segunda-feira, março 28, 2011

Desejo e magia




Como já devem saber Hereafter (2010) de Clint Eastwood trata da vida após a morte, mas sendo um filme de Clint não fica só nisto. Como Luiz Felipe Pondé já tratou, o filme trata da oposição entre a covardia e a coragem. Fui vê-lo esperando exatamente isto, mas não foi bem o que encontrei. Se pudermos encontrar o elemento coragem no filme se trata de encontrar meios para suportar a dor de perder alguém, mas não é tão simples assim... Quem o encontra, seu ente perdido através de uma “comunicação”, conexão mediúnica, acaba, em muitos casos, ficando pior do que antes. O final da história é, até certo ponto, açucarada e previsível, mas funciona como um pequeno e suave alento em função do verdadeiro tijolaço que é o filme. Duas das histórias compreendidas são petardos em nossa sensibilidade.


sexta-feira, março 18, 2011

O planeta simbiótico


O planeta simbiótico de Lynn Margulis contém o tipo de teoria que muito facilmente dá ensejo a uma nova filosofia, assim foi com o darwinismo que serviu no passado para sacramentar uma visão liberal simplista do mundo - a competição individual como corolária da inter-espécies - e até mesmo Karl Marx selecionou com conveniência a premissa evolutiva para corroborar sua filosofia da história, etapista mesmo que se auto-denominasse 'dialética' e que, como em um ciclo do eterno retorno da mais pura falta de imaginação os novos liberais, libertarians se empenhem em, novamente, reeditar a analogia auto-explicativa da competição individual como valor máximo da sociedade passando pela filosofia do pleonasmo, o "egoísmo racional" (qual egoísmo não tem sua racionalidade?) de Ayn Rand. O risco é de que esta nova visão também seja assim lida, como uma justificativa biológica para novos "cientistas sociais" explicarem sua mitologia, de que a Terra é um organismo que se auto-regula. Ecos de Gaia? Sim, mas as teorias biológicas não pretendem, mesmo porque não é esta sua meta, apontar um sistema social ideal ou sequer programas político-econômicos a serem seguidos. Já posso antever como se fará novas ilações de que, no fundo, somos partes de um todo com uma lógica ampla esquecendo-nos de que a base da vida não condiciona as ações em cima da mesma. Se temos predisposições, isto não limita as escolhas que fazemos com nossas supostas aptidões. Cuidado portanto com possíveis deturpações que poderão advir de mais uma teoria, por mais interessante e profícua que seja, sobre a natureza, como uma explicação lógica para os casos e fatos sociais. A linha que separa Natureza e Sociedade pode ser tênue, mas existe.

domingo, março 13, 2011

Teoria das Janelas Partidas

                      
                     Esta é uma das raras vezes em que se pode dizer a plenos pulmões "concordo em gênero, número e grau".

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Reforma no ensino público




Neste artigo comento as propostas libertárias para o ensino. Divirjo parcialmente, mas o que não deixa de parecer total para quem não se acostumou ao debate...



quinta-feira, fevereiro 10, 2011

99 não é 100


Acabo de assistir Wasteland (Lixo Estraordinário), documentário de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley sobre a vida dos catadores de material reciclável no maior aterro de lixo do mundo, Jardim Gramacho no Rio de Janeiro. Quando minha mulher me convidou para assisti-lo pensei “lá vai, mais um filme com olhar brasileiro terceiro-mundista sobre a vida dos ‘excluídos’ pela sociedade consumista insensível...” – Às vezes pode nos surpreender, ela me disse e estava certa. Não é um filme sobre a necessidade da reciclagem e os limites do crescimento econômico como estamos acostumados a ver idéias divulgadas por aí, é muito mais do que isto, é um documentário sobre a esperança e, principalmente, como o associativismo civil pode suplantar as maiores limitações que somos acometidos quando negamos a capacidade criativa de nossa vontade. Em determinado momento, em cima dos andaimes do estúdio, o artista plástico Vik Muniz, quem trabalhou com os coletadores de material no lixão diz, se não me falha a memória, que se sua família também tivesse sofrido algum percalço e ele não conseguisse ascender de sua condição de classe média baixa brasileira indo parar ali, não desperdiçaria a chance de participar de um projeto desses para fazer algo diferente, mesmo que depois voltasse a sua condição anterior. E é bem isto, os participantes conseguiram realizar uma obra coletiva fantástica e vender um de seus quadros em um leilão em Londres auferindo R$ 100.000,00 revertidos em negócios como alimentos, escola, biblioteca e sua associação profissional.

Entre o nada e o lugar nenhum


Certos textos são perfeitos para uma época. Pobreza, desigualdade e servidão | OrdemLivre.org é um desses. Se eu fosse escolher uma peça de marketing liberal para combater a visão socialista e divulgá-lo em folders espalhados pela cidade, especialmente nos campus universitários e centros empresariais seria este texto de Ivan Bolis Dauchas. O artigo do site Ordem Livre acerta em apontar a pobreza brasileira como um de nossos grandes problemas. Mas, eu não vejo como poderia ser diferente, tanto para liberais quanto socialistas. Dizer que programas de distribuição de renda como o Bolsa Família têm sua “matriz teórica (...) contida nas idéias de um dos papas do (neo)liberalismo, o economista norte-americanao Milton Friedman” sem explicar como isto seria diferente de um programa socialista não serve para nada na defesa do liberalismo como forma de superação do estatismo e clientelismo tradicional. Nas palavras do autor:

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Enya e taenia




Acho que foi José Guilherme Merquior quem disse que "sou um liberal na economia, um democrata na política e um anarquista na cultura". Penso que os três princípios se complementem.
Não desdenho da anarquia como meio de possibilidade criativa, não. Só acho que é difícil ver qualquer anarquista dando continuidade a qualquer coisa. E não se trata de incapacidade ou "burrice", só de articulação, pois se chega a determinado momento a exigência de disciplina. E é aí que a porca torce o rabo.