segunda-feira, novembro 21, 2016

A Ilusão do Homeschooling


Sou amplamente favorável ao homeschooling como alternativa complementar, mas achar que esta prática é uma alternativa completa é de uma ingenuidade atroz. Sua prática limita-se, normalmente, aos anos iniciais, quando não meramente ao ensino infantil, pois quando se ingressa nas séries (anos, como se oficializou chamar) finais, a maioria (imensa) dos pais e responsáveis não tem mais conhecimento específico para ensinar as diversas disciplinas que o aluno deveria estudar. Sabe a quem mais agrada isto? Aos gestores que anseiam por uma fonte ideológica que lhes exima da responsabilidade de disponibilizar e gerenciar recursos para educação pública. Como eu disse, acho plenamente válido o direito à existência do homeschooling, mas muito cuidado com as panaceias: elas não passam de imaginação utópica.

Cf. Oque ganhamos com o homeschooling http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/oque-ganhamos-com-o-homeschooling-269koxypu2rfal1at5jpvi386


domingo, novembro 13, 2016

A política do medo


O medo é mais que algo ancestral, ele é permanente. Faz parte integrante de nossas vidas ao ponto de que quando dizemos “não ter medo” só estamos demonstrando que temos consciência de que ele existe, de que ele faz parte de nós ao ponto de que não seríamos quem somos sem ele. As tentativas de avanço como indivíduo, desde que damos os primeiros passos ainda bebês, quando caímos e depois choramos incluem esta sensação. Sua superação, temporária nos dá dimensão exata de que devemos respeitar, isto é, tomar cautela. E o que é isto senão saber lidar com o medo?

Pois bem, qual foi a grande sacada da humanidade? Trazer o medo para a política. Se um candidato diz que seu rival é incapaz, ou incompetente, que com ele terão mais chances de se desenvolver, o enfoque está menos em suas capacidades como gestor e representante do povo do que na incapacidade alheia. Sem prová-la, no entanto, a mera ameaça de um fracasso se baseia no medo. De modo bem menos sutil, uma turba que intimida seus rivais ideológicos, religiosos ou políticos com berros e palavras de ordem não está sendo diferente daqueles aldeões da idade média carregando suas tochas contra uma mulher indefesa, conhecida como ‘bruxa’. Também não diferem muito de símios e aparentados que se juntavam em torno de um predador para escorraçá-lo da carniça que lhes serviria como manjar.

Agora deixemos os séculos e milênios para trás e migremos em nossa máquina do tempo para o presente. Estamos em uma cidade, na maior parte sitiada em uma ilha, com uma estrutura moderna, porém com sérias lacunas em seus serviços públicos e setor privado. Só para lembrar, uma delas é o transporte público... Jovens estudantes, com a vida toda pela frente, como se diz, acordam às 6 da manhã (quando não, antes mesmo) para iniciar sua labuta diária perante aulas ministradas por uma equipe de excelência em seus mais variados cursos técnicos. Com enormes custos para as famílias que abriram mão de certo conforto para bancar os estudos dos filhos, além do deslocamento, o aluguel em cidades-dormitório, para quem está no interior, a 100, 200 ou 300km da capital parece perto. Tudo é relativo nesta vida, até mesmo o esforço que parece pouco para aqueles com garra e determinação. Mas, para outros, que não quiseram evoluir, preferem a companhia de seus amigos de questionável capacidade cognitiva, uma turba ignara que lhes parece mais promissora, confiável e segura. Em linguagem menos ofensiva, eu os chamaria de um agregado destituído do elemento coragem. E são exatamente estes que na manhã de sexta-feira, dia 11 de novembro de 2016 trancaram os portões do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) impedindo os jovens (na idade e no espírito) de entrar e continuar sua longa saga em busca do conhecimento. Prejudicaram pessoas que pagam caro por este esforço, seja nos aluguéis, seja no transporte por demais moroso, seja em tempo, fundamentalmente, que dispensam para isto tudo. Se eu perguntasse se o prejuízo causado a terceiros lhes causa algum remorso, eu sei que provavelmente me diriam que não, pois tudo foi “em nome de uma causa maior”. De ‘causa’ em “causa maior”, os indivíduos e seus direitos são tratados como ‘menores’, como algo em que a “justiça social” passa por cima como um rolo compressor, triturador da divergência e liberdade alheia.

O dia já amanhece quente e promete ser difícil para aqueles que veem seu direito e liberdade bloqueados por um cadeado, tão trancado quanto o cérebro daqueles que fecharam os portões. Nestas horas, a indignação toma conta de nós e a vontade é de se revoltar. Mesmo em bem menor número, aqueles que tiveram seu espírito e, senso de justiça ultrajados, rumam para frente do centro de ensino. Lá, no front armados com a ignorância e o obscurantismo, uma horda que só faltava carregar tochas para queimar alguém, uma vez que sua inteligência já haviam torrado completamente se arvora e, deliberadamente, procura o confronto. Porque não toleram o livre-arbítrio agem como uma manada de gnus fugindo de algo que ignoram, destroçando com seus cascos tudo que é vivo em sua frente. Ou como bem disse uma de suas ativistas, mais uma das que se deslocou da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), exclusivamente, para o ato insano “democracia, eu queimo”.

Uma coisa temos que reconhecer, ao dizer isto, ela deixou o medo de ser identificada como o pior tipo de gente para admitir o que pensa da pluralidade política e diversidade de opiniões: todas deveriam estar em imensa fogueira. Agora deem uma pausa no que estiverem fazendo e procurem em qualquer buscador na internet quem queimava livros como ameaça política, como política do medo porque tinha medo do que livros e opiniões fizessem com sua política e verão o mais acabado exemplo do que essa gente que toma atitudes a revelia do que os estudantes, professores e servidores decidem, irão se transformar um dia. Não se enganem, apesar do visual descolado e ar de quem não valoriza as aparências, o seu interior se aparenta muito àqueles que usavam bigodinhos abaixo dos narizes e suásticas nos braços.

Medo do que eles podem fazer, todos nós devemos ter, mas nosso medo sempre será menor do que o medo que eles tem de nossa vontade, que é a semente de nossa liberdade.

Anselmo Heidrich
Florianópolis, 13 nov. 16


*Na foto abaixo, um cadeado usado em Sobibor, Polônia em um dos inúmeros campos de concentração nazistas que foram construídos no país durante a II Guerra Mundial. Este foi aberto, mas e os que são fechados diariamente, em escolas ocupadas do Brasil?

Imagem: scientificamerican.com



Trump quer imigrantes (legais)





Óbvio que Trump aprova imigrantes legais, mas até aí não tem
diferença nenhuma em relação a nenhum outro presidente de ontem e hoje. O vídeo
é um factoide de campanha. E se, o presidente que mais teria deportado
imigrantes ilegais, foi Barack Obama, então pelos próprios critérios de Trump,
Obama teria sido um bom presidente. Use a lógica...


O que está em jogo é outra coisa. Vocês já ouviram falar da
estratégia das tesouras, certo? Normalmente, ela é utilizada como explicação,
no Brasil, para definir um espectro de partidos limitados à esquerda ou
centro-esquerda, o PSDB é definido como "direita". Ora! Da mesma
forma, por que esta estratégia não estaria sendo utilizada nos Estados Unidos?!
O que mais se aproximou do liberalismo como entendemos, já era, não existe
mais. Claro que há exceções, pontos aqui e ali de um ou outro candidato, mas
(notem...) em matéria de política econômica, não vejo diferença substancial
entre o socialista Bernie Sanders que perdeu as primárias para Hillary Clinton
e o próprio Donald Trump, com seu protecionismo a la Getúlio Vargas. A
estratégia de tesouras na América limita abordagens mais ou menos
protecionistas, mas todas elas dependentes desta matriz político-econômica. É
muita pobreza intelectual.

A esquerda ganhou com esse cara, quem comemora são
direitistas que foram utilizados pelo mainstream em um tipo de estratégia
reversa. Talvez os próprios jornalistas críticos de Trump não o percebam, mas
colaboraram para sua vitória ao limitar o debate político pré-eleitoral a temas
mundanos. Uma pena, porque daí sim veríamos a diferença (se é que havia alguma)
entre Hillary e Trump.



Anselmo Heidrich

Obama & Trump: mais próximos do que você imagina



 Obama deportou mais imigrantes ilegais no 1º mandato que Bush em oito anos http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/2013-03-23/obama-deportou-mais-imigrantes-ilegais-no-1-mandato-que-bush-em-oito-anos.html

Pelo mesmo critério advogado pelos trumpetes (de deportar imigrantes ilegais) por que OBAMA não seria um BOM presidente? Não dá para entender estes direitistas (análogos aos esquerdistas) que seguem cegamente qualquer um. Não são ideólogos, são cheerleaders ensandecidas.
Anselmo Heidrich

sexta-feira, novembro 11, 2016

O Doce Amanhecer do Réptil Incorruptível


(Imagem: ca.news.yahoo.com).

O mundo é cruel, o mundo é violento. Quando acesso o noticiário vejo quanta barbaridade ainda existe no mundo e, com as mãos indecisas e o coração trêmulo (ou seria o contrário...) decido mudar de canal. Talvez um Baby TV, ou não... Algo mais 'realista': Transformers para preparar bem meus filhos para a difícil evolução que terão neste mundo cheio de armadilhas e maldades. Mas, por outro lado, é justamente isto que nos mantém ativos e na defensiva, a capacidade de, em meio a tantas agruras nos voltarmos para o que temos de mais primevo, a capacidade de brincar e criar em meio aos bombardeios. Li, por ocasião da Guerra da Bósnia que os habitantes da capital, Sarajevo ainda realizavam concursos de beleza. "Não podemos parar a vida" diziam. É por aí, não podemos parar de viver, em meio à violência, apesar da violência até que a morte acometa um de nós ou alguém que amamos e digamos depois do rosto umedecido, "a vida continua..."

Bem, foi neste espírito angelical que pensei, não seria mais fácil se tentássemos resolver problemas e dilemas com soluções infantis. E como se o destino fosse traçado por um deus brincalhão, me deparo com a seguinte notícia:

Indonesia Is Planning To Use CROCODILES As Prison Guards For Death Row Inmates https://ca.news.yahoo.com/indonesia-planning-crocodiles-prison-guards-125210363.html?soc_src=social-sh&soc_trk=tw

Realmente, você não consegue subornar crocodilos.

Eh eh eh...
Anselmo Heidrich 

quinta-feira, novembro 10, 2016

Ajudem Donald Trump a Combater o Terrorismo: divulguem o link abaixo

Donald Trump: o verdadeiro problema


Já ouviu ‘O Verdadeiro Problema com Donald Trump’ de Anselmo Heidrich na #SoundCloud? #np https://soundcloud.com/anselmo-heidrich/o-verdadeiro-problema-com-donald-trump?utm_source=soundcloud&utm_campaign=share&utm_medium=twitter

Enquanto que o mainstream midiático se preocupa quantas mulheres Donald Trump assediou e inventa outros casos, o Partido Republicano elegeu um candidato mais parecido com o socialista Bernie Sanders, representante derrotado por Hillary Clinton pelo Partido Democrata. A História tem um senso de humor terrível...

quarta-feira, novembro 09, 2016

Donald Trump: o que esperar


Veremos se os EUA estarão preparados para as turbulências que se avizinham... (imagem: outsidethebeltway.com).

Recebi duas perguntas de um amigo e respondi aqui...



O que eu espero do novo presidente americano?


O mesmo que eu esperaria de qualquer populista, promessas e embromação. O ponto básico dele é fazer exatamente o oposto do que se beneficiou a vida inteira, a abertura de mercados. A curto prazo poderá gerar mais empregos, mas no médio prazo (10 anos talvez) levará a uma perda de empregos e pior, queda no padrão de vida devido a elevação de custos de produção. Isso, claro, se ele realmente levar a cabo suas bravatas como p.ex. produzir i-Phones no território americano. Duvido que deixar de importar e produzir a baixo custo na China para afagar a perda relativa que eleitores brancos de baixa escolarização tiveram por não saberem controlar suas dívidas e mimá-los com aumentos nominais de salário valha a pena perante uma instabilização econômica na maior população do globo. Duvido que valha a pena prejudicar os crescentes lucros e produção nas corporações mundiais que atuam na China colocando este gigante em rota de declínio a dar razão a um louco de Pyongyang com um corte de cabelo de penico. Mas o México pode sair prejudicado sim, com produtos que podem ser feitos em solo americano.


Na política externa é que eu quero rir, pois quem manda não é um Democrata ou um Republicano. Claro que toda essa puxação de saco para Vladimir Putin pode trazer uma melhor conversação entre os dois impérios, mas achar que as forças americanas arredarão o pé do Oriente Médio por causa de uma retórica isolacionista de um outsider é como acreditar naquele papo de "só vou colocar a c****". Duvido. Duvido que os EUA deixem aliados fornecedores de sua principal matéria prima, o petróleo, como Arábia Saudita e Kuwait à mercê de rivais regionais como Irã ou Síria assediados por seu concorrente geopolítico que é a Federação Russa, cujo interesse em monopolizar a distribuição de hidrocarbonetos para a União Europeia é crucial.


Assédio sexual etc., que ele seja julgado, mas alegar que seja um mau presidente por isso é tão relevante quanto dizer que Hillary não puniu o marido Bill por seus casos extra-conjugais. Isso importa?


Agora, se eu desse bola para o que diz a grande mídia, americana e brasileira iria torcer para Trump mesmo, pois é nojento como distorcem e superestimam o que é bobeira pura, como ele ter dito "b****" e coisas assim. Que é um escrotão, isso ninguém nega, mas a atuação da Sra. Clinton como Secretária de Estado me parece muito mais relevante.


O problema com ela é que dizer que seria uma mulher na presidência é tão relevante quanto um negro, um marciano ou torneiro mecânico, isto nada importa. E o ponto certo de Trump é dizer que atuará firme contra a imigração ilegal, o que em uma sociedade com medo e um mundo com medo tem de se levar em conta, em que pese qualquer dilema moral. Certo ou errado, isto irá pesar e quem não tiver resposta deverá ficar de escanteio no jogo da história. Ruim? Resolva de outra forma. O problema é que isto não precisa vir acompanhado de uma visão comercial tacanha de fechar fronteiras ou dificultar a abertura comercial que trará, imediatamente, pobreza aos seus parceiros e ex-parceiros. E como a pobreza, o tráfico e o crime. Batata.


Mas, a principal cabo eleitoral de Donald Trump foi Hillary Clinton que dizia ser favorável ao um bloco livre no hemisfério, se referindo a uma zona comercial livre nas Américas, a antiga Alca (Área de Livre Comércio das Américas), já dificultada por FHC (e com Lula e Dilma nem pensar) para depois, pressionada pelo socialista concorrente dos Democratas, Bernie Sanders, se desdizer e defender o protecionismo novamente. Ou seja, entre o roto e o rasgado fique com o que fede menos.


Para nós aqui, ela era ruim, e o Donald, um populista nojento que ainda é uma incógnita. Em quem eu votaria? Nulo. Quem ganhou? Além de Trump, o terrorismo internacional que conseguiu acuar um império.


O que eu desejo? Que ele fale mais, é divertido ouvi-lo.


a.h


Em 9 de novembro de 2016 19:48, C B escreveu:
E aí, Anselmo, o que você espera e deseja do novo presidente dos EUA?

...


quinta-feira, novembro 03, 2016

Como encher a linguiça do currículo com mais doutrinação marxista

  
Quando se alerta para a visão ideologizada dos professores e nos respondem que todos nós temos ideologia, mesmo que inconfessa e de que a neutralidade é simplesmente impossível não se entende a crítica contundente deste artigo, os professores de filosofia e sociologia não são incompetentes, o problema real é que eles são competentes de acordo com a educação superior que tiveram que, esta sim, é deficiente. A maioria desses cursos no país tem currículos e pior, interpretações desatualizadas, como o caso da vulgarização marxista. Consequentemente, os professores aí formados não se põem a criticar os seus fundamentos. O tal "pensamento crítico" como exposto nos comentários não passa de uma crítica ao capitalismo, de modo simplista e sem autocrítica, é uma crítica totalmente unidirecional. Sinceramente, faz mais de meia década que este artigo foi escrito e o resultado da introdução destas disciplinas no currículo escolar só fez piorar o que já tínhamos com geografia e história: a formação de uma massa de manobra estudantil a serviço de partidos e organizações com interesses escusos como ora se vê com as nefandas, autoritárias e verdadeiramente fascistas ocupações de escolas no país afora.


Cf. Ideologia na Escola - Educar para Crescer http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/ideologia-cartilha-547333.shtml



Uma de nossas chagas sociais, infelizmente, ainda muito pouco levada a sério.

Anselmo Heidrich

quarta-feira, novembro 02, 2016

Saúde e Honestidade



Amigão meu com quem já trovei muito saboreando uma deliciosa cerveja anda muito preocupado com a saúde e me enviou isto. Sabe... Pode ser verdade, claro, mas notei a ausência de nossa querida cerveja. Como se diz nos clichés de filmes policiais investigativos, "você notou a presença do cavalo branco na cena do crime?"