quarta-feira, fevereiro 26, 2014

O que falta Fidel Castro nos dizer?


Ah ah... É isso aí! Mas, sabe... Não sou contra a implantação de um porto lá SE e, SOMENTE SE, nossos portos já tivesse os investimentos necessários. A criação de uma ZEE a la chinesa, que é a aposta de dirigentes da FIESP não deixa de ser boa para nós e para o povo cubano. O PROBLEMA, a meu ver, é outro: este tipo de pólo de desenvolvimento será criado lá para aumentar a competitividade das empresas brasileiras SEM QUE os empregados brasileiros sejam beneficiados pelo mesmo tipo de projeto. E, muito embora eu seja contrário a nossa excessiva e parcial legislação trabalhista, não deixa de ser interessante ver esta evolução do partido dos trabalhadores. Deveras interessante que a necessidade os faça mudar. No entanto, não sejamos ingênuos, o que provavelmente acontecerá é que estas 300 empresas, segundo este porta voz da FIESP irão financiar futuras campanhas petistas tornando a ilha uma espécie de "portal de lavagem de dinheiro" para o PT. Ou alguém em sã consciência crê que o privilégio de atuar nesta zona econômica especial às portas do Canal do Panamá, em vias de ampliação, com acesso ao Pacífico, à China e ao novo bloco da bacia da Pacífico sairá de graça?

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Confira a análise do representante da FIESP aqui: http://youtu.be/QtnsjgKPeSk

terça-feira, fevereiro 25, 2014

O que falta ao Brasil - 1


Imagem: e-farsas.com
A imagem acima foi tirada em Manila, Filipinas em 2012 quando da passagem do tufão Saola. O que parece ter sido uma brincadeira tem algo de revelador, a infra-estrutura para evitar inundações é deficitária em grandes cidades ou em áreas sujeitas à fortes chuvas, como estamos acostumados nas regiões litorâneas brasileiras. Embora sua solução seja difícil, não é algo impossível, sobretudo se pensarmos na melhor localização urbana e coibição da ocupação em áreas de risco. Na imagem, ainda temos uma lan house, que talvez nem estivesse funcionando, mas seus equipamentos estão lá. Como esta parafernália eletrônica pode ser montada em comunidades pobres (eu estou intuindo que seja uma área pobre, como tantas assim no Brasil) e ter seus equipamentos, conexões e consumo do serviço em ordem, enquanto que uma infra-estrutura urbana se mostra tão difícil de ser sequer planejada, quando mais implantada? Para entender a lógica deste processo, eu sugiro que assistam à concisa apresentação de Paul Romer. É um vídeo inspirador. Realmente, muito, muito bom.

A idéia radical de Paul Romer: Cidades-Manual http://on.ted.com/f044y #TED



Agora vejamos como uma conhecida teórica do urbanismo lida com a questão:

A situação da mobilidade nas cidades brasileiras assemelha-se muito à de Los Angeles, descrita por Mike Davis. Nas nossas ruas, o direito à mobilidade se entrelaçou fortemente com outras pautas e agendas constitutivas da questão urbana, como o tema dos megaeventos e suas lógicas de gentrificação e limpeza social. As palavras de Ermínia Maricato – “os capitais se assanham na pilhagem dos fundos públicos deixando inúmeros elefantes brancos para trás” – me lembraram um cartaz que vi em uma das passeatas: “Quando meu filho ficar doente vou levá-lo ao estádio”. A questão urbana e, particularmente, a agenda da reforma urbana, constitutiva da pauta das lutas sociais e fragilmente experimentada em esferas municipais nos anos 1980 e início dos anos 1990, foram abandonadas pelo poder político dominante no país, em todas as esferas. Isso se deu em prol de uma coalizão pelo crescimento que articulou estratégias keynesianas de geração de emprego e aumentos salariais a um modelo de desenvolvimento urbano neoliberal, voltado única e exclusivamente para facilitar a ação do mercado e abrir frentes de expansão do capital financeirizado, do qual o projeto Copa/Olimpíadas é a expressão mais recente… e radical.[1]

O que chamam de “modelo de desenvolvimento urbano neoliberal” se assemelha mais a espasmos de liberalização, que na verdade é mais periclitante que cíclico. Uma das razões é a necessidade econômica de gerar valor, o que o intervencionismo estatal acaba abolindo ou secando a fonte com o passar do tempo. A excessiva atuação estatal é a norma, nossa constante em diversas nações do mundo e na América Latina em particular. Enxergar uma “guinada neoliberal” a partir dos anos 90 é criar um espantalho para iludir cidadãos acerca de nossos problemas, que residem exatamente no mau uso da máquina pública. Apesar das reformas propostas no período da gestão FHC terem sido tímidas e pontuais, sucessivas análises feitas por socialistas e assemelhados têm afirmado que os problemas de nossa economia (assim como as crises mundiais) foram conseqüência da globalização mundial e opção neoliberal de vários governos.[2]
E quais seriam estas “estratégias keynesianas de geração de emprego”? Por acaso estamos assistindo a uma intervenção cada vez maior do estado na economia na produção de setores básicos? Na execução de infraestrutura? Na criação de mecanismos de promoção social via geração de emprego?[3] Nem sequer temos uma orientação de investimentos setorial. Estas são algumas características mínimas para definirmos a atuação estatal nacional, sobretudo em âmbito urbano como keynesianas e, sinceramente, não é o que se observa. Intervencionismo? Sim, ocorre. Estatismo, burocratização? Sim, mas nada que se configure como um planejamento centralizado dotado de um mínimo de racionalidade visando o desenvolvimento a longo prazo, mesmo com possibilidades de déficits públicos e alta inflação que o próprio Keynes subestimara.[4]





[1] “Cidades Rebeldes.” Blog da Raquel Rolnik. Disponível em: <http://raquelrolnik.wordpress.com/2013/08/06/cidades-rebeldes/>. Acesso em: 12 fev. 14.
[2] “A maré estatista na América Latina e a Teoria do Intervencionismo.” Instituto Ludwig Von Mises Brasil. Disponível em: <http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1715>. Acesso em: 22 fev. 14.
[3] A única exceção é a redistribuição de renda via programas federais, mas que não tem o emprego como objetivo explícito.
[4] BRASSEUL, Jacques. História Econômica do Mundo: das origens aos subprimes. Lisboa, Edições Texto & Grafia, Ltda., 2012, p. 388-389.

sábado, fevereiro 22, 2014

Direito de ir e vir: como deturpar um conceito


Não precisa assistir até o fim, pois é maçante. Apenas até o momento, alguns minutos a frente em que a moça puladora de catraca esboça seu argumento fatal, no qual confundiu um direito com o acesso a um tipo de prestação de serviço.

Claro que ela tem o "direito de ir e vir", mas com suas próprias condições, ou seja, a pé. No entanto, ninguém é obrigado a proporcionar o "direito de ir e vir" com maior conforto para alguém. Esta prestação de serviço é opcional. Se não quiser pagar, se discorda do valor da tarifa que se arrume meio próprio para exercer o tal direito. E é aí que está a importância de se pleitear alternativas de locomoção, quebrando os cartéis dos meios de transporte que exercem lobby para evitar concorrência com lotações, mais taxis, dentre outros.

No entanto, querer que se concorde com a forma que se compreende o seu direito é patético.



Livros on line gratuitos

PROJETO GUTENBERG: http://www.gutenberg.org/

BIBLIOTECA DIGITAL CAMÕES: http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes.html

PORTAL COMÍNIO PÚBLICO: http://www.dominiopublico.gov.br/

BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL: http://www.wdl.org/pt/

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Sobre empréstimos internacionais feitos pelo BNDES e o caso do porto cubano



Empréstimos internacionais sem aprovação do Congresso são inconstitucionais : http://noticias.r7.com/jornal-da-record-news/videos/?idmedia=52f424b30cf2d62c8c5a90ce?s_cid=videos_jornal-da-record-news_twitter&utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=botao_twitter&utm_term=videos_jornal-da-record-news #jornaldarecordnews via @JornalRecNews

VS.



Jornal da Record News: Convidado avalia importância do porto em Cuba par...: http://youtu.be/QtnsjgKPeSk via @youtube

Verão, praias e seus inconvenientes

Leia aqui, o comentário sobre como é viver na Flórida feito por uma brasileira: O Lado Bom E Ruim De Se Viver Na Flórida. Um detalhe, no entanto, me chamou minha atenção: cada praia tem suas regras... Ah! Quanta falta isto faz aqui no Brasil! Aqui, se tu estiveres descansando sob o Sol, pode ser atingido por outro objeto esférico, uma bola cheia de areia e algum babaca ainda te diz "foi mal". Os idiotas esqueceram o significado da palavra desculpe... Isto quando não for uma menor, mas mais rápida, de frescobol e atingir na cara. Eu adoro cães, mas nem por isto vou levar um dos meus para as praias e quem faz isto, geralmente, não recolhe as fezes de seu animal, porque seus donos animais acham isto degradante. Surreal. Agora, a praga nacional que quase ninguém critica, som alto, de lixo musical, mas mesmo que fosse Beethoven, não importa, ninguém é obrigado ou tem que estar "no clima" de ouvir em som abusivo o que não quer. Seria tão simples que houvesse praias para esportes, para brincar com animais, para simplesmente se banhar e aquelas para mentecaptos regozijarem-se com o lixo da música eletrônica, o 'sertanojo', o pagode ou a pior abominação auditiva já criada pelo Homem, o funk. Se isto não existe aí nas condições que eu descrevi, parabéns, tu estás em algo próximo do paraíso.

sábado, fevereiro 08, 2014

A arte do exagero

Este texto padece do mesmo problema de outros argumentos "crítico culturais": tem business? Então não é arte, assim como no caso, não é ou não tem esporte, muito menos "espírito olímpico". Quem dera as nações se enfrentassem apenas nas olimpíadas e suas disputas fossem simbólicas, a partir de uma confraternização efetiva. Há corrupção? Licitações fraudulentas? Obras que são elefantes brancos etc. etc.? Então que se critique e investigue isto, sem jogar fora neste banho o bebê na bacia, sem jogar fora a intenção do esporte junto com negócios escusos. Putin e a elite política russa se revelam discriminadores, então a defesa da diversidade através do marketing colorido do Google é uma indireta e não um endosso ao Kremlin. E as drogas, anabolizantes etc.:? São ingeridos pela maioria dos atletas? Até prova em contrário, não. Então, o "chute" não é jornalismo sério. E quero crer que assim como os atletas, a maioria dos jornalistas também é séria. Mas, sabe aquela coisa, démodé, de querer ser radical, enquanto que no fundo não passa de um sectário inconsequente, e criticar tudo, todo o 'sistema', mas sem olhar para os detalhes deste sistema que são indivíduos? Pois é, isto faz com que qualquer análise, mesmo que bem escrita, na verdade não passe de uma fofoca. Isto na melhor das hipóteses, porque sem consciência, pois na pior seria uma calúnia mesmo.
Cf.: O Google, os gays e o espírito olímpico que não existe http://noticias.r7.com/_andre-forastieri via @forastieri

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Dois debates - 02

Nem tudo que tem lógica constitui uma prova para uma teoria científica...
(...) Em entrevista para a Veja, em 2006, falando sobre seu livro A Vingança de Gaia, lançado naquele ano na Inglaterra, Lovelock brandia o apocalipse. O repórter, não por acaso um dos crentes no efeito estufa, queria saber quando o aquecimento global chegaria a um ponto sem volta. Respondeu o guru, com a convicção dos profetas:

- Já passamos desse ponto há muito tempo. Os efeitos visíveis da mudança climática, no entanto, só agora estão aparecendo para a maioria das pessoas. Pelas minhas estimativas, a situação se tornará insuportável antes mesmo da metade do século, lá pelo ano 2040.
- O que o faz pensar que já não há mais volta?
- Por modelos matemáticos, descobre-se que o clima está a ponto de fazer um salto abrupto para um novo estágio de aquecimento. Mudanças geológicas normalmente levam milhares de anos para acontecer. As transformações atuais estão ocorrendo em intervalos de poucos anos. É um erro acreditar que podemos evitar o fenômeno apenas reduzindo a queima de combustíveis fósseis. O maior vilão do aquecimento é o uso de uma grande porção do planeta para produzir comida. As áreas de cultivo e de criação de gado ocupam o lugar da cobertura florestal que antes tinha a tarefa de regular o clima, mantendo a Terra em uma temperatura confortável. Essa substituição serviu para alimentar o crescimento populacional. Se houvesse um bilhão de pessoas no mundo, e não seis bilhões, como temos hoje, a situação seria outra. Agora não há mais volta.
- O senhor vê o aquecimento global como a comprovação de que sua teoria está certa?
- O aquecimento global pode ser analisado com base na Hipótese Gaia, e, por isso, muitos cientistas agora estão se vendo obrigados a aceitar minha teoria.
Quem se viu obrigado a fazer meia-volta – quem diria? – e negar sua própria teoria, foi Lovelock. Como o planeta teimava em não aquecer-se, Lovelock confessou em abril de 2012 ter sido alarmista: "cometi um erro". (...)
 Faz parte do trabalho científico aventar hipóteses, mesmo inverossímeis. O erro não está em quem as divulga, mas em quem as segue cegamente. Quando comecei a escrever sobre isto (e já abandonei o assunto) lá por 2003, meu intento inicial foi refutar os exageros publicados pela Carta Capital. Vi isto quando de possíveis consequências morfológicas e, talvez, demográficas de um fenômeno climático imaginado (o aquecimento antropogênico), mais rápido do que o normal (este ocorre periodicamente, de ordem natural), o jornalista pulou para consequências geopolíticas com argumentos pretensamente lógicos. E penso que aí é que está o problema: confundir o tema científico em questão, seja climatológico, geológico, demográfico etc. com um tema paralelo, na verdade, "circundante", que é a sua sociologia do conhecimento ou da ciência. Acho que discutir, claramente, o que ocorre politicamente em torno do tema é algo que ainda não tive o prazer de ler, exceto por matérias investigativas jornalísticas, algumas tão ou mais vulgares e alarmistas quanto o próprio alarmismo ambientalista que denunciam. Veja, p.ex., a crítica de cunho liberal(-econômico) que subjaz aos questionamentos à teoria aquecimentista que virou moda a partir dos anos 80. Ela nega a possibilidade de aquecimento para a defesa do capitalismo. Ora, e SE fosse verdade? Para um defensor do liberalismo, o sensato não seria negar o aquecimento, mas sim propor políticas econômicas de cunho não intervencionistas no mercado ou críticas às outras políticas econômicas socialistas, estatizantes etc. Mas, não. O que eles fazem? Negam a possibilidade de aquecimento. Digamos que não haja aquecimento, mas resfriamento global (que é outra possibilidade, talvez iminente, segundo o Molion), qual seria a postura de defensores da produtividade econômica e do engenho humano? Criticar o ciclo geológico e climatológico ou propor o desenvolvimento de novas tecnologias para nos adaptar? Veja, não se trata de defender a teoria, que talvez esteja errada mesmo (sou simpático a esta ideia), mas de colocar as coisas em seus lugares: uma coisa é avaliar o que se passa no ambiente natural, avaliar as pesquisas e, como não somos da área, confrontar o que dizem os especialistas, dando o mesmo destaque para vozes discordantes, uma vez que democracia não é um conceito aplicável à ciência; outra, bem diferente, é analisar o uso político que se faz de uma ou outra ideia. Veja, caso análogo, da "superpopulação"? Quem fala mais nisto? Saiu de moda, sobretudo agora quando o continente europeu passa por um decréscimo na sua taxa de natalidade e envelhecimento da população. Acho um tema instigante os liames entre sociedade e natureza, mas justamente por se tratar de área interdisciplinar é onde mais se encontram, digamos assim... Aventureiros.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

A 1ª tese sobre o ‘rolezinho’


Uma das teses sobre a falta de perspectiva dos jovens como condicionante do "rolezinho" está aqui bem retratada: O “rolezinho” e os jovens sem futuro | Luiz Flávio Gomes http://atualidadesdodireito.com.br/lfg/2014/01/22/o-rolezinho-e-os-jovens-sem-futuro/ via @atualdodireito
Vejamos este trecho:
Vendo diariamente os desmandos concentradores praticados pelo capitalismo atrasado vigente no Brasil assim como o descalabro do Estado estacionário brasileiro, com suas instituições políticas, econômicas, jurídicas e sociais degeneradas, as classes dominadas (C e D) estão cada vez mais conscientes das suas condições precárias no mercado de trabalho, nos estudos e nos relacionamentos sociais, o que compromete o seu presente consumista assim como o seu futuro.
Embora o texto não se limite a esta visão meramente reativa na economia, neste trecho se estabelece uma teoria na qual a população de classes menos abastadas (o que está bem claro) toma consciência de suas carências sociais e econômicas que a levaria a reagir, como se vê neste outro parágrafo:
Tudo isso seria compensado com serviços públicos de qualidade, como saúde, educação e transportes. Mas esse definitivamente não é o caso do Brasil injusto e estacionário. Resultado: frustração, desesperança, ódio, sensação de impotência e indignação, que são os ingredientes necessários para desmoronar qualquer país decadente e socialmente retrocessivo, sobretudo depois da democratização do acesso às redes sociais.
Se procurarmos por esta equação nas ciências sociais encontraremos teorias que endossam esta visão, dentre as quais, a da passagem de uma classe em si para classe para si (marxismo). Um contrato intergeracional presumido estaria sendo violado e, portanto, uma reação ao longo do tempo seria, inevitavelmente, gestada. Esta visão, referida segundo o autor em Edmund Burke e, mais recentemente, em John Rawls, clássicos liberais-conservadores de ontem e hoje mostra que têm em comum com a visão marxista: sua teleologia objetiva da história, um funcionalismo que pressupõe um rumo ou seqüencia de acontecimentos dotados de certa lógica e nexo entre si. É temerário procurar previsões na história que não atentem para as possibilidades de mudança e alterações de rumo, quanto mais no estabelecimento de lógica causal que utilizada em algum evento passado ainda sirva para prever o que venha a acontecer.
(...)