Não Culpe o Capitalismo



Pessoal, eu,

Anselmo Heidrich, o Fernando Raphael Ferro de Lima e o Luis Lopes Diniz Filho,

administradores dos blogs


respectivamente, acabamos de lançar um libelo da GEOGRAFIA ANTI-MARXISTA, o 1º do país!

Prestigiem...

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quinta-feira, agosto 18, 2011

Síndrome Sensitiva de Auto-Referência

  
http://sv-jornada.blogspot.com/2010/05/arnaldo-jabor.html
Artigo antigo de minha lavra, mas que serve para diagnosticar tipos atuais que se nutrem de invencionices e teorias conspiratórias de fácil aceitação:


Ainda Arnaldo Jabor. Fiquei realmente muito intrigado após meu último comentário sobre o funcionamento dos intricados corredores cerebrais do comentarista, em como estaria a freqüência de suas sinapses, talvez um pouco abaixo da média, não sei... No seu comentário de segunda-feira, dia 24, o “ilustre” estava para brincadeiras: argüiu que o problema com o presidente Bush, talvez seja seu imenso “pé frio”, um verdadeiro “cowboy sem pontaria”, pois desde que assumiu, fatos como os atentados de 11 de setembro, desastres aéreos, incêndios em discotecas, nevascas em Nova York (!) puseram-se a acontecer. Seria isto uma “praga muçulmana”? Ironiza nosso comentarista engraçadinho. Ou uma “maquinação”, “plano maligno” elaborado pela assessoria de Bush para conferir mais poder ao presidente devido à mediocridade de seu mandato? Sugeriu o espirituoso.
De onde vem à sugestão do “cérebro jaboriano”? Pura fantasia? Alucinação coletiva? Maquinação infantil? Não, menos que isto, apenas um cérebro confuso, nada mais. Qualquer um pode lançar uma teoria sobre fatos que ignora por completo. Talvez devêssemos procurar algo correlato para entende-lo melhor no fichário dos hospícios. Isto, mesclado ao marxismo com nuances nacionalistas, adquire ares de cientificidade. A coisa fica mais interessante ainda quando se “justifica negando”, isto é, se o governo ou fontes oficiais dizem que algo é assim, é provavelmente o oposto. Daí a ligação jaboriana com o raciocínio dogmático: conceitua um fato não pelo que é, ou provavelmente seja, mas pelo que não é, tendo como subproduto inúmeras ilações irresponsáveis e suspeitas que se auto-afirmam em verdades absolutas. Edir Macedo deveria (se é que já não o faz) ouvir Arnaldo Jabor... 
Portanto, se um avião cai em Nova Jersey ou uma discoteca incendeia em Chicago, as suspeitas e toda uma metodologia da criminalística não têm muito valor, pois o que importa é quem esteve por trás, antevendo e planejando tudo. Realmente, soa como uma verdadeira onipotência divina. 
Teóricos da paranóia conspiratória acreditam que por trás disto tudo estão famílias de banqueiros judeus orquestrando várias revoluções políticas e maquinações através da Europa e América desde o século XVIII, nos levando para uma “satânica Nova Ordem Mundial” e que George Bush (o próprio pai do atual presidente) fez, em realidade, foi estabelecer um único governo mundial com o anti-Cristo. 
Na mente paranóica, os dominadores se infiltraram em todos governos e todos aspectos da sociedade. “Eles” seriam responsáveis por cada mal e cada ato de injustiça perpetrado em qualquer lugar. Trata-se de uma lógica monocausal, como a que perpassa a própria obra marxiana onde o Capital toma o caráter de um ser, um ente dotado de lógica e objetivos próprios a ponto de guiar a sociedade para um fim específico e determinado. Como se diz do demônio, a sua força reside no fato de não se acreditar na existência desses conspiradores. Na mente paranóica que Arnaldo Jabor encarna, “eles” nunca desaparecerão de um mundo fantasiado guiado por teóricos de uma fantástica conspiração direitista. 
Seja a reunião de diversas nações sob o manto imperialista do Império Romano; a restauração do Estado de Israel; a implementação de um único sistema de governo mundial; a “imposição” de um sistema monetário global; o desenvolvimento do sincretismo religioso mundial, baseado em falsos profetas; a ascensão de um déspota esclarecido ou “ditador benigno” no mundo que eliminaria liberdades individuais, tudo, tudo é possível nesta mixórdia de pensamentos que se integram delegando cada vez mais força à mentalidade paranóide, da qual Arnaldo Jabor é um mero epifenômeno da mídia nacional a disseminar o medo. 
Por outro lado, Arnaldo Jabor é uma pessoa bastante condescendente com o ditador iraquiano. Pouco importa para ele, se o vizinho Irã fundamentalista apresenta dissensões com o Iraque. E não adianta vir com conversa mole de que é por que se trata de uma mera divisão entre seitas islâmicas: no Irã, 1/3 se opõe ao regime dos aiatolás. Pouco importa se no Iraque, os xiitas que vivem no sul se oponham também ao regime iraniano (assim como ao iraquiano) e que os mesmos tenham se oposto heroicamente às investidas de Saddam em 1991. Isto tudo não deve passar de uma estratégia pérfida de Bush e seus “conspiradores” para Arnaldo Jabor. Apesar de seu tom jocoso, é um jogo mundial de cartas marcadas. E esse lixo televisivo, radiofônico nos é imputado diariamente como se fosse uma pérola da crônica da mídia eletrônica, na qual Bush é tratado como idiota por nosso “lúcido” comentarista que, em seu caso, o adjetivo “idiota” seria um elogio... 
Dentre os ouvintes “privilegiados” de Arnaldo Jabor, estão nossos profissionais do ensino médio, onde professores de Geografia e História gostam de investir na chamada Geopolítica para aumentar seu ibope disseminando a ignorância entre os alunos. Estes “cultos” porta-vozes da ignorância gostam de repetir aos quatro ventos as últimas tiradas de comentaristas sem substância. Torna-se muito mais fácil falar das complexidades mundiais tratando realidades nacionais intrincadas como se fossem grupos dotados de homogeneidade ideológica – o que corrobora facilmente qualquer teoria conspiratória, pois tudo se torna um jogo de cartas marcadas. Daqui a 10 ou 20 anos, quando estourar um “novo conflito”, vão desenvolver “fabulosas teorias” sobre a civilização atual achando que presenciam uma novidade, enquanto que em realidade, se trata de mais um dissenso devido aos particularismos locais combinados com uma sede inevitável de obtenção de controle social por ditadores de ocasião. Estes, defendidos e justiçados por disseminadores da paranóia, do medo e, sobretudo, de cavalares doses de ignorância. 
Alguns jornalistas têm realmente uma mente fantasiosa: no dia 27 de fevereiro passado, Luiz Weis escreveu no Estado de São Paulo que a mídia americana em peso faz coro com Bush. Disse que a mesma se limita a “vender a guerra”. Engraçado que redes como New York Times têm divulgado opiniões de articulistas contrários a guerra. É como se estas não contassem, assim como não devem ter contado também a longa entrevista divulgada pela rede CBS, Saddam Interview Airs In Iraq nos dias 26 e 27 de fevereiro, inclusive intimando Bush para um debate. 
Nada disto conta, pois não ajuda a corroborar a mentira de que há manipulação. 
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* “Os indivíduos que apresentam um núcleo persecutório evidente na personalidade são popularmente chamados de ‘paranóicos’. Os sintomas da doença não aparecem no comportamento da pessoa até que seja provocado por algum fator interno ou externo.
“Muitas pessoas apresentam traços de parnóia, mas que são compatíveis com uma conduta relativamente normal. São pessoas desconfiadas, muito sensíveis, temerosas e que freqüentemente interpretam de maneira errada as intenções alheias. A esse comportamento chamamos de ‘síndrome sensitiva de auto-referência’. Porém, quando a sensação de estar sendo perseguido, de estar sendo vítima, toma importância na vida psíquica do indivíduo, fica patente que a anomalia está ocorrendo em seu psiquismo. Percebe-se claramente que o paciente não está fantasiando nem interpretando mal os fatos externos, mas vivenciando algo que não possui nada de real, caracterizando, assim, um quadro psicótico” (LEONEL, Carla et al. Medicina : mitos e verdades. – 2a ed. rev. e ampl. – São Paulo : Ed. CIP, 1998. P. 496).
FONTES
http://radioclick.globo.com/cbn/
http://skepdic.com/
http://www.economist.com/displaystory.cfm?story_id=1494035
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/03/02/26/aberto002.html 

[Síndrome Sensitiva de Auto-Referência, por Anselmo Heidrich]

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