Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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terça-feira, dezembro 04, 2012

Prestes a afundar

Em Os donos do mar | Instituto Millenium lemos:
Que tal se indivíduos ou empresas conquistarem o oceano e demarcarem territórios no meio do mar como se fossem comunidades alternativas marítimas? (...)
A pergunta: como cada país flutuante desses pretende se manter independente na prática, totalmente indefesos, militarmente falando, perante os demais estados estabelecidos? Se até os paraísos fiscais são alvo crescente da pressão dos países grandes, incomodados com a concorrência fiscal em um mundo globalizado com dinheiro eletrônico, como impedir que essas nações poderosas imponham certas regras aos países flutuantes?
Patri gostou da provocação. A resposta: sem dúvida esse é um potencial problema, mas não muito diferente do que enfrentam países menores hoje. Acordos terão de ser debatidos, tratados terão de ser assinados. Só que isso não retiraria totalmente a autonomia desses países flutuantes, e isso é o mais importante. Mais competição forçando governos mais eficientes, menos perdulários e opressores, pois o cidadão poderia fazer suas malas e ir viver em uma dessas ilhas artificiais de sua preferência. (...) “Grandes ideias começam com ideias esquisitas”, disse Patri Friedman. No futuro, pode ser que até o oceano tenha “cercas flutuantes” delimitando o território e marcando a propriedade privada.
Os países menores, liliputhianos... Normalmente se encaixam dentro de uma estrutura de poder mais ampla (Vaticano, San Marino, Mônaco...). Tratá-los como "alvos de pressão dos maiores" é simplista, mesmo porque há países menores muito mais fortes do que certos gigantes.

Com relação a ideia de poder fugir de países que não oferecem vantagem a seus cidadãos, com certeza que atrai, mas colocar "cercas flutuantes" seria, com certeza, o menor dos problemas. Mesmo tendo soberania própria, as correntes marinhas veiculam, com muito maior velocidade, materiais particulados e diluídos que provém de fontes poluidoras. Ou seja, estes países teriam que "prestar contas" assim como qualquer outra unidade nacional com sua produção de externalidades negativas. O "paraíso libertário" ainda assim, não se eximiria de responsabilidades e, caso tentasse, daí sim sua segurança estaria em risco. Não demoraria muito para mendigarem um acordo de defesa mútua com a China ou com os EUA, dependendo de sua posição e interesses estratégicos. Cercas funcionam com vizinhos dentro de um bairro, e mesmo assim há poluição sonora, cheiro, efluentes etc. Quem acha que irá ficar livre disto tudo, sobretudo em tempos de piratas somalis e outros congêneres que se disseminam por aí está é redondamente enganado. Uma figurinha excêntrica pode fazer sucesso em shows e entrevistas, ou nos parques de diversão ao lado de Ronald MacDonald, mas aqui, no mundo real, tem que se pensar em estratégias de preservação, o resto é diversão. 

Não sou contra a proliferação de unidades administrativas auto-sustentadas, a ideia é mesmo atraente, mas repudio com veemência ingenuidades que procuram fugir de um mundo conflituoso. Acordos de defesa entre países e cidades com legislações livres viabilizando a globalização fariam melhor para este novo mundo do que fugir para um mundo onde Poliana irá encontrar o Príncipe Namor. É mais provável que nossa doce ingenuidade dê é de cara com um voraz e turbulento Netuno com sede de tsunamis financeiras, abordagens em alto-mar, mísseis inter-continentais e minas submarinas. E, de quebra, se estes liberais de holofote não levarem a sério a tragédia dos comuns irão definhar estoques pesqueiros porque "o que não é de ninguém pode ser livremente explorado". Ao invés de doar um patinho de borracha para quem tem uma boa ideia, Patri Friedman deveria distribuir boias, caso seu sonho afunde no meio do mar.

Um comentário:

  1. Interessante pensar que caso as Ilhas Falklands fossem um país independente, a Argentina já as teria encampado. O mesmo, provavelmente, teria acontecido com vários dos pequenos territórios ultramarinhos no Caribe, destino que foi o de Timor Leste durante muito tempo.
    Ser um país independente dá muito trabalho. O melhor é garantir alguma forma de autogoverno no meio de uma federação ou império. É o caso das Ilhas Man, Falklands, e vários outros protetorados britânicos e holandeses. Este negócio de independência para países pequenos não funciona a contento, principalmente com soberania militar. Um país grande e populoso é sempre mais difícil de conquistar que um pequeno e pouco povoado. No fundo, a melhor alternativa de governo existente é o federalismo de estados, grandes e pequenos, com independência relativa e dependência mútua, sobretudo nos assuntos de defesa e diplomacia.

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