sábado, abril 20, 2019

Debate na TV pode influenciar as eleições na Ucrânia

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No dia 19 de abril de 2019, próxima sexta-feira, haverá o debate presidencial entre Vladimir Zelenski e Petro Poroshenko, no estádio Olímpico, em Kiev, com capacidade para 70.000 pessoas, dois dias antes do segundo turno das eleições que ocorrerá no dia 21 de abril. Em tom jocoso, o candidato e comediante Zelenski propôs que fosse feito exame antidoping para provar que o futuro presidente da Ucrânia “ não será um alcoólatra nem um viciado em drogas”, além de que Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra e candidata colocada em terceiro lugar no primeiro turno, fosse a mediadora. Poroshenko aceitou o desafio do que será o segundo debate da TV ucraniana. O primeiro ocorreu em 2004, entre Viktor Yushchenko (ex-Presidente que fora envenenado com poderosa toxina durante a campanha) e Viktor Yanukovich (ex-Presidente que abandonou o cargo após a onda de protestos conhecida como Euromaidán, em 2014).
Segundo o Instituto de Sociologia de Kiev, 74% da população utiliza a TV como principal meio de informação. Mas, de acordo com o Instituto Ucraniano para o Futuro, 76% da programação televisiva no país é controlada por quatro oligarcas: Victor Pinchuk, Rinat Akhmetov, Dmytro Firtash e Ihor Kolomoisky. Este último é conhecido por suas ligações com Zelenski, acerca das quais seu rival, Poroshenko, faz acusação de que o candidato é um mero fantoche do bilionário.
Basicamente, a TV na Ucrânia se divide claramente entre os canais favoráveis ao presidente Petro Poroshenko, os contrários a ele e os neutros. Na primeira categoria temos o TRK Ukraine, de Akhmetov; o Inter, de Firtash, que é um dos canais mais assistidos no país; além do Canal 5, de propriedade do próprio Poroshenko. Outros como o ZIK veiculam notícias com as versões de aliados de Poroshenko e o Pryamii, que elogia o Presidente e critica com veemência seus adversários, além de mais outros, como o Canal 112 e o NewsOne, que também entram nesta lista. Como oposição ao governo há o “ 1 + 1”, de Ihor Kolomoisky, que apoia Zelenski, o 24 e a TV Nash, pró-russa. Canais como o ICTVNovyi Kanal e STB têm uma abordagem bastante neutra, abrindo espaço para todos os candidatos.
Na sociedade emerge a questão de saber quem se sairá melhor no segundo turno, se será o ator, conhecido das telas, ou o dono de um canal de mídia com apoio de vários outros canais. O presidente Poroshenko tem conquistas como ter estabilizado a economia e racionalizado a distribuição de gás. Pesquisa realizada em sites como o Foreign Affairs e o Atlantic Councilmostram que ele tem a simpatia e apoio ocidentais. Ressalte-se que ele é o candidato pró-Ocidente, leia-se União Europeia e OTAN, mas cujo governo é acusado de incompetência na execução das reformas propostas e no combate à corrupção. Por outro, apesar de ter vários canais ao seu lado, Poroshenko não tem o mesmo apelo midiático de seu rival.
O candidato melhor colocado no primeiro turno das eleições ucranianas em 31 de março, com 30% dos votos, foi Vladimir Zelenski que não é um político conhecido, tampouco experiente, mas um ator que se notabilizou no seu país pela série “O Servo do Povo”. Nela, o candidato interpretava um professor, “ Vasyl Petrovych Holoborodko”, que, indignado com a corrupção em seu país, se lança à disputa para a Presidência, sendo bem-sucedido. Zelenski defende a ideia de plebiscitos, não tem histórico de rusgas com o presidente russo Vladimir Putin, fala fluentemente o russo e busca integração com o Leste. Por isso, ele se torna o candidato favorito do Kremlin.
Com apenas 18% dos votos no primeiro turno, acredita-se Poroshenko não perderia em participar do debate a dois dias do final da eleição, quando se adentra no estágio em que as ações caem na condição de valer tudo ou nada. No caso da exposição pública de Zelenski, esta daria aos eleitores a chance de conhecer, de fato, o homem atrás da personagem.
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Fontes das Imagens:
Imagem 1 Logo do Canal 5de propriedade de Petro Poroshenko” ( Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:5_Kanal_(Ukraine)
Imagem 2 Logo do Canal 1 + 1, de propriedade de Ihor Kolomoisky” ( Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1%2B1logo.png

Originally published at https://ceiri.news on April 16, 2019.

sexta-feira, abril 12, 2019

Putas, Palhaços e Hipócritas


O saudoso Janer Cristaldo, o melhor cronista que conheci, escreveu um texto sobre o “tutear” na Suécia. A substituição do tratamento formal por apenas o “tu” para todo e qualquer vivente. Vocês podem conferi-lo aqui: http://cristaldo.blogspot.com/2014/04/sobre-tutear-nos-dias-em-que-vivi-em.html
Lembrei-me dele exatamente por um comentário do radialista “Fifito” no programa Morning Show da Jovem Pan, no qual ele critica Danilo Gentili por tapar as letras “D” e “E” de “deputada” quando mostrou a intimação que recebeu por ofendê-la. Ou seja, aproveitou a deixa para ofendê-la novamente. Eu não gosto desse tipo de humor, mas a verdade é que a deputada Maria do Rosário é uma hipócrita, como eu e muitos outros já escreveram e a sentença pesada de seis meses de cadeia se refere mais ao fato dele ter picotado a ordem judicial e esfregá-la no saco. Informaram-me que isto consta, inclusive, na sentença, provavelmente não com estes termos pouco singelos.
Mas, qual forma de tratamento é adequada a uma “puta”. Goste ou não goste delas, tenha ou não usado seus serviços, o que fazem não me diz respeito, da mesma forma que quem mantém sua fé bizarra em alguma espécie de “criador”. Sim, eu estou equiparando e se não gostou pode parar de ler porque vai piorar…
Exceto se a atividade de profissional do sexo me importunar, como quando fazem ponto em frente a casa dos outros, o que elas praticam não me incomoda. Da mesma forma se um palhaço faz palhaçadas sem graça, exceto se for comigo, no que já retribui com cara de vômito em seus olhos. Mas nunca, seja por isto ou aquilo, eu desejei que fossem encarcerados por meio ano de suas vidas. Sabemos que a pena vai ser convertida em outra forma, mas o recado de poder do Judiciário que se viu ofendido pela ordem judicial desprezada foi dado. E o “ninguém está acima da lei” serve como mantra seletivo, já que aqueles que acusam o Presidente de “fascista” não serve.
Presidente com “P” maiúsculo, sim, mas não por admiração e sim por formalidade já que se trata de uma instituição. Já quando vier escrito “presidente Jair Bolsonaro” ou “presidente Temer” ou “presidente Lula” deve vir com minúscula para desassociar o cargo da pessoa. O nome pessoal vem com maiúscula, já o cargo nesse caso, apenas passageiro não é uma instituição, apenas uma função. Esta é a forma republicana de se redigir, nem sempre seguida a risca, como quando nos referimos à títulos nobiliárquicos: o Papa Bento XVI ou o Papa Francisco são igualmente “Papa”, pois aí a figura não é de um cidadão com direitos políticos que foi eleito para tal, mas alguém que detém o cargo por uma tradição que corresponde ao estado. Vejam que eu me traio, pois acabei de escrever “estado” com “e” minúsculo mesmo, pois não o concebo acima de “sociedade”, ambos com iniciais minúsculas. A mesma regra vale para reis, como Rei tal e tal etc.
Se formos rigorosos neste quesito não devemos chamar o ditador, de facto, Nicolás Maduro de “ditador”, mas de “presidente”, como “presidente Nicolás Maduro” ou, simplesmente, “Presidente”. Deu nojo? Sim, para mim também, mas se formos ser formais, esta é a regra, a função de presidência não está dissociada do estado de direito ou Estado de Direito no qual a instituição foi forjada e goste ou não goste, as regras correspondem às da Venezuela e não ao meu senso próprio de justiça universal. Como nem sempre ando de terno em casa, na verdade ando mais de cueca mesmo, eu escrevo “ditador feladaputa” para Maduro, diferente de quando escrevo em algum periódico que exige um mínimo de formalidade institucional. Ensino meus filhos a falar corretamente e dizer palavrão só comigo (não com a mãe, que já me olha torto).
Então, como dizia, a deputada aí teria mais ou menos valor do que uma puta? Formalmente, o mesmo valor, pessoalmente vai do gosto de cada um. Eu já a chamaria apenas de “deputada”, pois sei como tratar com putas, mas não com quem usa seu posto de poder para vinganças pessoais.
Não parei ainda. Se vale para Chico, também vale para Francisco…
Por isso mesmo, quando um presidente ou o nosso Presidente usar uma conta pessoal em rede social para atacar ou se defender de alguém de forma informal, ele está abdicando dos procedimentos protocolares sem perder sua imunidade como político. É como eu entrar em uma boate e pedir para se afastarem porque quero dançar sem esbarrar em ninguém. Eu estou deslocado e desloco quem quer que seja porque tenho maior poder. E isto não é uma formalidade, mas um fato.
E a desigualdade de poder em termos institucionais pode até ser legal, mas em se tratando de liberdade de expressão, ela não é justa.
É injusta porque permite que um parlamentar se exceda chamando outro (ou a nós) de “fascista” que é algo bem pior do que “puta”.
E os palhaços ou humoristas ou bobos da corte? O pior que pode lhes acontecer… O que é? É ignorá-los e boicotá-los, como aconteceu com Rafinha Bastos quando fez uma piada escrota, absolutamente sem graça sobre estuprar uma mulher e, se não me engano, sua filha[https://inter-ceptor.blogspot.com/2011/07/toda-mulher-que-eu-vejo-na-rua.html]. Nada melhor do que uma multa para tocar essa gente onde eles têm sentimentos: no bolso. Mas ao proibir a venda de seu DVD, o MP fez um favor ao humoristas com publicidade gratuita. As pessoas simplesmente detestam quem lhes diga o que devem ou não ler ou assistir.
As putas, por sua vez só querem teu dinheiro e são honestas, exceto quando mentem dizendo “eu te amo” para cobrar mais caro. Daí, além de putas são hipócritas. Maria do Rosário pode ficar tranquila, pois não serve para humorista (não tem graça nenhuma), nem puta stricto sensu, pois com sua duplicidade ética, como quando defende Zé de Abreu ao cuspir em uma mulher que o criticara no restaurante e bradar contra o “machismo” ou como quando defendeu Lula de chamar as lésbicas de “mulher de grelo duro” e se dizer “feminista”, a torna só uma Hipócrita.
Daí sim, com “H” maiúsculo, pois sua condição não parece temporária.
Anselmo Heidrich
11 abr. 19
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terça-feira, abril 09, 2019

Yulia Tymoshenko pode ser uma das aliadas de Vladimir Zelenski no segundo turno das eleições ucranianas


Apesar do feito de Vladimir Zelenski em obter 30% dos votos à Presidência da Ucrânia, no segundo turno, a ser realizado em 21 de abril, as dificuldades apontam para a necessidade da criação de alianças, e o mais provável é que ele busque obter apoio de Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra, que obteve apenas 14% dos votos.
O que há de comum entre ambos é a retórica anti-establishment junto a seu rival, Anatoliy Hrytsenko, ex-Ministro da Defesa. Parece simples, mas parte da força da campanha de Zelenski se baseava na ideia de ser “contra todos” e não seria o mesmo se em determinado momento se aliasse com políticos como Tymoshenko, quem já foi acusada de encomendar o assassinato de Yefhen Shcherban, um dos membros do Parlamento e um dos homens mais ricos da Ucrânia, e também de sua esposa, no aeroporto de Donetsk, em 1996. Ou ainda acusações de tentativa de suborno à Suprema Corte do país, em 2004, entre outros crimes.
Isto não exclui os méritos e estratégia de Zelenski. O comediante e político conseguiu se conectar com os ucranianos falantes de idioma russo do Sudeste, que também não são favoráveis à secessão, como querem os separatistas de Lugansk e Donetsk. Por outro lado, ele contou com uma vantagem, que foi a cisão dentro do Bloco de Oposição, pró-russo, que lançou dois candidatos à Presidência em janeiro de 2019: Yuriy Boyko,pela “Plataforma de Oposição — Para a Vida”; e Oleksandr Vikul,pelo “Bloco de Oposição — Partido da Paz e Desenvolvimento” (renomeado como “Partido Industrial da Ucrânia”).
No entanto, se os pró-russos estão divididos, os pró-ocidente (União Europeia e Otan), na figura de Petro Poroshenko, o atual Presidente, não conseguiram articular uma boa campanha e agora recorrem ao discurso nacionalista que descarta as diferentes culturas baseadas nos idiomas falados no país.
O cansaço do eleitor se explica pelo falido programa de reformas de Poroshenko, considerado muito ambicioso, mas desacreditado por acusações de corrupção. Há pouco mais de cinco anos, em 2014, o Euromaidan, a série de protestos que sacudiu o país e pôs em fuga o ex-presidente Yanukovych, que era pró-Rússia e está com paradeiro desconhecido, levou a um processo de euforia e posterior desilusão.
Acredita-se que com a ocupação da Crimeia pela Rússia e a irrupção de violência separatista no Leste, o voto em Zelenski se mostrou uma tentativa de buscar alternativa para evitar a divisão que assola o país: entre Leste e Oeste, entre diferentes idiomas, e entre Rússia e Ocidente.
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Fontes das Imagens:
Imagem 2 Mapa Etnolinguístico da Ucrânia” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ethnolingusitic_map_of_ukraine.png

Originally published at ceiri.news on April 9, 2019.

Educação de verdade é o contrário do que dizem os especialistas


Matéria da @bbcbrasil intitutlada “5 questões urgentes da educação brasileira que o novo ministro Abraham Weintraub vai enfrentar” de Paula Adamo Idoeta — @paulaidoeta — é mais uma daquelas provas de que quando falam ou discutem sobre “educação”, geralmente, não tocam em nada urgente, fundamental ou difícil. Vou, ponto por ponto…
A primeira delas, segundo a BBC:
1. Modelo de financiamento está prestes a expirar
O fundo federal de 150 bilhões por ano tem prazo para acabar, em 2020 e é responsável pelo sustento de mais de 180 milhões de matrículas.
Sinceramente, alguém acha que isto não vai ser extendido ou ampliado? Agora, a questão que não é contemplada, este é o melhor modelo que conseguimos obter? Ficar refém dos humores do Congresso e a aprovação de projetos e emendas, cujo teor sequer deveria ser questionado é ridículo. Já, o método de execução e implementação dos recursos sim, mas isto, ao que eu saiba, não é cogitado.
Outra questão não menos importante é discutir a reforma tributária incluindo estes repasses, pois ao invés de tributar e recolher recursos dos estados e municípios para ir para Brasília para depois retornar através de fundos como o FUNDEB — Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica -, o melhor seria que nem saíssem de onde foram gerados. Este é o ponto, a descentralização tem que ser em todos os sentidos, inclusive administrativa e fiscal.
Agora, as questões propriamente pedagógicas…
2. Colocar em prática a Base Curricular
Em primeiro lugar dizer que isto foi “imposto pela gestão Temer” é para eximir a responsabilidade das gestões petistas, uma vez que este monstrengo foi criado no período de ministério de Renato Janine, ainda no Governo Dilma.
Para quem não sabe do que se trata, a BNCC — Base Nacional Curricular Comum -, sim, esse nome horroroso é, basicamente, um currículo comum a ser aplicado nacionalmente. Vejam, das duas uma, ou tu assumes o princípio de que o país é o quinto maior do mundo em extensão e população e tem um quadro social e cultural extremamente diverso, não sendo recomendado homogeneizar o ensino ou parte do princípio de que se quer formar um currículo comum assumindo que seja fundamental a todos. Para mim é óbvio que português e matemática seriam isto e já estaria de bom tamanho, sem que seja necessário reformular o ensino de história, geografia e ciências. E lendo em detalhe as propostas já enviadas no período do governo Dilma fica claro porque o apreço por este lixo teórico: ideologização pura e simples, na qual o ensino de história perde os assuntos relativos à Europa para dar primazia ao pouco que se sabe da África e inventar história, isto mesmo, baseada na mitologia ameríndia. Feito isto durante 25 anos tu já tens um exército de indivíduos amestrados prontos para venezuelizar o Brasil varonil. Isto sem falar no estelionato pedagógico da ideologia de gênero igualmente contemplada.
Agora algo que valeria muito a pena:
3. Dar rumo à reforma do ensino médio
Esta foi uma excelente proposta, essa sim do Gov. Temer, de criar especialidades, Humanas, Exatas e Biológicas no Ensino Médio, para as quais se concentrariam os estudantes. Mas, não foi basicamente por falta de recursos como está nos comentários de “especialistas”, mas sim por falta de pessoal (professores) qualificados. Tanto que o projeto procurava regularizar algo que já existe, a legalização/regulamentação de professores que não possuem o título formal dessa especialidade.
Outro dado não contemplado nos comentários da matéria é que boa parte da rejeição veio da militância petista, psicopata claro, que rejeitou o projeto por não ser de origem petista, uma vez que Dilma já havia sido impichada. E também por aquela massa acéfala de professores que acham que tudo em termos de educação se resume à maiores salários e flexibilização no ensino de modo que a aula fique mais criativa, de acordo com suas predileções políticas e menos rigorosa em termos científicos.
Eu acho o próximo tema importantíssimo, mas é geralmente o de pior análise e tratamento:
4. Formação de professores
Em primeiro lugar, não existe esta cisão entre “teoria” e “prática”, mas teoria errada, que não explica a realidade ou não parte da realidade. Os professores brasileiros sequer tem disciplinas de “resolução de conflitos”, coisa que qualquer RH leva em conta, mas não quem acha que ensinar, educar uma massa de crianças e jovens não sofra com isso. A questão disciplinar é SUMAMENTE IGNORADA.
Deixe-me fazer uma pergunta: se triplicarmos o salário de policiais corruptos, eles deixarão de ser corruptos? Não, né? Então por que, diabos, uma melhor formação não deve levar em conta pessoal novo para reciclar o pessoal que dificilmente vá deixar seus vícios de trabalho?
Assim como o Mais Médicos dificilmente leva pessoal à cidades sem infraestrutura só pelo salário, não bastam melhores salários sem condições adequadas e qualquer um que saiba o que é uma escola, principalmente pública, mas não somente, as privadas também sabe que sem DISCIPLINA, esquece. Ponha a pedagogia que for, o método que for, tudo, grana, tudo, nada funcionará.
Se atribui muita importância ao Enem e ele é um problema em si, não uma solução:
5. Enem, prova de alfabetização e demais avaliações a perigo
Assim como a BNCC, as avaliações não deveriam ser centralizadas. Vestibulares isolados, como eram no passado, tinham excelente qualidade e eram muitíssimos mais rigorosos exigindo que o mérito fosse individual e não por questões étnicas, sexuais ou outras quaisquer que só subsistem rebaixando o nível de ensino e sua exigência.
Compartilhem.
Anselmo Heidrich
9 abr. 19
Em tempo: @bbcbrasil vejamos isto aqui “Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, diz que o Brasil tem a tradição de ‘nomear ministros homens acadêmicos que não entendem de Pedagogia ou de políticas para a educação básica’”
E… DESDE quando pedagogia não é preocupação sumamente acadêmica? Quais teorias pedagógicas se aplicam, OU MELHOR, são úteis e eficazes no ambiente escolar?
Eu, com mais de 25 anos de sala de aula, tendo ministrado aulas no ensino fundamental, médio, superior, pré-vestibular vos afirmo: praticamente NENHUMA.

quarta-feira, abril 03, 2019

Eleição na Ucrânia terá segundo turno

Vladimir Zelenski

A Ucrânia não se furtou ao segundo turno ser disputado no dia 21 de abril, que ocorrerá entre o atual Presidente, Petro Poroshenko, e a “zebra” do pleito, Volodymyr Zelenskyi, um conhecido comediante no país, famoso por atuar em uma série de televisão no papel de um professor que se torna Presidente da Ucrânia, “O Servo do Povo”. Zelenskyi alcançou mais de 30% dos votos de 63% dos eleitores que foram às urnas no dia 31 de março, pelo partido homônimo, em eleição com maior índice de participação do que a anterior, em 2014.
Como resultado desse primeiro pleito tivemosPoroshenko com cerca de 18% e a candidata Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra com um fraco desempenho de apenas 14% dos votos. No gráfico abaixo observamos que Zelenskyi já havia crescido nas pesquisas de intenção de voto desde o ano passado (2018), acelerando a partir de dezembro de 2018 (linha verde clara), enquanto que Tymoshenko já vinha em declínio (linha vermelha) e Poroshenko (linha azul) em crescimento também, porém mais lento.
Eleição Presidencial da Ucrânia – 2019
Embora a diferença entre o primeiro e o segundo colocados seja significativa, Petro Poroshenko é um político experiente. Ele já fala em “mobilização total dos patriotas ucranianos”, usando a retórica nacionalista ao mesmo tempo em que acusa Zelenskyi de ser mero títere de um oligarca, Kolomoisky.
Por outro lado, Poroshenko enfrentou a fúria das manifestações de nacionalistas contra seu governo. Grupos de militantes nacionalistas, o National Corps, acompanharam-no em seus comícios, acusando-o de corrupção. Aliás, a reclassificação do grupo para “perigosos paramilitares com ligações com a Rússia”, já que durante a Guerra do Donbass fora chamado de “defensores heroicos de Mariupol”, informa muito sobre a guerra de informações e contrainformações no período pré-eleitoral.
Com sua popularidade caindo de mais de 50% em 2014 para menos da metade em 2019, Poroshenko tem de lidar com os casos de corrupção envolvendo seu governo, particularmente o do setor de defesa, casos da UkrOboronProm e da estatal de gás, Naftogaz. Contra isso, parte significativa do eleitorado preferiu apostar na “renovação”, em que pesem críticas quanto a sua inexperiência em dirigir um país em guerra, como ocorre no Leste, nas regiões separatistas do Donbass.
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Fontes das Imagens:
Imagem 2 Eleição Presidencial da Ucrânia – 2019” (Fonte): https://ru.wikipedia.org/wiki/Файл:Ukraine_Presidential_Election_2019.png

segunda-feira, abril 01, 2019

Por que nenhum mapa é totalmente fiel à realidade?

Pensem em uma laranja que vocês tenham tirado toda a casca sem despedaçá-la. Agora vamos montar a casca, mas sem sua esfericidade e sim achatada em um fundo plano, a mesa, p.ex. Faltarão algumas partes, certo? Como a circunferência do centro (o equador da laranja) é maior do que a circunferência dos polos da laranja (onde fica o “umbigo” ou o “pezinho), as partes rachadas e separadas dessa casca serão, exatamente, as pontas, isto é, os polos. Eles serão “preenchidos” com exageros. Tudo que estiver nestas partes ficará maior do que seria se fosse representado na esfera da laranja. Por isso que terras em médias e altas latitudes do globo ficam maiores, bem maiores do que são na realidade. Como o Hemisfério Norte tem bem mais massa terrestre emersa (a Eurásia, a América do Norte, 2/3 da África), os países deste hemisfério ficam maiores do que seus pares ao sul, que se encontram em maior número nas baixas latitudes, isto é, próximos ao Equador onde não há deformação na hora de virar mapa. Por isso os países e terras do Hemisfério Sul parecem diminuídos em relação aos do Hemisfério Norte. 
Cf. https://twitter.com/i/status/1086240925377052673

sexta-feira, março 29, 2019

VICE-PRESIDENTE HAMILTON MORÃO FAZ SEU MELHOR DISCURSO E É APLAUDIDO DE PÉ

Apresento-vos o cidadão que é quem deveria, realmente, estar sentado naquela cadeira do Palácio do Planalto...

Olavo de Carvalho sendo debatido: Morning Show - 18 mar. 19

Tem que assistir para entender o que segue abaixo:
Gostei da visão do Denis Russo Burgierman, quanto ao Flávio Morgenstern que acha que não existe isso de “livre pensador” depende… Ele vê como impossível porque quando alguém se diz assim, ele próprio já está vinculado a uma linha de pensamento. Estranho porque, na verdade, mesmo quando alguém está em uma linha de pensamento ou adota pedaços de um conjunto estruturado como se estivesse em uma floresta tentando se erguer agarrado a cipós.
Mais estranho ainda quando gente assim defende projetos como o #EscolaSemPartido que se vincula a escolas, mas o que contradiz completamente sua premissa de neutralidade. E se conversarmos com sua militância, o mito de neutralidade persiste. E não estou aqui advogando isso, mas justamente porque este tipo de partidário ou “intelectual de partido” ignora solenemente o conceito de “objetividade cientíica”.
Gente como Flávio, que acha que o #ForoDeS.Paulo é algo efetivo ignora os meandros da política. Se esta organização não tem mais o poder que tem, isso se deve à oposição intelectual de um microcosmo da vida em sociedade que são os novos direitistas ou pelas contingências mais propriamente econômicas que levaram à derrocada desses regimes, tais como Kirchner, Dilma etc.?
Quanto à educação é fácil colocar gente melhor do que já existia, simplesmente porque o que existia era de uma incompetência só, mas o fato de Vélez ser um intelectual com préstimo na educação não o torna, necessariamente, um ministro eficaz. Agora, verdade seja dita, os militares fazem bem em boicotar gente que fala muito, mas não tem noção nenhuma de como aplicar absolutamente nada. Imagine deixar o Enem nas mãos de criacionistas que se opõem à marxistas? Trocar o marxismo pelo criacionismo é a mesma coisa que 6 por meia dúzia.
Olavo é um solipsista megalomaníaco que não revê suas posições e quando posto contra a parede, não faz mais do que criar “remendos teóricos” que é a mesma coisa que sempre fez o marxismo, ao contrário de adotar a premissa popperiana de que quando inútil uma teoria, ela tem que ser jogada fora ou, ao menos, seu “núcleo duro”.
Quanto à rejeição de europeus às políticas imigratórias, ok, neste ponto eu concordo com Flávio, mas não dá para generalizar isto tudo sob o rótulo fácil de “anti-Globalismo”, mesmo porque esta premissa, o “Globalismo” é um espantalho metodológico similar ao que Esquerda sempre utilizou ao se referir aos “manipuladores do mundo”, os “imperialistas”. É o mesmo cacoete e não me causa espanto que um ignóbil como Olavo de Carvalho lance mão desse recurso, uma vez que seus anos de adepto marxista (ele mesmo já disse ter tido aproximação com o PCB) fez com que ele se desvinculasse dos objetivos, da utopia, do agir, da praxis, MAS NÃO da metodologia que ainda permanece como esteio de suas péssimas análises políticas.
Seria bom um retorno à História para ver que organizações muito mais poderosas como a criação do Bloco dos Não Alinhados pela Conferência de Bandung em 1955, na Indonésia não resultaram em nada efetivo, quanto mais um bando de incompetentes (ainda bem!) nesta bobagem chamada de Foro de S. Paulo. Analogamente, a Ucrânia hoje (domingo haverá eleição presidencial) luta contra a influência russa (que financia, inclusive, uma guerra no leste e já anexou a Crimeia) por alguns motivos, como participar da União Europeia, uma das organizações “globalistas” no linguajar desses teóricos sem base empírica. O que gente como o Flávio precisa entender é que não é porque há linhas e políticas danosas para as sociedades ocidentais que outros benefícios de se vincular a tais organizações não tenham que ser levados em consideração. Achar que os governos nacionais se tornarão meros títeres de um polvo com tentáculos em tais organismos, pois é esta a imagem que subjaz nesta análise política miserável que os heredeiros de Olavo, “pensadores não livres” se aprisionam confortavelmente.
Denis matou a charada, de que a mídia era chamada “de direita” e que hoje, a Direita também faz o mesmo chamando-a “de esquerda” e, em seguida, Flávio pergunta se ele “acabou de confirmar a tese?” Ora, isto não é argumentar, mas usar de um artifício para por em dúvida seu interlocutor dizendo que ele está dizendo o que NÃO está dizendo. Agora, francamente, a unificação do discurso, da narrativa não torna o mainstream midiático, uma organização centralizada. Quanto à defesa de “teses globalistas” ou melhor, do “progressismo” (termo melhor) é sim fato, basta ler e ver o que concluem. No entanto, isto faz parte de um movimento que, como tal, é anárquico tendo sido construído ao longo dos anos, décadas mais propriamente.
Agora cansa ouvir rótulos como “globalismo” e “progressismo” como se fosse uma auto-explicação.
Denis volta a acertar ao falar do “capitalismo de compadrio”, conceito que diz mais do que falar em socialismo para entender nossa realidade. É uma grande diferença ouvir um analista com os pés no chão, que sabe ler dados do que alguém que tenta encaixar dados que busca seletivamente numa caixinha com moldes diferentes a guisa de teoria.
E sejamos honestos, eu entendi a equiparação entre PSOL e NOVO feita pelo Denis, os dois têm estatutos que coíbem (não sei até que ponto…) a cooptação política. O que, diga-se de passagem e que FIQUE CLARO, não me obriga a concordar com os projetos do PSOL, partido, teses, políticos que abomino pelo que acreditam e propõem.
Mais uma coisa que cansa, Flávio perguntar “quem é de direita?” Ao Denis responder “Leandro Narloch”, Flávio fala que ele “é liberal, não de direita”. Ou seja, ele presume que haja uma definição clara do que seja “de direita”, termo que junto com “esquerda” são totalmente relativos. Totalmente.
Também não conheço Slavoj Zizek para opinar sobre o que ele, realmente, disse, mas minha impressão é que o Flávio segmentou suas falas para ridiculariza-lo DA MESMA FORMA que acusou de fazer os detratores de Olavo.
Quase no fim, enquanto o Denis contextualiza as afirmações do ignóbil Olavo sobre a Terra Plana, o Evolução, Einstein etc., Flávio interrompendo-o, deselegantemente, diz que o filósofo só contesta se o que Darwin diz foi mesmo assim… Ora, para quem tem o mínimo de leitura sobre o assunto sabe que Darwin está longe de ser a última palavra sobre a Evolução (até porque foi uma das primeiras) e que várias contribuições aconteceram após seu trabalho, fundamental, diga-se de passagem.
Não sei quantos pontos Denis já ganhou nesta discussão, perdi as contas, mas perto de acabar, assevera: “ele (Olavo) tem o respeito de quem está alinhado ideologicamente com ele”. Preciso, não preciso complementar, mas lá vem Flávio, se confundindo todo “vou provar que você está errado, eu não concordava com o cara, fui lá e vi ‘é, ele ‘ta certo’ “. Ora, isto não é o oposto do que disse o Denis, aliás, se em um segundo momento, Flávio concorda com o sujeito e daí passa a admirá-lo SÓ COMPROVA o que Denis disse. Realmente, olavismo faz mal ao entendimento. Parece um fungo no cérebro…
Ah! Quase ia me esquecendo, no primeiro vídeo, Flávio comentou que o Brasil “é um país afastado de tudo, da Europa” etc., ou seja, dos grandes acontecimentos políticos querendo com isso mostrar como não estaríamos “por dentro dos acontecimentos mundiais” suponho eu. Bem, caro Flávio, coitados dos australianos então…
Sabe, narrativas de Direita simplistas não são a solução contra outras narrativas simplistas, de Esquerda. E claro, não poderia deixar de finalizar com…
#OLAVONÃOTEMRAZÃO
Anselmo Heidrich
29 mar. 19

quinta-feira, março 28, 2019

Russos na Venezuela: intenções, ações e consequências

Bombardeiro russo proveniente da Venezuela pousa em Manágua (Nicarágua) em 2013 (http://mil.ru/conference_of_pro/news/more.htm?id=11862998@egNews).

“Maduro é o mesmo que Bashar al-Assad, mas em proporção diferente”. Então por que a Rússia perde seu tempo apoiando o falido governo de Maduro?
A Rússia não tem amigos, tem aliados e interesses, os primeiros temporários e os segundos, permanentes. Há sucata que enviou para a Venezuela ao custo de bilhões de dólares — armas ultrapassadas — e investimentos que precisa proteger, mas a China é responsável por muito mais, mais da metade de todo o investimento na América Latina é de origem chinesa na Venezuela. Então, por que a China não envia tropas do maior exército do mundo para o país?
A Rússia foi bem sucedida nas suas ações na Síria. Bashar al-Assad estava virtualmente derrotado pela oposição e aliados de Obama até que Putin, um grande enxadrista, viu nela uma oportunidade de jogar e ganhar a parada. Hoje, Assad está no governo e em dívida com Moscou. Em que pese todas as bravatas de Trump — inclusive a de ter desbaratado o Estado Islâmico, na realidade, obra dos curdos. Só que brincar de novo em “outro playground”, o da Venezuela não é a mesma coisa:
1. Há uma grande proximidade com os EUA;
2. O Caribe funciona como um “Mediterrâneo de Washington”, ele é vital para a segurança nacional da potência;
3. Há envolvimento de outros países fortemente constituídos, como Brasil e Colômbia, ao contrário de países etnicamente divididos como Líbano ou Iraque;
4. A memória da Crise dos Mísseis em Cuba (1962) é muito viva para os americanos. Os EUA não admitirão a instalação de bases com artefatos nucleares na região.
A situação na Venezuela não é segredo para ninguém. Cerca de dois anos atrás, relatório da ONU mostrou que fora o único país do mundo, cuja população perdeu peso devido a crise que atravessam, cães e gatos são comida, não sobrevivem mais e há relatos de canibalismo nas cidades. Manifestantes contra o regime estão sendo mortos, membros da guarda bolivariana — a polícia do regime — quando pegos em desvantagem são linchados pelos populares, um famoso shoppingo de luxo em Caracas se tornou um centro de tortura do regime, o caos está instalado e a única chance de manutenção do regime é pela via da repressão militar pura e simples aliada ao terrorismo, cortes de eletricidade ocorreram recentemente e um jogo de mentiras oficiais visa confundir a população para obter apoio: Maduro acusa Washington e oposicionistas pelo feito.
Este artigo aposta na ignorância russa sobre a realidade venezuelana: https://www.unian.info/world/10492980-will-russia-release-demons-of-war-in-venezuela.html?utm_source=social&utm_medium=share&utm_campaign=site, mas nunca é demais lembrar, como o próprio autor afirma, que ações não intencionais podem levar a uma escalada da violência, pois a presença de 100 militares russos treinados para manter o regime e bombardeiros não serão ignoradas pelos EUA.
Para nós, brasileiros, tudo isto é péssimo, pois são nossos filhos e próximas gerações que estarão na linha de frente deste conflito. Por enquanto, por enquanto… É só o espaço aéreo da fronteira norte até Manaus que virou um stand de tiro, cujas baterias antiaéreas venezuelanas podem derrubar qualquer aeronave. Qualquer uma…
Não imagino uma solução fácil, mas dependemos de Washington. Enquanto que nosso insensato presidente falou em “libertar a Venezuela” com o “apoio bélico” dos EUA, o vice-presidente, inteligentíssimo, Mourão já avisara que “uma intervenção está fora de cogitação”.
O que nos sobra então?
A aliança com o exército venezuelano e a traição à Maduro.
Lembremos que aliarmo-nos ao exército deles (o que inclui a Washington fazer também) significa perdoar alguns dos tiranos que estiveram ao lado do déspota, mas ou é isso ou é um banho de sangue de milhares.
A guerra, goste ou não goste, é um cálculo que usa vidas como peões.
Anselmo Heidrich
28 mar. 19