quinta-feira, novembro 28, 2013

Manual do perfeito idiota antiamericano - 01

Aí Moniz, eu curti tua entrevista, velho! Vejo tudo daqui do além, meu...
CC: Fala-se muito a respeito da emergência da China como potência. As intrínsecas relações econômicas entre as duas partes podem servir para moderar a rivalidade entre Pequim e Washington?

MB: Sim, as relações econômicas moderam a rivalidade, mas não a eliminam. Grandes corporações americanas entre as quais Boeing, Caterpillar, General Motors, 3M, United Technologies, DuPont, Apple, Qualcomm, Intel Corp e IBM estão a depender do crescimento do mercado na China. E a economia dos EUA, como um todo, depende fortemente do influxo de capitais de outros países, como a China. O Banco Central chinês, em setembro de 2013, possuia reservas da ordem de 3,6 trilhões de dólares. Um calote dos EUA, cuja possibilidade não se pode descartar, abalaria profundamente a China. O governo de Beijing passou a acelerar a estratégia para destituir o dólar do status de moeda de reserva mundial, impulsionando a globalização do yuan. Enquanto o dólar for moeda internacional de reserva, os EUA manterão a supremacia mundial. A economia de “free markets” no estilo que os Estados Unidos querem manter engata os países a um sistema de força, compelindo-os a aceitar dólares sem limites. E há no mínimo cerca de 20 trilhões de dólares, valor muito superior ao PIB americano, em circulação no mundo. A China e demais países têm de comprar esses dólares sem lastro (US Treasury Bond) apresentados como os investimentos mais seguros, porque não há alternativas, e assim eles voltam aos Estados Unidos, para financiar o consumo do povo americano, o déficit orçamentário e suas guerras. E a China quer libertar-se desse sistema, assim como a Rússia, Brasil e outros países.
Existem também fatores geopolíticos que aguçam a rivalidade. Através da rota marítima, ao sul da China, circula cerca de um terço do comércio mundial e a região possui reservas inexploradas de gás e petróleo. A essa região do Pacífico o presidente Barack Obama deu "máxima prioridade" na política externa dos Estados Unidos e lá aumentou sua presença militar, inclusive com o envio de 2,2 mil soldados para o norte da Austrália, o que provocou forte reação da China. Os Estados Unidos temem o rápido crescimento e militarização da China. Porém, nada podem fazer para impedi-lo. Com o desenvolvimento tecnológico e a globalização da economia, a possibilidade de guerras entre grandes Estados virtualmente desvaneceu. E os Estados Unidos, com todo o seu potencial bélico, dificilmente prevaleceriam sobre um país cuja população é cinco vezes maior do que o tamanho da população americana.

CC: O senhor acha que os EUA podem sofrer do mal classificado por Paul Kennedy como “excessiva extensão imperial” e eventualmente perderem seu status de única potência?

MB: Os Estados Unidos intoxicaram-se com a vitória na Segunda Guerra Mundial e julgaram, após o fim do regime soviético, que seu império ainda poderia durar 300 anos. Porém, o militarismo sempre constituiu o meio pelo qual todos os impérios se suicidaram. Em agosto de 2007, David M. Walker, chefe do Government Accountability Office (GAO), órgão do Congresso americano encarregado da auditoria dos gastos do governo, advertiu que o país estava sobre uma “plataforma abrasante” de políticas e práticas insustentáveis, escassez crônica de recursos para a saúde, problemas de imigração e compromissos militares externos, que ameaçavam eclodir se medidas não fossem em breve adotadas. Sem um estado de guerra permanente a economia dos Estados Unidos deixa de funcionar. O mesmo aconteceu com o Império Romano. Mas não será nenhuma outra potência que derrotará o Império Americano. Ele há de desmoronar, ao longo de algumas décadas, sob o peso de suas contradições econômicas. Os Estados Unidos não podem aumentar, indefinidamente, a dívida pública, que já se tornou impagável, emitir dólares sem lastros para comprar petróleo e outras as mercadorias – commodities e manufaturas – e importar capitais de outros países, mediante a venda de bônus do Tesouro, para financiar o déficit orçamentário, o consumo, que excede a produção, e as guerras que empreende a fim de sustentar a indústria bélica e sua cadeia produtiva, da qual sua economia tanto depende.


É impressionante como a realidade muda e o discurso surrado se adapta, como um camaleão no ambiente diverso. Há poucos anos, este mesmo tipo de análise permaneceria igual sem, no entanto, se mencionar a expressão "dívida pública" porque ela sequer tinha sido divulgada como problema, ao contrário, nem era vista como sendo um problema, tal como era a dívida externa. Alguém aí se lembra de ouvir dizerem que "a dívida externa americana era a maior do mundo"? E aí, ela deixou de ser ou apenas se mudou o foco? Agora, que os EUA enquanto formação social pode se alterar, chegando mesmo a se fragmentar, bem, nada é impossível e o que parecia totalmente inviável até bem pouco tempo atrás se revelou plenamente viável. Agora, não é interessante esta relação dramática, este quadro lúgubre pintado por Moniz Bandeira no qual há uma vítima e um estuprador? Por que a economia internacional "ao estilo free market" é uma imposição e o litígio no Mar da China Meridional do qual os tubarões de Pequim querem extrair até a última gota e molécula de hidrocarbonetos é um direito? Onde estão as Filipinas, Indonésia e Malásia aí, totalmente ignoradas? Quem é que age e é o verdadeiro imperialista, cara pálida? Internamente, pode se dizer o mesmo do tratamento dispensado por Pequim aos tibetanos e uigures do que faz Washington com sua oposição? Mas é muita cara de pau mesmo... Escrita quilométrica combinada com argumentos fossilizados não mudará o fato de que a atração de imigrantes eleva sim os gastos com saúde, mas enquanto um sistema público não for imposto, os estados se sustentam nos EUA. E a questão da segurança também tem que ser vista sob as frias lentes da estatística e não pelo clamor e prato (plenamente justificados) de quem perdeu seus entes amados em um tiroteio, sinto muito. Choca, sem dúvida, mas tome o índice de homicídios mensal de Curitiba e compare com o anual de Los Angeles para ver como se aproximam e terá uma pequena ideia do que digo. Há muito por melhorar? Claro que sim, mas faço minhas as palavras sobre este assunto, que B. Lomborg utilizou para a questão ambiental mundial, "apesar de estarmos muito longe do que seria uma situação ideal, não estamos tal mal como se diz e acredita". Em se tratando de violência, o mundo melhorou (cf. o vídeo da palestra de S. Pinker divulgado aqui na lista), assim como os EUA que saíram de crises muito piores. Lembrem-se que nos anos 50 e 60, o 'clima' nos EUA era tão ou mais atordoante: ataque nuclear, expansão do comunismo, reflexos da II Guerra Mundial, teor de outra crise de 29, rápida urbanização e mudanças de padrões comportamentais, "explosão demográfica" das metrópoles, seus guetos e crime em geral, drogas, paranoia ambiental etc. Isto para não falar nos ETs apreendidos pelo governo (mundial) no Novo México ou outra bobagem similar que ainda conquista tolinhos mundo afora. Por que será que o mundo não acabou e os EUA seguiram firmes? Não é porque não houve crises, mas a visão delas impede de se ver transformações de longo prazo, a maioria associada à demografia. Agora, antiamericanistas ingênuos, qual é o país que apresenta significativo decréscimo populacional mundial? RÚSSIA. Qual é o país que apresenta significativo desequilíbrio entre os sexos, com mais homens que mulheres? CHINA. Qual é o país que a população idosa aumenta vertiginosamente em relação aos jovens? JAPÃO. E Moniz Bandeira vem me dizer que os EUA estão perto de seu fim?!

sábado, novembro 23, 2013

Os Limites da Justiça Social Internacional


A ajuda externa tem raízes no conceito de justiça internacional e em seu corolário de reparação. A questão é quão eficaz ela realmente é? Imagem: shadow.foreignpolicy.com

“Justiça”, hoje em dia, tornou-se um termo inflacionado na cultura política nacional e internacional ultrapassando o âmbito propriamente jurídico, se estendendo para o econômico e o cultural. Na verdade, uma grande fonte de irracionalismo, a palavra “justiça” tem sido mal utilizada e soa como mero clichê, cujas premissas se assentam em meros ressentimentos para uma falaciosa compreensão dos problemas mundiais.
Vivemos tempos confusos, neste “Bravo Novo Mundo” onde a cultura ocidental é posta em cheque, de dentro de sua própria sociedade, como se o germe da desconstrução partisse de sua própria sanha civilizatória. Para seus críticos, a busca de “um outro mundo possível” significa revolucionar o modelo vigente e não apenas reformá-lo. O fato de que preocupações com a questão social internacional partam de setores dos pólos capitalistas mundiais, não significa que devam admitir qualquer culpa por fatos passados que, uma vez mal explicados, atribuem à Europa e, mais ostensivamente, aos Estados Unidos toda a carga de responsabilidade pelos insucessos cometidos no chamado “Terceiro Mundo”. As causas para tanto são várias, complexas e nem este conjunto de países mais pobres do globo apresenta qualquer homogeneidade que não sejam índices econômicos tomados superficialmente. Reivindicações até justas de países em desenvolvimento não devem ser confundidas com um “tribunal imaginário”, substancialmente ilegítimo, que pretende julgar a História como se nela houvesse “réus” e “vítimas”. Não raro, fenômenos culturais complexos e abrangentes são enfiados nesta equação simplista entre “explorados” e “exploradores”. Um mecanismo teórico-ideológico análogo é a oposição Ocidente VS. Islã... Huston Smith em The World's Religions[1] indaga por que a Cristandade teve tantos choques com o Islã, uma vez que tais crenças têm uma origem comum no Judaísmo e não se observa o mesmo com, por exemplo, Cristianismo VS. Hinduísmo. A razão é mais simples do que podemos imaginar: domínio territorial, um imperativo geopolítico, cuja proximidade entre os grupos gera tensões. Muito antes das Cruzadas, os árabes já chegavam às portas francesas nos Pirineus para estender a influência do Crescente. Seria justo por isto condenar a civilização islâmica pelo seu longínquo passado? Julgarmos toda uma complexa teia de relações históricas a partir de um único vetor, como rotineiramente se faz com, por exemplo, a igreja católica subentende que esta tenha sido a única a ter culpa no “cartório das humanidades”. Isto é, no mínimo, desrespeito pelo intelecto, para não dizer pura má fé mesmo.
Há várias formas de procurar atingir um objetivo não tão evidente por si. Um deles é fingir desejar algo, como uma sociedade mais justa enquanto que, na verdade, se trabalha arduamente para acabar com esta sociedade. O teor de muitas das críticas “contra o sistema” não procura resolver antigas querelas sócio-civilizacionais, mas tem seu combustível ideológico na própria desconstrução do capitalismo. No atual cenário mundial, a maioria dos protestos tem seu epicentro na Europa. É neste mesmo continente, onde cerca de ¼ dos trabalhadores são compostos por funcionários públicos e segurados que vivem de transferências de renda[2], também são assolados pelas recorrentes revisões da máquina pública européia em transformação. No Reino Unido, mesmo com uma oposição episódica como foi a de Tony Blair, os fundamentos das reformas implementadas por Margaret Thatcher não foram revistos. Seu espectro ainda ronda e assombra os revolucionários europeus... Na Alemanha, Helmut Kohl não foi exatamente o que poderia se chamar de um bem sucedido reformador do país, mas sua contribuição para afastar a antiga Alemanha Oriental da órbita soviética, unificar o país e ainda se manter aliado a OTAN foi inegável.[3] No geral, aos trancos e barrancos podemos dizer que a evolução do Ocidente foi positiva sim.
Lembramos com facilidade de conflitos sangrentos, sejam de ordem externa ou interna, mas são esses processos de longo prazo, morosos e incertos que desmotivariam várias situações de beligerância. Apesar de certas incongruências contábeis que mais tarde cobrariam seu preço através dos inexoráveis déficits públicos, pode-se dizer que foram menos perniciosas do que teriam sido uma guerra civil. Não podemos nos esquecer que até bem pouco tempo em termos históricos, nos países capitalistas, as muitas reivindicações trabalhistas tiveram efeitos benéficos através de um processo contínuo de negociações. Esta tensão bipolar entre mais ou menos estado dá a tônica da evolução do Ocidente, ao contrário da deturpação anticapitalista que processa uma leitura unilateral, ora com a construção do estado de direito a partir de conquistas populares, ora a partir da espoliação de povos por grandes conglomerados industriais, como se não houvesse uma sinergia entre diversos setores da sociedade.
Os sucessivos fracassos revolucionários que se sucederam a partir do pós-guerra, muito antes da derrubada de qualquer muro, bem entendido, mas justamente pela ineficácia econômica comprovada,[4] a estratégia dos órfãos do estatismo como panacéia civilizacional passou a se denominar “socialismo democrático”. A forma mais palatável com que se tenta ressuscitar o socialismo, falsamente democrático, parte de uma concepção programática nova. Ao invés de simplesmente se tomar o núcleo de poder estatal para suprimir a oposição e dominar por completo a economia, se busca a ocupação de instâncias estratégicas com diversos cargos de confiança e instauração de programas clientelistas. Estes até podem trazer benefícios políticos no curto e médio prazo, mas no longo não visam mais que criar uma massa de dependentes de favores estatais, a qual será, obviamente, objeto de manipulação política.
Mas, quando a economia cobrar seu preço no longo prazo pela farra do desequilíbrio das contas públicas? Aí entra em cena a retórica de clichês que brada contra as “injustiças históricas”, o “passivo civilizacional” etc. Mais do que “justiça internacional”, o bode expiatório se configura, recorrentemente, no “Tio Sam”, o arquétipo do vilão, cuja conveniência satisfaz o tirocínio de intelectuais com discurso datado. O roteiro é conhecido, a locomotiva capitalista desacelera, inflação e estagnação econômica se tornam mais presentes para, no day after, o intervencionismo estatal passe de causa para solução da crise. Como isto é possível? Basta uma boa campanha de marketing, manipulação estatística e inversão entre causa e efeito... Não é estranho que sociedades que mantém altíssimas cargas tributárias tenham suas crises diagnosticadas como “excesso de neoliberalismo”? Como um problema econômico pode ser explicado justamente pelo que não tem como característica? Um estado agigantado com impostos escorchantes ser visto como seguidor do neoliberalismo não faz o menor sentido.
Questões inescapáveis como a maior produtividade e criatividade inerentes ao capitalismo, as quais já tinham sido propostas por Schumpeter há mais de meio século permanecem soterradas por um manto de irracionalismo que põe a eficácia econômica como um verdadeiro palavrão. Quando jovens, muitos dos quais segurados pelo Welfare State,[5] saíam às ruas em Londres ou Davos para protestar contra a Globalização[6] estavam, tal qual movimentos sindicais do século passado, fortalecendo grandes corporações que recebiam apoio privilegiado de aparelhos estatais. A título de salvar os empregos da classe operária, os sindicatos não raro fortaleceram empresas que fugiam da concorrência e recebiam polpudos fomentos para sua indústria através do erário, isto é, de recursos federais constituídos com os impostos de cidadãos sem ligação com os postos de trabalho em questão. Analogamente, os jovens que acreditam protestar contra um sistema explorador estão, na melhor das hipóteses atuando em prol de burocracias estatais e seus privilégios[7] e na pior, ainda fortalecendo mais a maquina estatal e seus braços armados com apoio a setores antiglobalizaçao, antimercado e pró-intervenção, inclusive armada.[8] Não é difícil entender a ligação quando se pensa que países com menor atividade comercial internacional são os mais propensos a entrar em guerra uns contra os outros.[9]
Do outro lado do Atlântico, no país mais conhecido (e incompreendido) do mundo, os Estados Unidos, o movimento sindical teve a chance de escapar, afortunadamente, do controle de socialistas e anarquistas dogmáticos, com o objetivo de melhorar a situação material dos operários, através da redução da jornada de trabalho e aumento real da renda.[10] A pressão sindical econômica e não ideológica consagrou a seleção natural do empresariado americano. É verdade que cidades como Detroit pagaram com a desindustrialização, mas não servem como parâmetro para o boom econômico que se seguiu no país, em especial no sul e oeste americano. O caso de Detroit serve, justamente, como exemplo oposto ao que falamos, pois se trata de uma metrópole na qual o empresariado ficou a mercê dos políticos com propostas regulamentadoras do trabalho e mais fortemente tributaristas, como os Democratas.[11] Mesmo com fatos que desaprovam os resultados e benefícios alegados ao longo da história, como este tipo de retórica estatista ainda apresenta tantos adeptos? Não por acaso, destas mesmas hostes saíram os discursos de palanque que mascararam nossas mazelas ao atribuir responsabilidades a outrem, “países centrais”, as multinacionais, o FMI etc. Por outro lado também existe uma verdadeira submissão intelectual de nossos homens públicos às contingências de um discurso de ocasião que procura opor Norte VS. Sul, sem que de fato, o “Sul” tenha efetivamente chegado a enxergar como o “Norte” funciona. Tudo ancorado num raciocínio simplista de “jogo de soma zero”, segundo o qual alguns ganham porque outros perdem. Nada mais conveniente do que atribuir nossas mazelas e o ressentimento fundamentalista de regiões como o Oriente Médio à pujança capitalista. Assim, é chegada a hora de cobrar a conta pelo serviço não prestado: “Ressentidos do mundo: uni-vos!”
A produção em larga escala popularizada por Henry Ford desperta menos interesse do que aventuras de Guevaras, demagogias Castristas, ódios de Husseins e Ladens, esses sim, são valorizados e tomados como palavra última e, em nome deles, multidões amedrontadas com a dinâmica produtiva se levantam e clamam pela manutenção da estagnação tecnológica. A “tecnofobia” mistifica problemas reais, seja a produção agrícola, a geração de energia e preservação de recursos naturais, entre outros, os temas têm seu significado e conceito deturpados, a começar pela sustentabilidade.[12] Esta simplesmente inexiste sem incremento tecnológico e adequação produtiva, mas para a militância ambientalista não se trata disto e sim de uma “ruptura com o atual sistema”.
Tudo vale no discurso persecutório que procura culpar não um, alguém, mas uma entidade, o “Capital”. A estratégia consiste em demonizar uma bárbara realização da Civilização e esquecer-se de sua relação destruidora/criadora. Os críticos do Ocidente não desejam mais que destruí-lo, sem perceber que nunca sequer chegariam a ter os instrumentos materiais de comunicação que utilizam de modo paranóico, não fosse por ele. Alguns desses críticos que ocupam cátedras universitárias, não desejam verdadeiramente soluções pacíficas para os problemas do mundo subdesenvolvido, mas apenas disseminar sentimentos de frustração e rancor para com o mundo capitalista desenvolvido. Odeiam o que desconhecem.
Mesmo que muitos digam que a saída não se daria mais por vias “socialistas tradicionais” e que esse sistema não mais se configura como uma alternativa, a verdade desagradável é que uma boa parte dos países atrasados (me perdoem a ausência de eufemismo), por razões ligadas a sua cultura política – neopatrimonialismo, nepotismo, clientelismo, corrupção pura e simples etc. – pouco fizeram para a adoção de medidas que resultassem em desenvolvimento econômico. Não vejo possibilidade de que uma justiça calcada em princípios universais se realize em escala global quando ao lado de direitos, não haja constituição simétrica de um corpo de deveres, dentre os quais figurem o equilíbrio fiscal e a busca pela eficiência produtiva com apoio da segurança jurídica e transparência contábil. Isto pode parecer pessimista, mas como sabemos a história já nos pregou diversas peças, e não seria agora que surpresas como a que vimos no século passado e o poder do acaso se esgotariam. Afinal, como alguém já disse há milênios, a necessidade é a mãe da invenção.



[1] SMITH, Huston. The World’s Religions. Harper San Francisco. 1991.
[2] DAHRENDORF, Ralf. O Conflito Social Moderno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.; São Paulo: Edusp, 1992, p. 139.
[3] GEDMIN, Jeffrey. Helmut Kohl, giant. Disponível em: <http://www.hoover.org/publications/policy-review/article/6283>. Acesso em: 23 nov. 13
[4] ROSA, Alexsander. O colapso da URSS. Disponível em:
[5] MITCHELL, Daniel J. English riots, moral relativism, gun control, and the welfare state. Disponível em: <http://www.cato.org/blog/english-riots-moral-relativism-gun-control-welfare-state>. Acesso em: 18 nov. 13; HEATH, Allister. Britain’s in crisis: the real causes of chaos on streets. Disponível em: <http://www.cityam.com/news-and-analysis/allister-heath/britain-s-crisis-the-real-causes-chaos-streets>. Acesso em: 18 nov. 13.
[6] O GLOBO. Davos, Londres, Praga, Gotemburgo: protestos explodem no rastro de Seattle. Disponível em: <http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/davos-londres-praga-gotemburgo-protestos-explodem-no-rastro-de-seattle-10337463>. Acesso em: 19 nov. 13.
[7] DiLORENZO, Thomas. O funcionalismo público e seus sindicatos. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=916#.Uo4LpQ4w1kc.twitter>. Acesso em: 21 nov. 13.
[8] SYLVESTER, Petro. Definindo a liberdade. Disponível em: <http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=667>. Acesso em: 21 nov. 13.
[9] ADORNEY, Julian. Want Peace? Promote Free Trade. Disponível em: <http://www.fee.org/the_freeman/detail/want-peace-promote-free-trade#axzz2j2McKFje>. Acesso em: 1 nov. 13.
[10] ALMEIDA, Carlos Fernandes de. O sindicalismo nos países industriais. Disponível em: <http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1224161582B5aYZ8dg3Hs99DT2.pdf>. Acesso em: 23 nov. 13.
[11] AHLERT, Arnold. How the Democrats destroyed Detroit. Disponível em: <http://frontpagemag.com/2013/arnold-ahlert/how-the-democrats-destroyed-detroit/#.UTTxYjiu5gl.blogger>. Acesso em: 23 nov. 13.
[12] DRIESSEN, Paul. Real susteinability VS. Activist sustainability. Disponivel em: <http://townhall.com/columnists/pauldriessen/2013/02/02/real-sustainability-versus-activist-sustainability-n1502612>. Acesso em: 23 nov. 13.

quinta-feira, outubro 31, 2013

Grito de revolta com qual razão?


O número de manifestações contra as instituições que compõem a troika cresce cada dia mais, ganhando força com seus movimentos – nem sempre pacíficos – nas principais capitais europeias afetadas pela crise, principalmente em países como Espanha, Portugal e Grécia, consequentemente os que mais sofreram com adoção das medidas de austeridade. Um dos mais afetados na questão do desemprego foi à Espanha, onde a taxa de desemprego alcançou o nível recorde de 27,2% da população, sendo que aproximadamente cerca de 40% é maioria jovem.
O que resta saber é se essas medidas estão verdadeiramente obtendo bons frutos nas economias afetadas pela crise, ao que tudo indica o desemprego cresce cada dia mais, e o desenvolvimento dos países está em ritmo de desaceleração. O atual presidente da França, François Hollande, indica que as medidas de austeridade trazem um caráter de autodestruição para os países que as adotam, pois as mesmas causam uma grande redução da demanda interna por produtos e serviços, devido à preocupação do consumidor com a restrita oferta de empregos e redução dos salários.


Qual seria a alternativa para reestruturar estados quebrados sem cortar gastos? Cobrar mais impostos de uma população já exaurida? Agora, o que cortar é que deveria ser o foco... Evidentemente que cortar gastos em saúde e educação não é nada prudente, mas e quanto às aposentadorias especiais, plano de previdência obrigatório do setor público, planos de carreiras, cargos de confiança, manutenção de exércitos e soldos dos oficiais e soldados em tempos de paz e dentro de uma comunidade econômica? Eu, sinceramente, gostaria de saber quais são as alternativas?

terça-feira, outubro 15, 2013

Tolerância ∞ e entropia social

Sobre:
E: 
João e Paulo (por @diegoquinteiro) http://diegoquinteiro.com/joao-e-paulo/

O conto acima de Diego Quinteiro pressupõe uma explicação/teoria que parece lógica, mas não é, pois deixa detalhes importantes de fora. Se a causa da criminalidade fosse assim, fruto da desigualdade social os principais criminosos, os que dirigem máfias organizadas viriam das classes mais baixas, assim como teríamos muito mais criminosos do que temos porque ainda há uma imensa população que pode ser considerada pobre. O fenômeno da Classe C, uma classe média ascendente é muito novo e se a desigualdade fosse causa principal do crime teríamos a maioria dos pobres trilhando este caminho. Note que atribuir, a priori, a criminalidade ao pobre é, antes de tudo, preconceituoso, pois se esquece de ver que a maioria é constituída por trabalhadores que ralam para manter sua economia doméstica em dia. Para quem assiste canais de documentários como o ID – Investigação Discovery – sabe que há psicopatias que induzem ao crime. E boa parte dos crimes violentos é causada por doentes mentais, o que não quer dizer que não mereçam penalidades, só que estas incluem tratamento. Na maioria dos casos, pelo que sei, não há cura para isto, mas tratamento constante que implica em manter o interno recluso, apartado da sociedade ou com liberdade condicional porque ele oferece risco. Por outro lado, ao nos referirmos aos crimes sobre o patrimônio, furto etc., esses têm mais a ver com educação. Só que esta é muito mal entendida hoje em dia... Por educação me refiro ao condicionamento social mesmo. Veja que nós estudamos e trabalhamos porque (a) gostamos, (b) pode nos trazer benefícios, inclusive financeiros, (c) aumenta nossa auto-estima etc., ou seja, há uma série de incentivos pelos quais batalhamos diariamente. Estes seriam fatores preventivos que evitariam que o indivíduo fosse atraído para o mundo do crime. São importantes e com o lixo de educação pública (e também particular) que grassa no Brasil de hoje é verdade que não temos sido eficazes nesta parte da equação. Mas, mesmo que funcionasse bem ou, ao menos, melhor do que o caos instaurado hoje em dia, mesmo assim, não bastaria. Veja bem, eu não disse que “não serviria para nada”, mas que NÃO BASTARIA. Qual a diferença? Que a outra parte da equação, desde tempos imemoriais é que é necessário PUNIR, como estratégia de dissuasão para aqueles que a educação/condicionamento social não basta. E te pergunto, qual a força disto quando se sabe que até atingir a maioridade penal, alguém não será punido com encarceramento como qualquer outro assassino ou ainda terá sua punição (medida socioeducativa) sensivelmente abrandada? Além da impunidade que existe neste caso, o assassino jovem tem aí um forte incentivo ao crime, sobretudo ao assassinato porque ganha status perante colegas de quadrilha e gangue.
Quanto ao consumismo ser fator de desigualdade e crime é um equívoco. Isto é coisa de socialista redistributivo, para ser redundante, pois socialistas gostam de fazer caridade com o dinheiro alheio mesmo... Em primeiro lugar, o consumo sustenta e pode ampliar o comércio gerando empregos, isto é, diminuindo a pobreza. Ainda reduz o preço dos produtos devido a maior escala da produção permitindo o acesso aos produtos outrora restritos a uma minoria. Então é o contrário, exatamente o contrário do que diz o cérebro esquerdista. Agora, se a ostentação do consumo for causa de inveja, se há gente boçal que não sabe comprar e consumir sem se exibir, este é um problema de cultura que, definitivamente, não é o caso da maioria. Basta perceber ao teu redor, teus vizinhos e amigos, a maioria não age assim. Quando um garoto paga sua academia para praticar boxing, está consumindo e investindo na saúde, segurança, bem estar e condicionamento físico. A rigor, não está se exibindo, mas seguramente deve haver muito pitboy em academias que faz para ameaçar e se exibir. É justo pegar o exemplo negativo para condenar todos os outros? Claro que não. Agora, no dia das crianças dei brinquedos baratos para meu filho, porque são muito legais, carrinhos hot wheels para eu brincar junto com ele (custam menos de 5 reais!) e que na minha época eram muito mais caros. Ainda são importados, mas estão cada vez mais acessíveis. Também comprei giz de cera e papel porque ele adora desenhar etc. Estes brinquedos não são para ostentar, mas para brincar, aproximar pai e filho, aprender com o aspecto lúdico etc. 
Um economista antigo chamado Frédéric Bastiat disse certa vez que “se os produtos não atravessarem a fronteira, o soldado o fará”. O que ele dizia é que se não houver comércio entre as nações há guerra, invasão, possessão. Analogamente, para evitar que haja uma guerra social, como a que assistimos no Brasil, o comércio (consumo) tem que ser incentivado e, nosso governo deveria começar reduzindo impostos sobre o comércio e atividade produtiva, bem como desburocratizando estas atividades. 

Negar esta liberdade é que é incentivar o crime.

domingo, outubro 13, 2013

Como a burocracia pode enterrar a esperança

Fracking na formação Anticlinal Pinedale Anticline em Pinedale, Wyoming. Fonte: stopsmartmeters.org.uk
A burocracia deveria ter seu custo incorporado à geração de energia. Vejam que absurdo:
"Na Europa, não só a infraestrutura é limitada, como a regulamentação local é mais rigorosa. A Polónia, que começou a exploração em 2008, abriu quarenta poços. Na Dinamarca, os primeiros furos demoraram um ano a ser abertos, tempo necessário para a realização de estudos de impacto ambiental exigentes. O mesmo se constatou no Reino Unido. ‘Na Europa, há que contar com pelo menos dez anos, entre a abertura de um local de exploração e a entrada em produção, quando nos Estados Unidos leva três’, prognostica um empresário.”
[Gás de xisto: Revolução não chegará à Europa http://www.presseurop.eu/pt/content/article/4224401-revolucao-nao-chegara-europa via @PresseuropPT]
Agora, mesmo que o autor esteja criticando a situação de lerdeza burocrática do Velho Mundo, eu fico passado quando leio o seguinte:
“Tais cálculos levam, na melhor das hipóteses, a poucas dezenas de milhares de empregos por país. O que não é certamente de desprezar, nos tempos que correm. Mas o gás de xisto não vai ser a receita miraculosa que permitirá à Europa sair da crise.”
Mas, são algumas dezenas de milhares de empregos aqui, outras dezenas de milhares de empregos ali que somados irão levantar a Europa e não uma panacéia como política econômica. Não existem “receitas miraculosas”, esta premissa é que leva ao imobilismo. E falando no contrário, na mobilidade, vejam como o outro lado do Atlântico tem motivos para se mobilizar:
“A rapidez e a magnitude da expansão da produção além-Atlântico também não podem ser replicadas na Europa. As condições excecionais existentes nos Estados Unidos não têm equivalência do lado europeu, nomeadamente a presença de uma grande indústria de petróleo e gás, equipamentos abundantes, uma rede de gasodutos, grandes espaços livres: tudo isso lhes permitiu perfurar mais de 200 mil poços em poucos anos. O contexto jurídico também desempenhou um papel importante: os cidadãos norte-americanos são proprietários do seu subsolo e têm interesse financeiro em negociar diretamente com as empresas.”
Cara... Se nos EUA, os próprios cidadãos podem vir a se tornar sócios e já são de antemão DONOS do seu subsolo, quanta diferença! É óbvio que um etos capitalista internalizado assim irá motivar mesmo a produção, ao contrário do burocratismo e imobilismo de sociedades apoiadas no welfare state. Entenderam por que este “obamacare” pode ser um fator de decadência para os americanos? O que tem a ver? TUDO. Este princípio do plano de saúde estatal, do “SUS americano” pode colocar tudo a perder fazendo com que a vantagem de se ganhar em cima do trabalho alheio se expanda naquela cultura, ainda relativamente imune a este vício social, comportamentalmente induzido e adquirido.
O comentário a seguir de Milton Friedman expressa porque os EUA chegaram onde chegaram e seria um lástima que pusessem isto tudo a perder:
“Há uma frase muito citada do discurso de posse do Presidente Kennedy: ‘Não pergunte o que sua pátria pode fazer por você - pergunte o que você pode fazer por sua pátria’. Constitui uma clara indicação da atitude dos tempos que correm, que a controvérsia sobre esta frase se tenha focalizado sobre sua origem, e não sobre seu conteúdo. Nenhuma das duas metades da declaração expressa uma relação entre cidadãos e seu governo que seja digna dos ideais de homens livres numa sociedade livre. A frase paternalista ‘o que sua pátria pode fazer por você’ implica que o governo é o protetor, e o cidadão, o tutelado - uma visão que contraria a crença do homem livre em sua própria responsabilidade com relação a seu próprio destino. A frase organicista ‘o que você pode fazer por sua pátria’ implica que o governo é o senhor ou a deidade, e o cidadão, o servo ou o adorador. Para o homem livre, a pátria é o conjunto de indivíduos que a compõem, e não algo acima e além deles. O indivíduo tem orgulho de sua herança comum e mantém lealdade a uma tradição comum. Mas considera o governo como um meio, um instrumento - nem um distribuidor de favores e doações nem um senhor ou um deus para ser cegamente servido e idolatrado. Não reconhece qualquer objetivo nacional senão o conjunto de objetivos a que os cidadãos servem separadamente. Não reconhece nenhum propósito nacional a não ser o conjunto de propósitos pêlos quais os cidadãos lutam separadamente" -- Capitalismo e Liberdade.

quarta-feira, outubro 09, 2013

Verdades aos pedaços com calda de mentira grossa: a saúde em Cuba

Qual o valor de uma informação proveniente de quem sempre se manteve apoiado em mentiras? 
Arguably, the United States has the highest share of world-class hospitals. Ask health care professionals about the best hospitals in the world and you will hear names such as John Hopkins, MD Anderson Cancer Center, Harvard Medical School and the Cleveland Clinic.With $800 billion spent annually on U.S. hospitals, the United States has the best-funded hospital infrastructure in the world.Why, then, does the United States only manage to have the same life expectancy as Cuba, an economically underdeveloped nation? Is the U.S. health care system doing its job right? To put the question more broadly, how can we judge the performance of a health care system? (...) [Health Care and Productivity - The Globalist http://bit.ly/GNBrkN via @theglobalist]
Em primeiro lugar, os dados utilizados para comparações entre países, fornecidos pela ONU, têm como fonte primária, os serviços de pesquisa dos países que, no caso de Cuba, não são avaliados criticamente por uma mídia independente, pois se trata de uma ditadura. Você confia em dados fornecidos por ditadores?
Em segundo, os EUA são o país que mais recebe imigrantes no mundo e, dentre os quais, pessoas que vêm de sociedades miseráveis, sujeitas a enfermidades que não têm condições para planos de saúde privados e que, muitas vezes já estão com sua saúde comprometida, tendendo a uma pequena expectativa de vida. Por outro lado, como em Cuba há uma significativa taxa de emigração e redução da natalidade, o número de idosos tende a aumentar em termos proporcionais, isto é, a expectativa de vida aumenta não porque novas gerações tenham acesso à melhores serviços de saúde, mas porque uma significativa parcela de indivíduos foge daquele país, outra não nasce mais como no passado e os mais velhos vão se tornando um grupo percentualmente maior. 
Há muitas maneiras de contar uma mentira, uma delas é destacando pequenas parcelas de verdade do contexto geral.

terça-feira, outubro 08, 2013

Proselitismo irresponsável e covarde

Sobre: Is Rioting Revolutionary? | Adbusters Culturejammer Headquarters https://www.adbusters.org/blogs/blackspot-blog/rioting-revolutionary.html via @adbusters
"O que Foucault e os maoístas estavam debatendo vai ao cerne de como imaginamos que a mudança revolucionária terá lugar. Será que a revolução será uma insurreição descontrolada - cujos sintomas incluem saques nas ruas de Londres, por exemplo - onde a raiva do povo contra o consumismo é totalmente liberada e os seus juízos implicitamente confiáveis?"
Eu simplesmente não entendo a cabeça desse pessoal, ou melhor, entendo sim! Mas não consigo entender como não percebem a contradição no que escrevem, no que dizem... Veja isto acima... O saque é um protesto contra o consumismo? Claro que não, saque é só saque, protesto contra o consumismo seria não consumir. Ou ao menos restringir substancialmente o consumo.
"'É a partir do ponto de vista da propriedade que há são furtos e roubos', Foucault insistiu no final de sua discussão. Quando vemos sempre saques, mas nada como ladrões e nos recusamos a conceder-lhe o status de um ato político consciente, uma explosão de 'justiça popular' contra um sistema corrupto e corruptor capitalista, estamos assumindo o ponto de vista das muitas forças que estamos tentando derrubar. O mesmo vale para quando nós condenamos qualquer ato insurrecional que não é acompanhado por um panfleto (tract) insurrecional."
Esta não é a questão, ninguém está negando o status político deste movimento aparentemente caótico, não é por ser político que é correto, nem tudo que detenha a pecha de 'político' é adequado, idôneo, probo etc. O movimento caótico, violento, anti-propriedade não passa de um espasmo de violência sem foco que na ânsia de destruir não traz em seu âmago nenhum projeto de construção. Então a Justiça tem que ser a da massa? Ah! Mas este Foucault merecia um linchamento para provar de seu veneno. Não vai dar, já que morreu...
Quando se fala em propriedade não se trata apenas de um naco de chão ou qualquer outra coisa, mas de todo um conjunto de relações que permitiu sua constituição. Que quer o filósofo? Destruir a tudo isto sem mostrar o que pode nascer em seu lugar? Os recursos quem mantém toda a gente que teve tempo para participar dessas manifestações são decorrentes da extração de um pedaço dessas relações, do que originou um produto chamado propriedade.
O cerne de tudo isto, no Reino Unido, na França e agora no Brasil é um foco errado, cujos parâmetros estão deslocados porque falta um ingrediente moral. A que eles supostamente têm é contra o capitalismo, mas nem sabem como este funciona, como este se constituiu e sem a moral, que os manifestantes rejeitam, não teríamos nada disto que construímos e que sustentam a gordura desses manifestantes. Aqui, uma dica de leitura sobre o ocorrido: Britain’s in crisis: the real causes of chaos on streets http://shar.es/EHi1q via @CityAM
Quando eu era garoto assisti um filme empolgante na Sessão da Tarde, que tratava de um homem vingando sua mulher, estuprada por outros três em uma paisagem apalachiana. Ele o faz, executa um a um e quando volta vingado para o acampamento, a polícia o está esperando com outros três, com as mesmas características. Sabe.... Se Foucault vivesse hoje poderia ser facilmente confundido com um skin head com aquela carequinha dele e levar uma tunda de laço da turba enfurecida...


"Quick to judge
Quick to anger
Slow to understand
Ignorance and prejudice

And fear walk hand in hand..."

-- Witch Hunt, Rush

sexta-feira, outubro 04, 2013

Doutrinação e reação doutrinária

Sobre: Universitário se recusa a fazer trabalho sobre Marx e escreve carta http://glo.bo/1g3YvZG #G1
Bah, que salada! Foi do funk ao Camboja! Uma coisa é ele procurar provar a ligação do autoritarismo com o marxismo (que há mesmo), mas outra é recorrer à teoria de Marx, que parece o que foi solicitado pelo professor. O que ele fez foi algo similar a criticar o liberalismo enquanto filosofia criticando a situação dos piores casos de sociedades capitalistas. Se o trabalho é sobre Marx, não é o mesmo que falar sobre a URSS; se o trabalho é sobre A. Smith, não é o mesmo que falar sobre os EUA. Agora se o objetivo do trabalho fosse estabelecer uma ligação entre teoria normativa e realidade histórica, daí sim. Mas pelo que conheço desses professores medíocres, aposto que não era este o intuito. Enfim, o que o garoto fez, à guisa de protesto, foi jogar a toalha e emitir um sonoro 'buáááááá', pois se ele queria mesmo provar a picaretagem de seu mestre (no que eu o apoiaria completamente) teria que fazer seu trabalho sentando a ripa no filósofo e expor o mesmo na internet com a nota atribuída para (novamente) provar que o seu professor não teve objetividade no trabalho. Objetividade e não neutralidade é a palavra certa para o trabalho acadêmico, uma vez que ninguém é neutro, por mais que se esforce.

sexta-feira, setembro 27, 2013

Aprendizado com a liberdade

Quando se tem um gostinho de liberdade, logo se cospe no grilhão da escravidão...

Cf.: Siete médicos cubanos demandan a Cuba y Venezuela por “esclavitud moderna” http://www.noticias24.com/actualidad/noticia/144581/siete-medicos-cubanos-demandan-a-cuba-y-venezuela-por-esclavitud-moderna/ via @noticias24