Não Culpe o Capitalismo



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quarta-feira, fevereiro 15, 2012

A abulia européia e o remédio inócuo

O especialista em estratégia diz, em ótima entrevista: “A Europa está abúlica, perdeu o ímpeto de empreender e de exercer o poder político” | Ricardo Setti - VEJA.com
Mas, eu discordo desta verve integradora do texto. Acho que uma associação como o NAFTA ou a APEC já seria de bom tamanho para a Europa, coisa que já tiveram aliás. Mais do que isto necessitaria de "ajustes históricos" que implicariam na supressão de nacionalidades. Não tem como equiparar com os EUA que são uma federação ou com uma Alemanha, que era foi um país dividido, mas um país. Imagine... Desde quando dinamarqueses irão tolerar as touradas espanholas? Agora mesmo os escoceses não estão querendo (novamente) se separar do Reino Unido? Então sigo o velho o ditado "o ótimo é inimigo do bom" ou como meu irmão, engenheiro, portanto mais preciso e prático diz "o ideal é inimigo do bom". Não dá para tentar levar ao pé da letra a palavra integração, que daí não rola nada mesmo. Quanto ao desequilíbrio etário e a vadiagem européia, eu estou de pleno acordo.
Enfim, não dá é para imaginar remédios irreais para uma situação que urge soluções práticas.


Leia o texto completo aqui:
11/02/2012
às 16:00 \ Vasto Mundo

O especialista em estratégia diz, em ótima entrevista: “A Europa está abúlica, perdeu o ímpeto de empreender e de exercer o poder político”

Walter Laqueur:
Walter Laqueur: “Os países europeus não sonham mais, como no passado, com expandir-se territorialmente, exercer o poder político. Os europeus querem ser deixados em paz" (Foto: Amin Akhtar / Other Images)
Amigos do blog, se você estão tendo dificuldades de entender o que, afinal, se passa com a Europa, que não sai da crise e, a despeito do esforço de alguns líderes, não parece ir a lugar algum, então leia a ótima entrevista abaixo.
Profundo conhecedor da Europa, o entrevistado avança por explicações originalíssimas, e pouco discutidas, para a situação da Europa. Uma delas é que, afastados os tempos de dominadora do mundo, os habitantes da Europa querem, sobretudo, ser deixados em paz.
Isso faz toda a difereça, como você poderá constatar nesta fascinante entrevista, com respostas simples, diretas e surpreendentes.
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O futuro modesto da Europa
O historiador alemão naturalizado americano, um dos maiores especialistas do planeta em estratégia, diz que a atual crise econômica na região não é grave o suficiente para forçar os europeus a aprofundar a união de suas nações
Por Tatiana Gianini
Em 2007, o historiador Walter Laqueur escreveu que a Europa enfrentava problemas estruturais graves que levariam à sua decadência num futuro próximo. Foi acusado de excesso de pessimismo.
“Agora, as mesmas vozes que contestaram minhas ideias produzem manchetes apocalípticas sobre a Europa”, diz Laqueur, de 90 anos. Nascido na Alemanha e naturalizado americano, o autor de mais de 25 livros sobre Europa, Oriente Médio e o Holocausto acaba de lançar nos Estados Unidos a obra Depois da Queda: o Fim do Sonho Europeu e o Declínio de um Continente.
Ex-diretor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, ele falou a VEJA de Londres, onde moram seus filhos, sobre como a Europa pode reencontrar seu lugar no mundo.
Um ano antes da crise financeira de 2008, o senhor previu que a Europa estava prestes a enfrentar a falência das políticas de bem-estar social. Quais eram os indícios disso?
A Europa estava em declínio havia décadas, ainda que muitos analistas acreditassem que a situação era maravilhosa e que o futuro estava assegurado. Eles tinham essa impressão porque nos anos seguintes à II Guerra Mundial a recuperação dos países europeus havia sido espetacular e promissora.
Com o tempo, esse ímpeto esmoreceu. Desde os anos 70, com a alta nos preços do petróleo, as economias europeias passaram a apresentar sinais de fraqueza. O Estado de bem-estar social começou a depender de uma base econômica frágil e o endividamento público explodiu.
Ao mesmo tempo, a Europa era dependente dos Estados Unidos no campo da defesa. A cooperação militar interessava a todos enquanto havia a União Soviética como inimigo comum. Com o fim da Guerra Fria, no início da década de 90, a disposição dos Estados Unidos em defender a Europa tornou-se menos óbvia.
Por fim, os países da região foram inundados por imigrantes de nações muçulmanas. Com valores culturais em muitos pontos incompatíveis com os dos países que os receberam, esses imigrantes não foram bem assimilados. Em resumo, a queda na autoconfiança, o endividamento dos Estados, a dependência militar e a imigração islâmica são os componentes de um processo de declínio, que só se tornou evidente para a maioria das pessoas com a atual crise econômica.
navio-missil-ira (Foto: Rouholla Vahdati / AFP)
Navio do Irã lança míssil: armas de destruição em massa de longo alcance são desafios para convivência pacífica (Foto: Rouholla Vahdati / AFP)
O que esse declínio significará para a ordem global?
A região já havia deixado de ser o centro do mundo depois da II Guerra, mas ainda era uma fonte de inspiração por seus valores civilizatórios.
Agora, ficará mais difícil para a Europa promover a liberdade e os direitos humanos para o resto do mundo. Mesmo internamente, será um desafio preservar a democracia em um momento em que, em meio a uma recessão, se tornou inevitável a adoção da austeridade nos gastos públicos.
Pobres em recursos naturais e energéticos, os europeus lutarão para manter seu padrão de vida e suas conquistas sociais. A opção por solucionar questões externas com base na convivência pacífica e na cooperação também será posta à prova, pois entre 2020 e 2030 a proliferação de armas de destruição em massa de longo alcance terá se consolidado em países do Oriente Médio.
Como a Europa enfrentará essas ameaças?
A origem de muitos dos problemas da região está na resistência dos membros da União Europeia em rumar para a integração completa, para a criação dos Estados Unidos da Europa, ou seja, uma configuração política semelhante ao sistema federativo americano.
Para poder fazer frente aos desafios externos será imperativo adotar uma política de defesa comum, da mesma forma que para resolver os problemas estruturais será preciso centralizar as decisões sobre as questões econômicas.
Para seguirem esse caminho, contudo, os países europeus teriam de fazer concessões radicais de soberania. Mas não existem muitas opções ao alcance. Ou a União Europeia se desintegra de vez, liberando os países para tomar seu próprio rumo, ou tenta atravessar as turbulências atuais do jeito que dá, sem mexer muito na atual configuração institucional do bloco.
Essa segunda opção é a mais provável, porque a história mostra que as instituições, uma vez instaladas, tendem a se manter por inércia. O mais preocupante, contudo, é que mesmo um continente europeu unido pode não reunir a fortaleza necessária para sustentar de modo consistente uma posição relevante nos assuntos mundiais.
Talvez optar por uma postura modesta seja o mais fácil e menos arriscado para a Europa. As ambições dos países europeus, antes acostumados a ser fortes e influentes, terão de ser reduzidas.
Crises econômicas, como se sabe, são cíclicas. Passada a atual fase, os europeus não podem reaver seu antigo poder de alguma forma?
A crise que a Europa enfrenta é grave, talvez a mais profunda desde o fim da II Guerra, mas não é de vida ou morte. A recessão de 2008 teve certo efeito, pois induziu a Alemanha e a França a criarem um fundo de estabilidade financeira para resgatar a Grécia e a Irlanda.
Isso é suficiente para evitar o desastre iminente, mas não basta. A meu ver, só uma crise de sobrevivência levaria os europeus a sair do estado coletivo de abulia em que se encontram.
Como assim?
Abulia era uma expressão consagrada pelos psiquiatras na França do fim do século XIX para descrever a total falta de ânimo e de vontade de um paciente. Os países europeus, alguns mais do que os outros, perderam o ímpeto de empreender e de exercer o poder político.
A Europa sofre de abulia política e econômica. O desejo de ter poder e de exercê-lo se esvaneceu. O nacionalismo agressivo que prevaleceu na região até 1950 se converteu em um nacionalismo passivo.
Até os fascistas de hoje são defensivos. Os países europeus não sonham, como no passado, em se expandir territorialmente, mas sim em se fechar para o mundo. Os europeus querem ser deixados em paz.
A história mostra que as grandes mudanças muitas vezes ocorrem quando há a ascensão de uma nova geração, otimista e ambiciosa. Isso não está ocorrendo agora na Europa.
Por quê?
Primeiro, porque a sociedade europeia está envelhecendo. As pessoas vivem mais e a parcela da população economicamente ativa diminui, o que explica em parte o fato de o sistema de bem-estar social ser cada vez menos viável.
Segundo, porque os jovens europeus não têm ambição e não estão preocupados em criar riqueza. Eles também sofrem da mesma abulia coletiva. Querem curtir a vida e esperam que o Estado os sustente.
Eis o dilema dos países europeus: eles precisam que seus jovens trabalhem em dobro para pagar o custo das aposentadorias, mas a rapaziada também só quer viver dos benefícios sociais. A conta não fecha.
Como tirar a Europa dessa apatia?
Uma saída seria o surgimento de um nacionalismo europeu forte, mas esse sentimento é incipiente. Uma pesquisa de opinião mostrou que apenas metade dos europeus se sentem “europeus”.
O nacionalismo pressupõe que um cidadão esteja disposto a se sacrificar por aqueles com quem compartilha da mesma identidade. Quanto maior o vínculo emocional, maior a propensão à solidariedade.
O fato de os alemães não gostarem da ideia de pagar para salvar da falência outros cidadãos que abusaram dos benefícios sociais, como os gregos, mostra que a solidariedade europeia é mera ficção.
Prevalece a lealdade do indivíduo ao país em que ele nasceu. Várias tentativas foram feitas para fortalecer o sentimento da herança cultural comum, incluindo a criação de uma bandeira e de um hino europeu.
Tudo em vão. A solidariedade e o sentimento nacional europeus podem se desenvolver a longo prazo, se impulsionados pela pura necessidade ou pela pressão econômica e política. Por essa razão, repito, só mesmo uma crise que ameace para valer sua existência fará a Europa se mexer.
Como seria essa crise?
Acho que a população europeia se uniria caso seis países entrassem em falência simultaneamente e outros tantos afundassem em dificuldades financeiras, com a duplicação das taxas de desemprego atuais.
Afinal, o que os europeus têm em comum?
Os valores democráticos, a tolerância, a promoção dos direitos humanos e o bem-estar social. Muitas nações europeias enfrentam também os mesmos problemas, como a imigração descontrolada, que impõe desafios à identidade nacional.
Alguns demógrafos preveem que, em um futuro não muito distante, os imigrantes e seus descendentes serão maioria nas cidades de Marselha, na França, Amsterdã, na Holanda, Bruxelas, na Bélgica, e Birmingham, na Inglaterra.
A Europa precisa de imigrantes, mas ainda não encontrou uma maneira de atrair aqueles com a qualificação adequada e dispostos a se submeter às normas e aos costumes locais.
A União Europeia e o euro podem desaparecer?
Isso é improvável. A ideia de uma moeda comum não foi ruim. O euro não foi a principal causa da atual crise e, mesmo se desmoronasse agora, é provável que depois de alguns anos haveria outra tentativa de criar uma moeda única.
O problema é que o euro não deveria ter sido criado sem que houvesse um governo unificado responsável por sua coordenação. Não é possível ter uma moeda comum quando os países do bloco decidem individualmente seu orçamento anual.
Como as opções de reverter a integração dos países europeus e de acabar com o euro sairiam mais caras do que seguir em frente, o melhor a fazer agora é intensificar ainda mais a unificação política e econômica da região.
A criação de um governo europeu que possa ditar os rumos da economia parece o mais provável, ainda que as negociações para isso demorem muito. Sem um controle central, o euro não seria capaz de sobreviver.
A queda do muro de Berlim, em 1989, trouxe uma nova realidade para a Alemanha, que se unificou e arcou com o empobrecimento da população
A queda do muro de Berlim, em 1989, trouxe uma nova realidade para a Alemanha, que se unificou e arcou com o empobrecimento da população. Mas o país "é um exemplo notável de como a recuperação é possível" (Foto: Reuters)
Que lugar na economia mundial o futuro reserva para a Europa?
A indústria de alguns países europeus ainda pode competir com os mercados emergentes, exportando bens de luxo e itens de alta tecnologia. A Alemanha é um exemplo notável de como a recuperação é possível.
Depois de se reerguer da devastação da II Guerra, a Alemanha voltou a enfrentar um momento desafiador, em 1990, ao absorver sua porção oriental, comunista e empobrecida. Como consequência da reunificação, os alemães enfrentaram o desemprego e salários não competitivos. Parte da imprensa europeia passou a se referir ao país como o “homem doente da Europa”.
Com o passar dos anos, as empresas alemãs fizeram ajustes estruturais, reduzindo custos e se tornando mais flexíveis.
A situação hoje é completamente diferente. A Alemanha é um dos maiores exportadores do mundo [só perdeu em 2010 a condição de maior exportador do mundo para a China].
Já as nações menores da região precisam repensar a sua economia. Como não contam com recursos naturais para exportar nem com indústrias de ponta, aquelas que basearam sua fonte de renda em manufatura com mão de obra barata não podem mais competir com o custo agressivamente menor de países como a China.
É por essa razão que o futuro econômico da Europa deve ser focado na vanguarda da tecnologia, da ciência e dos produtos de luxo. A região também tem vocação para se tornar um grande parque temático.
Parque temático?
Esse cenário pode parecer fantástico neste momento, mas é uma possibilidade que não pode ser descartada.
Em vários países da região, o setor turístico tem se tornado o mais vibrante da economia e o principal receptor de moeda estrangeira. A capital francesa, por exemplo, virou uma espécie de Disneylândia de alto padrão para visitantes ricos de países emergentes como China e Índia, que já estão entre os que mais compram nas lojas de grifes parisienses.
Nesses estabelecimentos, ter vendedores fluentes em mandarim já é quase uma obrigação. Os chineses recentemente superaram os russos como os maiores compradores de bens de luxo da Europa Ocidental. Muitos outros chineses virão.
Esse pode ser o lugar da Europa na nova ordem mundial. Um lugar mais modesto, mas ainda respeitável.
(Publicada na edição impressa de VEJA de 30 de janeiro de 2011)

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