Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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terça-feira, dezembro 20, 2016

Um papo ANTI-Ancap




Caso se interessem pelo debate que proponho, ANTES
assistam ao vídeo acima:
Um papo Ancap - Anarcocapitalismo - Idéias Radicais https://youtu.be/TzpHaPyYS24 via
@YouTube
Libertários
defendem o que liberais defendiam x anos atrás. Como o que John Locke defendia
- opinião expressa no canal Mamãe Falei, Rafael Lima
O que ele esquece de dizer é que John Locke também
defendia a extinção dos ateus, caso eles não tenham se convertido ao teísmo. O
que não podemos fazer é isolar situações para justificar nossos julgamentos.
Locke, para os dias atuais estava muito aquém do que poderíamos, minimamente,
defender como um libertário. Claro que, para não ser anacrônico, se compararmos
o mesmo com Thomas Hobbes, cujas ideias se opunha, suas propostas foram um
avanço no liberalismo político.

O
liberal que hoje defende soluções pelo estado é um liberal sem criatividade,
que não consegue ver estas soluções pela iniciativa privada.
Mais adiante, Arthur Moledo do canal Mamãe Falei
oferece o exemplo da poluição de um rio por um proprietário. Rafael Lima propõe
a restituição através de um sistema judicial (que não deve ser necessariamente
estatal). Arthur brincou sobre a possibilidade de alguém poder “comprar o
oceano”... Claro que é um exemplo extremo e, virtualmente, impossível. Mas
Rafael Lima diz, explicitamente, que este é um exemplo difícil de responder, ao
que migram para outras questões, desta vez propostas por Rafael. P.ex., você
não tem o poder de agredir alguém, certo? Claro que não, mas você poderia ter o
direito de votar em alguém que decidisse agredir alguém? Claro que não, mas
segundo Rafael, o princípio do voto permitiria isto. Achei um sofisma nisto,
pois o apoio à democracia não é um apoio a qualquer coisa votada. Se for isto
poderíamos, inclusive, votar em quem atacasse e acabasse com a própria
democracia. O raciocínio de Rafael é um preâmbulo para a enunciação dos
chamados “direitos naturais”, mas cá entre nós, quando se fala em direitos
naturais se pressupõe a Natureza ou, como filósofos já definiram, o Estado de
Natureza. “Ah! Mas os direitos naturais não estão necessariamente previstos e
expressos na Natureza!” Bem, se alguém dissesse isto para se defender da
acusação de que Direitos Naturais não existem na Natureza não percebe que a
única maneira de se sustentar o argumento do anarco-capitalista é imaginar uma
situação ideal (chamaríamos de estado,
mas para evitar confusões vamos chamar de situação).
Quem defende o atual status quo de existir um estado, um conservador, p.ex. ou
melhor, um democrata se apoia no princípio de um Contrato Social. Ora, todos
sabemos que este contrato é uma figura de linguagem para uma evolução real, pois, na verdade, não houve assinatura de contrato nenhuma no
passado.
Agora me digam, no que este artifício intelectual se distingue do
outro, utilizado por seus opositores intelectuais, de direitos naturais
prévios? Em absolutamente NADA. E criar artifícios intelectuais assim até podem
te ajudar a ganhar debates, mas nada além disto, pois eles não elucidam (a) o
que realmente aconteceu; (b) o que realmente acontece e; (c) o que realmente
pode acontecer.

Questões sobre a Propriedade Intelectual... Não
tenho uma posição clara a respeito e a argumentação de Rafael me pareceu
convincente, mas eu gostaria de contar um caso, anedótico até... Certa vez, eu
discutia com um organizador do Liber, partido de libertários que nunca saiu do
papel devido a falta de militância que saísse da internet (foi por isto que o
Novo saiu do papel, porque não se restringiu à internet). Isto lá quando
existia o Orkut e perguntei se eu podia roubar/copiar todo o programa, o nome e
o logo do partido Liber dizendo ser minha criação já que eles se posicionavam contra a propriedade intelectual. Ele disse
que isto deporia contra mim mesmo, pois em um sistema de livre mercado, minha
imagem também seria julgada livremente e eu respondi que tudo bem, mas queria
saber, POSSO? Adivinhe se ele me respondeu, coerentemente, que sim... Adivinhe
se SEQUER ele me respondeu QUALQUER COISA... Até hoje eu estou esperando a
resposta.

Sobre “a direita estar vencendo na internet”...
Realmente, esta é a impressão que passa, mas tenho sérias dúvidas se não temos
uma falsa impressão, mesmo que em termos absolutos, os argumentos liberais e
conservadores estejam ganhando (em crescimento, ao menos) do esquerdista em
geral. Em primeiro lugar, também deve se incluir aí a direita estatal,
autoritária a la Bolsonaro que cresce muito e que, como sabemos não é nada
liberal. Talvez apenas no quesito propriedade privada de “bens tradicionais”,
como terra, meios de produção etc. Outro ponto a se levar em consideração é o
tal “algoritmo do Facebook” (e aqui estou falando de algo que eu não tenho a
mínima noção de como funciona), no qual as notícias, grupos e pessoas que “se
aproximam” e, exatamente por isso é que nós temos uma impressão de que estamos
ganhando. Portanto, cuidado com este julgamento. Cuidado porque ele é
conveniente e agradável e nem tudo que é conveniente e agradável é verdadeiro.

Meios de levar o anarco-capitalismo na prática
propostos por Rafael Lima

1.      Comprar
bitcoins
2.      Formar
um ancapistão em um determinado território
3.      A
uberização (não precisa derrubar o modelo proposto pelo estado)
4.      Formar
uma bitnation (se organizar fazendo seus próprios acordos)
5.      Também
pode se utilizar o meio democrático (o chamado “voto ofensivo”)
Eu acredito plenamente na tecnologia e organização
que esta permite como meios pelos quais sociedades mais livres surgem. De modo
que os pontos 1 e 3 me parecem plenamente viáveis, até para que tais métodos possam
viabilizar o anarcocapitalismo, ainda que em um longínquo tempo futuro. Exemplo
da combinação desses dois meios é a formação do 4º que é a fusão deles. E concordo
plenamente também com o 5º método, ainda que seja mais difícil, pois nem sempre
temos boas opções e nem sempre temos opções minimamente razoáveis... Pense em
Trump que é um protecionista de mercado versus Hillary, uma intervencionista na
política externa ou, em um futuro e horroroso cenário doméstico, Ciro Gomes VS.
Jair Bolsonaro, ambos claros inimigos da liberdade econômica e, para se
imporem, aposto que não titubearão em atacar as liberdades civis também.
Deixei o ponto 2 por fim porque, precisamente, ele é
que desmonta boa parte da teoria ancap (anarcocapitalista). Uma definição básica
de estado inclui território (mesmo que se diga que há povos sem estado, não há estado
sem território) e aí os ancaps são trazidos de volta à realidade, pois:
(a) como estabelecer linhas de defesa minimamente
capazes sem FFAA?
(b) como sobreviver sem infraestrutura viária que
levaria tempo para ser implementada sem um organismo unificador (o estado)?
(c) como sobreviver em territórios ermos ou de
recursos escassos? Um exemplo são estes enclaves somente permitidos porque são áreas
sumamente desinteressantes (ex.: BBC
Brasil - Homem 'toma posse' de território para 'fazer da filha uma princesa'
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/07/140715_territorio_filha_pai)
ou que não oferecem risco aos estados que as acolhem e ainda contam com a
defesa externa destes para lhes assegurar a existência (ex.:
Conheça Christiania: a cidade livre
dinamarquesa
http://roadfortwo.com/conheca-christiania-a-cidade-livre-dinamarquesa/).

(d) e, por fim, mas não finalmente, a própria ideia
de um Ancapistão é uma contradição em termos, basta pensar em como formar um
país com estado anarquista, o que seria a mesma coisa que dizer “subir para
baixo” ou “descer para cima” etc. Anarquistas, ancaps etc. são contra o estado,
exceto se por Ancapistão vocês esteja se referindo a um território e, pelo
menos em natureza, território pressupõe domínio, o que também não seria
garantido sem uso mínimo da força.

“O conservador mediano brasileiro é um varguista.”
Esta frase é perfeita, pois como ser conservador no Brasil? Esta observação é
perspicaz, pois ela mostra como há um hiato entre conceito e fenômeno no
Brasil, uma vez que nossas ideias são importadas (e não há mal nisso, pois
todos importamos ideias quando não as temos), MAS no caso, se trata de uma
ideia, o rótulo “conservador” adotado e aplicado sem a devida adaptação.
Malgrado, as analises de Rafael Lima (no meu entender, obvio) tem uma limitação
devido aos seus princípios dogmáticos. Dizer que o estado é imoral porque mesmo
quando ele pretende defender uma ordem moral e, por extensão lógica, a defesa
desta ordem seria imoral devido à imoralidade não passa de um paradoxo. Eles
não quiseram discutir religião ao final, mas vamos à ela aqui:



1.      Testemunhas
de Jeová que defendem que seus filhos não façam transfusões de sangue (devido a
uma tosca interpretação literal bíblica que proíbe “sacrifícios com sangue”),
mesmo quando necessário em caso de risco de vida tem que, obviamente, ter sua
ação impedida para preservar a vida de alguém que não optou, deliberadamente,
por extingui-la, no caso, o filho de um Testemunha de Jeová.

2.      Muçulmanos
que (que pode não ser a maioria, mas nem por isto deixa de ser um número
expressivo) defendem a agressão às mulheres como um direito masculino, do
esposo tem que ser impedidos de atuar assim pelo estado.

Apesar de eu gostar dos vídeos do Arthur e achar o
Rafael um sujeito educado e interessado no diálogo, um conselho: NUNCA fujam
dos DILEMAS. Nem se trata de um princípio ético, mas simplesmente porque isto é
o que mais vai aparecer na vida de vocês.




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