segunda-feira, maio 20, 2019

Quando um paranoico lidera


Alguns irão à manifestação porque são contra os que querem derrubar o governo, mas eu pergunto quem age mais contra o governo senão o próprio?
É tal o grau de divisão que se eu publico uma imagem de uma ministra da agricultura louvando acordo com Vietnã me acusam de não valorizar o todo e isso ser opinião “da Globo”.
Só mesmo em um país insano para atribuir todas nossas principais mazelas a uma emissora de TV que vende o que a maioria de nós paga para ver.
Outro dia discutia com um bolsominion e ao dizer que a preservação de nossas relações com a China dependerá do Vice-Presidente, fui acusado de gostar da China. Como se eu gostasse de uma ditadura comunista, como se eu gostasse de ditaduras, como a militar que eles, fanáticos bolsominions dizem admirar.
É tanta dispersão de atenção que só posso entender isso como movimento de massa, de fanáticos mesmo. Imaginem um paranoico, que se irrita quando um de seus interlocutores questiona uma de suas ideias e é visto como um forte opositor, do tipo que endossa todos os delírios do paranoico. Por isso ele faz tantos inimigos, porque o mundo de um paranoico é feito “deles contra nós” e no limite, “deles contra eu”.
Como qualquer político, pastor, líder carismático, qualquer pessoa que fale com grande convicção para uma massa de ouvintes semi-alfabetizados e ávidos por guias espirituais, esse sujeito tem um séquito e não discípulos. E ele curte isso. Não vê pessoas, mas um gado e quando uma dessas ovelhinhas se desgarra, o foi por ação diversionista de algum lobo esperto ou porque era uma ovelhinha negra.
Agora, imaginem um doido desses que parte para uma festa de palavras, uma folie à deux em que vários de seus seguidores cada vez piores em intelectualidade e mais fanáticos passa a enxergar conspirações em qualquer ato político que, na sua essência é do jogo do poder mesmo. Não demora muito estarão escrevendo uma carta ridícula dizendo que “o país acabou”.
Mas calma que não ficamos nisto, imagine que este doido receba uma medalha com a mais alta honraria deste país por serviços prestados enquanto que o mais homenageado e respeitado dos militares, guerreiros que colocam seus ombros como escudos para nós o acusa de “desserviço ao país”. E por isso é chamado de “doente em uma cadeira de rodas”.
E quem autoriza a entrega da medalha para o doente mental em outro país, que sequer se dignou a vir busca-la foi o Presidente da República.
Todos já devem ter ouvido histórias de homens pusilânimes que são manipulados por mulheres megeras e inteligentes. Pois é, ao paranoico auto-exilado só faltou a vagina, pois é histriônico e vingativo.
Vingança feminina é a pior.
Vejamos os outros do outro lado, garotos que estudam e resolvem por a política em prática. Eles criam um movimento e, entre erros e acertos chegam à representação na Câmara. São os soldados do principal objetivo prático do governo, uma reforma da Previdência Social, responsável pelo nosso maior déficit público.
Eles passam sob as lentes dogmáticas dos eleitores do auto-proclamado “mito” a serem vistos como “traidores” porque focam no que interessa e sabem que as novas manifestações são menos pelas reformas e mais para encobrir os desmandos presidenciais e de seus filhos que adoram o doente mental auto-exilado.
Outras pessoas que por razões justas ou acasos ficaram para trás no rolo compressor liberal que surgiu pegam carona na onda conservadora e se intitulam “anti-liberais”, porque estes “não preservam as tradições”, sem perceber que no Brasil, o grande problema está em nosso conjunto de tradições que perverte a política – o clientelismo, o nepotismo, o assistencialismo, o coronelismo etc.
A confusão política é precedida por uma confusão conceitual, de nomenclatura mesmo. A importação anacrônica de uma teoria que divide os espectros políticos oriunda da Europa e dos EUA para cá, sem as devidas adaptações fez com que essa massa de fanáticos empunhasse uma bandeira que não existe aqui, a do Conservadorismo.
Por conta disso, dessa adaptação feita nas cochas se defende as maiores atrocidades, como o assassinato de centenas de pessoas por serem “esquerdistas”.
Obviamente, que assaltantes de banco e bandidos têm que ser contidos com força letal, se necessário, mas não por acreditarem em mitos de esquerda e sim, simplesmente, por empunharem armas ameaçando cidadãos. A questão é que esses não chegaram a 500. Se matou mais do que seria justo e por razões injustas.
Mas vai argumentar isso para quem busca uma panaceia política baseada no Catolicismo e vê a diversidade religiosa como um mal em si. Daí os militares passam de “defensores da República”, “os únicos que não se contaminaram com o gramscismo” para traidores porque não deram fim nos esquerdistas, porque são “positivistas”, maçons etc. e tal.
Se voltássemos no tempo e disséssemos a um leitor da Revista Planeta que aquele articulista que tentava explicar as transformações do Leste Europeu pelas posições dos planetas no nosso Sistema Solar afetaria tanto assim a política nacional, o mais devoto dos ocultistas daria um sorrisinho de canto de boca me achando pirado.
Só que entre um episódio e outro, “paranoico escrevendo em revista de misticismo” para “paranoico recebendo medalha da Ordem do Rio Branco” existiu um fenômeno, o da comunicação descentralizada de massa, a Internet.
Nela, os youtubers que recebem “likes” quanto mais visualizações têm e para atingi-las se pode conseguir da forma difícil com (a) conteúdo sério ou da forma mais fácil, com (b) intrigas – “tretas” como são chamadas.
O próprio paranoico é um desses que vive disso e promove seus cursos on line com mais visualizações de seu canal em que abusa da linguagem de sarjeta misturada com o estilo de um Ratinho e Márcia Peltier.
Mas como uma ejaculação precoce, a influência do paranoico fez água e agora, de modo esperto, os incompetentes que querem desviar o foco dão uma cartada como sempre fez a esquerda: criar um mito e uma história de “perseguição”.
Todo governo incompetente faz isso: busca inimigos para se justificar.
Apenas lembrem-se que a ofensa feita ao Clube Militar não deve ter passado em brancas nuvens. E se amanhã ou depois, dependendo do andar da carruagem, essa trupe for defenestrada do Palácio do Planalto não vai adiantar ficar de mi-mi-mi: eles tiveram a sua chance.
Por mais que você tente dissuadi-los, meu conselho é, use-os, use-os como escadas para subir e falar aos que não caíram na conversa fiada persecutória. Paranoicos são como cogumelos, sempre prontos a surgir após uma chuvinha qualquer e chuva de imbecilidades, charlatanismo e messias é o que não falta.
Doentes.
Anselmo Heidrich
19 mai. 19
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Imagem “Amazing Field of Miniature Mushroomshttps://www.flickr.com/photos/pictoscribe/30748125366

quarta-feira, maio 15, 2019

Canais do YouTube que sigo e recomendo

POLÍTICA E POLÍTICA EXTERNA

• Hoje no Mundo Militar [https://www.youtube.com/channel/UCxDFRhF3Y1A_Gd0-cF8gbqQ] — ótimo canal de um aficionado em tecnologia militar que acaba por comentar sobre história, política e um pouco de economia envolvendo o assunto;
• TV Coiote [https://www.youtube.com/channel/UCQNr3rhXfVXhMSYb3k43atA] — jornalismo de verdade, com muita descrição, análise e, ocasionalmente, opinião, nesta ordem;
• VisualPolitik [https://www.youtube.com/channel/UCJQQVLyM6wtPleV4wFBK06g] — pare com tudo, esse é simplesmente o melhor canal de todos;
• William Waack: “Painel WW” [https://www.youtube.com/channel/UCAVq36KDhPluroMCL1BZhbg] — o nome desse jornalista dispensa comentários, o melhor jornalista que a GloboNews já teve, especialmente, sobre política externa e geopolítica;

ATUALIDADES (política, sociedade)

• Excluí o Morning Show, após Caio Coppolla se mostrar desonesto quando foi confrontado por Glenn Greenwald;

ECONOMIA

• Mundoruralbusiness [https://www.youtube.com/channel/UC09bGSDmqxLV8RPMJ9hJcOQ] — canal dedicado ao agronegócio, com alguma pitada de política;

MÚSICA

• Regis Tadeu [https://www.youtube.com/channel/UCR_LXN3N28gCJ-zL65SN1iQ] — o homem manja muito de história de grandes grupos e tem opiniões polêmicas sobre “gosto musical”, muitas das quais eu concordo, mas o melhor é ver a personalidade irritada do sujeito sobre banalidades;

HISTÓRIA e CULTURA

• Masaman [https://www.youtube.com/channel/UC1vVNQN-TCy8d3Mb_Owr2Kw] — esse cara é um tarado que estuda as raças (sim, RAÇAS) e sua evolução na história baseado na genética (sim, não é nada aleatório). Para quem está torcendo o nariz achando que é “discurso racista” tenho um recado: você está redondamente equivocado;

PSICOLOGIA, COMPORTAMENTO

• Metaforando [https://www.youtube.com/channel/UCh7TUTXojlE8vRtb-EnuDzw] — canal especializado em linguagem facial (que não muda de acordo com a cultura) com descobertas sobre quem nos relacionamos e nós mesmos;
• Carisma no Comando [https://www.youtube.com/channel/UCxTTuAGVXR-xz9z5A-6BlEQ] — uma definição um tanto imprecisa é de “um canal de auto-ajuda não religioso”, isto é, algo como um guia de percepção de erros que cometemos.

Anselmo Heidrich

15 mai. 19

segunda-feira, maio 13, 2019

O Estado-Tampão Ucraniano


O nome Ucrânia significa, literalmente, “ no limite”, “ fronteira”, “ margem” e, embora seja um país reconhecido mundialmente, para a geopolítica russa seu significado etimológico vale na prática. Como bem asseverou George Friedman, “a Ucrânia é tão importante para a Rússia quanto o Texas para os Estados Unidos e a Escócia para a Inglaterra”. O país paga um preço por sua localização estratégica, sempre situada na borda de impérios ou grandes potências. Nos séculos XVII e XVIII foi dividida entre a Polônia, a Rússia e o Império Otomano; no século XIX, pela Rússia e pelo Império Austro-Húngaro; no século XX foi livre por um breve período após a I Guerra Mundial, para, depois, fazer parte da União Soviética na maior parte da sua história moderna.
Em termos de controle territorial efetivo, a Ucrânia é um país dividido em três domínios: o Leste, com as províncias de Donetsk e Lugansk — na denominada região de Donbass — nas mãos de rebeldes separatistas (chamados de “ terroristas” por Kiev); o Centro e o Oeste, sob administração da capital ucraniana; e a Península da Crimeia, sob controle da Rússia. Essa situação começou a ser gerada em 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovych se negou a assinar os termos de um acordo de cooperação com a União Europeia para buscar apoio com o Kremlin.
Este foi o estopim para uma série de protestos — o Euromaidan — que se estenderiam por 2014 acompanhados de repressão. Sem condições de governar, Yanukovich deixa o país e se refugia, provavelmente na Rússia, com paradeiro desconhecido. As acusações de violência de um governante pró-russo facilitaram a chegada ao poder de Petro Poroshenko, magnata ucraniano formalmente comprometido com as reformas modernizantes para futura integração com a União Europeia.
Kiev foi o epicentro dos acontecimentos que representavam o centro e o oeste do país, cuja maioria de seus habitantes fala o ucraniano e se sente motivada a integrar a União Europeia. Mas, o mesmo não era válido para o leste e sul, mais “ eurocético”. Na esteira dos acontecimentos, o referendo da Crimeia em 16 de março de 2014 sobre a possibilidade de se juntar à Rússia, com 96,77% de aprovação, deu a “ legitimidade” para que a Rússia anexasse a península e fosse dado apoio militar e humanitário aos rebeldes no Donbass, levando a uma animosidade crescente entre os governos russo e ucraniano.
Restou à Ucrânia manter estratégias complementares em três níveis de atuação:
1ª. Militar — as tropas ucranianas lutam na frente de batalha contra as forças separatistas pró-russas;
2ª. Diplomática — Kiev busca apoio da comunidade internacional, embora seja uma estratégia difícil na medida em que a Rússia faz parte do Conselho de Segurança da ONU, com poder de vetar determinadas Resoluções;
3ª. Econômica — busca de apoio na aplicação de sanções contra a Rússia e na criação de incentivos para o término da guerra.
Seja em seu passado ou no seu presente, a Ucrânia não é só dividida por forças externas, mas também apresenta uma dicotomia interna entre grupos étnicos e linguísticos com opções e visões políticas majoritárias antagônicas. Entre uma nação pró-russa ou pró-europeia há uma terceira via de estruturação política: o chamado “ estado-tampão”. A ideia é seguir um modelo independente em que não se alie a nenhum dos poderes que disputa seu apoio, especialmente sem formular sua política externa de acordo com o interesse de nenhum outro governo estrangeiro, leia-se Moscou ou Washington.
No entanto, conforme tem sido observado, sua aplicação não é algo fácil, especialmente quando lideranças locais desejam uma maior integração com um outro país, com uma ou outra economia. Enquanto empresários e profissionais autônomos desejam ampliar seus laços com polos próximos, em cidades como Varsóvia ou Frankfurt, o Leste, com a indústria de extração mineral, vê o mercado russo como um porto seguro para seus empregos e modo de vida.
Embora haja casos bem-sucedidos de Estados-tampão na história, como a Finlândia, a Suécia e Áustria o foram durante a Guerra Fria, ou a Suíça durante séculos, nem sempre houve sucesso, como se viu no caso da Bélgica durante a I Guerra Mundial, da Polônia no Entre Guerras, ou do Afeganistão no século XIX. Além disso, não se pode descartar as constantes intrigas internas que irão ocorrer pela busca de apoio externo e acusações mútuas de interferência. Normalmente, Estados-tampão funcionais são aqueles que não apresentam grau de ameaça alguma para seus vizinhos ou potências em disputa, e, conforme se observa, este não é o caso da Ucrânia.
Em termos militares, a vantagem para Moscou nesta disputa é que não há um interesse concreto na invasão militar por parte da OTAN, nem tampouco em armar a Ucrânia, pois os custos e riscos de uma operação desta monta seriam muito elevados.
Para a Rússia, a Ucrânia oferece: (a) posição estratégica e (b) produtos agrícolas e minerais. Enquanto que os últimos têm grande importância, o primeiro é fundamental para a existência da Federação Russa. A longa linha de fronteira e a distância de apenas 490 quilômetros do território ucraniano em uma topografia plana, de fácil travessia, tornam sua defesa imprescindível.
Acrescente-se que os portos ucranianos de Odessa e de Sevastopol na Crimeia são mais importantes que o de Novorossiysk, localizada no Krai de Krasnodar e ponto chave de acesso ao Mar Negro, e permitem a presença e influência russas nos mares Negro e Mediterrâneo. Os outros portos russos ao norte, no Báltico, têm seus mares congelados no inverno e podem ser bloqueados pela Groenlândia-Islândia-Reino Unido a oeste; pela Dinamarca no Báltico; e pelo Japão no extremo Leste.
Uma Ucrânia neutra pode ser algo desejável, mas não é garantia de estabilidade do ponto de vista russo, dadas as possibilidades de mudança da percepção social (como já ocorreu) e de posição política interna. Acredita-se que o caminho esteja na constituição de parcerias internacionais para um desenvolvimento conjunto. Daniel Drezner avaliou a melhor solução para conflito que passa pela restauração econômica do país: “Para salvar a Ucrânia e, eventualmente, restaurar uma relação de trabalho com Moscou, o Ocidente deve procurar fazer da Ucrânia um estado neutro entre a Rússia e a OTAN. Deveria se parecer com a Áustria durante a Guerra Fria. Para esse fim, o Ocidente deveria explicitamente tirar a expansão da União Europeia e da Otan, e enfatizar que seu objetivo é uma Ucrânia não alinhada que não ameace a Rússia. Os Estados Unidos e seus aliados também devem trabalhar com Putin para resgatar a economia da Ucrânia, uma meta que é claramente do interesse de todos”.
A Ucrânia é interesse estratégico para a Rússia, e grandes potências não abandonam seus interesses estratégicos. Nesse sentido, conforme vem sendo destacado por analistas, armar o país é ideia arriscada que potencializaria a crise. Pelos elementos observados, conclui-se que os líderes russos não vão aceitar a retirada da Ucrânia de sua órbita de influência e a solução para o conflito não passa pelo confronto, mas pela diplomacia.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Encontro entre Viktor Yanukovych e Vladimir Putin” ( Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/16298
Imagem 2 Mapa da Orientação Geopolítica da População Ucraniana,2015” ( Fonte): http://soc-research.info/blog/index_files/category-geopolitics.html



Originally published at https://ceiri.news on May 13, 2019.

quinta-feira, maio 09, 2019

Você ainda tem esperança de que o Brasil se torne um país de excelência em saúde, educação e segurança nos próximos 30 anos?

Minha resposta a Você ainda tem esperança de que o Brasil se torne um país de excelência em saúde, educação e segurança nos próximos 30 anos? O que o leva a pensar assim?https://pt.quora.com/Voc%25C3%25AA-ainda-tem-esperan%25C3%25A7a-de-que-o-Brasil-se-torne-um-pa%25C3%25ADs-de-excel%25C3%25AAncia-em-sa%25C3%25BAde-educa%25C3%25A7%25C3%25A3o-e-seguran%25C3%25A7a-nos-pr%25C3%25B3ximos-30-anos-O-que-o-leva-a-pensar-assim/answer/Anselmo-Heidrich?srid=n4EX2
Tudo depende de ações de longo prazo e reformas estruturais, o problema é que isso passa pela ação política. P.ex., vivemos um momento histórico de transição, para uma economia mais livre, mas para tanto o Congresso, venal que temos, tem que agir cortando na carne, nem tanto dos parlamentares, mas de seus assessores e escalões inferiores do funcionalismo público de onde vem boa parte de seu apoio político através de ações clientelistas — troca de favores. 
Neste ritmo de reformas lentas, graduais, de um passo para trás para conseguir dar dois para frente, espíritos revolucionários (tanto de Direita quanto de Esquerda) acham que nada mudará, mas se observarmos como uma simples reforma da previdência pode adiantar uma enorme quantia de recursos que pode ser investida na criação de infraestrutura (portos, estradas, aeroportos, redes de transmissão etc.) e consequente atração de investimentos (diretos e indiretos, em produção e meros investimentos especulativos), o cenário se modifica para quem observa. 
A saúde é mais objetiva, pois seus indicadores são mais claros, é talvez o mais fácil de atingir, mas para isso, certos limites à expansão de serviços caros têm que ser estabelecidos (não dá para distribuir drogas caras em detrimento de leitos hospitalares, p.ex.); a segurança públicadepende de expedientes legais e tenho que dizer que precisamos reduzir a tendência jurídica chamada de “garantista” que dá muitos benefícios, na verdade, privilégios aos condenados que os permitem estabelecer redes de contato que estruturam o crime organizado. Paralelamente, a defesa individual precisa ser garantida. Não é possível que em um país com cerca de 60.000 homicídios ao ano ainda se questione o direito à defesa (armada) do cidadão; a área educacionalé a mais nebulosa porque o brasileiro mediano não a valoriza. Seja aluno de curso superior, que tem privilégios graças ao financiamento público para uma elite cursar a universidade ao pai de família da periferia urbana que acha que seu filho vai ganhar dinheiro e “fazer a vida” sem aquela “teoria chata” que “não serve para nada”. Isto se explica em parte porque o ensino técnico-profissionalizante do ensino médio foi abandonado e é neste nível de ensino que reside nosso buraco negro, em abandono e falta de direção pedagógica. Aliás, pedagogos são os responsáveis por criar teorias descoladas da realidade que pouco ou nada servem aos alunos. Se isto for questionado claramente, não vejo porque não nos tornarmos uma sociedade muito melhor em uma geração, cerca de 30 anos.
Anselmo Heidrich​
9 mai. 19

Olavo vs militares: De que lado está Bolsonaro?

Melhor cobertura de uma crise, totalmente desnecessária, desse governo:


"Olavo vencer" significa aquela madrassa da Virgínia receber mais likes e capitalizar com seu curso on line. Nada mais. Os militares vencerem significa uma retomada da estabilidade institucional, absolutamente necessária para que o país possa focar em reformas econômicas e quiçá, futuramente, políticas.


Por que as escolas militares são melhores do que as normais?

Minha resposta a Por que escolas militares são melhores que escolas normais? https://pt.quora.com/Por-que-escolas-militares-s%25C3%25A3o-melhores-que-escolas-normais/answer/Anselmo-Heidrich?srid=n4EX2
A resposta é simples: disciplina. As pessoas contestam dizendo que não é preciso ter disciplina militar para gerir um bom sistema de educação. É verdade, mas a questão não é essa, o problema não é que as escolas militares têm uma disciplina rígida, o problema real é que as escolas civis (públicas e privadas), regra geral, não tem nenhuma disciplina
E não adianta vir aqui com afirmações de pedagogos, assistentes, administradores ou até professores que não têm autocrítica, basta visitar as escolas sem anunciar para ver que professores que querem dar aula (ao contrário de muitos) não conseguem faze-lo sem gastar 15 minutos ou mais chamando atenção de seus alunos. Este não é um fenômeno só brasileiro, pode se observar mundialmente, mas o fato de termos uma epidemia de indisciplina em nossas escolas se explica pela confusão conceitual de tratar ensino e currículo como educação. Não são, são coisas bem diferentes, embora complementares. 
Leve teu filho a um curso de artes marciais e se surpreenda que os seus professores gastam minutos explicando conceitos de convivência para que os alunos não se transformem em meros pit-boys querendo sair batendo nos outros nas ruas, que defesa pessoal compreende um conjunto de valores de respeito aos outros. Professor de verdade professa verdades. Isto é fundamentalmente diferente do conceito pobre de instrutor de ensino criado por pedagogos para retirar poder do professor e que agradou aos políticos e legisladores que no passado viram aí uma fonte de economia de recursos… 
Como? Sim, exatamente. Quando os alunos não sofrem sanções pelo comportamento inadequado, como suspensões e, no limite, expulsões acabam sendo inseridos em um programa de “Progressão Continuada” (já ouviram falar? também conhecida como “aprovação automática”) no qual, exceto em raríssimos casos, não repetem de ano. Ou seja, o sistema criado ao longo dos anos por leis educacionais que não têm nada de educativas levou os professores militantes de utopias pedagógicas a acreditar que assim os alunos tomariam consciência. Ora! Como se conscientiza um aluno que é premiado pelo mau comportamento ao passar de série ou ano sem fazer nenhum esforço como o bom aluno? E como você acha que esse bom aluno seguirá se esforçando ao ver que os mal comportados, indisciplinados e vadios têm o mesmo resultado positivo? 
Caro, quem tem que “tomar consciência” somos nós. Só reconhecendo este cenário é que vai se compreender porque os resultados e indicadores dos alunos brasileiros em matemática e português são tão baixos. Erroneamente, nossos analistas e pesquisadores veem a ponta do iceberg e daí, seu titanic governamental já afundou. Em se tratando de escola pública, o MEC não dá conta, as secretarias de ensino estaduais e, principalmente, as municipais é que têm de fazer o serviço com regras próprias. Paralelamente a isso, as escolas privadas também podem absorver alunos carentes com vouchers, ao mesmo tempo que suprimem a legislação anacrônica do MEC e do ECA, verdadeiros atrasos para quem quer que o sistema realmente funcione. 
Com medidas assim, talvez levemos duas décadas ou menos para começarmos a ver bons resultados em escolas privadas e públicas, para alunos de diferentes faixas de renda sem que caiamos mais no discurso enganador de que “não dá para lutar com isso porque as ‘condições sociais’ não permitem”. Essa conversinha é de sindicalista que acha que aumentar salário resolve a “crise na educação”. Cascata! Esse é o mesmo raciocínio de quem acha que aumentar salário de funcionário corrupto acaba com a corrupção crônica. Sem disciplina e sanções adequadas, nada vai para a frente.
Anselmo Heidrich


9 mai. 19

terça-feira, maio 07, 2019

Ucrânia aprova lei para reforçar uso do idioma


O Parlamento ucraniano aprovou, no dia 25 de abril, uma lei favorecendo o uso do idioma no país. Poucos dias após a vitória de Zelenski, a nova lei aprovada prevê que 50% dos livros escritos e 90% de programas de rádio e TV sejam falados em ucraniano (atualmente, são 75%). Funcionários públicos de todos os níveis, assim como médicos, advogados e professores que desobedecerem serão multados, com exceção feita à ritos religiosos e comunicações privadas. Haverá um prazo de adequação de até três anos, tido como necessário para criação de centros de aprendizagem e treinamento do idioma em todo o país.
Não é a primeira vez que a língua na Ucrânia é objeto de intensa disputa política. Em 2012, a política linguística do país era de legalizar o russo e outras línguas minoritárias, como “ idiomas cooficiais” (em regiões onde 10% as utilizam). O ucraniano continuaria como oficial, mas o russo também seria adotado em tribunais e hospitais em regiões onde fosse falado majoritariamente*.
promulgação da língua ucraniana foi feita um dia após Moscou facilitar a emissão de passaportes para cidadãos ucranianos no Leste. Desde 2014, quando a revolta popular derrotou o Presidente apoiado pela Rússia, os dois países romperam relações e o presidente Poroshenko assumiu uma linha política dura em relação à Moscou. No mesmo ano, a Crimeia foi anexada pela Rússia e irrompeu uma rebelião separatista nas províncias de Donetsk e Lugansk, cujo conflito já dura cinco anos e levou à morte de 13.000 pessoas.
Petro Poroshenko, atual Presidente e candidato derrotado à reeleição, classificou a nova lei como um passo para “nossa independência mental”, coerente com sua campanha eleitoral, que se baseava na tríade “Exército, Língua e Fé”. Em suas palavras: “Esta é uma decisão verdadeiramente histórica, que está ao lado da restauração do nosso exército e do recebimento da autocefalia** pela Igreja Ortodoxa da Ucrânia. A língua ucraniana é um símbolo do nosso povo, nosso estado e nossa nação”.
Além de ser um incômodo às regiões mais russófilas do país, no Sul e no Leste, Moscou e o Presidente eleito da Ucrânia, Vladimir Zelenski, também veem a nova lei como contraproducente.
Zelenski pretende examiná-la para saber quais serão suas consequências e saber como proceder, no que condenou sua criação sem “ um grande debate público”. Antes de sua aprovação, a maioria dos talk shows e programas de TV já era falada nos dois idiomas, com o ucraniano majoritariamente no Oeste, e o russo de forma expressiva no Leste, enquanto que a capital, Kiev, utilizava ambas as línguas.
Os parlamentares que a aprovaram aplaudiram de pé e cantaram o hino nacional. Em frente ao Parlamento, centenas de pessoas comemoravam com bandeiras. A composição do Parlamento não mudou após a eleição presidencial e continua dominada por uma coalizão que apoia o candidato derrotado, o presidente Petro Poroshenko, e este episódio pode ser um indício das futuras dificuldades que Vladimir Zelenski enfrentará em seu mandato presidencial.
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Notas:
* Viktor Yanukovich, ex-presidente que contava com apoio russo, inicialmente não conseguiu passar a lei devido a oposição nacionalista. No dia 24 de maio, durante sua leitura, o Parlamento virou cena de violenta pancadaria entre membros da situação e oposição, além de 9.000 manifestantes contrários à sua aprovação em frente ao Legislativo e outras duas manifestações, com 1.000 cada, nas cidades de Lviv e Jarkiv. Quase um mês depois, em 8 de agosto de 2012, Yanukovich obteve a aprovação desta lei.
** Por “autocefalia da igreja”, ele se refere à independência da Igreja Ortodoxa Ucraniana ao separar-se da Russa, ocorrida em 5 de janeiro de 2019.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Festival Folclórico Ucraniano2017” ( Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Bar,_Vinnytsia_Oblast

Originally published at https://ceiri.news on May 7, 2019.

domingo, maio 05, 2019

Você é a favor dos cortes para os cursos de Sociologia e Filosofia?


Cortar ou não cortar o financiamento dos cursos de sociologia e filosofia? Não, se forem só estes cursos. Sim, se forem todos os cursos.
Os argumentos a favor do governo são de que “esses cursos não são importantes”, “só formam militantes” e um que eu não li ainda, mas seria importante, “eles produzem ciência de verdade”. Bem, sociologia é ciência. Não é porque se produz pouca ciência sociológica que ela não exista, mas eu reconheço, infelizmente, que a maioria dos cursos e em várias situações serve para encobrir a mais pura picaretagem acadêmica que se esconde atrás do véu do “engajamento político”, da premissa de que “ninguém é neutro” ou de que “todos nós temos ideologia”.
Ninguém é neutro mesmo, mas isso não nos exime de fazermos nosso trabalho descritivo, de coleta de dados, de discussão metodológica, de análise e depois nos posicionarmos politicamente. O que acontece, cada vez mais é que a premissa da não neutralidade já legitima, logo de saída, a deturpação metodológica onde vai se buscar o discurso (pseudo-)científicio da opção política. E o pior é que isto não é identificado. Se acreditando, piamente, que a opção antes da pesquisa é a mais acertada possível.
“Ideologia” é um termo amplo, muitas vezes confundido com a simples fé em um utopia ou projeto político. A ideologia, na verdade, compreende uma justificativa teórica ligada a uma filosofia e é a própria filosofia que tem um papel importante na análise das ideologias. Por isso mesmo, o melhor remédio contra a má sociologia é a própria filosofia.
Mas o que fazer quando os professores não são o remédio, mas o problema? O que fazer quando eles são os vetores de contaminação e deturpação de todo o sistema? O corte para essas áreas é uma solução tentadora, mas injusta porque não separa o joio do trigo e põe todos, produtivos e picaretas no mesmo saco. Critérios meritocráticos tinham que ser adotados para quem faz ciência de verdade não fosse prejudicado, o que também deveria incluir a área de Humanas.
E este Ministro da Educação com muita pose e arrogância nas palavras poderia trabalhar nisso já que se acha competente. Quem sabe ele seja mesmo… A Direita está perdida na atuação política por falta de método. Quem sabe a sociologia de verdade ajudasse este governo a administrar melhor as chamadas “áreas sociais”?
E a Esquerda por seu turno não está perdida, ela é perdida… Eu participo de uma lista, que se vê como movimento chamado “Mapa Educação”, cuja deputada egressa dele é a Tabata Amaral, filiada ao PDT-SP. Ela teve o bom senso de sair do movimento para não misturar as funções (coisa que muito político liberal do MBL precisava aprender).
Como eu dizia, as discussões desse Mapa Educação se limitam atualmente aos cortes de verba às Federais anunciados pelo governo. É como se a Educação Básica simplesmente não existisse. E, na realidade, para esses grupos políticos é assim mesmo. Eles refletem seus locais de origem e encontro: o Ensino Superior. Eles acreditam, piamente, que um sistema “democrático”, “popular”, “social”, mas que na realidade traga 60% dos recursos destinados à Educação no país e que serve a poucos.
Considerando sistemas público e privado de ensino superior temos cerca de 19% de jovens entre 18 e 24 anos, embora haja muitos na modalidade EAD que está em franco crescimento, de acordo com o Censo Educacional de 2017.
Não adianta procurar atalhos. Ou faz o serviço direito ou pede para sair. Temos duas medidas necessárias:
  1. Criar um modelo meritocrático baseado em critérios de produção científica;
  2. Privatizar o Ensino Superior distribuindo bolsas para alunos carentes e expandindo modelos de financiamento.
Isto já irá secar a fonte dos centros acadêmicos geradores de movimentos que servem como braços de apoio de partidos e movimentos políticos e só existem em grande parte devido ao financiamento público. O problema não é a ciência que dizem estudar e produzir, mas porque são geridos por professores que não fazem ciência e não têm a menor ideia do que seja isto.
Tais medidas seriam um bom começo, mas por si só não serão suficientes para combater ideologias. Essas se combatem com outras e para isto, outro tipo de professor deve ser atraído com bom salário. Se não for assim, os ruins que já predominam continuarão fazendo o que sabem melhor: política suja, melhor definida como “política no lugar errado”.
5 mai. 19
Fonte da imagem: “Evolução dos paradigmas de pesquisa em Sociologia e ciências da complexidade” –https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Complexity-map-with-sociolo.png

sexta-feira, maio 03, 2019

Para quem quer a guerra com a Venezuela


Você apóia uma intervenção militar na Venezuela para depor Nicolás Maduro?
Em primeiro lugar, não tenho nenhum apreço por este sujeito e sim, asco. Mas não é disto que se trata…
Para apoiar uma intervenção, a primeira pergunta que se põe é:
1ª) Qual o grau de apoio INTERNO à grupos ou exércitos estrangeiros?
Parece óbvio que sim, mas a pergunta não foi respondida: eu quero saber o percentual de apoio ou uma mera estimativa. Porque, meu amigo, se não for significativo, por melhor que sejam tuas intenções, tu serás visto como um INVASOR.
Seguem outras questões derivadas:
2ª) “Matar o elefante é fácil, difícil é remover o cadáver”, já dizia Mikhail Gorbachov… Como vc pensa em administrar o país após invadi-lo e matar milhares (supondo que sejam poucos a matar)? Ou vc pensou que não haveria resistência?
Uma maneira mais branda de fazê-lo é obter apoio INTERNO, mas isto significa negociar com as mesmas forças (militares, sobretudo) que apóiam Maduro, para que elas o abandonem, que é o que Juan Guaidó tentou, sem sucesso fazer.
3ª) Qual o montante de recursos que se pretende dispender nesta empreitada? Sim, tudo custa, tudo tem custo e a ocupação pós-ataque é cara. Talvez seja bem melhor investir numa infraestrutura de defesa fronteiriça e para receber os refugiados de uma guerra civil que se avizinha.
4ª) Quanto ao custo comece pensando também na tecnologia militar. Embora o Brasil tenha um maior exército (até onde sei), a Venezuela conta com um aparato, principalmente aeronáutico melhor que adquiriu da Rússia, o que será essencial numa região desprovida de estradas. Como pensamos em invadir? Por terra que não será o caso. Quem pode fazer melhor, a partir do Caribe são os EUA. O que o país de Donald Trump tenciona fazer ou vamos entrar de cabeça nessa sem sentar a mesa no Pentágono? Por acaso alguém aqui joga xadrez? Quem quer ser o peão? Então, sem uma estratégia conjunta, como um plano de empresa, detalhado ponto por ponto é tolice entrar nessa.
5ª) Quer mesmo retirar Maduro do poder? Contratem assassinos e ponto. Mas lembre-se que só isto não basta, pois retirar Maduro não é retirar o chavismo, que permance vivo e forte matando e destruindo pessoas e a economia. Então, paralelamente aos planos de depor Maduro, as negociações com os militares, inclusive de anistiar assassinos que vinha fazendo Guaidó – o autodeclarado presidente interino da Venezuela – têm de continuar.
A situação do país não é confortável, nem para a oposição de Juán Guaidó, nem para Nicolás Maduro que se viu enfraquecido na útlima manifestação na semana passada. Inclusive, a repressão, em que pesem as cenas brutais de blindados esmagando pessoas, foi mais branda que em anos anteriores.
A Venezuela continuará sendo apoiada por lixos humanos como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias do PT, assim como idiotas úteis que admiram um cínico como Mujica, ex-presidente do Uruguai quem disse que não deveriam ficar na frente dos tanques para não serem atropelados por eles, algo como “se não quer se estuprada não use roupas sexy…” Mas eu não importo com a opinião de babacas, eu me importo com a opinião de gente íntegra, mas mal informada: o que você pensa sobre isso? Lembre-se quantos anos os EUA ficaram no Iraque após atacar as tropas de Saddam Hussein em 2003? SETE ANOS. Agora se pergunte sobre o custo e imagine o que teríamos que gastar.
E uma última consideração:
Se tudo der certo, Maduro é deposto, os militares, pelo menos a maioria se convence de que têm de mudar de lado, a economia começa aos poucos a reagir, o que vc acha que pensarão os venezuelanos, milhares que tiveram parentes mortos por brasileiros? Os EUA estão longe dali, Maduro provavelmente estará morto, mas a fronteira será permanente e o contato conosco idem. Vc acha que isso não trará consequências?
Por fim, não sou um pacifista nato. Acredito que se desejo a paz, devo me preparar para a guerra, mas assim como nas relações pessoais, a violência deve ser o último recurso. E nem todas as fichas foram esgotadas nesse jogo macabro.
Ainda outra coisa: se a guerra é desejável, te aliste. Vá no lugar do teu e do meu filho. Isto é o mais honesto que se pode fazer.
Anselmo Heidrich
3 mai. 19

Imagem: Reunião Bilateral Brasil-Venezuela, 11 set. 2018
Fonte: https://www.flickr.com/photos/ministreiodadefesa/43923265824/

quarta-feira, maio 01, 2019

Venezuela: a hora dos hipócritas trabalharem

O que levou a Venezuela ao colapso econômico e à maior crise de sua história https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/04/o-que-levou-a-venezuela-ao-colapso-economico-e-a-maior-crise-de-sua-historia.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=comptw
Então responde a Folha: “Crise do petróleo, dependência das importações e disputa política são algumas das condições”. Não é lindo? Nós já avisávamos que esse modelo era cronicamente insustentável, mas a FSP, espertamente, agora tenta atribuir toda essa crise gerada por um sistema autoritário à “condições externas” e, para bom entendedor, aos EUA, já que se tratava de seu principal importador. Nada de criticar o chavismo, nada de criticar o estatismo, o populismo, o comunismo e suas variantes. Nada, absolutamente nada! É como se a Folha estivesse tentando compensar o hiato de não ter tocado nesses assuntos ao mesmo tempo que tenta nos ludibriar falando de problemas gerados por condições do comércio internacional. Hipócritas! Quantas e quantas vezes outros regimes políticos não enterraram suas economias, apesar de serem bem mais pobres em recursos naturais ao mesmo tempo que enfrentaram recessões internacionais até piores? Não, não é desculpa. Só mesmo gente totalmente adestrada mentalmente para não perceber como foram e são ludibriados.
E seguem manipulando e formatando a visão de que todos os nossos problemas têm raízes externas. Tudo para não fazer uma autocrítica necessária. Mas se nem o próprio jornalismo a faz, quem dirá os condutores de um regime fadado ao fracasso.
Anselmo Heidrich


30 abr. 19