Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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quinta-feira, novembro 08, 2012

Demorou... Discussão sobre indisciplina na sala de aula


Seminário sobre indisciplina nas escolas [Indisciplina nas escolas será tema de um seminário em Curitiba - G1 Paraná - Bom Dia Paraná - Catálogo de Vídeos] vem em boa hora, mas a tirar pelo que diz o pedagogo Joe Garcia, não sei se será bem encaminhado. O que é “cultura tradicional demais nas escolas brasileiras”? Para mim, isto é um perfeito mito.
Na verdade, qualquer conceito sobre tradicional como correspondente a uma “cultura conservadora”, na escola brasileira, simplesmente não é verídico. Vejam também o que diz o pedagogo, que “muitos alunos se sentem mais seguros na escola do que em casa”, como se, portanto, as escolas fossem então mais seguras. Ora, isto é uma falsa dicotomia! Pois, isto não significa, em absoluto, que nossas escolas não sejam tão violentas assim, que foi o que passou subliminarmente na matéria. Na verdade, isto significa que as escolas são uma extensão da violência doméstica. E, com todo o respeito, dizer que os alunos têm tédio nas escolas e não o sentem em casa é justificar a violência como a falta de uma contrapartida dos professores em tornar as aulas mais interessantes. Que os professores devem ser melhor preparados, que as aulas têm que ser mais interessantes, tudo isto, obviamente eu concordo, mas criar aí um nexo de causalidade justificável não só é, moralmente inadmissível como analiticamente equivocado. Eu não acho interessante boa parte do trabalho de escritório e nem por isso vou lançar lapiseiras nos colegas. Parte do desenvolvimento pessoal consiste em saber controlar e/ou domar seus instintos básicos para não nos tornarmos escravos de nossos desejos primais. 
Dizer que a violência na escola é uma coisa e a indisciplina é outra também faz parte de uma dicotomia artificial. Como critério analítico, eu até entendo, mas como processo, está totalmente errado. É justamente por isto, por se entender como momentos distintos e incomunicáveis é que se permite (isto mesmo, permite) que a indisciplina evolua para a violência. Aí está um dos principais equívocos no tratamento desta questão. A solução não é um bicho-de-sete-cabeças, não existe mágica para tal... Se acreditarmos que a violência/indisciplina é fruto de um “ambiente social” que reflete na escola, então significa que devemos jogar a toalha e simplesmente desistir. Mas, se por um momento, o bom senso vir à tona e acreditarmos que a escola também interfere no meio social positivamente, o que nos resta é simples, reprimir, condicionar e educar, no sentido tradicional/conservador do verbo. Só então estaremos no caminho certo. Quando digo isto, logo chamo atenção para olhares e ouvidos espantados, sem que seus cérebros funcionem na mesma medida. Não se trata de pura e simples repressão, mas desta com o correlato de uma preparação para nova conduta-padrão estaremos eliminando o mal pela raiz. Qual raiz? O ambiente viciado das escolas onde reina a impunidade. Nenhuma infração escolar, nenhum delito pode passar incólume e isto também significa ter o apoio de instrumentos jurídicos, como os conselhos tutelares ao lado do professorado e não, preconceituosamente, vendo este como um corpo opressor. 
Agora, se alguém realmente acredita que o problema é a “aula interessante”, está perdido. Claro que a aula deve ser no mínimo, boa e isto, por si só, já inclui seu aspecto interessante, mas é um grande equívoco supor que os alunos indisciplinados recorrentes e que a violência viral que se espalha nos estabelecimentos de ensino não ocorram igualmente em boas aulas, com conteúdo interessante de professores dedicados. É como se acreditássemos que tornando a vida de criminosos mais “interessante”, o crime simplesmente deixaria de existir. Creiam-me, de quem já labutou em salas de aula do Sudeste e Sul do Brasil, em todas as classes sociais e modalidades de ensino, a aula pode ser ótima que o indivíduo mal intencionado transformará a sala em um ringue. Não adianta lero-lero, é repressão neles, sim senhor!


2 comentários:

  1. Realmente, a entrevista do tal Joe Garcia já mostra que o encaminhamento da discussão deve ter sido péssimo! Imbuído das mesmas ideologias politicamente corretas que estimulam a violência nas escolas, o sujeito procura explicar o comportamento indisciplinado e até delinquente dos alunos alegando causas externas! A "mídia" estimula a violência (!), os alunos têm problemas em casa e as aulas são tediosas... E quem diz que é preciso restaurar a autoridade do professor está prisioneiro de uma "cultura tradicional". Eu fecho com você, Anselmo: "não adianta lero-lero, é repressão neles, sim senhor!".

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    1. Pois então, Luis, cada vez mais eu acredito que o Brasil precisa mesmo é de uma "guerra cultural". Este caso da educação é exemplar... O que significa exatamente "repressão"? Para as tropas de pedagogos universitários que, raramente pisaram numa sala de aula, se assemelha a usar a palmatória. E, óbvio, não se trata de agressão, que seria uma mera repetição do que os fazem alguns alunos contra os professores. Significa sim transformar a escola no avesso do aprendizado de impunidade em que ela se transformou hoje. Reprimir, na falta de um termo mais "doce" significa impedir que isto se repita, mesmo que com o recurso extremo da expulsão caso seja necessário.

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