domingo, julho 31, 2011

Anomia na sociedade da perfeição



         Já faz alguns meses que eu o li, O Guerreiro Solitário de Henning Mankell. Romance policial sueco, meio devagar logo de cara, mas faltando 1/3 para terminar se torna mais interessante. Detalhe curioso que dá para ter uma idéia do que é uma sociedade na Suécia é quando os detetives elencam uma série de critérios para se definir o perfil do criminoso, um serial killer que matava com requintes de terror inspirado em um índio norte-americano, com sua machadinha, o fato dele ter mais de 18 anos porque tinha guiado uma van para transportar um corpo! Ora! Se o sujeito já havia matado algumas pessoas, cometido o mais bárbaro dos crimes por que diabos ele daria atenção para leis de trânsito?! Achar que isto seria um entrave ao seu comportamento ao ponto de provavelmente o assassino não fosse um menor de idade dá uma vaga, porém inspiradora idéia do que deve ser o apreço a ordem vigente naquele país. E mais do que isso, do que se espera até mesmo de quem esteja à margem da Lei.
         Outro dia discutia com um desses babacas conservadores, para os quais o mundo divide-se em uma lógica binária de Direita/Esquerda e o imbecil me dizia que a Suécia se tornou “uma tirania legalista sem precedentes”. Esta visão decorre do simplismo de buscar na origem de seu modelo welfare state, um germe socialista calcado numa versão mais branda da “ditadura do proletariado”. Daí, a legislação sueca parece ser maléfica, quando comparada a constituições anglo-saxãs enxutas. Só esquecem de avaliar que países como EUA ou Inglaterra também têm vários níveis de legislações que, somadas, também são um cipoal de decretos, normas e condutas. Mas, é aquela história, só se seleciona o que se quer criticar e... O que se quer acreditar.
         Obviamente que há detalhes da economia sueca que podem ser aprimorados, mas é um equívoco tentar entender toda uma sociedade apenas pela sua estrutura e funcionamento econômicos. Isto não resume uma sociedade, apenas a compõe.
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