quinta-feira, dezembro 13, 2018

Coletes Amarelos e suas Máscaras


Imagem: https://frenchly.us/could-the-us-have-gilets-jaunes/
O que vocês leram e ouviram sobre a revolta dos “coletes amarelos” na França? Eu li um amontoado de asneiras, de todas as estirpes políticas. O texto abaixo, com uma série de exigências (ou “demandas”) do movimento só prova o que eu já havia intuído lá atrás, de que a revolta e caos generalizado no país não tinha nada a ver com “indignação contra a social-democracia”, como alguns tontos liberais divulgaram em suas redes sociais e canais de YouTube (especialmente estes com dezenas de milhares de seguidores afoitos por interpretações que corroboram seus preconceitos). Logo vi que toda aquela destruição não era por nenhum imposto ecológico, basta uma leitura rápida para entender que estatização de empresas e oposição à Otan não tem absolutamente nada a ver com o custo do combustível. Isso, nada mais foi do que o aproveitamento de uma situação para inflamar o país com os eternos descontentes e vândalos profissionais. Lixos, escória, sem deixar de mencionar os burros brasileiros da Nova Direita que repetem bovinamente um argumento anti-establishment tão fora da realidade quanto o discurso revolucionário ultrapassado da velha Esquerda. Dois grupos estúpidos que se merecem.
De um lado, a carcomida Esquerda falando em “Nova Revolução Francesa”, de outro, a alucinada Direita que deve se basear em alucinógenos de primeira falando que “os globalistas”, “George Soros” é que estão por trás e, não esqueçamos deles, os limitados liberais que só enxergam tudo pelo viés econômico de questões que são mais complexas dizendo que é “o desgaste da social-democracia”. Lembram-se da “Primavera Árabe” em 2010? Dependendo do “solo” onde foi lançada a semente da insurreição, o resultado pode ter sido totalmente diferente: na Tunísia, com a derrubada de um ditador e restabelecimento da democracia, no Egito, idem, mas que levou um grupo fundamentalista ao poder, a Irmandade Muçulmana, para depois também ser derrubada, na Líbia e na Síria, guerras civis. Ou seja, não há fórmula para o sucesso e o que se entende por “sucesso” depende dos atores em questão. Aqui no Brasil, como sabemos, o processo ainda está em curso e a integração entre movimentos sociais e processos institucionais, como a Lava-Jato ainda renderão frutos, promissores espero. Mas, o que dizer da França? Tal e qual ocorreu em 2013, com as manifestações contra o aumento das passagens do ônibus em 20 centavos, elas capitalizaram vários outros grupos com ideários distintos (pena de morte, intervenção militar etc.) e que fugiram completamente ao script original de seus formuladores. Se me entenderam, as manifestações na França não foram contra imposto ecológico, ao menos não em sua expressão final e calamitosa.
Caros liberais, onde eu espero que venha um mínimo de sanidade nisto tudo, que há de racional em protestar contra um aumento de imposto quebrando e vandalizando patrimônio público e privado? Não sejam tolos. Isto é fomentado por partidários da Direita de Marie Le Pen e os clássicos sabotadores da Esquerda que temem o governo reformista de Macron, que sim, tem sido correto na medida do possível e pretendia tirar privilégios da casta sindical, mas que infelizmente já parece ter capitulado.
Anselmo Heidrich
13 dez. 18
Agora, fiquem com o lixo, cuja autoria eu desconheço:
Atenção Sr. Presidente eleito. Estas são as solicitações dos “Coletes Amarelos” na França. Acho bom examiná-las com muito carinho e atenção.
A segunda revolução francesa começou e está se espalhando por toda a Europa. Nenhuma notícia sua não está nos mostrando isso, pois eles não querem que o povo americano tenha idéias sobre se levantar contra a elite. Você acha que é apenas sobre um imposto sobre o gás? Não, essas pessoas estão decididas a recuperar o país do 1% que controla tudo. Acho que vou fazer torradas para comemorar esta manhã. Talvez algumas batatas fritas francesas também. E meu café sai de uma editora francesa. Amo os franceses!
A seguinte lista de demandas tem circulado entre os usuários de mídia social francesa nos últimos dias. Nós não sabemos suas origens exatas ou autor (es), mas parece que apareceu pela primeira vez aqui em 5 de dezembro. Você terá que clicar na imagem para ampliá-la se quiser lê-la em francês. Nós traduzimos para o inglês (em resumo, não palavra por palavra) abaixo …
Lista de demandas dos Coletes Amarelos.
1. Economia / Trabalho.
Um teto constitucional sobre impostos — 25%.
Aumento de 40% na pensão básica e bem-estar social.
Aumentar a contratação no setor público para restabelecer os serviços públicos.
Grandes projetos de construção para abrigar 5 milhões de desabrigados e penalidades severas para prefeitos / prefeituras que deixam as pessoas nas ruas.
Dividir os bancos “grandes demais para falir”, separe novamente os serviços bancários regulares dos bancos de investimentos.
Cancele as dívidas acumuladas por meio de juros usurários.
2. Política.
Emendas constitucionais para proteger os interesses do povo, incluindo referendos vinculativos;
O impedimento de grupos de pressão e interesses da tomada de decisão política.
Frexit: Deixar a UE recuperar nossa soberania econômica, monetária e política (Em outras palavras, respeitar o resultado do referendo de 2005, quando a França votou contra o Tratado Constitucional da UE, que passou a se chamar Tratado de Lisboa, e o povo francês ignorou).
Repressão à evasão fiscal pelos ultra-ricos.
A cessação imediata da privatização e a renacionalização de bens públicos como autoestradas, aeroportos , ferroviário, etc…
Remoção de toda a ideologia do ministério da educação, acabando com todas as técnicas de educação destrutiva.
Quadruplicar o orçamento para a lei e a ordem e coloque prazos para os procedimentos judiciais. Faça o acesso ao sistema de justiça disponível para todos.
Acabar com os monopólios da mídia e com sua interferência na política. Tornar a mídia acessível aos cidadãos e garantir uma pluralidade de opiniões. Acabar com a propaganda editorial
Garantir a liberdade dos cidadãos através da inclusão na constituição de uma proibição total da interferência do Estado nas suas decisões em matéria de educação, saúde e família.
3. Saúde / Meio Ambiente.
Não mais ‘obsolescência planejada’ — Garantia obrigatória dos produtores de que seus produtos durarão 10 anos e que as peças de reposição estarão disponíveis durante esse período.
Proibir a influência das grandes farmacêuticas na saúde em geral e Hospitais em particular
Proibição de plantações de OGM, pesticidas carcinogênicos, desreguladores endócrinos e monoculturas
Reindustrializar a França (reduzindo assim as importações e, portanto, a poluição)
4. Relações Exteriores.
Acabar com a participação da França em guerras de agressão no exterior e sair da OTAN
Cessar a pilhagem e interferir — política e militarmente — em Francafrique, que mantém a África pobre. Imediatamente repatriar todos os soldados franceses. Estabelecer relações com os estados africanos numa base de igual para igual
Evitar os fluxos migratórios que não podem ser acomodados ou integrados, dada a profunda crise civilizacional que estamos experimentando
Respeitar escrupulosamente o direito internacional e os tratados que assinamos.

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Ricardo Felício e o Ministério do Meio Ambiente


Ricardo Felício
“Bolsa de apostas O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), incluiu o professor de geografia Ricardo Felício entre as opções analisadas para o Ministério do Meio Ambiente. O nome do ex-procurador Paulo de Bessa Antunes, especialista em direito ambiental, também está em avaliação.
“Tudo mentira Professor da Universidade de São Paulo, Felício considera o aquecimento global uma farsa criada por cientistas e organismos multilaterais. Seu currículo foi analisado por colaboradores de Bolsonaro, e ele tem simpatia do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente eleito.”
Isso já era previsível e não que eu não ligue para a questão, mas estamos lidando com extremos. Agora temos um grupo que acha que o assunto merece uma reação inversa. Antes nós tínhamos um grupo que achava que a fiscalização, multa e tributação eram suficientes. Não vejo solução em nenhuma dessas perspectivas.
Imagine um profissional capaz de montar uma equipe com experiência de MP em causas ambientais e de empresas ligadas ao setor? Capaz de depurar preocupações ambientais legítimas (extinções, equilíbrio homeostático etc.) com meios de desenvolvimento econômico que permitam a resiliência dos sistemas (hidroelétricas que permitam o percurso de espécies nos rios, mesmo que em menor quantidade etc.).
Agora, em termos mundiais, o que isto tudo representa? Os principais fatores ligados à emissão de gases-estufa continuarão ocorrendo. Olhe para todos os conflitos mundiais atuais em larga escala, eles são por causa das reservas de hidrocarbonetos. Tu acha mesmo que irão parar ou substituir? O que pode ser feito é minimizar o problema, mas não substituir integralmente as fontes. Rússia e O. Médio continuarão exportando petróleo e gás baratos, EUA, Europa e China continuarão importando em larga escala.
No caso específico do Brasil, um dos fatores são as queimadas. Aqui mesmo no meu bairro, elas são frequentes. No interior do RS, agricultores e pecuaristas o fazem e alegam que obedecem normas ambientais, enquanto que os MPs negam. Simplesmente, não conseguirão fiscalizar e multar a todos e as consequências ocorrerão, como aliás já estão ocorrendo.
Anselmo Heidrich
06 dez. 18

domingo, dezembro 02, 2018

A verdade sobre a Venezuela

"A grande mídia"; "interesses de oligarquias"; "império norte-americano"... Quem é que cita refrões mesmo?

Negócio é o seguinte, os EUA diminuíram sua taxa de importação após o desenvolvimento da tecnologia do Fracking. Quanto aos interesses econômicos no Oriente Médio, o vídeo descarta, completamente, a existência da Rússia, que só tenderia a perder com a passagem de dutos do Cáspio a partir de reservas de países independentes para o oeste (Europa). Se há interesses no Oriente Médio, seguramente, ele não é de exclusividade americana.

A conclusão de que o petróleo barato tornava o povo venezuelano pobre é um erro, pois este setor já concentrava em poucas mãos (porque há pouca concorrência e diversificação). A "reformulação de todas as instituições do estado" na Venezuela incluíram a alteração e supressão da independência de poderes no país, que inclusive levou ao aparelhamento de estado, tal como o PT também fez aqui, de forma mais branda. Obviamente, estes fatos são ignorados pelo vídeo, assim como a Venezuela foi um dos poucos países no mundo que a sua população definhou, perdendo peso em massa, o canibalismo também surgiu e o empobrecimento brutal atingiu 9 entre cada 10 venezuelanos.

Claro que o socialismo bolivariano é uma piada, pois se desse certo não reclamariam de que seu maior importador, os EUA, não precisa mais de sua commoditie como antes (devido ao aumento da oferta devido a nova tecnologia).

Outro dado interessante é a tentativa de anexar o oeste da Guiana, plano declarado das forças armadas venezuelanas (que são o verdadeiro problema) devido a sua incorporação ideológica. Os países, latino-americanos, no geral, salvo alguma manifestação moribunda da esquerda aqui e ali abandona paulatinamente esse processo. É questão de tempo para derrotar os chavistas e o Exército Brasileiro já deu um ultimato (prontamente recebido e atendido pelos venezuelanos) de que não admitiria violência (violação da integridade territorial de um país vizinho) na região.

Sinto dizer, mas este vídeo é uma falácia pura. Se quiser entender o que, realmente, aconteceu na Venezuela assista este aqui:

https://youtu.be/8sxXYuhWF1s



Já, o lixo do qual critiquei, foi este aqui:

domingo, novembro 25, 2018

A Entrevista de Olavo de Carvalho ao Estadão


Olavo de Carvalho em entrevista para o Estadão diz:
“O presidente (Donald) Trump disse que tem US$ 267 bilhões esperando para investir no Brasil, eu acho que isso é muito bom. Não adianta nada dizer “ah, isso vai desagradar a China”, como disse aquele idiota do Mino Carta, “ano passado o comércio com a China nos deu 20 milhões de superávit”, muito bem. A China só fez isso porque o governo Lula e Dilma e o Temer também estavam distribuindo dinheiro para os amigos deles, os amigos da China: Cuba, Angola, Venezuela, etc: 1 trilhão. Levamos 20 milhões e distribuímos 1 trilhão. Que beleza, né? Claro que se o governo parar de representar vantagem política para a China, acaba o comércio na mesma hora. Comércio com a China é escravidão. Isso é óbvio e todo mundo deveria saber disso. Vai perguntar para o Tibet se é bom conversar com a China. Agora, para os EUA, é bom, porque a riqueza da China é quase feita toda de dinheiro americano. Outra coisa, tem gente que chega a ser tão idiota que ultrapassa a medida do acreditável.”
É o contrário, idiota. Se temos como expectativa, uma expectativa de Donald Trump investir aqui, não é o mesmo que ter poder com o comércio externo com quem quer que seja, que no caso são 20 milhões com a China (desconfio que sejam muito mais). No primeiro caso se depende de concessões, de regulamentações e de troca de favores na dependência (mercantilista) de um governo que amanhã ou depois pode não estar mais aí, no segundo, com a China, poder real devido a dependência deles em relação aos nossos produtos, notadamente, a soja. E a pauta deveria aumentar, qualitativamente.
Quanto à distribuição de recursos para países africanos e Cuba, ela seguiu uma linha equivocada na política externa, para não dizer estúpida mesmo de que o relacionamento “sul-sul” seria mais vantajoso para o país. E claro, isto provavelmente contou com uma rede de propinas e subornos que traria de volta parte dos recursos para permanência do PT no poder. Neste sentido, a indicação de Ernesto Araújo para Ministro das Relações Exteriores que pretende pôr a nu tudo isto é uma excelente notícia, mas quem pensa que a dependência e papel de fiel escudeiro dos EUA é uma “agenda de direita” não passa mesmo é de um fiel idiota.
O argumento de que a China só comercializa com o Brasil ou o faz porque vê vantagem nesta associação no apoio brasileiro a ditaduras, inclusive a Cubana não manja nada, nada nadica de nada de relações externas, muito menos de interesses de estado (imagine um acéfalo como Olavo como embaixador…), pois a China segue um roteiro imperialista pautado na acumulação de capital dirigida pelo PCCh, ou seja, são eles em primeiro lugar e sua inserção na economia africana, p.ex., é puro business, não segue pauta ideológica nenhuma. Só um completo ignorante acha que eles favorecem ditaduras de países pobres que não têm nada a dar em troca (veja a participação quase nula deles em Cuba, p.ex.).
Usar o caso do Tibet é estúpido, esta imensa região já pertencia ao domínio chinês que foi perdido com o fim do império e mudança para a república, para depois ser retomada pelos comunistas. Não justifica, não, mas se entende que é muito anterior e só um ignorante para achar que a China segue sendo maoísta. Como, aliás, assinalou o próprio chanceler indicado…
Recomendo que os súditos mentais do astrólogo aiatolavo leiam tratados e artigos mesmo falando do realismo político nas relações externas e como a China faz, muito parecido aliás, com os próprios EUA antes desses se firmarem como centro econômico mundial, centro este que tem mais de 80% dos produtos na sua maior rede de lojas de departamentos vindos da… China! Guerra entre eles? Rende bons filmes.
Guerras existirão, são o consumo de uma indústria poderosíssima, mas por procuração, como se monta no Mar da China Meridional, região disputada por suas reservas petrolíferas onde se instalam ilhas artificiais como estratégia de domínio pelo governo chinês. Apesar de toda ligação comercial da China com os EUA, Taiwan ainda permanece como forte aliada americana e não será cedida para os chineses em troca de um acordo. O Japão, milenar rival da China já requer investimentos em forças armadas e assim segue a toada, com mais arpejos da maior marinha do mundo, a americana. A China segue com suas limitações militares e tem seus imensos problemas internos. Não achem que os países, ainda mais os gigantes são todos harmônicos e de interesses homogêneos, isto não funciona assim.

Anselmo Heidrich
25 nov. 18

sexta-feira, novembro 23, 2018

O Ministro Ricardo Vélez-Rodríguez e o MEC


Eu não acredito em carta de intenções, em discursos treinados e resumos ideológicos adaptados a situações complexas. Mas… Um discurso, uma carta podem ser úteis para detectarmos certos elementos do que está por vir, ao menos parcialmente… Vejamos aqui, o famoso artigo do futuro Ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodríguez “Um Roteiro para o MEC”. Vai aqui, o link que eu recomendo que leiam (não é muito extenso):
Vou descartar de minha análise toda a justificativa de porque ele, Ricardo preferia votar e fazer campanha para Jair Bolsonaro, que não é o objeto de discussão aqui e sim, especificamente, os temas propriamente educacionais. Então vamos ao que interessa…
No terceiro parágrafo diz:
“Enxergo, para o MEC, uma tarefa essencial: recolocar o sistema de ensino básico e fundamental a serviço das pessoas e não como opção burocrática sobranceira aos interesses dos cidadãos, para perpetuar uma casta que se enquistou no poder e que pretendia fazer, das Instituições Republicanas, instrumentos para a sua hegemonia política. Ora, essa tarefa de refundação passa por um passo muito simples: enquadrar o MEC no contexto da valorização da educação para a vida e a cidadania a partir dos municípios, que é onde os cidadãos realmente vivem. Acontece que a proliferação de leis e regulamentos sufocou, nas últimas décadas, a vida cidadã, tornando os brasileiros reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista, travestida de ‘revolução cultural gramsciana’, com toda a coorte de invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do ‘nós contra eles’ e uma reescrita da história em função dos interesses dos denominados ‘intelectuais orgânicos’, destinada a desmontar os valores tradicionais da nossa sociedade, no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo.”
Há uma crítica ao uso das instituições republicanas, “uma casta”, como diz e ele está se referindo a funcionários que adentram a estrutura do estado aparelhando-o para projetos próprios. Sua perspectiva de “enquadrar o MEC (…) para a vida (…) a partir dos municípios” revela o tom descentralizador deste artigo como ficará evidente ao final “menos Brasília e mais Brasil”. Isso é muito bom, a possibilidade de termos programas mais adequados à realidades regionais e infra-regionais e não ter que seguir bases curriculares nacionais extensas e altamente ideologizadas, o que têm sido a tônica do MEC nos últimos tempos.
Agora nem tudo são flores, o que ele deixa claro que a ideologia marxista corresponde a uma “doutrinação de índole cientificista”. Isso é bobagem. “Cientificista” não é científico, ciência é ciência e só. Se eu ensino a Teoria da Evolução por Darwin e suas correções críticas posteriores como a de Stephen Jay Gould, isto não é imposição sobre a maneira de ver o mundo das pessoas, sobre a metafísica ou o que elas acreditam que existe além de nosso mundo físico. A ciência não entra neste campo, não a que é e que deve ser ensinada nas escolas. Como dizia Sagan, “a ausência da evidência não significa evidência da ausência”. O fato de pensarmos em como ocorreu a evolução da vida não me dá elementos para dizer o que iniciou a vida, qual a força ou intencionalidade desta força. “Cientificista” seria estender uma filosofia particular a partir do conhecimento científico, mas que em si não é a própria Ciência. Esta confusão pode levar nosso futuro ministro a tomar uma posição anti-científica porque desconfia que a ciência carrega em si um potencial confronto com sua visão da vida, religiosa no caso.
“Valores tradicionais…” Não há uma composição familiar uniforme, embora haja um padrão majoritário. Cuidado ao tomar o conceito de “família” de modo homogêneo porque pode se estar falando em nome de algo mais dinâmico do que se desejaria. A religião também não é “A” religião, mas religiões. Um ambiente civil ordeiro deve contemplar diversas religiões que podem até ser concorrentes, mas sempre dentro de bases civilizadas. Claro que aquele tipo de culto que atenta contra vida alheia tem que se submeter ao nosso estado de direito e se adequar. Acredito que o futuro ministro concordaria comigo na última consideração, mas não sei se ele tem clareza das outras duas, sobre a família e as religiões.
Ricardo Vélez-Rodriguez tem razão ao criticar o Enem, com a imposição de um modelo de pensamento que se diz “crítico”, mas tudo que faz é abafar a crítica. Balela! Quando se tratam de questões objetivas como em exames vestibulares, como os alunos farão explanações críticas, com exceção das redações? Então, para se respeitar o máximo de autonomia de pensamento, as questões têm que se limitar ao mais consensual e objetivo possível.
Agora, há uma passagem que me assustou sobremaneira:
“Outra proposta apareceu, afinada com as empresas financeiras que, através dos fundos de pensão internacionais, enxergam a educação brasileira como terreno onde se possam cultivar propostas altamente lucrativas para esses fundos, mas que, na realidade, ao longo das últimas décadas, produziram um efeito pernicioso, qual seja o enriquecimento de alguns donos de instituições de ensino, às custas da baixa qualidade em que foram sendo submergidas as instituições docentes, com a perspectiva sombria de esses fundos baterem asas quando o trabalho de enxugamento da máquina lucrativa tiver decaído. Convenhamos que, em termos de patriotismo, essas saídas geram mais problemas do que soluções.”
Eu li errado, eu entendi errado ou o futuro ministro se mostrou pessimista com a atuação de empresas que queiram investir em programas educacionais no Brasil? Quer dizer que mal sentimos os efeitos desses empreendimentos que teriam muito a contribuir para expansão do mercado educacional e já temos um ministro bem antipático a sua atuação. Este “patriotismo” que tanto fala me parece mais do mesmo, uma máscara para o velho estatismo. Sua crítica ao modelo varguista, ao janguismo, ao pretérito e atual patrimonialismo brasileiro e, recentemente, ao petismo são todas justas, mas não adianta substituir seis por meia dúzia propondo outra forma de monopólio estatal na educação.
Como eu já disse alhures, melhor que o #EscolaSemPartido é o #EscolaSemEstado. Mas seu detalhamento fica para outro artigo.

Anselmo Heidrich
23 nov. 18

Ricardo Vélez Rodriguez e a Educação

Ricardo Vélez Rodriguez é um religioso (nunca li nada dele, exceto comentários por terceiros, jornalistas) que diz que “Darwin é mais um” tirando com isso a relevância dele. BEM, MINHA OPINIÃO é a seguinte, pior do que está não fica. SE (EU disse SE) ELE IMPLEMENTAR UM BOM PLANO DE ALFABETIZAÇÃO, tradicional, antigo, do nosso tempo JÁ VALEU. Ele não é louco de tirar a Teoria da Evolução do currículo. Se o fizer também, será inócuo … Agora, eu preferiria alguém mais “técnico’, mas como eu sempre digo é impossível ser NEUTRO, mas poderíamos ser mais OBJETIVOS.
Na área dele, ele tem um currículo acadêmico invejável, de filosofia à teologia passando pela politicologia. Professor da UFJF, colombiano naturalizado brasileiro e com assento em vários institutos. Ou seja, não é um bosta de um Haddad, ou um Mercadante, gente que não sabe nada do assunto e já virou ministro da educação.
Não me arrependo de ter votado 17, até agora, no meu ponto de vista, o único GRANDE ERRO foi o ministro das relações exteriores, um cara chamado Ernesto Araújo adepto de uma visão de mundo conspiracionista. Troque o vilão do “imperialismo” da Esquerda pelo vilão do “globalismo” da Direita e tu vai entender o cara. Ao invés de culpar Trump (quem ele admira) substitua por George Soros, um mega-investidor bilionário que apoia grupos de esquerda ao redor do mundo.
Daí eu te pergunto, os problemas do Brasil tem a ver com esses dois, Trump ou Soros ou nós mesmos?
Anselmo Heidrich
23 nov. 18

Leandro Narloch acerta sobre o Escola Sem Partido

Leandro Narloch​ acerta sobre o Escola Sem Partido​. E a Esquerda tem tudo para ajudar o projeto a emplacar… COMO?! Sim, exatamente! Pois ao negar que o problema existe — o viés gritante e casos de assédio moral com base em discursos e posturas político-partidárias em sala de aula -, os grupos de Esquerda e professores irão ajudar a fomentar os argumentos da Direita que quer sua aplicação. Agora, é uma tolice não ver os limites do projeto que não conseguirá desenvolver programas que contemplem a diversidade de pensamento porque o mesmo se limita a uma “agenda negativa”, isto é, na condenação do que discorda e não apresenta propostas de como isto deveria ser, concretamente. E para aqueles pais e cidadãos indignados com a doutrinação pergunto antes se:
1. Você sabe o que é “doutrinação”?
2. Você tem noção de que o próprio ensino da Teoria da Evolução, por exemplo, dentro desta perspectiva já pode ser considerado como “doutrinação” por quem discorda dela?
Quem acha que isto é procurar pelo em ovo tenho a dizer duas coisas, para começo de conversa…
1. Escolas com mantenedores religiosos rejeitam a Teoria da Evolução (eu mesmo já fui preterido em uma por causa do capítulo Eras Geológicas que queriam que fosse encaixado em apenas 3.000 anos);
2. Qualquer pensamento político adverso à própria Esquerda será alvo da claque de Esquerda que poderá denunciar o professor por “doutrinação” também.
Apoiadores do Escola Sem Partido tem que estudar os conteúdos antes de darem pitaco no que ignoram. Opinem, critiquem, sugiram, mas ANTES estudem.
E mesmo que o projeto fosse bem sucedido naqueles casos de propaganda e ataque explícitos como temos visto em vídeos (para isso já tem lei), a doutrinação fina, não perceptível a primeira vista, sutil continuará campeando porque:
1. Falta diversidade e liberdade curricular;
2. Falta diversidade na formação do professor que teríamos com liberdade na formação de cursos superiores.
A chave, meus amigos está em mais liberdade e não na mera restrição ou censura.
Por isso, muito melhor do que um #EscolaSemPartido é a #EscolaSemEstado.
Anselmo Heidrich
22 nov. 18