório e, portanto, em sua capacidade de doutrinar. Ora, a premissa do
comentário é equivocada, pois a capacidade de doutrinação não tem uma forçante formal,
não é porque o estado ou município vaticina algo que os professores consentem.
Se fosse assim tão simples, não teríamos oposição na ditadura porque o que mais
tínhamos era censura e nem por isto professores, artistas e, muito menos,
alunos concordavam com a ideologia oficial e sua propaganda. Ele diz que nas
escolas particulares é bem pior porque, muitas vezes, se adota o sistema
apostilado onde “tudo já vem pronto”. Outro equívoco, o que uma escola
particular quer é que seu aluno fique satisfeito e não haja reclamações dos
pais (daí a difícil tarefa de lidar com indisciplina, sobretudo quando ela é
majoritária). Portanto, se o professor entrar com camiseta do Che Guevara na
aula de História ou Geografia(!), mas for um “professor-show”, i.e., um entertainer ou, de modo menos adocicado,
um palhaço está valendo. Eu já vi
vários casos, que não creio ser a maioria, em que professores seduziam alunos
(sobretudo alunas com seu charme de gigolô) e se faziam de amigos de
adolescentes com seus crônicos déficits de presença paternal. Em um dos mais
bizarros casos que vi, um professor de história entrou assoviando e
cantarolando em sala de aula após o atentado de 11 de setembro nos EUA. Mais tarde
ele se tornou um vereador em Santos, SP... Em suma, tem IBOPE? Os professores
pintam e bordam. E se for em escola pública, nas quais a aceitação por parte
dos alunos não é levada em conta como no setor privado? Se o professor
concursado já tiver obtido sua estabilidade estatutária, eles também pintam e
bordam.