quarta-feira, outubro 15, 2014

Onde o Brasil dá certo - 01



REVOLUÇÃO NO CAMPO
Por Ronaldo Ribeiro Fotos de Izan Petterle 

O piloto Índio do Brasil (sim, é esse seu nome de batismo) é um sobrevivente. Aviador tarimbado de garimpos e fazendas na inquieta fronteira do Mato Grosso com a Bolívia, ele já saiu ileso de vários pousos forçados em pastos e estradas, mas um grave acidente de carro deixou-o manco, com uma defasagem de 7 centímetros na perna direita. Como eu nunca fui muito amigo de vôos em aviões pequenos, suspirei aliviado quando Índio aterrissou suavemente seu monomotor Regente L-42 numa pista de terra a 2 quilômetros do centro de Sapezal. Havia sido um passeio revelador. Em meia hora no ar, entendemos mais sobre a região do que em dois dias anteriores no chão - de onde confronta-se com uma monotonia cênica irritante, uma topografia tão plana que permite à vista perder-se no horizonte, quilômetros além, sem uma única referência que não seja o tapete baixo e uniforme das lavouras. Do alto, porém, Sapezal é simétrica, atraente: um tabuleiro de xadrez onde avizinham-se o ocre da soja madura, o verde-claro do milho novo e o tom escuro do algodão entrecortado por longas estradinhas rurais, as chamadas "linhas". Plantações e mais plantações, verde e mais verde, dinheiro e mais dinheiro. 

A cidadezinha, que completa meros dez anos, é um fenômeno: inteiramente planejada, tem educação e saúde pública de alta qualidade, saneamento básico e água tratada em todas as casas, rede de telefonia com cabos de fibra óptica e programas sociais como a distribuição de leite de soja para os moradores. Já está entre as dez maiores arrecadadoras de impostos do estado e atingiu a incrível renda per capita de 25 mil dólares - mais de oito vezes a média nacional -, fruto de negócios que movimentam centenas de milhões de reais por ano. O megaprodutor Fernando Maggi lembra-se bem do dia, anos atrás, em que enviou pela internet para a Bolsa de Produtos Agrícolas de Chicago uma foto aérea de 42 colheitadeiras novas em ação, alinhadas numa lavoura de soja, um verdadeiro exército de produtividade. A bolsa de Chicago é o termômetro do mercado mundial de grãos. Segundo ele, a imagem serviu para balançar as cotações. "Naquela tarde, eles souberam onde fica o Mato Grosso", diverte-se ele. 

Os vastos planaltos que se abrem ao redor de municípios como Sapezal, Campo Novo do Parecis, Sorriso e Lucas do Rio Verde abrigam hoje as maiores áreas cultivadas contínuas de soja do planeta. Com tecnologia de ponta e sementes especiais, e aproveitando-se das terras planas e das chuvas regulares, imigrantes sulistas criaram um modelo de agricultura que, em 20 anos, garante ao Mato Grosso mais de 10 milhões de toneladas de soja por safra - apesar de uma quebra em 2004. No total, o país colhe mais de 50 milhões, menos apenas do que os Estados Unidos. Mas, enquanto as áreas agrícolas americanas estão todas ocupadas, no Brasil restam milhões de hectares com condições de cultivo, que poderão transformar o cerrado numa vasta lavoura, e até irromper na floresta, numa tendência que vem deixando os ambientalistas de cabelos brancos - ao expandir fronteiras no campo, o Mato Grosso liderou o ranking do desmatamento da Amazônia Legal em 2003. 

Sapezal é o exemplo mais cintilante dessa revolução: uma cidade que brotou do nada, longe de tudo, fruto da obstinação de um punhado de pioneiros que desbravaram a chapada dos Parecis no fim dos anos 1970. Naquela época, a região ficava a uma distância imensa de qualquer indício de civilização - o banco ou o supermercado mais próximo estavam em Tangará da Serra, a 300 quilômetros ou um dia de viagem dali. O destino só começou a mudar em 1984, com a chegada do gaúcho André Maggi, um imigrante com determinação e recursos suficientes para idealizar uma cidade que pudesse favorecer a presença de novos empreendedores. Toda a área urbana foi traçada sobre parte do que antes era uma fazenda de André. Por volta de 1987, ele loteou terras, abriu ruas, plantou árvores e construiu a escola, a usina hidrelétrica, a delegacia, o hospital, a praça central. 

Custou caro, quase 10 milhões de dólares, mas foi um bom negócio. A usina até hoje vende energia para o município e os Maggi consolidaram-se como a potência do agrobusiness local - o valor investido na época equivale a um quadragésimo do faturamento do grupo em 2003. Mais: ainda hoje, entrar e sair de Sapezal tem sido um drama, com o caminho mais curto para os portos de Santos e de Paranaguá, a MT-235, que corta ao meio a terra dos índios parecis, ora sendo assolado por atoleiros dignos da Transamazônica, ora sendo bloqueado por nuvens sufocantes de poeira. A única via de asfalto segue em outra direção, para Rondônia e o rio Madeira, em Porto Velho, onde os Maggi projetaram uma hidrovia que culmina em Belém e no Atlântico. A criação desse atalho exclusivo para os mercados do Pacífico foi a grande cartada de Blairo Maggi, o maior plantador individual de soja do mundo - só em Sapezal, tem 40 mil hectares - e governador, pelo PPS, de um estado que administra com pulso firme de empresário. Uma cidade tão nova tem lá suas curiosidades, como o fato de os únicos autênticos cidadãos sapezalenses serem as crianças nascidas após 19 de setembro de 1994, a data oficial da emancipação. Os infortúnios vividos por seus pais nos primeiros tempos ficaram apenas no papel, literalmente, como assunto das aulas na exemplar escola municipal de primeiro grau. Os 2,4 mil estudantes contam com cartão magnético para controle de freqüência, revezam-se em salas temáticas para cada disciplina e lidam com questões sociais e ambientais (como tratamento de lixo e agricultura orgânica) em seus trabalhos. Em outro turno, dispõem de atividades como dança, artes marciais e informática. "Há um mundo de oportunidades aqui, mas precisamos de mão-de-obra qualificada, formar uma nova geração", diz a secretária de Educação, Ilma Grisoste Barbosa. 

Os bons ventos da fortuna fácil, entretanto, começam a atrair à cidade sonhadores sem nenhuma especialização, uma gente capaz de fantasiar riqueza tanto num garimpo de ouro quanto na construção civil das metrópoles. Como resultado, pequenos guetos de pobreza já pipocam aqui e ali, e na ensolarada manhã de março em que visitei essas áreas o Diário de Sapezal publicava uma página inteira com as ocorrências policiais do último fim de semana, entre elas duas brigas de faca e um bar destruído por um bêbado, inconformado com a derrota numa partida de bilhar. "A cidade rapidamente vai deixando de ser uma bolha privada de prosperidade e paz. A cada ano integra-se mais ao estado, e isso tem seus aspectos bons e ruins", analisa o administrador Gustavo Petterle, ex-secretário de Saúde. 

A odisséia das cidades sojicultoras parece renovar a vocação do Mato Grosso como um território de destemidos, onde a conquista do sucesso sempre esteve acompanhada de desafios. Relatos de árduas jornadas pela região destacam o então coronel Cândido Mariano Rondon, que pisou em território pareci em 1907, fincando postes para uma linha de telégrafos que ligaria Cuiabá ao Amazonas. O sertanista escapou por pouco de morrer por uma flecha envenenada dos nambiquaras, então selvagens, mas não desistiu. Na margem esquerda do rio Papagaio, a 100 quilômetros do ponto onde hoje está Sapezal, Rondon inaugurou, um ano depois, uma subestação telegráfica na aldeia de Utiariti, que já era referência entre os raros exploradores por causa de uma espetacular cachoeira nos arredores, com 92 metros de queda. 

Eu ouço essas histórias sentado sob uma das duas centenárias mangueiras plantadas pelo próprio Rondon, que garantem sombra para as poucas famílias que vivem agora na aldeia. A calmaria contrasta com tempos de outrora, nos anos 1940, quando seringais geraram prosperidade e outros grupos indígenas, como os manokis, aglutinaram-se na área, ao redor de uma missão jesuítica que persistiu até 1985. "Foi um período de amparo e organização para a agricultura. Com a chegada dos sulistas, muitas tribos, receosas, passaram a viver ali", diz Nivaldo Bertotto, historiador autodidata de Sapezal. "A missão acabou para que todos voltassem para suas terras." 

Resguardados em suas reservas, parecis e nambiquaras mantêm roças esparsas de subsistência, caçam e pescam ocasionalmente e contam com uma bolsa em dinheiro, paga pela prefeitura. Essa rotina de parcos recursos e longas horas de ócio alimenta um dilema antropológico. Os índios espiam além de seu quintal e se assombram com a bonança dos vizinhos agricultores, donos de colheitadeiras de última geração (com CD player, sistema GPS, ar-condicionado e água gelada), camionetes importadas, internet via satélite e invejáveis moradias (a nova sede da fazenda de um deles, com projeto arquitetônico assinado pelo próprio, é uma mansão em estilo rústico com 11 suítes e uma cachoeira artificial). E, é óbvio, querem o mesmo para si - principalmente porque, no papel, são os maiores donos de terra do município. "Os parecis têm 300 anos de contato, estão totalmente aculturados. E são nativos desse território de tantas riquezas. Então, é natural que queiram ter o melhor dos dois mundos", diz Margarete Valentin, coordenadora de um programa de educação indígena. Alguns índios, com equipamentos emprestados, deram o primeiro passo: na aldeia Três Jacu, consta que 112 hectares já estão abertos com soja. 

Em tese, a perspectiva é preocupante. A soja tem-se revelado viável economicamente enquanto monocultura extensiva, com cultivo mecanizado e largo uso de defensivos agrícolas - proibidos em terras indígenas. O uso das reservas para lavouras comerciais poria em risco o que restou da vegetação original, um cerrado com matas altas na transição com a floresta Amazônica, e ameaçaria de vez grandes rios como o Arinos e o Juruena, formadores da bacia Amazônica. "Uma vez, ouvi um índio dizer que eles não podem pagar sozinhos o preço pela preservação da natureza. E que não é nosso direito obrigá-los a viver a sociedade que nós idealizamos, em termos ambientais e sociais, mas que nunca conseguimos realizar", retrata a educadora Helen Cristina de Souza, da Universidade do Mato Grosso. "Me assusta a terra indígena cheia de soja ou algodão, mas também me assusta a deslealdade do atual modelo." 

É uma questão emblemática, que Sapezal vai ter de resolver com a mesma agilidade que tem sido o motor da sua história. Enquanto esteve lá, André Maggi tratou tudo e todos com indistinto paternalismo, mas, depois da sua morte, em 2001, o município percebeu que teria de seguir adiante com as próprias pernas. Se deseja fazer jus a seu potencial, vai ter de conciliar desenvolvimento com equilíbrio social (evitando a demasiada concentração de renda) e ambiental (às vezes fica difícil respirar ali, por causa do fedor dos agrotóxicos lançados por aviões agrícolas nos arredores). "A cidade cresceu em dez anos o que outras no Mato Grosso não conseguiram em 100, 200 anos. Mas quem pode garantir se a agricultura é mesmo o futuro?", admite o prefeito, Aldir Schneider, também plantador de soja. 

Sapezal é uma cidade em formação, com a poeira vermelha do cerrado ainda se assentando sobre suas 40 ruas - quase todas batizadas com nomes de peixe, curiosamente. O milagre das súbitas conquistas está nas lavouras sem-fim, sobretudo nas que prosperam as vagens viçosas de soja. Fenômeno moderno, dinâmico, Sapezal paira à mercê de mercados internacionais, negócios globalizantes e demandas alimentares - expressões que soam exóticas em meio à lonjura e ao isolamento da chapada dos Parecis. Se o grãozinho permanecer em alta conta, a cidade talvez se projete como uma sucursal da Suíça, uma bolha de Primeiro Mundo no coração da América do Sul. Mas, se em 20 ou 30 anos novos ciclos de riqueza apontarem em direção contrária, há o risco de se tornar uma Serra Pelada, um Eldorado esquecido no meio do nada, como tantas vezes se viu no Brasil.

[http://nationalgeographic.abril.com.br/edicoes/0405/cep/index.html (link quebrado).]


terça-feira, outubro 14, 2014

Geosites britânicos


A ilha de Staffa nas Hébridas Interiores; suas colunas de basalto formam formas dramáticas incluindo a famosa Gruta de Fingal.

Vale a pena, um deleite para os olhos:
BBC News - Chart-topping rocks: UK's 'Greatest Geosites' announced http://www.bbc.com/news/science-environment-29572008 

O idiota útil - 02


sexta-feira, outubro 10, 2014

Liberais v. Conservadores; Libertários v. Anarcocapitalistas : algumas definições conceituais


Sonho de todo anarcocapitalista: desfrutar da tecnologia que lhe dê liberdade, sem a estrutura social (e jurídica) que proporciona a segurança para tanto (imagem: reddit.com/r/Anarcho_Capitalism/).

Sobre: Liberais, libertários e conservadores, uni-vos
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/10/1526258-liberais-libertarios-e-conservadores-uni-vos.shtml

"Conservador" e "liberal" muda muito o conceito de acordo com a realidade em que se insere. A confusão é mais de semântica do que ideológica. "Conservatives", nos EUA e no mundo anglófono em geral é o conservador moral, mas também anti-revolucionário e anti-intervencionista. porque as duas coisas estavam ligadas à Liberdade. O conservador brasileiro é que não tem sentido, se trata de alguém que iria valorizar tudo que causa dano às nossas instituições e sociedade, como o fisiologismo, o clientelismo etc. Então falar em conservadorismo aqui no Brasil, tem que vir entre aspas porque confunde as pessoas. Por outro lado também, 'libertarian' nos EUA corresponde ao nosso liberal, o liberal-econômico europeu, porque 'liberal', (lí-beral) nos EUA é o liberal dos costumes, um progressista que quer mudanças sociais rejeitando o que é mais caro aos anti-estatistas porque tais mudanças deveriam vir via legalista, i.e., com força de lei se necessário (caso das Ações Afirmativas, como as cotas raciais, p.ex.). Eu não gosto de chamar os radicais de 'libertários', pois estes somos nós, defensores do estado mínimo ou minarquistas. Os radicais que apoiam até liberação do comércio de órgãos e privatização da polícia (uma bobagem) são ignorantes em relação às externalidades econômicas negativas (danos causados a outrem indiretamente, poluição etc.). Ocorre que estes "anarquistas de direita" (são como os anarquistas do século XIX, só que defendem a propriedade privada) não compartilham das preocupações sociais e morais dos liberais originais, como Adam Smith, eles acham que a economia resolverá todos os problemas, inclusive os de ordem cultural, moral etc. São, na verdade, "anarco-capitalistas" (ancaps) ou "anarco-liberais". Por isso fica um pouco confuso aqui no Brasil e há diferenças gritantes entre muitos deles em temas controversos, como a percepção de alguns paranoides de que há um "governo mundial" em curso e outros que apoiam explicitamente o enfraquecimento dos estados em prol de comércio internacional livre, como eu. O texto é bom, só não faz o reparo de contextualizar o significado dos termos em diferentes países e culturas.

terça-feira, outubro 07, 2014

O que o PT representa

Um Brasil dividido é o que revela o mapa das eleições para presidência da república de acordo com os municípios. Fonte da imagem: http://t.co/ruiMM3zSe2


O erro é ver o PT como algo ruim por causa de casos envolvendo corrupção. Ele "apenas" se esmerou na ilegalidade, "profissionalizando" a roubalheira. É muito mais do que isto, o lixo que esta agremiação fez ao país está em suas ações legais, porém profundamente aéticas...




    〽UM RESGATE DA HISTÓRIA 〰
🔛1985 -
🔘O PT É CONTRA A ELEIÇÃO DE TANCREDO NEVES E EXPULSA OSDEPUTADOS QUE VOTARAM NELE.

🔛1988 -
🔘O PT VOTA CONTRA A NOVA CONSTITUIÇÃO QUE MUDOU O RUMO DO BRASIL.

🔛1989 -
🔘O PT DEFENDE O NÃO PAGAMENTO DA DÍVIDA BRASILEIRA, O QUETRANSFORMARIA O BRASIL NUM CALOTEIRO MUNDIAL.
🔛1993 -
🔘PRESIDENTE ITAMAR FRANCO CONVOCA TODOS OS PARTIDOS PARA UMGOVERNO DE COALIZÃO PELO BEM DO PAÍS. O PT FOI CONTRA E NÃOPARTICIPOU.

🔛1994 -
🔘O PT VOTA CONTRA O PLANO REAL E DIZ QUE A MEDIDA É ELEITOREIRA.

🔛1996 -
🔘O PT VOTA CONTRA A REELEIÇÃO. HOJE DEFENDE.
🔛1998 -
🔘O PT VOTA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA TELEFONIA, MEDIDA QUE HOJENOS PERMITE TER ACESSO A INTERNET E MAIS DE 150 MILHÕES DE LINHASTELEFÔNICAS..
🔛1999 -
🔘O PT VOTA CONTRA A ADOÇÃO DO CÂMBIO FLUTUANTE.
🔛1999 -
🔘O PT VOTA CONTRA A ADOÇÃO DAS METAS DE INFLAÇÃO.
🔛2000 -
🔘O PT LUTA FEROZMENTE CONTRA A CRIAÇÃO DA LEI DARESPONSABILIDADE FISCAL, QUE OBRIGA OS GOVERNANTES A GASTAREM APENAS OQUE ARRECADAREM, OU SEJA, O ÓBVIO QUE NÃO ERA FEITO NO BRASIL.POR QUE  SERÁ?

🔛2001 -
🔘O PT VOTA CONTRA A CRIAÇÃO DOS PROGRAMAS SOCIAIS NO GOVERNOFERNANDO HENRIQUE CARDOSO:BOLSA ESCOLA, VALE ALIMENTAÇÃO, VALE GÁS,PETI E OUTRAS BOLSAS SÃO CLASSIFICADAS COMO ESMOLAS ELEITOREIRAS EINSUFICIENTES..

🆘QUASE TODA ESTRUTURA SÓCIO-ECONÔMICA DO BRASIL FOI CONSTRUÍDA NOPERÍODO LISTADO ACIMA.
O PT FOI CONTRA TUDO E CONTRA TODOS.
HOJE ROUBAM TODOS OS AVANÇOS QUE OS OUTROS PARTIDOS PROMOVERAM E POSAMCOMO OS ÚNICOS CONSTRUTORES DE UM PAÍS DEMOCRÁTICO.
JÁ QUE O PT FOI CONTRA TUDO E CONTRA TODOS DESDE A SUA FUNDAÇÃO, FICAUMA PERGUNTA PARA QUE OS LEITORES RESPONDAM:
EM 12 ANOS DE GOVERNO, QUAIS AS REFORMAS QUE O PT PROMOVEU NO BRASILPARA MUDAR O QUE OS SEUS ANTECESSORES DEIXARAM?
👉Lembre-se:❗👇

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".
👉Envie para seus contatos.❗
            "Acorda Brasil...

segunda-feira, setembro 29, 2014

Levy Fidelix vs Luciana Genro - Debate Presidencial na Record - 29/09/14




Levy Fidelix vs Luciana Genro - Debate Presidencial na Record - 29/09/14: http://youtu.be/4LxL1xKbbcI via @YouTube


A melhor explicação que já vi para o homossexualismo era que a natureza condicionava um certo número de indivíduos para ser homossexual, com a função de que os machos não brigassem continuamente entre si e preservando assim a estabilidade do grupo. "Melhor explicação", porém falsa... a "Mãe Natureza" não é um ente consciente que sabe o que faz, isto não existe. O que existe são acasos evolutivos, que vez por outra se tornam apropriados para uma situação, como animais menores, menos competitivos de outrora que em uma era de escassez de alimentos como a glacial se tornam bem mais competitivos que os grandes répteis que dominaram nossas superfície. Então, por mais que uma 'função' para o homossexual seja encontrada, nada disto se torna causa de um fenômeno. A causa pode ser natural, devido a variabilidade genética, só que esta tem que ser provada e ainda é mera conjectura. Portanto, a mais plausível é de que este comportamento foi socialmente adquirido. Acredito que ambas as formas existam, mas não dá para crer que uma população de uma cidade estado na antiguidade grega tenha concentrado certos "genes gays" ao passo a que outras não ou que em um prazo de séculos tais genes tenham sumido ou reduzido abruptamente sem ter porquê. Não há lamarkismo nem conservadorismo suficientes para explicar ou para condenar a grande soma de comportamentos homossexuais encontrados entre mamíferos.  

AGORA... 

Se cabe aceitar que existam -- porque não se luta contra a natureza, mas se adapta a mesma --, isto não me impede de concordar com Enéas, quando disse que o homossexualismo deve ser respeitado, mas não é o padrão e não deve ser modelo, sob risco de termos uma redução populacional. Em resumo, transem a vontade, mas não queiram que a imensa maioria da sociedade aceite a imposição de um modelo em suas instituições. Aprendam que tolerância não significa mímesis.

Mas, marca toca pra ver se ele não avança nesta corrida...

sábado, setembro 20, 2014

Equívocos marxistas - 01


1 - O marxismo não acabou... Assim como as religiões também não acabaram;

2 - O marxismo pode ser ótimo na teoria, mas na prática... Ele é ruim na teoria mesmo, porque teoria não é algo distante da prática, mas algo que explica a prática;

3 - O marxismo é uma forma de determinismo... Sim, na medida que procura prever acontecimentos de grande envergadura conduzindo sociedades inteiras a partir do jogo de forças entre coletividades como classes, ele prega sim uma forma de determinação através de uma relação entre causa e efeito previsíveis;

4 - O marxismo é contrário à natureza humana... Quando pressupõe que a natureza humana é marcada pela solidariedade (assim como o randiano acha o contrário, que somos egoístas por natureza, ambos equivocados);

5 - O marxismo reduz tudo à economia... Na verdade, uma visão torpe da economia ou, para dizer a verdade, marxistas não entendem de economia porque consideram que o problema fundamental da economia não são os recursos escassos e sim o conceito de exploração;

6 - O materialismo marxista é desumano, contra aspectos espirituais... Na verdade não é desumano, é burro mesmo, ao colocar toda manifestação cultural, "espiritual", como se dizia antigamente como mero reflexo das "condições materiais", que seriam suas relações de produção (relações de propriedade, em linguagem não marxista) e forças produtivas (tecnologia, em linguagem não marxista);

7 - Nada é mais ultrapassado que a noção de classe... Eu não diria "ultrapassada", mas limitada mesmo ao ponto de não ser útil para entender a maior parte dos conflitos políticos e étnicos dos últimos milênios;

8 - O marxismo prega a violência... Para os outros, pois cabe à cúpula partidária "dirigir as massas" e, portanto, para atingir a suposta "sociedade igualitária", o processo revolucionário é sumamente desigual havendo os "Sansões" (para lembrar o romance de George Orwell) que são trabalhadores tratados como cavalos rumo ao abatedouro ou à guerra para impor seu processo revolucionários (os kulaks que o digam...);

9 - O marxismo idolatra o estado... Errado, na visão de Marx, o estado sequer era considerado teoricamente, não havendo uma teoria da burocracia, nem de agentes de permanência, como a antiga nobreza que se adequou migrando para cargos de poder político e estamentos na estrutura pública;

10 - Do ponto de vista político, o marxismo foi substituído por pautas mais adequadas, como ambientalismo, causa lgbt... Ou dito de outra forma, o marxismo vulgar (uma vez que a maioria dos seus militantes nunca leu Marx...) se infiltrou em outras causas deturpando-a (como na ambiental) e se reproduzindo como um câncer em metástase sobre as mentes incautas e preguiçosas. .


domingo, agosto 24, 2014

Repugna-me - 2


O legado da teorização sobre a educação brasileira tem muito a ver com a popularização do pensamento de Paulo Freire, mas como posso provar que tem a ver com este pedagogo?

Minha resposta não será satisfatória. Foi Paulo Freire quem iniciou o processo de decadência? Não, mas os atores responsáveis por isto via de regra são entusiastas de Paulo Freire. É uma aproximação, "achismo" se preferir, mas todos pedagogos com quem conversei (e não são poucos devido a minha profissão) foram unânimes em admitir que PF é a maior referência intelectual que possuem dentro de sua área E o autor mais lido em seus cursos (na USP e na UFSC). Pedagogos e professores que cursaram, por obrigação, disciplinas da pedagogia elaboram, anualmente, os programas curriculares de suas turmas, Isto, anualmente falando. Há aí um feedback ideológico à isonomia com que são tratados os professores (salários iguais e diferenciado apenas por tempo de serviço), i.e., com condenação, às vezes expressa, de qualquer forma de meritocracia que reflete na condenação do vestibular (que resultou na sua alteração e composição junto com o Enem e as cotas). Sindicatos adoram isto, não haveria inferno pior do que uma categoria internamente competitiva e, portanto, competitiva. Há, portanto, como afirmar que a pedagogia PF é o principal fator de um mau resultado no PISA? Não, pois teríamos que isolar esta variável e ver como o conjunto se comporta. Nem acredito que uma pedagogia seja o estopim de origem de uma situação decrépita, MAS é um fator FUNDAMENTADOR. Tal qual o islã radical que não pode ser restrito a uma explicação conceitual e literária, ele busca nos conceitos e literatura próprias seus fundamentos. E, cá entre nós, PF é explícito na sua ojeriza a qualquer forma de ranking, uma vez que isto seria "a reprodução de um sistema competitivo e alienante distantes do verdadeiro desenvolvimento". Como se vê nos resultados de pesquisas como o PISA, o desenvolvimento dos estudantes brasileiros é pobre, o que implica na formação de uma massa ignóbil apta ao mercado de manobra político.

“A maior parte dos professores nunca leu Paulo Freire.”

A maior parte dos comunistas ou simpatizantes do comunismo ou de ideologias próximas ao comunismo nunca leu Marx. E, provavelmente, nunca lerão. Veja... Eu li e consigo detectar marxismo mesmo quando alguém diz "não gostar de Marx", "não ser socialista" e "odiar o comunismo". Quantas pessoas tu já viu criticando a URSS ou mesmo Cuba, enquanto que fala da sociedade movida por classes sociais? Gerida por uma classe? A coisa é tão bizarra que algumas semanas atrás eu conversava com um corretor imobiliário aqui do meu bairro e comentei sobre a nossa possível "bolha imobiliária" e esperando mais informações ou a percepção do sujeito sobre o assunto fiquei boquiaberto com o rosário de melancolias que ele começou a destrinchar contra a "especulação imobiliária"! Cara! Ele é um especulador! É o tipo de agente social que vive da especulação. Via de regra eliminando os atravessadores como ele, os bens ofertados ficam mais baratos. Mas, o que quero dizer é que não é preciso se autodeclarar ou ter lido para usar uma lógica pertencente a um pensador ou escola de pensamento. Quanto ao mérito atribuído por 'experts' em pedagogia ao Paulo Freire é algo como me dizer que o Clube dos 13 fez uma avaliação positiva da FIFA. Não sei, mas provavelmente quem avaliou positivamente o legado de Paulo Freire seja farinha do mesmo saco. Com todo o respeito, não tenho respeito por pedagogos, se estes não tiverem sido professores com carga horária e semanal de trabalhador que precisa disto para fazer renda. Há pedagogos que simplesmente seguiram este caminho fazendo cursos de pós e passando a maior parte da vida em Faculdades de Educação, sem nunca terem tido experiência em escolas públicas do ensino básico ou particulares que, no geral, não trazem uma qualidade de ensino muito superior não.

Abaixo, nosso maldito legado pela ideologização do ensino e preconceito à meritocracia: