Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

Compre o livro NÃO CULPE O CAPITALISMO nos links abaixo:




terça-feira, outubro 16, 2012

O futuro de minha geração – I

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/gente-um-tabu-a-ser-enfrentado

Por Anselmo Heidrich

Espero morrer antes de ficar velho (falando sobre minha geração)[1] cantava Roger Daltrey, vocalista do The Who, com seus menos de 21 anos. A indignação pela repressão discriminatória à geração que formaria a base da contracultura dos anos 60 dava lugar a um dos mais tolos preconceitos, o de que “velhos são ultrapassados”. Modas intelectuais e ideologias melhor formatadas também produziram este tipo de pensamento, de que o que é bom já se foi, ou dura pouco, ou pertenceu a uma “idade de ouro” impossível de repetir. Dentre tantos exemplos que podemos colher, vejamos este:

Com os preços subindo
 , muitos das famílias mais pobres do mundo já havia reduzido o seu consumo para uma refeição por dia. Mas, infelizmente, para muitas famílias, mesmo isso não é mais possível. Milhões de famílias agora rotineiramente agendar dia desnutridos cada dia de semana em que não comer nada.
Uma pesquisa recente da Save the Children mostra que 24 por cento das famílias na Índia têm agora dia desnutridos. Para a Nigéria, o número comparável é de 27 por cento. Para o Peru, que é de 14 por cento.
Em um mundo com fome, fome muitas vezes tem o rosto de uma criança. Milhões de crianças estão perigosamente com fome, alguns muito fracos para caminhar até a escola. Muitos são fisicamente e mentalmente atrofiado.[2]
Mas, será que é isso mesmo? Vejamos alguns dados de um clássico no assunto... Segundo Bjørn Lomborg, em seu O Ambientalista Cético, cerca de dez anos atrás dizia que enquanto regiões do globo como Ásia e América Latina tiveram aumentos significativos na produção de alimentos, outros como a África, não. Embora já tenham mantido níveis similares de produtividade, África e Ásia se distanciaram devido à discrepância na adoção de fertilizantes e irrigação. A verdade é que, de modo geral, a produção agrícola aumentou em termos mundiais. De 1960 a 2000, os EUA passaram de 2.800 calorias diárias per capita para cerca de 3.800; a UE de 3.000 para 3.400, respectivamente; o Oriente Próximo e o norte da África, de 2.000 para mais de 3.000; a gigantesca Ásia, de cerca de 1.900 para 2.700 calorias diárias per capita. E, até mesmo a miserável África Subsaariana conseguiu aumentar seu índice de consumo calórico diário, de 2.100 para 2.200, no mesmo período.[3]
Então, se o mundo não está tão mal assim como é constantemente alardeado pelos meios de comunicação, sobretudo sites e blogs de ambientalistas militantes, por que diabos somos bombardeados com informação oposta? Vejamos um trecho deste artigo publicado há dois anos atrás:
Virou moda entre ambientalistas de hoje pintar um quadro sombrio de nosso futuro. Embora existam muitas questões ambientais por resolver, muitas espécies ameaçadas, mais poluição do que a maioria de nós gostaria e gente demais passando fome todos os dias, não vamos esquecer de como chegamos longe, tendo começado 10 mil anos atrás.Naquele tempo, todas as pessoas viviam como caçadoras-coletoras em relativa pobreza comparada com hoje. O quanto elas eram pobres? Se alguém entrar hoje numa aldeia ianomâmi no Brasil - uma boa analogia de como viviam nossos ancestrais - e contar as ferramentas de pedra, cestos, pontas de flecha, arcos, redes de dormir, vasos de cerâmica, outras ferramentas diversas, vários produtos medicinais, bichos de estimação, produtos alimentícios, artigos de vestuário, etc., não contaria mais de 300 artigos. Há 10 mil anos, essa era a riqueza material aproximada de cada aldeia do planeta.[4]
Mas, dá para usar um argumento destes com um extremista ideológico que vê nosso modelo de vida como algo essencialmente pernicioso? Garanto que não. Eu comentava esses dias com um amigo, mais crítico de nosso atual estágio civilizacional que, ao contrário do que ele pensa, o mundo está melhorando sim. Eu lhe lembrava que lá por meados dos anos 80, quando tínhamos nossos 18 anos e começávamos nossas graduações, o maior temor mundial generalizado pela mídia e acadêmicos era a tal “superpopulação” e extinção paulatina dos recursos naturais e econômicos. Vimos que alguns países inicialmente, depois outros e mais outros foram declinando suas taxas de natalidade que levaram a desaceleração em seu crescimento demográfico. A população mundial continua sim crescendo, mas não no ritmo catastrófico que se previra e, ironicamente, esta solução criou as bases de um “novo problema”: o envelhecimento da população. Mas, a maior longevidade, o aumento da expectativa de vida não é um fato positivo? Sem dúvida que é. Ocorre que o aumento da faixa etária de idosos, sem acompanhamento da de adultos e de jovens cria outro problema para economias que iniciaram este processo que é o declínio gradual da oferta de mão de obra. Trabalhadores, cujos impostos sustentam a máquina previdenciária e que, caso escasseiem terão que ser renovados, nem que para isto tenham que ser “importados”.[5] Por isto, mesmo melhorias criam externalidades, temporariamente negativas e, neste caso, a transição demográfica demanda por renovação.
Então, não tem jeito mesmo?
Retornemos ao passado, séculos atrás... Imagine onde e quando se vivia trabalhando como agricultor ou criando gado, sobretudo em um continente assolado por invernos longos e rigorosos, solos endurecidos que dificultavam a própria colheita, quanto mais a semeadura. A fome era constante devido à baixa produtividade e seriam precisos mais séculos até que a tecnologia agrícola fizesse as predições de Malthus e seu futuro assolado por fome, canibalismo e guerras se mostrarem equivocadas. Mas, lembre-se que em sua época o inferno imaginado era bem plausível e que uma coisa era analisar o momento presente, a história pregressa e outra bem diferente era a partir disso antever o futuro. Neste campo ate os mais sábios e tarimbados analistas escorregam feio. E mesmo com as mudanças positivas na tecnologia agrícola (e veja que estamos falando de um simples arado), quem não detinha suficiente área não restava outra opção senão a migrar para as cidades. Se a vida se tornava mais fácil para alguns, certamente não era a mesma coisa para a grossa maioria.
Se for difícil esquadrinhar nosso porvir, não é impossível tentar entender a partir de aproximações de tendências que vem ocorrendo na história. Uma delas é o surgimento da chamada “janela demográfica”, um momento de nossa história recente em que tecnologia e comércio combinados com uma distribuição específica de faixas etárias favorecem o desenvolvimento econômico. Aumento da expectativa de vida, maior parcela da sociedade vivendo em melhores condições urbanas do que na zona rural etc. evidenciam a viabilidade disto.
Então... Antes de lançar um olhar pessimista ao futuro, se pergunte se não estamos no caminho certo e que este pode ser ainda melhor. No entanto, se ainda estivermos longe do ideal, não quer dizer que não estejamos no rumo dele.

16 de outubro de 2012
...




[1] People try to put us down (talkin' bout' my generation)
Just because we get around (talkin' bout' my generation)
Things they do look awful c c cold (talkin' bout' my generation)
Hope I die before I get old (talkin bout my generation)
(…)
Disponível em: <http://letras.mus.br/the-who/42806/traducao.html>. Acesso em: 01 out. 2012.
[3] LOMBORG, Bjørn. O ambientalista cético : medindo o verdadeiro estado do mundo. Rio de Janeiro : Campus, 2002, p. 80-82.
[4] “A vida nunca foi tão boa.” Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-vida-nunca-foi-tao-boa,547069,0.htm>. Acesso em: 01 out. 2012.
[5] O Brasil melhorou muito nos últimos 20 anos. Uma sociedade antes obcecada por tablitas, gatilhos e rendimento diário da poupança hoje discute e age para ampliar e melhorar a infra-estrutura dos próximos 30 anos.
Enquanto essa transformação ocorria na superfície visível das relações econômicas, um outro fenômeno alterava a configuração de nossa população -a queda acentuada nos nascimentos de bebês.
Cada 100 brasileiras concebem, na média, 170 filhos durante a vida. A fertilidade aqui ficou menor que no Reino Unido (190), na França (200) e nos EUA (200).
________
The future of my generation - I
By Anselmo Heidrich

I hope I die before I get old (talking about my generation) sang Roger Daltrey, lead singer of The Who, with its less than 21 years. Indignation by repression discriminatory to the generation that would form the basis of the counterculture of the '60s gave way to one of the most foolish prejudices, that the "old are exceeded." Intellectual fashions and ideologies better formatted also produced this kind of thinking, that what is good is gone, or short-lived, or belonged to a "golden age" impossible to repeat. Among many examples that we can gather, consider this:
With prices rising, many of the poorest families in the world had already reduced their consumption to one meal a day. But unfortunately, for many families, even this is no longer possible. Millions of families now routinely underfed day schedule every day of the week that does not eat anything.
A recent survey by Save the Children shows that 24 percent of households in India are malnourished now days. For Nigeria, the comparable figure is 27 percent. For Peru, which is 14 percent.
In a world hungry, hungry often has the face of a child. Millions of children are dangerously hungry, some too weak to walk to school. Many are physically and mentally stunted.
But is it so? Let's look at some data from a classic on the subject ... According to Bjørn Lomborg, The Skeptical Environmentalist in her, about ten years ago said that while parts of the world such as Asia and Latin America have had significant increases in food production, others such as Africa, no. Although we have maintained similar levels of productivity, Asia and Africa drifted apart due to the discrepancy in the adoption of fertilizer and irrigation. The truth is that, in general, agricultural production has increased globally. From 1960 to 2000, the U.S. went from 2,800 calories per capita per day to about 3,800, and the EU from 3,000 to 3,400, respectively, the Near East and North Africa, from 2,000 to over 3,000, the Asian giant, about 1,900 to 2,700 calories per capita per day. And even the miserable sub-Saharan Africa could increase its rate of daily caloric intake from 2,100 to 2,200, in the same period.
So if the world is not as bad as it is constantly trumpeted by the media, especially blogs and sites of militant environmentalists, why the hell are bombarded with information opposite? Here's an excerpt of this article published two years ago:
It has become fashionable among environmentalists today to paint a bleak picture of our future. Although there are many environmental issues unresolved, many species endangered, more pollution than most of us would like, and too many people going hungry every day, let's not forget how far we've come, starting 10,000 years ago.
At that time, all people lived as hunter-gatherers in relative poverty compared with today. How poor were they? If anyone enters today a Yanomamo village in Brazil - a good analogy of how our ancestors lived - and count the stone tools, baskets, arrowheads, bows, hammocks, clay pots, various other tools, various medicinal products, pets, food, clothing, etc.., not count more than 300 articles. 10,000 years ago, this was the approximate material wealth of each village on the planet.
But gives an argument for using these with an extremist ideology that sees our way of life as essentially pernicious? I assure you not. I commented these days with a friend, the most critical of our present stage of civilization that, contrary to what he thinks the world is improving yes. I reminded him that there by the mid-80s, when we had our 18 years and we started our ranks, the biggest fear widespread global media and academics was that "overpopulation" and gradual extinction of natural and economic resources. We have seen that some countries initially, then another and another were their declining birth rates that led to its slowdown in population growth. The world population continues to grow yes, but not catastrophic pace than anticipated and, ironically, this solution has created the basis for a "new problem": the aging population. But the greatest longevity, increased life expectancy is not a positive? No doubt it is. It happens that the increase in the elderly age group, without the accompaniment of adults and young people creates another problem for economies which initiated this process is the gradual decline in the supply of labor. Workers, whose taxes support the welfare machine and if that will become scarcer be renewed, or that it have to be "imported". Therefore, even if improvements create external temporarily negative and in this case, the demographic transition demand for renewal.
So there's no way it?
Let us return to the past, centuries ago ... Imagine where and when he lived as a farmer working or raising cattle, especially in a continent plagued by long winters and rigorous hardened soils that hindered own harvest, sowing more. Hunger was constant due to low productivity and it would take more centuries until the agricultural technology made the predictions of Malthus and his future plagued by hunger, wars and cannibalism prove misleading. But remember that in his time hell imagined was very plausible and that something was to examine the present moment, the past history and quite another from that anticipate the future. In this field even the wisest and most seasoned analysts ugly slide. And even with the positive changes in agricultural technology (and see what we're talking about a simple plow), who did not hold enough area left no other option but to migrate to the cities. If life became easier for some, it certainly was not the same for the most thick.
If it is difficult to scrutinize our future, it is impossible to try to understand from approximations of trends that have occurred in history. One is the emergence of so-called "demographic window", a time in our recent history where technology and commerce combined with a specific distribution of age groups promote economic development. Increased life expectancy, greater portion of society living in better conditions in urban than rural areas etc.. demonstrate the feasibility of this.
So ... Before launching a pessimistic look to the future, I wonder if we are not on the right track and that this can be even better. However, if we are still far from ideal, does not mean we are not on track it.

October 16, 2012
...


7 comentários:

  1. Os ambientalistas mudam de uma suposta tragédia para outra ao longos dos anos, a já muito tempo, por duas razões:
    Uma porque uma grande parte deles tem na cabeça a intenção de destruir a sociedade atual; outros porque vivem disso, o "trabalho" deles é fazerem infindáveis pesquisas para resolver o suposto problema.
    A coisa toda não tem lógica... mas está disseminada e não vai sumir tão cedo.

    ResponderExcluir
  2. Isto é mesmo o ambientalismo profissional, quem faz do protesto, uma mera atividade remunerada baseada em donativos. Mas, há quem estude o meio ambiente e é justamente a partir destes estudos que pode surgir um conjunto de técnicas (como aliás, já ocorre) que venha renovar nossa matriz produtiva e energética.

    ResponderExcluir
  3. Gostei de seu texto. Acrescentaria o fato de que a geração do The Who, e mesmo antes, os baby boomers, descartavam os velhos como ultrapassados. Hoje, que estão velhos, dizem que deve-se respeitar a sabedoria dos antigos. É a velha roda da fortuna, velet luna, semper crescis, aut decrescis, como já diz, lá pelo meio da idade média, uma das músicas do Carmina Burana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato, Fernando. Aliás, tu acabaste de revelar a súmula do "O futuro de minha geração - II".

      Excluir
  4. Véi, o Brasil no futuro com esse tanto de velhos vai ser uma bost4 igual à península ibérica e a Grécia são hoje.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E o que tu propõe, o aumento de mortalidade como 'solução'? Que se ponha em prática um plano massivo de eutanásia pelo estado? Nossa sina, jovem... É solucionar problemas e criar outros. Isto se chama evolução. Agora mesmo estou acompanhando alguém um leito hospitalar, que foi acometido por pneumonia grave. O que devo fazer? Sufocar o paciente com um travesseiro? Isto para não ser uma "bost4 igual à península ibérica e Grécia"?! Talvez, algumas décadas a frente tu pense diferente, quando estiver amargando na solidão de uma ala de emergência com dificuldade de respirar, sem apoio efetivo ou mesmo uma companhia de alguém que deveria estar contigo, mas prefere ridicularizar os outros.

      Sorte, pois é o que vai precisar.

      Excluir